Royale With Cheese

 Royale With Cheese

 
 



segunda-feira, novembro 28, 2005  

TRIOLOGIA O PADRINHO:

O PADRINHO - PARTE I:

Título: The Godfather
Realizador: Francis Ford Coppola
Ano: 1972


O que se pode dizer de um filme sobre o qual já tudo foi dito? O que se pode dizer de um filme que é unânimamente considerado como uma das melhores obras da sétima arte, um filme que redefiniu o género de filme de gangsters e um filme que revitalizou o grande Marlon Brando para a sua última fase da carreira, ao criar uma das mais emblemáticas personganens do cinema, Don Corleone?
A única coisa que se pode dizer acerca de O Padrinho, de Francis Ford Coppola, é que é uma obra-prima. Mas para isso tinhamos de começar o texto pelo fim.

Em 1972, Coppola iniciava a sua triologia com um filme de gangsters sobre a máfia italiana em Nova Iorque, apesar de nunca ser mencionada a própria palavra. Don Corleone (Marlon Brando) é o chefe de uma das mais importantes famílias, mas as suas ideias começam a tornar-se obsoletas, uma vez que não acompanharam o progresso dos tempos. É que Don Corleone não acredita na droga como negócio e, como todos sabemos, é no pó branco que reside a grande fatia do negócio do submundo.
Vai estalar então uma guerra aberta entre as seis famílias da máfia nos Estados Unidos, nunca uma guerra pessoal, mas sempre uma guerra de negócios. Vão haver perdas lamentáveis de pais e filhos, traições, mas sempre muita honra e dignidade. Porque os valores das famílias italianas são a família, a honra e o respeito.

Retrato perfeito do universo social do submundo do crime na América dos anos 40/50, O Padrinho não é um simples filme de gangsters: é uma autêntica epopeia que acompanha a dinastia da família Corleone, desde o seu mais respeitável representante (Marlon Brando), até à passagem de testemunho ao seu sucessor, o filho Michael (Al Pacino), uma espécie de filho pródigo que regressa a casa para salvar a dignidade da família.
E paralelamente à evolução da trama familiar, assiste-se a uma subtil mas fascinante evolução dos costumes americanos, na transição dos anos 40 para os anos 50.

O Padrinho é um filme dentro dos cânones clássicos, mas mesmo sem a inovação técnica de um O Mundo A Seus Pés, por exemplo, insere-se no panteão das grandes obras cinematográficas, filme obrigatório e lição do bom cinema. Coppola consegue com distinção contar a história daquela família, sem intrigas acessórias, mas com uma crueldade pertubadora e arrepiante. Uma pintura realista, como uma espécie de telenovela da meia-noite.

Para além de tudo isto, Coppola ainda tem outras três jogadas de mestre: a aposta no quase desconhecido Al Pacino, que se viria a tornar num dos grandes actores da sua geração; a banda-sonora, que contém o fabuloso tema homónimo, perpetuado pela guitarra de Slash anos depois; e a famosa cena da cabeça do cavalo, retratada como a mais cruél vingança de sempre, que ficará para sempre na história das estórias da Máfia.
O único contraponto de O Padrinho, que justifica de certa forma o Le Big Mac, é a sua (incontornáve) extensão de três horas. Nada de preocupante para os amantes de cinema, seja qual for o seu tipo.




O PADRINHO - PARTE II:
Título: The Godfather - Part II
Realizador: Francis Ford Coppola
Ano: 1974


A segunda parte da triologia de O Padrinho assomava-se logo à partida como uma tarefa ingrata, uma vez que vinha suceder a uma obra-prima. No entanto, Francis Ford Coppola e Mario Puzo não se atomorizaram e o resultado acaba por roçar a perfeição: O Padrinho - Parte II, unânimamente considerado como a melhor sequela da história do cinema num dos raros casos em que a sequela é superior ao antecessor, coleccionou Óscares e inscreveu-se igualmente no panteão das grandes obras cinematográficas.

