Royale With Cheese

 Royale With Cheese

 
 



sexta-feira, março 31, 2006  

A VERDADEIRA HISTÓRIA DE JACK, O ESTRIPADOR:

Título: From Hell
Realizador: Albert e Allen Hughes
Ano: 2001


Alan Moore começa a arriscar tornar-se numa espécie de Stephen King: um autor de graphic novels (um nome mais fino que se dá às bandas-desenhadas) de eleição, cujas adaptações ao cinema pouco juz fazem ao seu valor. Uma vez que parece que V De Vingança veio alterar esse cenário, faz todo o sentido de recuperar A Verdadeira HIstória De Jack, O Estripador, em mais uma fantástica adaptação do título para português.

Para quem não sabe, Alan Moore é um obcecado pela maçonaria, os seus rituais obscuros e pela História. Por isso, é comum as suas obras pegarem em acontecimentos históricos verídicos e manipularem-nos, introduzindo personagens heróicas e transformando-lhes os contornos em algo mais misterioso. A Verdadeira História(...) repesca a misteriosa figura de Jack, O Estripador - o primeiro serial killer da História, cuja identidade ainda hoje é motivo de discussão - e transforma-a num thriller intrincado.

Não se pode dizer que a estória tenha levado um tratamento original: nenhum acontecimento novo é introduzido e, por isso, já vimos este episódio ser tratado pelo Sherlock Holmes. Aqui, a inovação reside nas personagens: o inspector Fred Abberline (Johnny Depp) é uma espécie de mistura entre Sherlock Holmes e Blueberry (o do filme, não o dos livros) que resolve os casos a partir das suas intuições, que mais não são do que alucinações provocadas pelo ópio. Encarregado de tentar apanhar esse misterioso Jack, O Estripador, que vai estripando prostitutas a seu bel-prazer, Abberline vai ver-se envolvido numa conspiração a grande escala, onde as sub-tramas se sobrepõem umas às outras, incluindo a maçonaria, um grupo de prostituas chantageadas (e lideradas pela bela Mary Kelly (Heather Graham)) e até a teoria de que o assassino poderia ser o próprio princípe Eduardo (Mark Dexter).

A Verdadeira História(...) tem assim dois momentos distintos que quase o dividem em duas partes: a primeira, em que nos são apresentadas as personagens e os factos; e a segunda, em que a trama se desenvolve, até à catarse (leia-se rveelação) final. E se a primeira parte é bastante interessante, cativante e promissora, a segunda não passa do banal e do cliché, chegando a ter, inclusive, um final bastante cheesy. É como que se a segunda parte não tivesse conseguido suportar a pressão de uma primeira parte tão boa.

Os irmãos Hughes fazem, contudo, um excelente trabalho no tratamento gráfico do filme: a cidade de Londres do século XIX é espectacularmente bem reproduzida, mergulhada nas sombras, qual filme noir, em que a violência espreita literalmente em cada esquina (e aqui merece aplaudir os realizadores na forma como a violência nunca é gratuita e quase sempre sugerida). Falta, no entanto, um tratamento mais trash do tal grupo de prostitutas perseguidas pelo estripador; e não é só por Mary Kelly ser glamourosa demais. É por esta ter uma aura virginal e por ser uma prostituta que não tem sexo com ninguém, coisas que não se ajustam a mulheres que bebem, fumam e dizem palavrões. Até a gangue dos miúdos carteiristas de Oliver Twist tem um aspecto mais sujo que esta.

Alan Moore detesta todos os filmes que se fizeram a partir dos seus livros. No entanto, afirmou em entrevista que o único que viu mesmo foi este. Percebe-se o porquê de não ter gostado. No entanto, não acredito que não tenha ficado surpreendido com as cenas fabulosas das mortes das prostitutas. Não falo daquelas versão-videoclipes, mas sim a primeira e a última, de uma subtileza cortante e uma beleza visual tão depurada que é assustadora. Só por isso, merecia o McChicken.

Posted by: dermot @ 9:51 da manhã
|  




segunda-feira, março 27, 2006  

TERRA DOS MORTOS:

Título: Land Of The Dead
Realizador: George A. Romero
Ano: 2005


Por mais filmes que faça (que até não têm sido muito), George A. Romero será sempre o pai dos zombies. Por isso, quando foi anunciado que a sua série dos deads iria ter mais um tomo, soaram os clarins da celebração.

Terra Dos Mortos é o sucessor de O Dia Dos Mortos e, tal como os seus percursores, volta a usar o zombie flick como referência à sociedade contemporânea, levando as convenções sociais aos extremos de pesadelo. O flick não tem muitas explicações: durante os créditos iniciais ficamos a saber que os mortos começaram a ressuscitar num fenómeno universal, criando uma gigantesca horda de mortos-vivos, os mal-cheirosos (mais uma vez, a palavra zombie nunca é usada no filme). Riley (Simon Baker) é o líder do exército de uma cidade fortemente guardada, onde as pessoas vivem sitiadas numa liberdade ilusória. Mais ilusória ainda é a liberdade dos residentes de Fiddler's Green, um condomínio de luxo governado pelo magnata Kaufmann (Dennis Hopper).

Passemos agora em revista a lista das características dos filmes de Romero: Gore? Presente! Humor? Presente! Decepações, decapitações e amputações? Presente presente presente! Terra Dos Mortos não é um rip-off, nem um remake manhoso. Estamos perante o real deal, onde tudo é genuíno. Romero é o pai do género e manipula-o como ninguém. Pela primeira vez teve acesso ao CGI, mas a manipulação digital não o enloqueceu e manteve-se responsável. Também o seu humor negro manteve-se apurado, como na cena em que um zombie degusta a contra-gosto o piercing do umbigo de uma jovem. Até alguns toques de realização mais amadores se mantêm, daqueles que fazem as delícias dos filmes de Romero e de Carpenter.

Mas o cerne de Terra Dos Mortos é a sua acutilância social e aqui George A. Romero foca dois pontos essenciais: o primeiro é a perda de identidade da nossa sociedade (algo intrinsicamente ligado à própria concepção zombie), perdida num mundo de consumismo e globalismo sem limites. O condomínio privado de Fiddler's Green é como um daqueles gigantes centros comerciais que agora proliferam por aí e aos quais as pessoas se desunham para ir ao fim-de-semana, não percebendo que aquilo não é mais do que um antro de parolice. Aqui, o condomínio fechado é usado como naquela história do copo meio-cheio ou meio-vazio. Quem estará em liberdade, os que estão lá dentro, sitiados a quatro paredes, ou os que estão cá fora, procurando abrigo dos zombies?

Quanto ao segundo ponto, tem a ver com o incontornável tema do terrorismo. E aqui Romero é menos subtil. Quando Cholo (John Leguizamo) faz chantagem com Kaufmann, exigindo cinco milhões de dólares, este responde-lhe explicitamente "Não pago nem um tostão, há outras maneiras de negociar com terroristas"; e quando este vê que não vai receber o seu pagamento, desabafa "Se Kaufmann não me pagar, desencadearei uma jihad". Nunca Romero foi tão claro.

Terra Dos Mortos introduz ainda outra novidade no universo zombie: pela primeira vez, estes parecem dar um passo na sua evolução natural, começando a raciocinar. Para isso, é essencial a desenvoltura primitiva do zombie-trabalhador-da-bomba-de-gasolina que aprende a mexer em metralhadoras, a usar as capacidades dos seus colegas em benefício dos restantes e até a nadar, na sequência mais memorável do filme, em que o exército de mortos-vivos emerge do rio, em homenagem a Carnival Of Souls.
Homenagem ainda à outra lenda-viva do cinema de terror, Dario Argento, com a presença da sua linda filha, Asia Argento e a Sargento York, com uma habilidosa aptidão para o tiro de Robert Joy.

Não aceite imitações quando pode ter o original. Terra Dos Mortos é um McRoyal Deluxe.

Posted by: dermot @ 2:27 da tarde
|  




domingo, março 26, 2006  

TOP 5:

Aquando do Fantasporto deste ano, elaborei um guia dos filmes a não perder no certame que foi um sucesso brutal. Assim, a pedido de inúmeras famílias, o Royale With Cheese volta a prestar um valioso serviço público ao apresentar o TOP 5 DOS FILMES A VER NO INDIE LISBOA 2006, que começa já dia 20 de Abril. Por isso, já sabe: imprima, divulgue, decore, mas não perca estes filmes...

5º Lugar - The Wild Blue Yonder - é certo que a crítica não tem sido muito simpática com este filme, mas Werner Herzog continua a ser o maior realizador alemão vivo. E o seu último filme foi uma pequena maravilha...
4º Lugar - The Proposition - deste não sabemos bem o que podemos esperar; no entanto, mais importante do que o argumento escrito por Nick Cave é a banda-sonora assinada por Nick Cave
3º Lugar - Pat Garrett & Billy The Kid - Sam Peckinpah foi o último grande herói americano. E foi dos últimos a tratar condignamente os westerns, que no último ano foi enxovalhado. E logo eu que sou um fanático por esse género...
2º Lugar - Um Pouco Mais Pequeno Que O Arizona - desde o seu início que o Indie tem presenteado o seuj público com um filme nacional pouco convencional. Este ano é a vez do artista Daniel Blaufuks. Mas mais importante que isso é mesmo a banda-sonora, assinada pelos Dead Combo
1º Lugar - Drawing Restraint 9 - o Matthew Barney é um gajo esquisito. Confesso que o ciclo Cremaster me passou ao lado. Mas há uma faceta misteriosa em mim que me faz querer desesperadamente ver estas coisas. E nem é por militância... E já agora aproveitem e vejam também o making-off, versão documentário, em Matthew Barney: No Restraint

Benefício de Dúvida - The Devil And Daniel Johnston - este filme traz às costas um carregamento gigante de hype. Se é sobrevalorizado ou subvalorizado, isso só depois de o ver é que posso dizer. Mas que tem uma premissa gira, isso tem. Assim a modos gerais, é um documentário acerca do cantautor/maníaco-depressivo Daniel Johnston, aproveitando as suas próprias gravações...

Posted by: dermot @ 9:54 da tarde
|  




sábado, março 25, 2006  

O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN:

Título: Brokeback Mountain
Realizador: Ang Lee
Ano: 2005


O que posso dizer acerca de um filme sobre o qual já tudo (justo ou injusto) foi dito? Para começar, talvez o essencial: primeiro, O Segredo De Brokeback Mountain (irritante mania de dar sempre um pouco mais de informação nas traduções dos títulos dos filmes para português) é o primeiro filme com cowboys gays explícito; e segundo, depois de ter sido encharcado com um hype gigante e prémios internacionais, O Segredo De Brokeback Mountain foi o grande derrotado na última edição dos Óscares.

O Segredo De Brokeback Mountain é um daqueles filmes parados, em que as coisas vão acontecendo paulatinamente, sem que pareça que está a passar-se algo relevante; e quando chegamos ao fim, bam!, é que vemos que tudo deu uma volta de cento e oitenta graus. Neste tipo de filmes são essenciais duas coisas: uma fotografia assombrosa (Ang Lee passou horas a filmar a montanha de Brokeback e até manipulou digitalmente os céus e as paisagens naturais) e uma banda-sonora de nível. É curioso como Ang Lee utiliza este último elemento: criando um tema para os dois amigos que toca sempre que a ocasião assume contornos dramáticos (leia-se apaixonantes), qual Marcha Imperial a pautar cada entrada em cena de Darth Vader.

O Segredo De Brokeback Mountain é uma inconvencional história de amor. Aliás, todas as últimas grandes histórias de amor do cinema têm sido pouco convencionais (alguém mencionou Harold E Maude?), uma vez que está tudo cansado de romances que acabam em tragédia, desde que Shakespeare escreveu Romeu E Julieta. Jack Twist (Jake Gyllenhaal) e Ennis Del Mar (Heath Ledger) são dois cowboys que se conhecem durante um trabalho solitário de pastores, no topo da montanha de Brokeback. Juntos vão desenvolver uma história de amor pouco comum que vai ficar encerrada na montanha, para apenas ser descoberta de tempos a tempos, por entre visistas esporádicas dos dois amigos, que aproveitam a solidão da montanha para actividades tão gays quanto nadar todos nus no rio.

Mais do que uma história de amor, O Segredo De Brokeback Mountain é uma história sobre a ilusão do amor - um amor proibido e impossível de levar adiante. De tudo o que já se disse acerca do filme, uma das coisas mais recorrentes é que esta não é uma história gay, como o rótulo "western gay" leva a crer. Também não é bem assim; é certo que não é um filme homossexual, mas O Segredo De Brokeback Mountain tem uma costela activista nessa situação. O amor de ambos, por exemplo, não pode ser consumado devido ao lobby gay numa América conservadora a braços com a Guerra Fria e a tragédia final está intrinsicamente ligada a esse facto. E além disso, a montanha é sempre jogada como um elemento simbólico, em contraste com a cidade e as personagens urbanas. Mas para isto, recomendo a leitura deste fantástico texto do Flávio.

Continuo a não ir à bola com Jake Gyllenhaal. Não é que seja mau actor ou que esteja mal neste filme, mas a sua cara de parvo criou-me um preconceito que não consigo evitar. Em contrapartida, a bela Michelle Williams consegue apagar por completo o preconceito-Dawson Creek. Que bela actriz que se fez, hein. Mas o destaque vai inteirinho para Heath Ledger que, curiosamente, também tinha um enorme estigma para limpar, depois dos filmes menos felizes que polvilham o seu currículo. Numa interpretação contida que faz recordar Marlon Brando em Há Lodo No Cais, Ledger teria ganho porventura o Óscar, não tivesse 2005 sido um ano tão feliz para Joaquim Phoenix e Philip Seymour Hoffman.

