Sábado, Janeiro 21, 2006
A NOIVA CADÁVER:Título:
Corpse BrideRealizador: Tim Burton & Mike Johnson
Ano: 2005

Após este
A Noiva Cadáver, parece que descobri um padrão na obra de Tim Burton, que me permitirá no futuro evitar os seus maus filmes. É que desde que começou o novo século, Burton tem vindo a alternar um bom com um mau filme. Ora vejamos: começou com o fraquinho remake
O Planeta Dos Macacos (que eu, contudo, até acho que é muito incompreendido) e depois veio a fábula de
O Grande Peixe; depois realizou a decepção
Charlie E A Fábrica De Chocolate, para logo a seguir contrapor com este magnífico
A Noiva Cadáver. Mas não vale a pena começar pelo fim...
Tim Burton está de volta à animação stop motion, o que leva automaticamente à referência
O Estranho Mundo De Jack. Mas o ambiente gótico de
A Noiva Cadáver está mais perto do sorumbático
Vincent do que do mundo de Jack. É neste mundo cinzento, monótono e desnmotivado (como o tiquetaquear do relógio ao início) que vive Victor (voz de Johnny Depp) e Victoria (Emily Watson), o primeiro filho de novos-ricos e a segunda filha de aristocratas caídos na desgraça, que têm o casamento arranjado pelas famílias para o dia seguinte. Mas Victor é tímido e desajeitado e precisa de treinar melhor os votos do matrimónio, para que o casamento saia na perfeição. E quando num ensaio solitáiro no meio da floresta Victor se declara a uma noiva cadáver, acaba por contrair laços matrimoniais com o mundo dos mortos.
A Noiva Cadáver apresenta o melhor contraste entre dois mundos desde
O Feiticeiro De Oz: aqui, o mundo dos mortos é alegre, boémio e colorido, ao contrastar com o mundo dos vivos. É que morto não há preocupações de contrair doenças nem o stress do dia-a-dia. Por isso, existem cabarets, bandas de esqueletos e mortos-vivos hilariantes.
Mas não é por ser um filme com destaque sobre o mundo dos mortos (em detrimento do dos vivos) que torna
A Noiva Cadáver peculiar: é o facto de ser um anti-romance, quase uma anti-fábula. É que normalmente ansiamos que os heróis consigam casar e viver felizes para sempre. E aqui, a felicidade está presa ao desfazer de um matrimónio.
Depois há todo o charme de Tim Burton, Johnny Depp e Danny Elfman, a tríade do sucesso. E este último assina mais uma partitura genial, que alterna entre a música clássica e o blues, onde até há um scatman esquelético; só peca por saber a pouco. Há magia no ar por todo o filme, há referências musicais a
A Dança Dos Esqueletos e referências a clássicos do cinema, desde
A Noite Dos Mortos Vivos a
Casablanca. E há um verme a fazer de consciência, qual Grilo Falante, com as feições e os maneirismos de Peter Lorre: imperdível!
A Noiva Cadáver é uma pequena perfeição. Pequena porque não ultrpassa os 75 minutos. mas porquê esticar algo que fica tão bem assim? You did it again mr. Burton - Royale With Cheese.
Posted by: dermot @
8:35 PM
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