Domingo, Outubro 08, 2006
IMAGO 2006:
DIA 5:Pode-se dizer que este quinto dia marca o início do fim do Imago deste ano. Primeiro, porque chegámos ao meio da semana. E porque depois recomeçaram os concertos integrados na secção Sound And Vision Experience - eu sei que este sítio não se costuma debruçar sobre a crítica musical, mas se os
Ölga fazem sentido a alguém, então é porque são mais inteligentes do que eu. E quanto ao
DJ Mr. Mitsuhirato, é o maior!
Secção Competitiva Under 25:A animação abstracta tem muito que o diga. Olhem, basta perguntarem ao Vasco Granja. Eu divido-a em três grupos - aquela em que não se percebe nada, como
Walking; aquela em que se continua a não perceber nada, mas que visualmente é cativante, como
Sports And Diversions; e aquela em que se mantém abstracta, mas que no final faz sentido, como
A Film About Us. Também existem depois coisas execráveis que são apenas forma de chupar dinheiro ao estado e às entidadescertas, como o impronunciável
Kampfgeichwaser Junkers Ju 86 K.
Retrospectiva Alejandro Jodorowsky - FANDO E LIS:Título:
Fando Y LisRealizador: Alejandro Jodorowsky
Ano: 1968

Em 1968, o chileno Alejandro Jodorowsky estreava-se na realização, com a adaptação de
Fando E Lis, baseado na peça de Fernando Arrabal que já havia ensaiado anos antes no teatro. No final da projecção do filme os motins irromperam e
Fando E Lis ganhou automaticamente a conotação de filme de culto, do demo, incompreendido ou, simplesmente, lixo cinematográfico. O que é certo é que enquanto obra surrealista cumpre na perfeição os seus requesitos - chocar e perturbar o público em geral.
Neste seu primeiro filme, Jodorowsky colocou em prática todos os mandamentos do seu Manifesto do Cinema, uma espécie de Dogma, mas em mau - não usar luz artificial, não pensar muito nos planos e, pura e simplesmente, não utilizar guião. De facto, Fando
E Lis foi realizado sem uma única linha pré-definida, apenas baseado nas lembranças que o realizador tinha da peça que havia ensaiado anos antes. Assim,
Fando E Lis é uma obra surrealiasta ao quadrado, porque parte do entendimento surreal de Jodorowsky de uma obra surrealista.
Fando (Sergio Kleiner) e Lis (Diana Mariscal) são um casal apaixonado que parte em empresa, em busca da cidade perdida de Tar, que segundo a profecia é a única resistente de um anunciado armagedão. São estes os únicos pormenoes identificáveis do filme. Tudo o resto é incoerente e não-linear. Por isso, o interesse de
Fando E Lis apenas poderá vir de: a) entretenimento visual e sonoro. b) tentativa de encontrarmos o nosso próprio entendimento do que se está a ver.
Eu próprio tenho um entendimento sobre
Fando E Lis. Compreendo-o como um filme sobre a natureza do Homem e da sua inevitabilidade perante a perdição e os pecados capitais. No entanto, isto pode-vos fazer tanto sentido quanto a física quântica. Por isso, assimile o Cheeseburger da forma que lhe pareça ser a mais adequada e vá ver o filme por sua conta e risco.
Retrospectiva Dave McKean - A MÁSCARA DE CRISTAL:Título:
MirrorMaskRealizador: Dave McKean
Ano: 2005

Apostada em recuperar a mística da fantasia que os estúdios Henson, do seu pai, imortalizaram com
Os Marretas, Lisa Henson viu na dupla Dave McKean/Neil Gaiman a oportunidade ideial. O primeiro é um dos mais requisitados ilustradores de banda-desenhada da actualidade, com algumas experiências em (dispensáveis) curtas-metragens, enquanto que o segundo é um dos mais promissores autores fantásticos da actualidade, ao lado de gente como Alan Moore ou Frank Miller.
A proposta era fazerem um filme virado para um público juvenil, em que misturasse animação com imagem real, na onda do que fora feito em filmes como
Labirinto. No entanto, tudo isto seria muito bonito se o orçamento dispónível não fosse inferior ao desse filme, que já foi feito há duas décadas. Mas tais limitações não se reflectem no filme, antes pelo contrário. A animação é fluída e a justaposição com a imagem real quase perfeita.
A Máscara De Cristal é uma aventura juvenil que não poderia começar com um anti-clichet maior - Helena (Stephanie Leonidas) quer fugir do circo. Normalmente, as crianças querem fugir para se juntarem ao circo. Mas Helena, cansada de viver toda a sua vida em itinerância (mesmo que seja um circo sofisticado e com uma aura especial), preferia mudar de vida. Depois existem umas discussões e quando a sua mãe (Gina McKee) tem um AVC, Helena vai sentir-se culpada. Tão culpada que vai criar em sonhos um mundo de fantasia, onde tem que combater raínhas malvadas e criaturas esquisitas para salvar aquela e a sua própria realidade.
A Máscara De Cristal é uma aventura fantástica, na onde de
As Crónicas De Nárnia, mas com um argumento mais intrincado, onde existem respostas que ficam por dar. No entanto, o problema fulcral reside na própria jornada de Helena e do seu sidekick, o mascarado Valentine (Jason Barry), demasiado inofensiva e inóqua, que chega a fazer dar uns longos bocejos.
Dave McKean e Neil Gaiman parecem ter noção disso e parecem querer compensar com situações visualmente arrebatadoras (lembram-se de
A Cela?) e com um humor apurado. Mas é pouco. Quem não é nada pouca é Stephanie Leonidas, uma bonita e promissora adolescente que se tiver sorte nos seus próximos papéis poderá muito bem crescer ao nível de uma próxima Natalie Portman.
Apesar de por vezes aborrecido e apenas um McChicken, era bom que todos os
Harry Potters e afins fossem assim.
Posted by: dermot @
5:16 PM
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