Não tenha receio de gostar: O Segredo De Brokeback Mountain é um fantástico filme, realizado por um fantástico realizador, que sabe filmar as relações humanas como ninguém. É certo que tem a sua costela gay, não vale a pena evitar. Mas não é só isso. Mesmo conseguindo arruinar o esteriótipo do cowboy enquanto figura machista é também um McRoyal Deluxe.

Posted by: dermot @ 6:30 da tarde
|  




sexta-feira, março 24, 2006  

THX 1138:

Título: THX 1138
Realizador: George Lucas
Ano: 1971


Quando se fala em distopias, fala-se sobretudo em Mil Novecentos E Oitenta E Quatro e Admirável Mundo Novo. Mas apesar de existir uma adaptação cinematográfica do primeiro, o exemplo máximo das distopias no grande ecrã é, sem dúvida, THX 1138.

Em 1971, Francis Ford Copolla ficou surpreendido com uma curta-metragem que viu, realizada por um recém-formado estudante de cinema, de seu nome George Lucas. Copolla não teve dúvidas: numa mão colocou-lhe um enorme orçamento e na outra colocou-lhe Roert Duvall. Em compensação, o jovem Lucas só teria de realizar uma versão longa da sua curta, THX 1138-4Eb.

THX 1138 é, claramente, uma versão alongada dessa curta, mas a sua forma supera em muito o seu conteúdo. O resultado é uma peça de cinema autoral, que prova aos mais cépticos que Lucas, antes de se ter tornado um mercenário dos negócios e úm paranóico viciado em CGI, era um realizador com um sentido estético fabuloso e um realizador de eleição.

THX 1138 é o retrato de uma distopia algures entre Mil Novecentos E Oitenta E Quatro e Admirável Mundo Novo, que preconiza ao extremo a faceta social e consumista da sociedade contemporânea. Do primeiro rouba de certa maneira a figura omnipresente do Grande Irmão pela imagem renascentista de Cristo, pintada por Durer, colocando-a em confessionários automáticos e massificados; e do segundo rouba as drogas e os sedativos usados para manter a população dormente e feliz. Quando THX conhece o amor físico de LUH 3417 (Maggie McOmie), vai provar o sabor do pecado original e, qual Adão e Eva revisistados, vao procurar a evasão, numa fuga que nos mostra os vários secotres daquela sociedade.

Num ambiente sedado e de certa forma monótono (mais ou menos que 2001: Odisseia No Espaço), Lucas utiliza o chamado visual storytelling, em que quase abole as falas em favor da narração visual (contornando assim aquela sua grande pecha que são os diálogos). THX 1138 pode ser confuso e pouco claro por vezes, à medida que vai discorrendo situações pouco lineares e vale sobretudo pela componente visual: os cenários em branco, os planos do realizador, a acção captada no canto da câmara, os efeitos-especiais da época...

Robert Duvall tem uma prestação fantástica, no papel do fugitivo THX, sempre numa pose alienada. No entanto, um dos grandes destaques é a desconhecida Maggie McOmie (que apenas fez este filme), que destila paixão por cada sarda do rosto.

THX 1138 é a distopia cinematográfica de eleição (com laivos de cyberpunk) e, por isso, não é de admirar que muitos a tomem como inspiração para A Ilha. Pessoalmente, considero o seu grande trunfo a componente visual, mas há quem defenda o oposto. Certezas há uma: fuja da versão director's cut como se a sua vida dependesse disso. Mais uma vez Lucas consegue arruinar uma obra-prima com macacos em CGI e outros que tais. Como neste antro não costumo ficar por meios menus e como este filme tem uma pendente vincadamente positiva, nada como terminar a prosa com um McBacon.

Posted by: dermot @ 1:54 da tarde
|  




sábado, março 18, 2006  

FRIDA:

Título: Frida
Realizador: Julie Taymor
Ano: 2002


Aproveitando o pretexto de, pela primeira vez, estar patente em Portugal uma exposição com algumas obras da artista mexicana Frida Khalo (que recomendo aqui vivamente), decidi recuperar o bio-pic de 2002, assinado por Julie Taymor e que dividiu a crítica internacional.

Frida Khalo, para além de uma pintora de excepção que conquistou o mundo e a comunidade artística (Dali ou Pollock, por exemplo, foram alguns dos seus admiradores confessos), era uma mulher de grande carisma, daquelas que consegue cativar automaticamente uma multidão. Essas duas características aliadas a uma vida trágica (que foi sempre a principal fonte de inspiração da sua obra, basicamente autobigoráfica) era o mote perfeito para este bio-pic - Frida.

Como em praticamente todos os bio-pics, também este adultera e dramatiza a vida da pintora em função da carga narrativa do filme. É óbvio que nenhuma vida do mundo dará um filme interessante se for cem por cento fidedigna, por isso o truque está em saber faze-lo de forma honesta a não tornar-se pretensioso ou monopolizador da personalidade da figura representada. Não é aqui que Frida falha, mas sim no facto de ser falado em inglês com um sotaque espanhol ridículo.

Frida acompanha a vida de Frida Khalo desde a sua infância até ao dia da sua morte e por isso necessita de vários volte-faces na narrativa. No geral, o argumento está bastante positivo e vai abraçando vários episódios da vida daquela mulher revolucionária, bissexual, extrovertida, que fumava e bebia como um homem - a sua estranha relação com o outro artista mexicano Diego Rivera (Alfred Molina), os casos de infedelidade de parte a parte, o acidente de viação que a deixou incapacitada para o resto da vida, o aborto ou os problemas políticos que envolveram o próprio Trotsky (Geoffrey Rush). No entanto, a capacidade de os agarrar a todos por igual da realizadora é infrutífera e por vezes Frida é superficial. Isto para não falar dos problemas físicos de Frida Khalo, que são sempre desleixados e mal se percebe que ao longo da vida ela sempre foi uma mulher atormentada pelas dores físicas.

Salma Hayek merece aqui um parágrafo inteiro. A sua prestação como Frida Khalo não convenceu a Academia norte-americana (e até se compreende), mas de facto tem uma prestação notável (e não digo isto apenas por mostrar os seus atributos físicos no filme várias vezes), onde se nota um esforço tremendo. De referir ainda a presença fugaz de Edward Norton, cuja presença em qualquer filme é sempre uma benção.

Para finalizar, Frida ainda se esquiva a ser um simples bio-pic cronológico da artista mexicana e Julie Taymor tenta alguns momentos artísticos, daqueles que dão magia ao cinema. E consegue alguns verdadeiramente apaixonantes, como toda a sequência em que Frida acorda no hospital, depois do acidente de autocarro, que parece o equivalente vídeo de uma pintura de Frida Khalo. Menos felizes são, contudo, as tentativas de explicar os próprios quadros. Mas a intenção é boa.

Frida é um bom bio-pic, que tem coragem de tentar ser ainda um bom momento de cinema. É pena que tenha alguns defeitos, mas no geral é uma boa forma de conhecer Frida Khalo. Mas não se esqueçam; comprem um McBacon e com o troco apressem-se a correr ao CCB.

Posted by: dermot @ 3:43 da tarde
|  




quarta-feira, março 15, 2006  

Como prometido na semana passada, eis...

...ROYALE WITH CHEESE APRESENTA: A CAUSA DAS COISAS - parte II

Depois de na semana passada ter apresentado a primeira metade do excelso A Causa Das Coisas, com a publicação da prosa do João Carlos Silva, o Royale With Cheese volta hoje à carga para a segunda parte deste Apresenta. Tem então a palavra Paulo Ferreira, a outra metade do blogue A Causa Das Coisas.

MORTO PARA A SALA ESCURA

Enrique Vila-Matas, um dos meus escritores preferidos, diz num dos seus livros que «se estás na vida és insignificante; se queres significar, estás morto.» Ora, esta expressão poderá não mais significar que isto: se um indivíduo gastar o seu tempo sem nada de expressivo fazer cairá na tragédia do anonimato; no entanto, se um indivíduo quiser trabalhar em algo que o salve de passar ao lado do reconhecimento, não terá vida para mais nada e, portanto, será um morto, um indivíduo sem existência prática. Em relação ao cinema, considero-me um sujeito que não possui grande margem de manobra para falar, porque sempre dei mais importância àquilo que se passa dentro de portas, em casa, mais concretamente, dentro do recíproco mundo que envolve a leitura e a escrita. Ou seja, embora aprecie deveras muito do que é produzido pela sétima arte, não possuo o hábito de me pavonear pelas salas de cinema que me rodeiam. Prefiro assistir a um bom filme no sossego do lar, depois de uma valente sessão de leitura. Voltando à expressão de Vila-Matas, poder-me-ia considerar um verdadeiro morto, no que se refere a idas ao cinema. Pelo menos se se tiver em conta que nunca desejei que a minha pessoa tivesse uma grande significância para a grande tela.

Mesmo assim, animicamente, uma ida ao cinema pode tornar-se bastante compensadora. Por várias razões. Sempre gostei dos nobres senhores que, vá-se lá saber por que razões, se põem a comentar a totalidade do filme que se encontram a ver. É reconfortante quando me dirijo ao cinema e me deparo com estas criaturas, porque é aí que percebo o que sente José Peseiro quando pede à sua esposa para lhe fazer resumos dos livros que, obviamente, não lê. Por vezes, dou até comigo a pensar que, na companhia de cinéfilos daquele calibre, uma pessoa até pode fechar os olhos, já que, de qualquer forma, não perderá o fio à meada. Depois, as pipocas. Não haverá, certamente, coisa mais irritante do que assistir a um filme ao som de um constante estalar de pipocas. Imagine-se que se está a ver um filme sério como, por exemplo, o já clássico Titanic e, precisamente no momento em que Celine Dion começa a fazer-se valer dos seus grunhidos histéricos e que Leonardo Di Caprio se começa a afogar, se ouve a bela da pipoca a chocar contra um dente menos preparado para a grande festa do milho com caramelo. Não dá. O clímax desaparece. Mas o cinema também se envolve de outros mistérios não menos reconfortantes. A negritude da sala, por exemplo. Quando vejo a sala toda escura, espero logo encontrar um casal de imberbes a lamber-se. Na melhor das hipóteses, e caso o filme seja mesmo bom, começo a sonhar com o impossível. Começo a sonhar com a aparição na grande tela daquelas figuras imponentes, que desde a mais tenra infância me fui habituando a idolatrar. Começo a imaginar, por exemplo, que, em segundos, aparecerá José Cid, qual pomba celeste, montado num cavalo branco a cantar aquelas cançonetas que levaram gerações e gerações às lágrimas.

Enfim, não fazendo o cinema parte das minhas pretensões profissionais, limito-me a ser um espectador descomprometido. Limito-me a contemplar a arte pela arte, como se essa arte não mais fosse do que um belo poema que sê lê e não se fixa. Porém, reconheço que, para além das piadas que pessoas mais mal-educadas como eu possam fazer, o cinema é algo que deverá ser respeitado. E mais não digo, porque a minha ignorância cinematográfica é do tamanho de três Himalaias.

por Paulo Ferreira, A Causa Das Coisas

Posted by: dermot @ 11:59 da manhã
|  




terça-feira, março 14, 2006  

GABRIELLE:

Título: Gabrielle
Realizador: Patrice Chéreau
Ano: 2005


O que de mais terrível pode acontecer ao orgulho e à honra de um homem é a mulher abandona-lo por outro. Mas ainda mais cruél que isso é a mulher voltar. É o que acontece a Jean Hervey (Pascal Greggory), com a sua esposa Gabrielle (Isabelle Huppert), deixando-o devastado num limbo emocional, sem saber como reagir: deverá perdoa-la? Deverá castiga-la? Deverá ignorar?

Gabrielle é um ensaio adaptado do romance de Joseph Conrad, O Regresso, realizado por Patrice Chéreau, que perpetua a escola da nouvelle vague: a temática imoral, o cinema de autor e a edição fragmentada e inesperada. No entanto, seja por ser desastrada ou apenas por não se identificar com o cinema histórico, esta abordagem de Gabrielle não é nada feliz; é que a montagem não-linear num filme histórico destes cai-lhe mal. É como usar um boné em traje formal, com fato e gravata: fica naturalmente mal.

Também as opções autorais do realizador (que se confundem facilmente com pseudo-intelectualismos) são, obviamente, infelizes. Patrice Chéreau mistura o preto e branco com a cor numa divisão de intencionalidades subtil, cuja intenção maior passa despercebida sem um esforço mental suplementar. Além disso, ignora certos diálogos e substitui-os por legendas gigantes, como no tempo do cinema mudo, numa opção artística e até estética, completamente irrelevante.

Gabrielle é um filme com uma pose teatral, que vive dos actores e dos diálogos. Estes últimos são, realmente, o melhor do filme: pertinentes e interessantes. Quanto aos actores, há um trabalho excepcional, principalmente de Isabelle Huppert, que continua com a sua problemática sexual, depois de A Pianista; quanto a Pascal Greggory, apesar da sua pose glamourosa, vai perdendo fulgor à medida que a carga dramática aumenta, não suportando o fardo sobre os ombros.

Gabrielle é assim um filme desapontante e claramente falhado. Aconselha-se que se fique pela leitura do romance de Conrad, porque daqui não leva mais do que um Cheeseburguer.

