Sábado, Dezembro 30, 2006
A RAINHA:Título:
The QueenRealizador: Stephen Frears
Ano: 2006

A rainha inglesa Elizabete II é a monarca mais respeitada do planeta e é amada pelo seu povo, em muito devido às suas quatro décadas de reinado, enfrentando guerras mundiais e outras crises semelhantes sempre com grande dignidade. Mas há cerca de uma década atrás, uma fatalidade quase arruinou a família real inglesa como a conhecemos e a própria monarquia - falo do acidente que vitimou a princesa Diana em Paris.
Todos nós nos lembramos como se tivesse sido ontem das imagens marcantes e comoventes dos milhares de pessoas que, durante uma semana, se juntaram em vigília nas portas do Palácio de Buckingham (e que são recuperadas aqui pelo realizador). Mais despercebido a nós, estrangeiros, foi a forma de como as acções da família real afectaram o julgamento do seu próprio povo, que exigia uma presença mais afectuosa da rainha, apesar de esta estar apenas a cumprir o protocolo de estado.
A Rainha aborda essa semana fatídica pelo lado de dentro, mas seria um erro se o interpretassemos apenas como um filme sobre a morte de Diana. Antes pelo contrário: tal como o título o informa,
A Rainha é um filme sobre a última grande etapa da rainha Elizabete II.
É que não foi só a morte de Diana que veio abalar o protocolo rígido e conservador da casa real britânica, pouco habituada a abrir precedentes, ainda para mais quando se tratava de um ex-membro da família real. Era também a situação política que havia mudado depois de 19 anos de um governo conservador: Tony Blair, o mais novo primeiro-ministro do século, era um trabalhista adorado pelo povo que agitava no ar a bandeira da modernização. O progresso estava a bater à porta de Buckingham como nunca; e a rainha ou se adaptava ou morria.
Afinal, nem uma coisa nem outra. A rainha (e a casa real) sobreviveram. E o resto é história. Pelo meio, ficou uma semana intensa e de grande carga dramática, que Stephen Frears capta com pose e nobreza, dignas de um gentleman (ou de uma produção da BBC). Ao contrário do que seria de esperar,
A Rainha não se furta aos factos mais embaraçosos: um príncipe Carlos muito inseguro; um governo que não vê com muito bons olhos o conservadorismo da monarquia; uma princesa Diana mal vista pela família real; ou uma Camila feia como o diabo. Ah não, esta última parte não aparece lá. Mas não deixa de ser verdade.
Contudo, apesar de todos estes pormenores,
A Rainha é um filme muito politicamente correcto. E é este o grande trunfo de Stephen Frears enquanto realizador, que ainda aborda com excelência os mundos distantes da rainha Elizabete II e do primeiro-ministro Tony Blair. O da primeira é de um protocolo rigoroso e de grande nobreza, filmado com planos de baixo para cima e majestosas panorâmicas; enquanto que o segundo é um universo familiar, abusando do formato digital e com muito informalidade.
E depois há o segundo trunfo do filme: os actores. Michael Sheen é um Tony Blair fantástico, mas Helen Mirren honra as suas raízes teatrais e faz uma rainha Elizabete II perfeita, que lhe valeram uma ovação de pé de cinco minutos em Veneza e, muito provavelmente, o próximo Óscar de Melhor Actriz.
Filme conservador, mas que é tanto capaz de agradar ao establishment como aos modernistas,
A Rainha é um daqueles candidatos crónicos aos grandes prémios, tal é a sua pose respeitável e digna. Daqui recebe um McRoyal Deluxe como prémio.
Posted by: dermot @
6:44 PM
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