Quinta-feira, Novembro 02, 2006
A DÁLIA NEGRA:Título:
The Black DahliaRealizador: Brian De Palma
Ano: 2006

Desde 1996, ano em que assinou Missão Impossível, que a carreira de Brian De Palma, realizador mui estimado neste humilde antro, não tem sido muito feliz -
Mulher Fatal foi apenas o menos mau desses capítulos. Talvez preocupado com isto, o próprio Brian De Palma decidiu alterar a situação e voltar ao que sabe fazer melhor: um film noir com uma trama bem complexa, num cenário de gangsters, polícias e segredos escondidos.
A intenção era boa. E o argumento ainda era melhor:
A Dália Negra, uma adaptação do best-seller homónimo de James Ellroy, um policial que parte do assassínio real de Elizabeth Short - que ficou conhecida para a posterioridade como a Dália Negra -, ficcionando um cenário de conspirações e intrigas envolvendo os polícias encarregues do caso. Para completar o ramalhete, De Palma escolheu ainda um elenco de luxo: Scarlett Johanson, Hillary Swank, Josh Hartnett e Aaron Eckhart.
Não havia então nenhum motivo para falhar. Ou havia?
A Dália Negra (aqui encarnada por Mia Kirshner) foi uma obscura aspirante a actriz que, nos anos trinta, foi encontrada esventrada e cortada literalmente ao meio. O brutal assassinato foi empolado, sensacionalizado e mitificado, principalmente porque nunca se encontrou o seu assassino.
A Dália Negra parte deste caso, mas este é apenas o mote para uma intriga complexa que envolve os dois detectives Bucky Bleichert (Josh Hartnett) e Lee Blanchard (Aaron Eckhart) e duas raparigas de má-fama, Kay Lake (Scarlett Johansson) e Madeleine Linscott (Hilary Swank).
É curioso reparar como nesta história, em que as figuras femininas são todas de alguma forma
meninas da vida (se é que me entendem), a Dália Negra aparece numa gravação de um casting imitando Scarlett O'Hara e a sua famosa fala
Nunca mais irei passar fome. Nem que tenha que mentir, enganar, roubar ou matar. Que Deus seja minha testemunha, eu nunca mais irei passar fome. Tal como a protagonista de
E Tudo O Vento Levou, as três figuras femininas desta história mentem, enganam, roubam e matam de forma a escaparem ao passado miserável.
Aproveitando a época da estória, Brian De Palma filma
A Dália Negra como um film noir dos anos 30, onde só falta o preto e branco. De resto, todos os sinais estão lá, começando pelo mais importante: todas as personagens são culpadas de algo e têm segredos obscuros e pecados por confessar, o que faz manter o suspense até ao final e o espectador na dúvida sobre a chave do enigma. Mas as personagens são todas bastante densas e a intriga demasiado complexa, o que torna a adaptação numa tarefa hercúlea; e mesmo num filme de duas horas e tal, Brian De Palma não consegue esconder a sensação de que certas coisas são abordadas levemente e outras nem sequer são abordadas. Isto para não falar do desenvolvimento das personagens.
Mas
A Dália Negra não é um mau filme, tem é alguns problemas, começando desde logo pelas representações. A super-mediática Scarlett Johanson só vem confirmar a minha convição de que não passa de uma actriz banal e, por vezes competente (e agora com as mamas maiores). Aqui, em
A Dália Negra, Scarlett Johanson nem consegue aproveitar a vertente clássica do filme, estilo para o qual tem mais aptidão. Quanto a Hillary Swank, nunca será na vida uma femme fatale... Aaron Eckhart é o melhor do quadrado sentimental que faz trabalhar todo o motor do filme, mas quem se destaca mesmo é Mia Kirshner, talvez por não ter tido a pressão das outras duas actrizes.
A Dália Negra é um regresso formalmente perfeito ao film noir, com o guarda-roupa e os cenários certos, mas que falha no essencial. Não é um mau filme, porque Brian De
Palma não sabe fazer maus filmes e vale, nem que seja, para ver alguns travellings brutais. Brian De Palma é o rei dos travellings (lembram-se de
Os Olhos Da Serpente?). Escusada era uma sequência filmada como na primeira pessoa, lembrando o estilo shoot-em-up de
Doom - Sobrevivência.
A Dália Negra é um (pequenino) McBacon, mas não faz esquecer os saudosos tempos de
Perseguido Pelo Passado ou
Scarface - A Força Do Poder.
Posted by: dermot @
12:42 AM
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