Posted by: dermot @ 11:16 da manhã
|  




domingo, março 12, 2006  

MATCH POINT:

Título: Match Point
Realizador: Woody Allen
Ano: 2005


Em Match Point Woody Allen abandonou a sua Manhattan e mudou-se de armas e bagagens para Londres - deixou de lado os assuntos ligeiros e agarrou de frente um dramalhão como não fazia desde, quiçá, Maridos E Mulheres; trocou o jazz da banda-sonora pela música erudita; e pela primeira vez assinou um filme com mais de duas horas de duração, longe da hora e meia habitual. É Match Point um novo início de carreira de Woody Allen, é um novo realizador que aqui encontramos? Não, mas a mudança para Inglaterra foi o que de melhor poderia ter acontecido a Allen.

Chris Wilton (Jonathan Rhys Meyers) é um ex-jogador de ténis que, depois de ter subido a pulso na vida, se vê estagnado num patamar que não lhe interessa. Assim, tenta seguir pelo caminho mais curto e, de um trabalho como professor de ténis num clube da alta sociedade até ao topo de uma grande empresa, é um pulinho. Para tal bastou-lhe casar com a filha do dono, Chloe (Emily Mortimer). Mas Chris não estava à espera que a noiva do genro, a fogosa amerciana Nola (Scarlett Johansson), lhe despertasse um desejo incontrolável que o atirasse para a infedelidade; assim como não estava à espera de não conseguir abandonar a vida fácil a que se acostumou por uma mulher daquelas.

Woody Allen mudou: não há jazz na banda-sonora, nem a ligeireza da hora e meia de filme. Mas não se pense que foi pela mudança para a Inglaterra. Match Point é um filme com ópera na banda-sonora porque é uma tragédia, daquelas clássicas. Tal como a vida é uma tragédia; ou não morressemos todos no final. Aliás, Londres até parece ter sido feita à medida de Allen, com toda a sua cultura, desde o Tate Modern aos grafitis de Bansky.

Match Point é omniscente de Dostoievsky e do Marquês de Sade, ou pensam que a presença de Crime E Castigo é coincidência? No entanto, os ensaios sobre o binómios virtude/libertinagem e sorte/destino de Sade, são o principal mote neste filme de Allen - sintetizados numa simbólica cena em que uma aliança atirada, depois de bater na guarda de uma ponte, pende aleatoriamente para o lado de dentro. Como no jogo de ténis, em que tudo se decide pelo lado onde bate a bola...

A crítica rendeu-se a este Match Point que até foi nomeado (merecidamente) ao Óscar de Melhor Argumento Original, considerando-o o melhor filme de Allen dos últimos tempos. Mas, curiosamente, não é nem de perto nem de longe o mais bem filmado, antes pelo contrário (mesmo que tenha uma importante cena simbólica em câmara lenta, a tal da aliança, algo que Allen nunca fizera e que mais valia nunca ter feito). Match Point tem um claro problema de ritmo e até de montagem. Mas tem, no entanto, um excelente argumento.

Já aqui o disse e repito: não acho a Scarlett Johansson tão boa actriz como a maioria de vocês. É verdade que é sensual e sexy e é verdade que a sua interpretação cresce durante o filme, mas continuo a não a achar nada de especial, que se há de fazer? É como Jonathan Rhys Meyers, que também me parece apanhado mais vezes em falso, do que em terreno seguro. Em compensação, os secundários são perfeitos, como relógios suiços.

Match Point é um grande filme, mas não é o melhor de Woody Allen, como a crítica em geral nos quer fazer crer. No entanto, tem um ponto genial, que quase me fez escolher o Le Big mac: o facto de não ter um final feliz. Porque como todos sabemos, a vida é regularmente irónica e injusta. Mas consegui conter-me e escolher o McRoyal Deluxe acertado.

Posted by: dermot @ 12:28 da manhã
|  




quinta-feira, março 09, 2006  

22. FESTRÓIA:

Ainda faltam cerca de três meses para a 22ª edição do Festróia, mas este já começa a mexer e as novidades sucedem-se. Desde o seu início, que o Royale With Cheese acompanha o Festróia, um dos mais antigos e importantes certames cinematográficos de Portugal. Este ano, certamente não será excepção.
No entanto, para já interessa referir as boas novas. Com data de estreia marcada para o dia 2 de Junho (que se prolongará até ao dia 11 do mesmo mês), o 22º Festróia retomou a actividade regular no seu blogue oficial, numa experiência pioneira de abertura entre o festival e o público. E foi de lá que nos chegou a notícia mais empolgante: este ano, o Festróia atribuirá o primeiro Prémio de Arte e Ensaio, da CICAE (Confederação Internacional dos Cinemas de Arte e Ensaio). Mais um motivo de orgulho para o Festróia, para Setúbal e para Portugal.

De referir ainda que o grande vencedor da noite dos Óscares deste ano, Colisão de Paul Haggis, teve a sua ante-estreia exclusiva no Festróia do ano passado. Um sinal de orgulho para um festival que prova estar na fila da frente do panorama internacional cinematográfico.

Posted by: dermot @ 11:28 da manhã
|  


 

VIRGEM AOS 40 ANOS:

Título: The 40 Year Old Virgin
Realizador: Judd Apatow
Ano: 2005


Digam o que disserem, o povo não é burro. É certo que é ingénuo, mas quando o tentam fazer de parvo ele apercebe-se e reage. Digo isto porque apesar dos espectadores consumirem em geral tudo o que era blockbuster, quando Hollywood começou a abusar eles viraram-lhe as costas. O mesmo se passou com as comédias screwball. Depois do sucesso de American Pie - A Primeira Vez (que já vai no quarto episódio, senhores), foi um ver se te avias com produtos do género. Até que o público começou a aperceber-se da tristeza que aquilo é e passou a evita-los como o diabo da cruz. Por isso, este Virgem Aos 40 Anos é um regresso à comédia sensata - a comédia screwball morreu. Viva.

Andy Stitzer (Steve Carell) é um quarentão virgem, daqueles que se identificam à distância: colecciona action figures, tem mais jogos de computador que um adolescente, desloca-se de bicicleta e não diz palavrões. Só lhe faltava ser trekkie... Quando os amigos descobrem esse facto decidem usar a sua simpatia masculina e arranjarem-lhe uma mulher. Mas entretanto Andy já conheceu Trish (Catherine Keener), que pode muito bem ser a mulher...

Virgem Aos 40 Anos é uma versão madura de American Pie - A Primeira Vez, em que a faceta screwball é substituída por outra mais adulta e ponderada. Não quer isto dizer que não se digam palavrões nem piadas porcas, ou que não hajam personagens esteriotipadas; antes pelo contrário. Quer apenas dizer que há mais coisas além dessas. Como a já memorável cena em que Carell depila o seu peito peludo à Tony Ramos ou a genial personagem de Jane Lynch, uma chefe com um apetite sexual voraz, mas contido por satisfazer.

Steve Carell que todos nos habituamos a ver no Daily Show, de Jon Stewart, é um actor divertidíssimo e fantástico, que tem todas as características para este papel. Os gags são hilariantes e sucedem-se de forma escorreita, mas encadeada, até ao inevitável final feliz e moral - o amor é mais importante que o sexo.

Com uma excelsa banda-sonora - genial montage romântica ao som de Lionel Richie (acreditem, não há nada mais hilariante do que uma montage romântica ao som de Lionel Richie) -, Virgem Aos 40 Anos é uma divertida comédia que faz soltar verdadeiras gargalhadas. E quando pensamos que o filme está a amolecer em velocidade cruzeiro rumo ao fim, eis que nos surge o final mais hilariante dos últimos anos. Destaque ainda para o marketing deste filme: atentem ao poster promocional, no início desta prova. Haverá algo mais castiço no mundo do cinema?

Virgem Aos 40 Anos é o que de melhor se fez dentro da comédia nos Estados Unidos desde... er... desde sei lá quando. Com tantos pontos a favor, nunca poderá ser menos que o McRoyal Deluxe.

Posted by: dermot @ 11:18 da manhã
|  




terça-feira, março 07, 2006  

Há um tempinho atrás, o Royale With Cheese estreou uma rubrica onde convida outros blogues do panorama nacional a dissertar sobre cinema. Ou seja, é a forma de ter neste espaço alguém que saiba realmente escrever.
Por isso, é com muita honra que voltamos ao tema com...

...ROYALE WITH CHEESE APRESENTA: A CAUSA DAS COISAS - parte I

O blogue generalista (penso que lhe posso chamar assim) A Causa Das Coisas é mantido pela mente e mão segura de João Carlos Silva e Paulo Rodrigues Ferreira, depois de enterrado o Ideias Lusitanas, onde colaboravam. O Royale With Cheese deafiou-os a escrever sobre cinema e eles aceitaram prontamente o desafio. Hoje publicaremos o primeiro desses textos, assinado por João Carlos Silva, uma interessante dissertação sobre um género cinematográfico que, injustamente, fica muitas vezes esquecido aqui no Royale With Cheese.

O MUNDO DOS FILMES DE GUERRA

São muitos os géneros cinematográficos que me preencheram o imaginário desde miúdo. Muitos temas me guiaram o visionamento (algo descoordenado e avulso) de filmes. Mas há um em especial que, inexplicavelmente, se enraizou nos meus gostos. Assim como muitas pessoas não conseguem explicar porque são muito apegadas a livros policiais, também eu não saberei explicar racionalmente o porquê de ser um consumidor incondicional de filmes de guerra.

Mas não devo ser, creio eu, o único. Bastaria fazer, para começar, uma prospecção para averiguar as imagens ou as circunstâncias que cada pessoa evoca ou imagina quando ouve as Valquírias do amigo Wagner. Não é difícil - para quem admire minimamente a criação ou recriação dos ambientes caóticos, metafóricos, de muitos filmes de guerra -, recuperar na memória a personagem de Robert Duvall em Apocalypse Now, delirando ao som dessa mesma música enquanto arrasa ou lança raids em aldeias vietnamitas. Talvez seja uma cena clássica a puxar para o terreno do cliché, mas o facto é que o Coronel Kilgore está, indefectivelmente, entre as maiores personagens de sempre do cinema americano e é um ícone central do imaginário dos filmes de guerra. Assim como as interpretações de Brando, de Hopper, de Fishburne e, pela ocasião, também de Martin Sheen.

O vício, no entanto, vem de bastante antes. É provável que tenha começado com Robert Aldrich, que é o mesmo que dizer que começara com Dirty Dozen, quase uma sátira, viril, ao estereótipo do «herói de guerra». Um filme sobre marginais expiando a sua vida e tentando mudar o rumo da guerra, mas nunca conseguindo deixar de ser, no fundo, delinquentes - ou seja, um western spaghetti na Segunda Guerra Mundial. Aldrich, no entanto, já havia deixado, anteriormente, em 1956, um dos melhores filmes de guerra de sempre, e simultaneamente um dos mais injustamente ignorados: Attack, com um Jack Palance furioso mas memorável numa história que vai além da guerra, descarnando o heroísmo em busca das diferenças entre glória e cobardia.

São inúmeros os títulos que eu poderia desfilar aqui sem remorsos: Patton; The Longest Day; o The Big Red One de Sam Fuller; o filme menor Anzio (confesso que é, talvez, um filme apenas para se ver Robert Mitchum e Peter Falk); até mesmo o famoso Platoon do nem-sempre-palerma Oliver Stone; Battle of the Bulge; A Bridge Too Far; ou, claro, Full Metal Jacket (que tem uma das mais grandiosas sequências iniciais da história do cinema). Já num campo ainda mais restrito, o das batalhas aéreas, há Battle Of Britain, 633 Squadron, Tora! Tora! Tora!, etc.

Já entre os actores há nomes incontornáveis dentro deste genre. Claro que nos vêm à memória as «estrelas» John Wayne, Clint Eastwood, Robert Ryan, Michael Caine ou George C. Scott. Mas há, pelo menos, dois nomes que estão definitivamente ligados aos cenários de guerra no cinema e intimamente presentes numa grande parte dos filmes que vi desde a infância: Telly Savalas, o célebre «careca» que normalmente interpretava sociopatas ou soldados mais velhacos, e Lee Marvin, o eterno durão, com uma infância marcada por diversas expulsões de colégios (a razão poderá estar na franqueza com que Marvin interpreta os seus papéis mais castiços, mais agressivos).

Pode-se julgar que a série de bons filmes nesta área escassearam, ou praticamente desapareceram, a partir do fim da década de 70. Mas não. Nos últimos tempos temos tido outros filmes lançando de novo a semente do cenário. Destacarei, por isso, três: Saving Private Ryan (Spielberg), The Thin Red Line (Malick) e When Trumpets Fade (Irvin).

Saving Private Ryan parece-me, obviamente, aquele mais conhecido. E com razão, digo eu. Spielberg tem aqui a sua grande obra num género que, admite ele mesmo, também está no seu imaginário desde miúdo.

Curiosamente, no mesmo ano Terrence Malick, que agora realiza The New World, saiu-se com uma bela homenagem às campanhas do Pacífico, aos homens que lutaram para terminar, de vez, a Segunda Guerra Mundial, para fechar um interminável conflito. O seu The Thin Red Line é um excelente filme, que tenho entre as minhas obras de eleição, sobretudo pela liberdade que Malick deu aos seus actores para desenvolverem (livremente?) as personalidades das personagens.

Já num plano diferente e menos comercial, parece-me, recordo, por fim, When Trumpets Fade, uma película quase desconhecida. Violento e perturbante, este filme de John Irvin leva a ideia de «caos humano», em tempos de guerra, até às últimas consequências. Entre os filmes menores, é uma das pequenas pérolas dentro deste grande genre dos anos 90. É pena, claro, que seja ainda um exemplo isolado, uma ilha de qualidade entre muitos títulos desastrosos.

Uma vez alguém disse que os westerns e os musicais eram o verdadeiro cinema americano. Mas há mais dois produtos clássicos desse mesmo cinema: os filmes de gangsters e os filmes de guerra. A história de Hollywood ficaria bem mais pobre se se resolvesse esquecê-los.

por João Carlos Silva, A Causa Das Coisas

Posted by: dermot @ 11:12 da manhã
|  




domingo, março 05, 2006  

COISA RUIM:

Título: Coisa Ruim
Realizador: Tiago Guedes e Frederico Serra
Ano: 2006


Há um tempo atrás comentava com um colega destas lides bloguísticas que uma das grandes pechas do cinema nacional é o facto de ainda não ter encontrado o "seu" realizador nacional, um cineasta que consiga filmar um cinema genuinamente português. Tal como o cinema de Ksuturica é original e tipicamente jugoslavo ou tal como o cinema de Kiarostami é original e tipicamente iraniano. Nós precisamos de um realizador original e tipicamente português e não de tantas americanices de Leonel Vieira ou compêndios fiéis do cinema erudito de João Botelho.

Para já, não é a dupla Tiago Guedes e Frederico Serra que vai salvar o cinema nacional. Mas Coisa Ruim é um excelente filme regionalmente português. É certo que ajuda muito passar-se no meio de um vilarejo perdido no norte do país, mas mais importante que isso é que é original e descomprometido. E logo aí é meio caminho andado...

Coisa Ruim foi o primeiro filme português a abrir o certame do Fantasporto e logo assinado por um dos fantasfilho (um daqueles viciados que passava os dias enfiados no festival) e é um dos poucos filmes portugueses dedicado ao fantástico, género que raramente casa com cinema nacional na mesma frase. Chamam-lhe filme de terror, mas Coisa Ruim não é um filme de sustos, é mais de terror psicológico, daqueles que nos consome as miudezas por dentro a pouco e pouco - Coisa Ruim vai beber sobretudo a clássicos como O Exorcista e A Vila.

Já vimos esta história mais do que uma vez; aliás, já a vimos as vezes suficientes para dizermos que é banal. Uma família da cidade muda-se para um casarão herdado pelo pai Xavier (Adriano Luz), no meio do norte do país. Mas este é uma daquelas casas que guarda estórias que esperam por uma intervenção no mundo terreno para que possam gozar a eternidade descansadamente. Por isso, a sua esposa Dulce (Elisa Lisboa) e os três filhos (Sara Carinhas, José Afonso Pimentel e João Santos) vão começar a experienciar algo que não sabem explicar muito bem.

Coisa Ruim é um filme sobre o medo: o medo perdido na história portuguesa, o medo das superstições e tão incrustrado no interior do país e o medo do desconhecido. Não é só uma coisa ruim que cresce naquela casa abandonada; é o medo de uma população habituada aos exorcismos do padre, é o medo de uma família da cidade pouco habituada a lobisomens e histórias da carochinha.

É uma história banal, como já disse. Mas muito bem contada (apesar de alguns incontantes evolutivos) e (pasme-se) em português, o que nos faz parecer estar a vê-la pela primeira vez. Há cruzamento de histórias não-linear e até flashbacks que fazem sentido (num cameo de Paulo Branco), uma filmografia muito boa e uma genial (sublinho, genial) banda-sonora. Com um filme tão certinho até os actores que estamos habituados a ver de forma sofrível na televisão parece que são outros, não é João Pedro Vaz? Descobre-se ainda Sara Carinhas e tira-se o chapéus ao secundário Gonçalo Waddington.

A parelha Tiago Guedes e Frederico Serra, tal como Marco Martins (o realizador de Alice), chegam-nos depois de um percurso feito na publicidade e por iso já lhes chamam "realizadores da publicidade". É certo que se nota a influência (no detalhe dos enquadramentos principalmente) e apesar de parecer que eles não gostam do adjectivo, não me parece pejorativo. O que é certo é que esta nova geração pode trazer muita coisa boa ao cinema nacional. Para já, esta Coisa Ruim afinal é uma coisa boa. Também é certo que era apenas um McBacon, mas há uma cena com freiras a masturbarem-se; e como já disse, não há nada como a nunsploxtation. Por isso, é um McRoyal Deluxe final.

Posted by: dermot @ 10:05 da tarde
|  


 

RAZZIE 2006:

A noite cinematográfica mais importante do ano aconteceu ontem. Mas não é só hoje? perguntam vocês, com o vosso ar incrédulo. Não, a noite cinematográfica mais superficial do ano acontece hoje, a mais importante aconteceu ontem: os Razzie 2006. E os vencedores são:

PIOR FILME:
Dirty Love

PIOR ACTOR:
Rob Schneider - Deuce Bigalow: Um Gigolo Na Europa

PIOR ACTRIZ:
Jenny McCarthy - Dirty Love

PIOR ACTOR SECUNDÁRIO:
Hayden Christensen - Star Wars - A Vingança Dos Sith

PIOR ACTRIZ SECUNDÁRIA:
Paris Hilton - A Casa De Cera

PIOR PAR:
Will Farrell e Nicole Kidman - Casei Com Uma Feiticeira

PIOR REMAKE OU SEQUELA:
A Máscara 2 - A Nova Geração

PIOR ARGUMENTO:
Dirty Love

PIOR REALIZADOR:
John Asher - Dirty Love

O ALVO MAIS CANSATIVO DOS TABLÓIDES:
- Tom Cruise, Katie Holmes, o sofá da Oprah, yada yada yada...


Realmente, não era um ano para supresas, uma vez que não havia muitos maus. Para além da óbvia Paris Hilton, o mais que óbvio Hayden Christensen e o óbvio Tom Cruise (que passou o ano na primeira página dos jornais sensacionalistas), apenas uma consideração: fico feliz por não saber o que é o Dirty Love.

Posted by: dermot @ 4:40 da tarde
|  




sábado, março 04, 2006  

PULSAÇÃO ZERO:

Título: Pulsação Zero
Realizador: Fernando Fragata
Ano: 2002


Aqui há meia dúzia de anos, a SIC e o ICAM uniram esforços e produziram uns quantos filmes, na tentativa de reconciliar o público português com o seu cinema. Por momentos conseguiram-no, mas quando o filão se esgotou o povo rapidamente se esqueceu do que era o cinema nacional. Para a posterioridade ficou basicamente Amo-te Teresa, pelo simples facto de ter sido o primeiro e, consequentemente, o mais mediático.

Pulsação Zero foi um desses telefilmes, assinado por Fernando Fragata, o realizador de Pesadelo Cor-De-Rosa e que nos últimos tempos ficou mais conhecido pelo super-hype independente Sorte Nula. Este último podia, inclusive, ser um rip-off de Pulsação Zero. Também aqui o protagonista é o excelente Hélder Mendes, que encarna Alex, um jovem em maré de azar: é limpa-chaminés, a namroada (Adelaide de Sousa) deixou-o, o cão vai morrer... Parece que nada podia piorar, se não fosse Fernando Fragata o realizador.

Pulsação Zero é um encadeamento de peripécias e situações curiosas pelas quais Alex irá passar nas próximas quatro horas, se quiser que o filme tenha um final feliz. Entretenimento puro, assim como Sorte Nula. Mas aqui, apesar do baixo orçamento, há qualidade visual: explosões, helicópteros, perseguições alucinantes, carros destruídos e arrisco a dizer, o único tiroteio credível do cinema português.

Fernando Fragata já mostrou ser um realizador adepto do cinema de acção norte-americano e Pulsação Zero é a sua obra que mais se aproxima dessa americanização. As situações por vezes são ingénuas, outras previsíveis, mas no geral são perfeitas e funcionam na maior parte das vezes graças a essa montagem rápida. Assim a mais só mesmo a banda-sonora, demasiado ostentiva por vezes, que abafa algumas cenas do filme, e outras vezes demasiado azeiteira (a sequência final é terrível e chega a escorrer azeite pelas colunas abaixo). Isso e Olavo Bilac. E José Figueiras...

Pulsação Zero é o melhor filme de entretenimento puro português, o que é suficiente para passar do McChicken que lhe era justo para o McBacon. Além disso, tem ainda uma das melhores personagens de sempre do cinema: um padre baterista! É estranho como este filme é tão poucas vezes recordado...

Posted by: dermot @ 8:27 da tarde
|  




sexta-feira, março 03, 2006  

MUNIQUE:

Título: Munich
Realizador: Steven Spielberg
Ano: 2005


Steven Spielberg anda, praticamente, numa de fazer um filme bom e depois alterná-lo com um filme mau. Por isso, tendo em conta a miséria que foi Guerra Dos Mundos, só podíamos esperar coisa boa de Munique. Mesmo que este carregue toda uma panóplia de discussões ético-morais sobre o conflito Palestina-Israel. E não é que a teoria se mantém mesmo!

Como todos sabemos, o filme tem como leit-motiv os atentados de Munique, em que terroristas palestinianos assassinaram onze atletas israelitas em plena Aldeia Olímpica, em 1972, levando depois a Mossad israelita a retaliar com uma vingança cega. No entanto, antes de mais, convém contextualizar este episódio. Perpetuado pela facção Setembro Negro, os atentados de Munique, mais do que uma posterior vendeta, despoletaram algo muito mais vasto: o terrorismo. Onzes de Setembro, Onzes de Março... tudo isto teve a sua génese em Munique, no já longínquo ano de 1972.

Mas Munique não é uma reconstituição histórica, muito menos uma crítica política ou algo parecido. Spielberg ensaia uma história sobre as consequências psicológicas da vingança, no caso particular de um homem (Avner (Eric Bana), o "cabecilha" da equipe israelita imcubida da vingança) e no caso geral da população. Porque a violência gera violência e porque a política internacional é uma rede demasiado complexa (Munique acaba por ser uma intriga que envolve a Mossad, OLP, ETA, KGB, CIA e até a Máfia), a vingança israelita (ou terá sido a violência palestiniana?) desencadeia uma onda de violência de larga escala (que chega até aos dias de hoje, ou pensam que o plano final do World Trade Center é casual?) e a alienação de um homem.

Munique faz lembrar a certo ponto O Padrinho. Não tanto pela família mafiosa francesa, mas pela vingança seca empreendida por Eric Bana e os seus cúmplices. Lembram-se quando Michael decide eleminar todos aqueles que estiveram envolvidos na tentativa de assassinato de Don Corleone, matando inclusive sogro e irmão? È basiacamente o mesmo estilo. E depois faz uma excelente reconstituição histórica dos anos 70, com uma componente visual perfeita.

Spielberg assina aqui, quiçá, o primeiro filme em que não é Spielberg. É verdade que estão lá alguns dos seus elementos característicos - a célula familiar desfeita (a cena em que Eric Bana fala com a filha ao telefone tem a emotividade e o ritmo da cena memorável de Tubarão, em que Roy Scheider brinca com o seu filho à mesa) ou a figura do pai ausente -, mas aquele Spielberg capriano que estamos habituados a ver, com os finais moralistas, está ausente. A linha entre o bem e o mal está esbatida, não há maniequismos nem parcialidades - a violência gera violência, ponto. E até nos finais, em que o realizador costuma patinar, se tirarmos a já famosa (leia-se controversa) cena de sexo que funciona como catarse do crescendo evolutivo do filme (que pessoalmente me parece tirada de um filme do Chuck Norris), está bastante bem.

Não esperem um documentário ou uma reconstituição dos atentados de 1972 (até que para isso há Terror Em Setembro); há uma história violenta, baseada em factos reais, sobre uma questão que nos toca a todos. porque uma coisa é vê-la na televisão; todos estamos habituados a ver diariamente, no Telejornal, as notícias da Faixa de Gaza e os atentados suicidas, que até já se tornou em algo normal; mas outra coisa é viver a violência por dentro, a sua desumanidade. Fará sentido a expressão olho por olho, dente por dente?

E para quem tem dúvidas sobre a imparcialidade de Spielberg, atente-se à fantástica cena em que judeus e palestinianos convivem sob o mesmo tecto, ignorando a identidade um dos outros e que após uma disputa sobre a música a ouvir no rádio, se decidem pelo clássico Let's Stay Together de Al Green. Simbólico. Aliás, Munique tem alguns pormenores deliciosos: Daniel Craig a cantarolar Papa was A Rolling Stone (excelente banda sonora) ou a famosa cena do terrorista à janela, confrontada com a sua recriação.

Não me parece que seja Munique a cantar vitória na próxima edição dos Óscares. Mas foi ele que fechou o conjunto de filmes de intervenção que perfazem o lote de nomeados deste ano. Para já tem a vantagem de ter um McRoyal Deluxe.

PS - Daniel Craig tem estilo para um carniceiro frio e letal. Podia ser um digno sucessor de Charles Bronson. Mas James Bond? Nunca!

Posted by: dermot @ 11:25 da tarde
|  




quinta-feira, março 02, 2006  

FLORES PARTIDAS:

Título: Broken Flowers
Realizador: Jim Jarmusch
Ano: 2005


Jim Jarmusch é, quiçá, o único realizador indie da actualidade, pelo menos dentro dos limites do conceito original indie, que nestes últimos anos tem ganho uma conotação cada vez mais vasta. A sua obra reflecte um realizador subtil, com um dedo para o drama e um realizador vincadamente americano, tanto para o bem como para o mal. Jarmusch é um poeta urbano, uma espécie de misto entre o beatnik Kerouac e um depressivo pop Andy Warhol com um forte gosto por rock''roll (ou acham que haver uma iguana chamada Iggy ou uma jovem chamada Sun Green é coincidência?).

Jarmusch é perito em fazer filmes sobre nada. Onde se lê nada deve-se ler o quotidiano; ou seja, o quotidiano naquele sentido em que nos perguntam "que fizeste hoje?" e respondemos "nada". É certo que fizemos uma mão cheia de coisas, mas nenhuma realmente importante para o mencionarmos. Por isso, dizemos simplesmente "nada". É esse o tipo de nada que Jarmusch é especialista em contar. E verdade seja dita, o nada dá um excelente tema de conversa que, por exemplo, foi sempre o mote de uma das maiores séries de comédia de sempre - Seinfeld. É certo que Jarmusch já nos mostrou alguns filmes sobre o nada relativamente duvidosos (alguém mencionou Café E Cigarros?), mas Flores Partidas é uma pequena pérola sobre nada.

Bill Murray é Don Johnston (não, não é o actor de Miami Vice, é Johnston com T. Sim, eu sei que é uma piada demasiado previsível mas não fui eu quem a fez, foi o próprio Jarmusch no filme. E mais do que uma vez), uma espécie de Don Juan na meia-idade. A menopausa muda a visão de um homem perante a vida e Donny finalmente vê-se mergulhado na futilidade com que conviveu durante os seus anos de conquistas. Como se de uma partida do destino se tratasse. É então que uma misteriosa carta anónima chega à caixa do correio: Donny tem um filho que nunca conheceu e que partiu à sua procura. Em contrapartida, o seu vizinho Winston (Jeffrey Wright), uma espécie de Sherlock Holmes caseiro, prepara-lhe uma road trip para que ele vá reencontrar os seus antigos amores e tente descobrir quem lhe enviou a carta.

Flores Partidas é um road movie sobre muito pouca coisa, mas extremaente simbólico. Bill Murray é um conquistador na reforma, que inicia o filme a ver o clássico As Aventuras De Don Juan enquanto a sua namorada o deixa. Depois, parte numa viagem com todo aquele simbolismo que as road trips e o alcatrão comportam. E há medida que se vai afastando de casa, os reencontros vão sendo cada vez mais impessoais. O primeiro deles acaba numa noite de sexo e o último acaba com um murro no olho. Estão a perceber?

Já aqui disse que Jarmusch é um realizador muito americano e é costume criticar os costumes do seu país. Aqui, toda a futilidade e solidão de Donny é espelhada nos seus antigos amores: Sharon Stone organiza guarda-fatos de pessoas; Jessica Lange fala com animais; e Tilda Swinton é simplesmente uma redneck...

Flores Partidas é um filme extremamente feminino, com um rol de mulheres de encantar, mas são os dois actores masculinos que se destacam. Bill Murray é o melhor actor de sempre a fazer de Bill Murray. Tem sempre aquela cara de peixe mal morto que Sofia Copolla celebrizou, mas que, sinceramente, me começa a irritar um pouco. Preferia o Bill Murray de O Feitiço Do Tempo ou Caça-Fantasmas... Jeffrey Wright é o completo oposto de Murray: divertido e omnipresente, com um delicioso sotaque que faz lembrar o Apu de Os Simpsons (estive sempre à espera que ele dissesse don't give peanuts to my god).

Nota-se que Jarmusch teve dificuldades em terminar o filme. É sempre difícil terminar um filme sobre o nada. Mas o realizador lemboru-se certamente daquela lenda que não sabia como parar de tocar e lhe disseram simplesmente, afasta o saxofone da boca e assim foi desligando a câmara aos poucos. O final fica em aberto, deixa as considerações a cargo do espectador e pede exageradamente que se discuta com ele. Olhe senhor Jarmusch que já o conseguiu de melhor forma. Não se acomode ao McBacon, está bem?

Posted by: dermot @ 12:09 da manhã
|  




quarta-feira, março 01, 2006  

O PESADELO DE DARWIN:

Título: Darwin's Nightmare
Realizador: Hubert Sauper
Ano: 2004


Charles Darwin chocou o mundo quando em 1859 publicou A Origem Das Espécies, onde defendia a sua teoria da selecção natural, hoje aceite unânimamente por toda a comunidade científica, mas que na altura teve o impacto de uma bomba. Diz esta teoria, para quem não sabe, que é o processo essencial na evolução das espécies, na sua adaptação e especialização. Em outras palavras, é a sobrevivência do mais forte e a adaptação do mais fraco às condicionalidades da vida.

Quando os ocidentais "descobriram" África e tentaram impôr no continente sistemas políticos e modos de vida que duraram séculos a implementar na sua própria civilização, o povo africano adaptou-se como pôde - a sobrevivência do mais apto. No entanto, essa quebra na evolução natural do homem, transformou África numa série de países errantes, em convulsões constantes e em condições de vida precária. Isto graças também aos chupistas ocidentais, que continuam a chupar de África todo o sangue que podem.

Nos anos 50, alguém teve a triste ideia de levar uma perca do Nilo para o Lago Vitória, considerado por muitos como o berço da humanidade, na Tanzânia. Em poucas décadas, a perca do Nilo desenvolveu-se brutalmente e devorou todas as espécies do lago, quebrando a ordem natural. Agora, arrisca-se a transformar-se numa fossa estéril se não forem tomadas medidas.

À primeira vista parecem três teorias sem nada a ver umas com as outras. No entanto, o austríaco Hubert Sauper usou esta última como pretexto, para mostrar a segunda, usando a primeira como uma interessante analogia. O Pesadelo De Darwin é um documentário sobre a "pequena experiência científica" com a perca do Nilo no Lago Vitória, mas é sobretudo um documentário cruzada sobre o status quo africano, mais especificamente na Tanzânia.

O Pesadelo De Darwin é demasiado subtil, principalmente para aqueles que se têm habituado à nova vaga de documentários pop - Hubert Sauper é uma espécie de Michael Moore sério. Por isso, apesar de parecer que o filme se limita a filmar, recolher e mostrar, há que ler nas entrelinhas. Porque explicitamente, se o caso da perca do Nilo é tratado imparcialmente - de um lado, os comerciantes que lucram com as fábricas de filetes e que dão graças a Deus por aquele "acidente" que dá trabalho a tantas pessoas no país; do outro, os ambientalistas que antevêm um futuro trágico para o Lago Vitória se o cenário se mantiver - implicitamente está tudo lá, quando Sauper questiona o próprietário se sabe quantas pessoas consegue alimentar com 500 toneladas de peixe e este não sabe responder. Ou quando pergunta a um habitante cujo sonho é ir para a Europa, a terra dos sonhos, o que gostaria de comprar no Ocidente e este não sabe responder... E há ainda a prova de que a guerra continua a ser o único negócio proveitoso em África. Para todas as partes.

É certo que Hubert Sauper abusa na super-sensibilização do espectador, exagerando nos zooms dos amputados, demorando-se nas pessoas com sida ou aproveitando a morte de uma prostituta para registar a reacção das companheiras (um certo sensacionalismo), mas compreende-se a intenção. Corajoso, emocional (o espectador comove-se, dá um nó no estômago, desvia a cara e experimenta um sem-número de sensações ao longo do documentário) e interventivo: adivinha-se o Óscar na cerimónia da próxima semana. Pelo menos, um Le Big mac ganha de certeza.

Posted by: dermot @ 1:00 da manhã
|  





COTAÇÃO:
10 - Royale With Cheese
9 - Le Big Mac
8 - McRoyal Deluxe
7 - McBacon
6 - McChicken
5 - Double Cheeseburger
4 - Cheeseburger
3 - Caixinha de 500 paus (Happy Meal)
2 - Hamburga de Choco
1 - Pão com Manteiga

TAKE:
Take - cinema magazine | take.com.pt


ARE YOU TALKING TO ME:
DUELO AO SOL
CLARENCE HAD A LITTLE LAMB
GONN1000
BITAITES
ANTESTREIA
CINEBLOG
CINEMA NOTEBOOK
CONTRA CAMPO
ZONA NEGRA
O MELHOR BLOG DO UNIVERSO
A CAUSA DAS COISAS
O MEU PIU PIU
AMARCORD
LAURO ANTÓNIO APRESENTA
SARICES ARTÍSTICAS
A RAZÃO TEM SEMPRE CLIENTE
MIL E UM FILMES
AS IMAGENS PRIMEIRO
A DUPLA PERSONALIDADE
TRASH CINEMA TRASH
SUNSET BOULEVARD
CINEMA XUNGA


ARE YOU TALKIN' TO ME?
cinephilus@mail.pt


CRÍTICAS:
- A Armadilha
- A Arte De Pensar Negativamente
- A Árvore Da Vida
- A Balada de Jack And Rose
- A Bela E O Paparazzo
- A Boda
- À Boleia Pela Galáxia
- A Cabana Do Medo
- A Cela
- A Canção De Lisboa
- A Cara Que Mereces
- A Casa Dos 1000 Cadáveres
- A Casa Maldita
- A Cidade Dos Malditos
- A Ciência Dos Sonhos
- A Comunidade
- A Cor Do Dinheiro
- A Costa Dos Murmúrios
- A Criança
- A Dália Negra
- A Dama De Honor
- A Descida
- A Duquesa
- À Dúzia É Mais Barato
- A Encruzilhada
- A Estrada
- A Estranha Em Mim
- A Frieza Da Luz
- A Fúria Do Dragão
- A História De Uma Abelha
- A Honra Da Família
- A Janela (Maryalva Mix)
- A Lagoa Azul
- A Lenda Da Floresta
- A Liga Dos Cavalheiros Extraordinários
- A Lista De Schindler
- A Lojinha Dos Horrores
- A Mais Louca Odisseia No Espaço
- A Maldição Da Flor Dourada
- A Mansão
- A Maravilhosa Aventura De Charlie
- A Marcha Dos Pinguins
- A Máscara
- A Máscara De Cristal
- A Menina Jagoda No Supermercado
- A Minha Bela Lavandaria
- A Minha Vida Sem Mim
- A Morte Do Senhor Lazarescu
- A Mosca
- A Mulher Do Astronauta
- A Mulher Que Viveu Duas Vezes
- A Múmia
- A Noiva Cadáver
- A Noiva Estava De Luto
- A Origem
- A Outra Margem
- A Paixão De Cristo
- A Pele Onde Eu Vivo
- A Pequena Loja Dos Horrores
- A Prairie Home Companion - Bastidores Da Rádio
- A Presa
- À Procura Da Terra Do Nunca
- A Promessa
- À Prova De Morte
- A Rainha
- A Rai­nha Africana
- A Raiz Do Medo
- A Rapariga Santa
- A Rede Social
- A Religiosa Portuguesa
- A Ressaca
- A Residencial Espanhola
- A Sangue Frio
- A Secretária
- A Semente Do Diabo
- A Senhora Da Água
- A Severa
- A Sombra Do Caçador
- A Sombra Do Samurai
- A Tempestade No Meu Coração
- A Tempo E Horas
- A Torre Do Inferno
- A Turma
- A Última Famel
- A Última Tentação De Cristo
- A Valsa Com Bashir
- A Verdadeira História De Jack, O Estripador
- A Viagem De Chihiro
- A Viagem De Iszka
- A Vida De Brian
- A Vida É Um Jogo
- A Vida É Um Milagre
- A Vida Em Directo
- A Vida Secreta Das Palavras
- A Vila
- A Vítima Do Medo
- A Vizinha Do Lado
- A Volta Ao Mundo Em 80 Dias
- Aberto Até De Madrugada
- Abraços Desfeitos
- Acção Total
- Aconteceu No Oeste
- Across The Universe
- Actividade Paranormal
- Acusado
- Adam Renascido
- Admitido
- Adriana
- Aelita
- Ágora
- Água Aos Elefantes
- Air Guitar Nation
- Albert, O Gordo
- Aldeia Da Roupa Branca
- Alice
- Alice In Acidland
- Alice No País Das Maravilhas
- Alien - O Oitavo Passageiro
- Aliens - O Reencontro Final
- Alien - A Desforra
- Alien - O Regresso
- Alien Vs. Predador
- Alien Autopsy
- Alma Em Paz
- Almoço De 15 De Agosto
- Alphaville
- Alta Fidelidade
- Alta Golpada
- Alta Tensão
- Alucinação
- Amália
- Amarcord
- American Movie
- American Splendor
- Amor À Queima-Roupa
- Amor De Verão
- Amor E Corridas
- Amor E Vacas
- Amor Em Las Vegas
- Amor Ou Consequência
- And Soon The Darkness
- Angel-A
- Animal
- Annie Hall
- Anónimo
- Antes Do Anoitecer
- Antes Que O Diabo Saiba Que Morreste
- Anticristo
- Anvil! The True Story of Anvil
- Anytinhig Else - A Vida E Tudo Mais
- Appaloosa
- Apocalypto
- Aquele Querido Mês De Agosto
- Aracnofobia
- Aragami
- Arizona Dream
- Armin
- Arséne Lupin - O Ladrão Sedutor
- As Asas Do Desejo
- As Aventuras De Jack Burton Nas Garras Do Mandarim
- As Aventuras De Tintim - O Segredo Do Licorne
- As Aventuras Do Príncipe Achmed
- As Bandeiras Dos Nossos Pais
- As Bonecas Russas
- As Canções De Amor
- As Crónicas De Narnia - O Leão, A Feiticeira E O Guarda-Roupa
- As Diabólicas
- As Ervas Daninhas
- As Invasões Bárbaras
- As Lágrimas Do Tigre Negro
- As Leis Da Atracção
- As Noites Loucas Do Dr. Jerryll
- As Penas Do Desejo
- As Tartarugas Também Voam
- As Vidas Dos Outros
- Aberto Até De Madrugada
- Assalto À Esquadra 13 (1976)
- Assalto À Esquadra 13 (2005)
- Assalto Ao Santa Maria
- Assassinos Natos
- Ata-me
- Até Ao Inferno
- Até Ao Limite Do Terror
- Atraídos Pelo Crime
- Através Da Noite
- Attack Of The 50 Foot Woman
- Aurora
- Austrália
- Autocarro 174
- Avatar
- Aviva, Meu Amor
- Aztec Rex
- Azul Metálico

- Babel
- Backbeat, Geração Inquieta
- Balas E Bolinhos - O Regresso
- Balbúrdia No Oeste
- Bando À Parte
- Baraka
- Barbarella
- Barreira Invisí­vel
- Batman
- Batman Regressa
- Batman - O Início
- Be Cool
- Beijing Bastards
- Belleville Rendez-Vouz
- Bem-vindo À Zombieland
- Bem-vindo Ao Norte
- Berlin 36
- Birth - O Mistério
- Biutiful
- Black Sheep
- Black Snake Moan - A Redenção
- Blade Runner - Perigo Iminente
- Blueberry
- Boa Noite E Boa Sorte
- Bobby Darin - O Amor É Eterno
- Body Rice
- Bombom
- Bom Dia Noite
- Bom Dia Vietnam
- Bonnie E Clyde
- Boogie Nights
- Borat
- Brasil - O Outro Lado Do Sonho
- Breakfast On Pluto
- Brincadeiras Perigosas (2007)
- Brisa De Mudança
- Bronson
- Bruce, O Todo-poderoso
- Bruiser - O Rosto Da Vingança
- Bruno
- Buffalo 66
- Bubba Ho-Tep
- Bullit
- Bunker Palace Hotel
- Buried
- Busca Implacável
- Bz, Viagem Alucinante

- Cadillac Records
- Cães Danados
- Cães De Palha
- Café E Cigarros
- Call Girl
- Camino
- Capitão Alatriste
- Capitão América - O Primeiro Vingador
- Capote
- Carrie
- Cartas Ao Padre Jacob
- Cartas De Iwo Jima
- Casa De Loucos
- Casablanca
- Casino Royale
- Catwoman
- Cavalo De Guerra
- Cemitério Vivo
- Censurado
- Centurion
- Charlie E A Fábrica De Chocolate
- Che - Guerrilha
- Che - O Argentino
- Chemical Wedding
- Chéri
- Chinatown
- Chocolate
- Choke - Asfixia
- Chovem Almôndegas
- Christine - O Carro Assassino
- Cidade Fria
- Cinco Dias, Cinco Noites
- Cinema Paraíso
- Cinerama
- Cisne Negro
- Clube De Combate
- Coco Avant Chanel
- Coisa Ruim
- Cold Mountain
- Cold Weather
- Colete De Forças
- Colisão
- Com Outra? Nem Morta!
- Comboios Rigorosamente Vigiados
- Comer Orar Amar
- Complexo - Universo Paralelo
- Conan, O Bárbaro
- Contrato
- Control
- Controle
- Coração De Cavaleiro
- Coração De Gelo
- Coração Selvagem
- Corações De Aço
- Coragem De Mãe: Confrontando O Autismo
- Corre Lola Corre
- Correio De Risco
- Correio De Risco 3
- Corrida Contra O Futuro
- Corrupção
- Cozinhando A História
- Crank - Veneno No Sangue
- Crank - Alta Voltagem
- Cremaster
- Crime Ferpeito
- Crippled Masters
- Cristóvão Colombo - O Enigma
- Crónica Dos Bons Malandros
- Crueldade Intolerável
- Cubo
- Culture Boy
- Cypher
- Cyrano de Bergerac (1950)

- Daisy Town
- Dallas
- Danny The Dog - Força Destruidora
- Daqui P'ra Frente
- Dark City - Cidade Misteriosa
- De Cabeça Para Baixo
- De Homem Para Homem
- De Olhos Abertos
- De Olhos Bem Fechados
- De Sepultura Em Sepultura
- De Tanto Bater O Meu Coração Parou
- De-Lovely
- Delhi Belly
- Dead Snow
- Death Race 2000
- Deixa-me Entrar
- Delicatessen
- Demolidor - O Homem Sem Medo
- Dentro Da Garganta Funda
- Depois Do Casamento
- Destruir Depois De Ler
- Diamante De Sangue
- Diário Dos Mortos
- Diários De Che Guevara
- Dias De Futebol
- Dick E Jane - Ladrões Sem Jeito
- Dictado
- Die Hard 4.0 - Viver Ou Morrer
- Die You Zombie Bastards!
- Dogma
- Domino
- Don Juan DeMarco
- Donnie Brasco
- Doom - Sobrevivência
- Doomsday - Juízo Final
- Dorian Gray
- Dot.Com
- Dr. Estranhoamor
- Drácula 2001
- Drácula De Bram Stoker
- Drive - Risco Duplo
- Dreamgirls
- Duas Mulheres

- É Na Terra Não É Na Lua
- Easy A
- Easy Rider
- Eduardo Mãos De Tesoura
- Efeito Borboleta
- El Mariachi
- El Topo
- Ela Odeia-me
- Eles
- Eles Vivem
- Elvis
- Em Bruges
- Em Busca Da Felicidade
- Em Carne Viva
- Em Liberdade
- Em Nome De Caim
- Em Nome De Deus
- Em Paris
- Em Privado
- Embargo
- Encarnação Do Demónio
- Encontros Em Nova Iorque
- Encrenca Dupla
- Encurralada
- Ensaio Sobre A Cegueira
- Enterrado Na Areia
- Entre Os Dedos
- Entrevista
- Equilibrium
- Era Uma Vez No México
- Eraserhead - No Céu Tudo É Perfeito
- Escola De Criminosos
- Escolha Mortal
- Esporas De Aço
- Estado De Guerra
- Estamos Vivos
- Este É O Meu Lugar
- Este País Não É Para Velhos
- Estômago
- Estrada Perdida
- Estranhos
- Estrellita
- Eu Amo-te Phillip Morris
- Eu, Peter Sellers
- Eu Sou A Lenda
- Eu Sou Evadido
- Eu, Tu E Todos Os Que Conhecemos
- Everything Must Go
- Evil Dead - A Noite Dos Mortos-Vivos
- Evil Dead 2 - A Morte Chega De Madrugada
- Evil Dead 3 - O Exército Das Trevas
- Ex-Drummer
- Exterminador Implacável 1
- Exterminador Implacável 2 - O Dia Do Julgamento Final
- Exterminador Implacável 3 - Ascensão Das Máquinas
- Exterminador Implacável 4 - A Salvação

- Factory Girl - Quando Edie Conheceu Warhol
- Factotum
- Fados
- Fahrenheit 9/11
- Falso Alarme
- Fando E Lis
- Fantasmas De Marte
- Fargo
- Faster, Pussycat! Kill! Kill!
- Fausto 5.0
- Favores Em Cadeia
- Felicidade
- Feliz Natal
- Férias No Harém
- Festival Rocky De Terror
- Ficheiros Secretos: Quero Acreditar
- Fim De Ano Em Split
- Fim-De-Semana Alucinante
- Final Cut - A Última Memória
- Fish Tank
- Florbela
- Flores Partidas
- Fome
- Footloose - A Música Está Do Teu Lado
- Força Delta
- Forrest Gump
- Freddy Vs. Jason
- Frenético
- Frida
- Frost/Nixon
- Fruto Proibido
- Fuga De Los Angeles
- Fuga Para A Vitória
- Fur - Um Retrato Imaginário De Diane Arbus
- Fúria Cega
- Fúria De Viver
- Fúria Silenciosa

- Gabrielle
- Gainsbourg - Vida Heróica
- Gang Dos Tubarões
- Gangs de Nova Iorque
- Garden State
- Génova
- GI Joe - O Ataque Dos Cobra
- Godzilla
- Goodbye Lenine!
- Gosford Park
- Gothika
- Gran Torino
- Grande Mundo Do Som
- Gremlins
- Grizzly Man
- Gru - O Maldisposto
- Guerra Dos Mundos (2005)
- Guerra Dos Mundos (1953)

- Há Lodo No Cais
- Hairspray
- Half Nelson - Encurralados
- Hard Candy
- Harley Davidson E O Cowboy Do Asfalto
- Harold E Maude
- Harry Brown
- Haverá Sangue
- Hawai Azul
- He-Man - Mestres Do Universo
- Head On - A Esposa Turca
- Heartbreak Hotel
- Hell Ride
- Hellboy
- Hellboy 2: O Exército Dourado
- Helter Skelter - O Caso De Sharon Tate
- Henry E June
- Hereafter - Outra Vida
- Hiena
- História De Duas Irmãs
- História De Um Fotógrafo
- Hobo With A Shotgunbr> - Hollywood Ending
- Homem Aranha
- Homem Aranha 2
- Homem Aranha 3
- Homem De Ferro
- Homem Demolidor
- Homem Em Fúria
- Homens De Negro
- Homens De Negro 2
- Homens Que Matam Cabras Só Com O Olhar
- Hostel
- Hostel 2
- Hot Fuzz - Esquadrão De Província
- Howl - Grito
- Hugo

- I Am Sam - A Força Do Amor
- I Spit On Your Grave
- I'll See You In My Dreams
- Iluminados Pelo Fogo
- I'm Still Here
- I Wanna Hold Your Hand
- Imitação Da Vida
- Imortal
- In Search Of A Midnight Kiss
- Indiana Jones E O Reino Da Caveira De Cristal
- Indomável
- Infiltrado
- Inimigos Públicos
- INLAND EMPIRE
- Inquietos
- Insidioso
- Insónia
- Intervenção Divina
- Intriga Internacional
- Invictus
- Irmão, Onde Estás?
- It
- It Might Get Loud
- Italian Spiderman

- Jack Ketchum's The Girl Next Door
- Jackass 2
- Jackass 3D
- Jackie Brown
- Jacuzzi - O Desastre Do Tempo
- James Bond - Agente Secreto
- James Bond - Casino Royale
- James Bond - Quantum Of Solace
- Janela Indiscreta (1954)
- Janela Indiscreta (1998)
- Janela Secreta
- JCVD
- Joga Como Beckham
- John Rambo
- Jonestown - The Life And Death Of Peoples Temple
- Jovens Rebeldes - A Verdadeira História
- Julgamento
- Julie E Julia
- Juno
- Juventude Em Marcha
- Juventude Tardia

- Kalifórnia
- Kandahar
- Karate Kid
- Katyn
- Kenny
- Kick Ass - O Novo Super-herói
- Kids - Miúdos
- Kill Bill vol.2
- King Kong (2005)
- Kiss Kiss Bang Bang
- Kiss Me
- Klimt
- Kopps
- Kung-Fu-Zão
- Kung Pow - Punhos Loucos

- La Jetée
- La Vie En Rose
- Ladrões
- Lady Snowblood
- Laranja Mecânica
- Last Days - Os Últimos Dias
- Lavado Em Lágrimas
- Lemmy
- Léon, O Profissional
- Lichter
- Lindas Encrencas As Garotas
- Lobos
- Longe Da Terra Queimada
- Lost In Translation - O Amor É Um Lugar Estranho
- Lua De Mel, Lua De Fel
- Lucifer Rising
- Lucky Luke
- Lucky Number Slevin - Há Dias De Azar

- M - Matou!
- Má Educação
- Machete
- Madrigal
- Maldito United
- Mamma Mia
- Manhattan
- Manô
- Mamonas Pra Sempre
- Mar Adentro
- Maria E As Outras
- Marie Antoinette
- Marjoe
- Marte Ataca!
- Matança De Natal
- Match Point
- Matou A Família E Foi Ao Cinem
- McQuade, O Lobo Solitário
- Meia-Noite Em Paris
- Meio Metro De Pedra
- Melancolia
- Melinda E Melinda
- Menina
- Mephisto
- Metrópolis
- Meu Nome É Bruce
- Miami Vice
- Milhões
- Milk
- Millenium 1. Os Homens Que Odeiam As Mulheres
- Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos
- Minha Mãe
- Minha Terra
- Misery - Capí­tulo Final
- Missão A Marte
- Missão Impossí­vel 3
- Missão Impossível - Missão Fantasma
- Missão Solar
- Mistérios De Lisboa
- Momentos Agradáveis
- Moneyball - Jogada De Risco
- Monsters - Zona Interdita
- Monstro
- Monty Phyton E O Cálice Sagradi
- Morte Cerebral
- Morte De Um Presidente
- Movimentos Perpétuos
- Mr. E Mrs. Smith
- Mrs. Henderson Presents
- Muito Bem, Obrigado
- Mulholland Drive
- Mundo Fantasma
- Mundos Separados
- Munique
- Murderball - Espírito De Combate
- Murish
- Mutilados
- Mysterious Skin

- Na Cama
- Nacho Libre
- Não Estou Aí
- Napoleon Dynamite
- Nas Costas Do Diabo
- Nas Nuvens
- Needle
- Nico: À Margem Da Lei
- Ninguém Sabe
- Nixon
- No Limite Do Amor
- No Vale De Elah
- Noite De Agosto
- Noite Escura
- Noivos Sangrentos
- Nome De Código: Cloverfield
- Northfork
- Nosferatu, O Vampiro
- Nothing
- Nova Iorque 1997
- Nove Raínhas
- Nunca Digas Sim

- O Acontecimento
- O Agente Da Broadway
- O Lugar Do Morto
- O Americano
- O Amor Acontece
- O Anjo Exterminador
- O Anti-Pai Natal
- O Artista
- O Assassínio De Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford
- O Assassí­nio De Richard Nixon
- O Batedor
- O Bom Alemão
- O Bom, O Mau E O Vilão
- O Cabo Do Medo
- O Caminho De São Diego
- O Cão, O General E Os Pássaros
- O Capacete Dourado
- O Castelo Andante
- O Castor
- O Cavaleiro Das Trevas
- O China
- O Cobrador
- O Código Da Vinci
- O Comboio Dos Mortos
- O Comboio Mistério
- O Condenado
- O Couraçado Potemkin
- O Cowboy Da Meia-Noite
- O Crepúsculo Dos Deuses
- O Dedo De Deus
- O Delator!
- O Demónio
- O Despertar Da Besta
- O Despertar Da Mente
- O Deus Da Carnificina
- O Deus Elefante
- O Dia Em Que A Terra Parou (1951)
- O Dia Em Que A Terra Parou (2008)
- O Dia Da Besta
- O Discurso Do Rei
- O Enigma Do Espaço
- O Estranho Caso De Benjamin Button
- O Estranho Mundo De Jack
- O Evangelho Segundo São Mateus
- O Exorcista
- O Fatalista
- O Feiticeiro De Oz
- O Feitiço Do Tempo
- O Fiél Jardineiro
- O Gabinete Das Figuras De Cera
- O Gabinete Do Dr. Caligari
- O Gato Das Botas
- O Génio Do Mal (1976)
- O Grande Peixe
- O Grande Ditador
- O Guerreiro
- O Homem Duplo
- O Homem Que Copiava
- O Homem Que Sabia Demasiado
- O Homem Que Veio Do Futuro
- O Idealista
- O Jogo
- O Júri
- O Imperador Da Califórnia
- O Inquilino
- O Justiceiro Da Noite
- O Labirinto Do Fauno
- O Laço Branco
- O Lado Selvagem
- O Lago Perfeito
- O Leopardo
- O Livro Negro
- O Lobo Do Mar
- O Macaco De Ferro
- O Maquinista
- O Marinheiro De Água Doce
- O Menino De Ouro
- O Meu Tio
- O Milagre De Berna
- O Milagre Segundo Salomé
- O Mistério Galindez
- O Monstro Da Lagoa Negra
- O Mundo A Seus Pés
- O Nevoeiro (1980)
- O Ofício De Matar
- O Olho
- O Orfanato
- O Paciente Inglês
- O Padrinho - Parte I
- O Padrinho - Parte II
- O Padrinho - Parte III
- O Panda Do Kung Fu
- O Panda Do Kung Fu 2
- O Pesadelo De Darwin
- O Pistoleiro Do Diabo
- O Planeta Selvagem
- O Pó Dos Tempos
- O Portador Da Espada
- O Presidiário
- O Prisioneiro Do Rock
- O Protegido
- O Próximo A Abater
- O Quinto Elemento
- O Quinto Império
- O Regresso
- O Rei Dos Gazeteiros
- O Reino Proibido
- O Ritual
- O Ritual Dos Sádicos
- O Sabor Do Amor
- O Sargento Da Força Um
- O Segredo A Brokeback Mountain
- O Segredo De Um Cuscuz
- O Segredo Dos Punhais Voadores
- O Selvagem
- O Sentido Da Vida
- O Sétimo Selo
- O Sítio Das Coisas Selvagens
- O Sonho Comanda A Vida
- O Sonho De Cassandra
- O Sorriso De Mona Lisa
- O Tempo Do Lobo
- O Tesouro Da Sierra Madre
- O Tigre E A Neve
- O Tio Boonmee Que Se Lembra Das Suas Vidas Anteriores
- O Triunfo Da Vontade
- O Turista
- O Último Airbender
- O Último Grande Herói
- O Último Rei Da Escócia
- O Último Tango Em Paris
- O Último Voo Do Flamingo
- O Vingador Tóxico
- O Wrestler
- Ocean's Eleven - Façam As Vossas Apostas
- Odete
- Oldboy - Velho Amigo
- Olho Mágico
- Oliver Twist
- Ônibus 174
- Orca
- Órfã
- Os Amantes Regulares
- Os Amigos De Alex
- Os Bons E Os Maus
- Os Caça-Fantasmas
- Os Cavaleiros Do Asfalto
- Os Chapéus De Chuva De Cherburgo
- Os Cinco Venenos
- Os Clãs Da Intriga
- Os Condenados De Shawshank
- Os Descendentes
- Os Edukadores
- Os Famosos E Os Duendes Da Morte
- Os Filhos Do Homem
- Os Friedmans
- Os Guardiões Da Noite
- Os Homens Preferem As Loiras
- Os Imortais
- Os Inadaptados
- Os Índios Apache
- Os Invisíveis
- Os Irmãos Grimm
- Os Limites Do Controlo
- Os Marginais
- Os Mercenários
- Os Miúdos Estão Bem
- Os Novos Dez Mandamentos
- Os Olhos Da Serpente
- Os Olhos Sem Rosto
- Os Onze De Oceano
- Os Optimistas
- Os Pássaros
- Os Produtores (2005)
- Os Psico-Detectives
- Os Rapazes Da Noite
- Os Rapazes Não Choram
- Os Renegados Do Diabo
- Os Rutles - All You Need Is Cash
- Os Selvagens Da Noite
- Os Simpsons - O Filme
- Os Sonhadores
- Os Sorrisos Do Destino
- Os Super-Heróis
- Os Supeitos Do Costume
- Os Três Enterros De Um Homem
-Os Visistantes Da Idade Média
- Os 300 Espartanos

- Pagafantas
- Palpitações
- Papillon
- Para Onde O Vento Sopra
- Parada De Monstros
- Paraíso, Inferno... Terra
- Paranoid Park
- Paris Je T'Aime
- Party Monster
- Pecados Íntimos
- Pele
- Pequenas Mentiras Entre Amigos
- Performance
- Perigo Na Noite
- Perto Demais
- Pesadelo Em Elm Street
- Pink Floyd The Wall
- Piranha 3D
- Piratas Das Caraíbas - O Mistério do Pérola Negra
- Piratas Das Caraí­bas - O Cofre Do Homem Morto
- Piratas Das Caraíbas - Nos Confins Do Mundo
- Planeta Dos Macacos
- Planeta Dos Macacos: A Origem
- Planeta Terror
- Plano 9 Dos Vampiros Zombies
- Polaróides Urbanas
- Polí­cia Sem Lei (1992)
- Polícia Sem Lei (2009)
- Poltergeist, O Fenómeno
- Ponto De Mira
- Por Favor Rebobine
- Por Favor Não Me Morda O Pescoço
- Porcos & Selvagens
- Posto Fronteiriço
- Precious
- Predadores
- Presente De Morte
- Preto E Branco
- Primer
- Príncipe Da Pérsia - As Areias Do Tempo
- Procurado
- Profissão: Repórter
- Promessas Proibidas
- Proposta Indecente
- Proteger
- Psico
- Psicopata Americano
- Pulp Fiction
- Pulsação Zero
- Punch-Drunk Love - Embriagado De Amor
- Purana Mandir
- Purple Rain

- Quando Viste O Teu Pai Pela Última Vez
- Quarentena
- Quarteto Fantástico (1994)
- Quarteto Fantástico (2005)
- Quase Famosos
- Quatro Noites Com Anna
- Que Lugar Maravilhoso
- Que Se Mueran Los Feos
- Queijo E Marmelada
- Quem Quer Ser Bilionário
- Querida Famí­lia
- Querida Wendy

- R
- Rapariga Com Brinco De Pérola
- Rare Exports
- Ratatui
- Ratos Assassinos
- Ray
- [Rec]
- [REC]2
- Red Eye
- Relatório Kinsey
- Relatório Minoritário
- Religulous - Que O Céu Nos Ajude
- Relíquia Macabra
- Renascimento
- Resident Evil: Apocalypse
- Rio
- Rio Bravo
- Rock De Fogo
- Rock, Rock, Rock
- Rocknrolla - A Quadrilha
- Rocky Balboa
- Roger E Eu
- Roma
- Romance E Cigarros
- Roxanne
- RRRrrrr!!!
- Rubber - Pneu
- Ruídos Do Além
- Ruivas, Loiras E Morenas
- Rumo À Liberdade
- Ruptura Explosiva

- Sacanas Sem Lei
- Sala De Pânico
- Salazar - A Vida Privada
- Salto Mortal
- Samsara
- Sangue Do Meu Sangue
- Sangue Por Sangue
- Santa Sangre
- Sapatos Pretos
- Save The Green Planet!
- Saw - Enigma Mortal
- Saw II - A Experiência Do Medo
- Saw 3D - O Capítulo Final
- Scoop
- Scott Pilgrim Contra O Mundo
- Seconds Apart
- Seis Indomáveis Patifes
- Sem Ela
- Sem Limites
- Sem Rumo
- Sem Tempo
- Semi-Pro
- Ser E Ter
- Sereia
- Serpentes A Bordo
- Sete Anos No Tibete
- Sete Vidas
- Sexo E A Cidade
- Sgt. Pepper's Lonely Heart Club Band
- Shaolin Daredevils
- Shaolin Soccer - O Ás Da Bola
- Shaolin Vs. Evil Dead
- Shattered Glass - Verdade Ou Mentira
- Sherlock Holmes
- Sherlock Holmes - Jogo De Sombras
- Shining
- Shoot 'Em Up - Atirar A Matar
- Shortbus
- Shrek 2
- Shrek O Terceiro
- Shrek Para Sempre
- Sicko
- Sid And Nancy
- Sideways
- Simpatyhy For Mr. Vengeance
- Sin City - Cidade Do Pecado
- Sinais
- Sinais De Fogo
- Sinais Do Futuro
- Sinais Vermelhos
- Singularidades De Uma Rapariga Loira
- Sky Captain E O Mundo De Amanhã
- Slither - Os Invasores
- Soldados Da Fortuna
- Soldados Do Universo
- Sombras Da Escuridão
- Somewhere - Algures
- Sonho De Uma Noite De Inverno
- Sonny
- Sophie Scholl - Os Últimos Dias
- Soro Maléfico
- Sorte Nula
- Soul Kitchen
- Spartacus
- Spartan - O Rapto
- Splice
- Stacy - Attack Of The Schoolgirl Zombies
- Star Wars - A Ameaça Fantasma
- Star Wars - A Vingança Dos Sith
- Star Wars - O Ataque Dos Clones
- Stardust - O Mistério Da Estrela Cadente
- Stone - Ninguém É Inocente
- Stoned, Anos Loucos
- Submarino
- Super
- Super Baldas
- Super-Homem
- Super-Homem: O Regresso
- Super 8
- Superstar
- Suspeita
- Suspiria
- Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro De Fleet Street
- Swimming Pool
- Sword Of Vengeance
- Sympathy For The Devil

- Taking Woodstock
- Tarnation
- Tarzan, O Homem Macaco (1981)
- Taxidermia
- Team America - Polí­cia Mundial
- Tebas
- Tecumseh
- Teeth
- Tempestade Tropical
- Tennessee
- Terra De Cegos
- Terminal De Aeroporto
- Terra Dos Mortos
- Terror Em Setembro
- Terror Na Auto-estrada
- Terror Nas Montanhas
- Tetro
- The Bloodstained Butterfly
- The Brown Bunny
- The Darjeeling Limited
- The Departed: Entre Inimigos
- The Devil And Daniel Johnston - Loucuras De Um Génio
- The Devil's Double
- The First Great Train Robbery
- The Fountain - O Último Capítulo
- The Grudge - A Maldição
- The Host - A Criatura
- The Impossible Kid
- The King Of Kong
- The Langoliers - Meia-Noite E Um
- The Last House On The Left
- The Machine Girl
- The Man From Earth
- The Marine
- The Million Dollar Hotel - O Hotel
- The Mindscape Of Alan Moore
- The Mist - Nevoeiro Misterioso
- The Others - Os Outros
- The Prestige - O Terceiro Passo
- The 50 Worst Movies Ever Made
- The Way
- The Woman
- Thirst - Este É O Meu Sangue
- This Is It
- This Is Spinal Tap
- Thor
- Thriller - A Cruel Picture
- THX 1138
- Tirar Vidas
- Titanic 2
- Tony
- Tournée - Em Digressão
- Toy Story 3
- Tragam-me A Cabeça De Alfredo Garcia
- Transamerica
- Tron
- Tron: O Legado
- Tropa De Elite
- Tropa De Elite 2 - O Inimigo Agora É Outro
- Tsotsi
- Tubarão
- Tubarão 2
- Tubarão 3
- Tubarão IV - A Vingança
- Tucker E Dale Contra O Mal
- Tudo Ficará Bem
- Tudo Pode Dar Certo
- Twisted - Homicídios Ocultos

- Ultra Secreto
- Um Amor De Perdição
- Um Azar Do Caraças
- Um Bater De Corações
- Um Belo Par... De Patins
- Um Cão Andaluz
- Um Dia A Casa Vai Abaixo
- Um Dia De Raiva
- Um Homem Singular
- Um Longo Domingo De Noivado
- Um Lugar Para Viver
- Um Padrasto Para Esquecer
- Um Profeta
- Um Tiro No Escuro
- Um Trabalho Em Itália
- Uma Aventura Na Casa Assombrada
- Uma Boa Mulher
- Uma Canção De Amor
- Uma Espécie De Cavalheiro
- Uma Famí­lia À Beira De Um Ataque De Nervos
- Uma História De Violência
- Uma Pequena Vingança
- Uma Rapariga Com Sorte
- Uma Segunda Juventude
- Uma Segunda Vida
- Undefeatable
- Unseen Evil 2 - Alien 3000
- Up - Altamente

- V De Vingança
- Vai E Vive
- Vais Conhecer O Homem Dos Teus Sonhos
- Valhalla Rising - Destino De Sangue
- Valquíria
- Vampiros de John Carpenter
- Van Helsing
- Vanilla Sky
- Vanitas
- Vasilhame
- Veio Do Outro Mundo
- Veludo Azul
- Velvet Goldmine
- Vencidos Pela Lei
- Vendendo A Pele
- Veneno Cura
- Vera Drake
- Versus - A Ressurreição
- Vestida Para Matar
- Vice
- Vício - Quando Nada É Suficiente
- Vicky Cristina Barcelona
- Vidas Sombrias
- Vigilância
- Vingança Redentora
- Virgem Aos 40 Anos
- Vitus
- Viúva Rica Solteira Não Fica
- Viver A Sua Vida
- Voando Sobre Um Ninho De Cucos
- Voltando Para Casa
- Voltar
- Vontade Indómita
- Voo 93

- Walk Hard - A História De Dewey Cox
- Walk The Line
- WALL-E
- Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme
- Wassup Rockers - Desafios De Rua
- Watchmen - Os Guardiões
- Welcome To The Rileys
- White Irish Drunkers
- Wild Zero
- Win Win
- Wolf Creek
- Wristcutters: A Love Story

- X-Men
- X-Men 2
- X-Men 3 - O Confronto Final
- X-Men: O Início
- X-Men Origens: Wolverine

- Zack E Miri Fazem Um Porno
- Zardoz
- Zatoichi
- Zombies Party - Uma Noite... De Morte
- Zombies Strippers
- Zozo

- 007 - Agente Secreto
- 007 - Casino Royale
- 007 - Quantum Of Solace
- 10 Coisas Que Odeio Em Ti
- 100 Volta
- 10.000 AC
- 12 Homens Em Fúria
- 12 Macacos
- 12:08 A Este De Bucareste
- 1984
- 2LDK
- 24 Hour Party People
- 28 Dias Depois
- 20,13 - Purgatório
- 2012
- 300
- 4 Copas
- 48
- 50/50
- 6=0 Homeostética
- 8 1/2
- 9 Canções
- 98 Octanas


ENTREVISTAS:
- Fernando Fragata
- Festróia - Mário Ventura
- Filipe Melo
- Good N Evil
- IMAGO - Sérgio Felizardo
- José Barahona
- Nuno Markl
- Paulo Furtado
- Rodrigo Areias
- Sara David Lopes
- Solveig Nordlund
- Fernando Alle


TOPES:
- Top 8 dos Melhores Filmes de 2011
- Top 5 dos Piores Filmes de 2011
- Top 10 dos Melhores Filmes de 2010
- Top 5 dos Piores Filmes de 2010
- Top 5 dos filmes de Leslie Nielsen
- Top 10 Dos Filmes Low Cost
- Top 5 das Melhores Cenas de Dança
- Top 8 dos Melhores Filmes de 2009
- Top 5 dos Piores Filmes de 2009
- Top 5 dos Filmes Que Tenho Vergonha De Dizer Que Gosto
- Top 5 das Melhores Músicas de Ennio Morricone
- Top 5 dos filmes com Patrick Swayze
- Top 5 dos Telediscos do Michael Jackson
- Top 5 dos Filmes com David Carradine
- Top 5 dos Filmes com Lutadores de Luta-Livre
- Top 10 Os Melhores Filmes de 2008
- Top 5 Os Piores Filmes de 2008
- Top 5 dos Piores Filmes de Natal
- Top 5 das Coisas que não Esperávamos Ver no Cinema
- Top 5 dos Melhores Filmes de Paul Newman
- Top 5 Personagens Com Palas Nos Olhos
- Top 10 Melhores Cartazes De Cinema
- Top 5 dos Filmes de Chuck Norris
- Top 5 dos Filmes de Patrick Swayze
- Top 10 Os Melhores/Piores Vestidos dos Oscares
- Top 5 As Mortes de Crianças Mais Gratuitas
- Top 10 Os Melhores de 2007
- Top 5 Os Piores de 2007
- Top 7 Adaptações ao Cinema de Livros de Stephen King
- Top 5 Filmes Pela Paz
- Top 5 Os Melhores Beijos
- Top 5 Grandes Arquitectos
- Top 10 Filmes Que Mudaram A Minha Vida
- Top 5 Mulheres de Cabeça Rapada
- Top 5 As Cenas Mais Excitantes
- Top 10 Os Melhores de 2006
- Top 5 Os Piores de 2006
- Top 3 Filmes de Robert Altman
- Top 5 Os Vilões do Cinema
- Top 5 Filmes Com Mick Jagger
- Top 5 Filmes Com Steve Buscemi
- Top 5 Dos Cães no Cinema
- Top 5 Dos Filmes do Indie06
- Top 5 Dos Filmes do Fantas06
- Top 5 dos Presidentes
- Top 10 Os Melhores de 2005
- Top 5 Os Piores de 2005
- Top 5 Filmes com Pat Morita
- Top 10 Os Melhores Filmes Independentes
- Top 5 Os Piores Filmes da Saga Bond
- Top 5 Filmes com Dolph Lundgren
- Top 5 Adaptações de BD Para Cinema
- Top 10 Cenas Mais Assustadoras de Sempre
- Top 5 Vencedores do Óscar
- Top 5 Bond Girls
- Top 5 Filmes Sobre Doenças
- Top 5 Filmes de Natal
- Top 5 Melhores Batalhas Corpo-A-Corpo
- Top 10 Melhores Canções do Cinema
- Top 10 Melhores Filmes de Sempre
- Top 5 Melhores Momentos Musicais
- Top 5 Grandes Duelos do Cinema
- Top 10 Maiores Personagens do Cinema
- Top 5 Piores Momentos da Ficção Cientí­fica
- Top 10 Melhores Momentos da Ficção Cientí­fica
- Top 5 Filmes Religiosos


BAÚ DO TRASH:
- Needle
- Que Se Mueran Los Feos
- Easy A
- Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme
- Saw 3D - O Capítulo Final
- And Soon The Darkness
- Os Imortais
- Purana Mandir
- Pagafantas
- The Bloodstained Butterfly
- Cisne Negro


ROYALE WITH CHEESE APRESENTA:
- A Tasca Da Cultura
- A Causa Das Coisas - parte I
- A Causa Das Coisas - parte II
- A Momentary Lapse Of Reason


FILMES A VER ANTES DE MORRER:
- #1 As Lágrimas Do Tigre Negro
- #2 Alucarda
- #3 Time Enough At Last
- #4 Armageddon
- #5 The Favour, The Watch And The Very Big Fish
- #6 Italian Spiderman
- #7 The Soldier And Death


UMA CURTA POR DIA NÃO SABE O BEM QUE LHE FAZIA:
- 1# Rabbit, de Run Wrake
- 2# Aligato, de Maka Sidibé
- 3# The Cat Concerto, de Joseph Barbera & William Hanna
- 4# A Curva, de David Rebordão
- 5# Batman: Dead End, de Sandy Callora
- 6# O Código Tarantino, de Selton Mello
- 7# Malus, de António Aleixo & Crosswalk, de Telmo Martins
- 8# Three Blind Mice, de George Dunning
- 9# Bedhead, de Robert Rodriguez
- 10# Key To Reserva, de Martin Scorcese
- 11# Bambi Meets Godzilla, de Marv Newland
- 12# The Horribly Slow Murderer with the Extremely Inefficient Weapon, de Richard Gale
- 13# Stolz Der Nation, de Eli Roth
- 14# Papá Wrestling, de Fernando Alle
- 15# Glas, de Bert Haanstra
- 16# Fotoromanza, de Michelangelo Antonioni
- 17# Quem É Ricardo?, de José Barahona
- 17# Terra Incognita, de Peter Volkart


AS MELHORES PIORES CENAS DE SEMPRE:
- A Pior Luta
- A Cena Mais Metida A Martelo
- O Ataque Animal Mais Brutal
- A Perseguição Mais Alucinante
- O Duelo Mais Improvável


CLUBE DE CINEMA DE SETÚBAL:
- Janeiro
- Fevereiro
- Março
- Abril
- Maio
- Setembro
- Novembro


FESTIVAIS:
- 20º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9
- 21º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 22º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10
- 23º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10
- 24º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 26º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 12º Caminhos Do Cinema Português
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- Imago 2006
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8

;

Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket



BLOCKBUSTERS:

04/01/2004 - 05/01/2004

05/01/2004 - 06/01/2004

06/01/2004 - 07/01/2004

07/01/2004 - 08/01/2004

08/01/2004 - 09/01/2004

09/01/2004 - 10/01/2004

10/01/2004 - 11/01/2004

11/01/2004 - 12/01/2004

12/01/2004 - 01/01/2005

01/01/2005 - 02/01/2005

02/01/2005 - 03/01/2005

03/01/2005 - 04/01/2005

04/01/2005 - 05/01/2005

05/01/2005 - 06/01/2005

06/01/2005 - 07/01/2005

07/01/2005 - 08/01/2005

08/01/2005 - 09/01/2005

09/01/2005 - 10/01/2005

10/01/2005 - 11/01/2005

11/01/2005 - 12/01/2005

12/01/2005 - 01/01/2006

01/01/2006 - 02/01/2006

02/01/2006 - 03/01/2006

03/01/2006 - 04/01/2006

04/01/2006 - 05/01/2006

05/01/2006 - 06/01/2006

06/01/2006 - 07/01/2006

07/01/2006 - 08/01/2006

08/01/2006 - 09/01/2006

09/01/2006 - 10/01/2006

10/01/2006 - 11/01/2006

11/01/2006 - 12/01/2006

12/01/2006 - 01/01/2007

01/01/2007 - 02/01/2007

02/01/2007 - 03/01/2007

03/01/2007 - 04/01/2007

04/01/2007 - 05/01/2007

05/01/2007 - 06/01/2007

06/01/2007 - 07/01/2007

07/01/2007 - 08/01/2007

08/01/2007 - 09/01/2007

09/01/2007 - 10/01/2007

10/01/2007 - 11/01/2007

11/01/2007 - 12/01/2007

12/01/2007 - 01/01/2008

01/01/2008 - 02/01/2008

02/01/2008 - 03/01/2008

03/01/2008 - 04/01/2008

04/01/2008 - 05/01/2008

05/01/2008 - 06/01/2008

06/01/2008 - 07/01/2008

07/01/2008 - 08/01/2008

08/01/2008 - 09/01/2008

09/01/2008 - 10/01/2008

10/01/2008 - 11/01/2008

11/01/2008 - 12/01/2008

12/01/2008 - 01/01/2009

01/01/2009 - 02/01/2009

02/01/2009 - 03/01/2009

03/01/2009 - 04/01/2009

04/01/2009 - 05/01/2009

05/01/2009 - 06/01/2009

06/01/2009 - 07/01/2009

07/01/2009 - 08/01/2009

08/01/2009 - 09/01/2009

09/01/2009 - 10/01/2009

10/01/2009 - 11/01/2009

11/01/2009 - 12/01/2009

12/01/2009 - 01/01/2010

01/01/2010 - 02/01/2010

02/01/2010 - 03/01/2010

03/01/2010 - 04/01/2010

04/01/2010 - 05/01/2010

05/01/2010 - 06/01/2010

06/01/2010 - 07/01/2010

07/01/2010 - 08/01/2010

08/01/2010 - 09/01/2010

09/01/2010 - 10/01/2010

10/01/2010 - 11/01/2010

11/01/2010 - 12/01/2010

12/01/2010 - 01/01/2011

01/01/2011 - 02/01/2011

02/01/2011 - 03/01/2011

03/01/2011 - 04/01/2011

04/01/2011 - 05/01/2011

05/01/2011 - 06/01/2011

06/01/2011 - 07/01/2011

07/01/2011 - 08/01/2011

08/01/2011 - 09/01/2011

09/01/2011 - 10/01/2011

10/01/2011 - 11/01/2011

11/01/2011 - 12/01/2011

12/01/2011 - 01/01/2012

01/01/2012 - 02/01/2012

02/01/2012 - 03/01/2012

03/01/2012 - 04/01/2012

04/01/2012 - 05/01/2012

05/01/2012 - 06/01/2012

06/01/2012 - 07/01/2012

07/01/2012 - 08/01/2012

08/01/2012 - 09/01/2012

09/01/2012 - 10/01/2012

10/01/2012 - 11/01/2012

11/01/2012 - 12/01/2012

12/01/2012 - 01/01/2013

01/01/2013 - 02/01/2013

02/01/2013 - 03/01/2013

03/01/2013 - 04/01/2013

04/01/2013 - 05/01/2013

05/01/2013 - 06/01/2013

06/01/2013 - 07/01/2013

07/01/2013 - 08/01/2013

08/01/2013 - 09/01/2013

09/01/2013 - 10/01/2013

10/01/2013 - 11/01/2013

10/01/2013 - 11/01/2013

11/01/2013 - 12/01/2013

12/01/2013 - 01/01/2014

01/01/2014 - 02/01/2014

02/01/2014 - 03/01/2014

03/01/2014 - 04/01/2014

04/01/2014 - 05/01/2014

05/01/2014 - 06/01/2014

06/01/2014 - 07/01/2014

07/01/2014 - 08/01/2014

08/01/2014 - 09/01/2014