Depois de O Padrinho e do falecimento de Vito Corleone (Marlon Brando), pensava-se que a segunda parte da triologia iria projectar o domínio de Michael Corleone (Al Pacino) à frente da Família e a nova ascenção desta, graças ao mundo do jogo de Las Vegas. No entanto, Coppola foi mais além e com um golpe de asa só ao alcance dos grandes mestres, trasnformou simultaneamente O Padrinho - Parte II numa prequela, ao retratar a origem de Vito Corleone (agora interpretado por Robert de Niro), que se move paralelamente à história actual, mas como que uma metáfora e uma crónica de um destino anunciado.

A Família Corleone está então mais próspera do que nunca, mas em contrapartida está também mais vulnerável, devido à perda de valores como a honra e o respeito - que se ganham com uma educação e uma experiência de vida como a dos italianos que emigraram para a América nos anos 20, retratada na perfeição pelo jovem Vito -, subjugados pelos valores contemporâneos do dinheiro é poder.
Michael vai ver a sua vida atentada e a traição parte, desta vez, de dentro da sua casa. O especto de uma guerra entre famílias vai pairar novamente, mas desta vez tem proporções muito mais alargadas, consequências dum império expandido, que vai muito mais além do cantor-Johnny-Fontane-qual-Frank-Sinatra e da indústria musical/cinematográfica, enroscando as suas garras no sistema político, desde os senadores até aos territórios de Cuba.

Mais uma vez, O Padrinho - Parte II não é só a epopeia de uma dinastia, como retrata paralelamente a evolução da América dos anos 50, projectando-se até Cuba, onde apanha estilhaços históricos reais de guerrilhas comandadas por Fidel Castro.
E mais uma vez Coppola tem um trabalho exímio, criando atmosferas familiares de um lado e atmosferas cruéis de outro, só que desta vez muito mais poderosas, recorrendo apenas à construcção exímia das personagens e à apaixonante banda-sonora.

O grande trunfo desta segunda parte perante o seu antecessor reside essencialmente na história paralela sobre o jovem Vito Corleone. E não é só devido ao magistral Robert de Niro, que arrecadou o Óscar de Actor Secundário pelo mesmo personagem que Marlon Brando já tinha encarnado e vencido a estatueta.
Com efeito, intercalado com a história actual de Michael Corleone, os flashbacks do jovem Vito são sempre como que uma metáfora para o destino cíclico dos chefes daquela família, relacionando factos da vida de um com a vida de outro e deixando à mostra que Michael era mesmo o filho pródigo.

O Padrinho - Parte II é um filme mais negro e pessimista - Michael chega mesmo a confidenciar à mãe que "perdeu a família" -, e ao mesmo tempo, mais cruel e violento - pela primeira vez é pronunciada a palavra "máfia" e pela primeira vez vemos Vito Corleone a matar alguém. Sempre dentro dos mesmos moldes de O Padrinho, esta segunda parte é uma obra-prima perfeita, que nunca pode ser menos do que um Royale With Cheese.




O PADRINHO - PARTE III:
Título: The Godfather - Part III
Realizador: Francis Ford Coppola
Ano: 1990


Poucos acreditavam, mas a saga O Padrinho vinha a pedir há já algum tempo que fosse transformada numa triologia e completasse assim o número cabalístico. Apesar de não ter sido novamente a primeira escolha (chegou-se a falar inclusive de Sylvester Stallone(!)), Francis Ford Coppola realizou este terceiro tomo, em 1990, sem as ameaças e as pressões dos outros dois volumes. No entanto, curiosamente, o realizador assinou aqui o pior episódio da triologia. Não é que seja um mau filme; mas quando os outros dois têm aquela qualidade, tudo o que seja abaixo da obra-prima é visto com desconfiança.
Mas lá estou eu, novamente, a começar pelo fim.

O Padrinho - Parte III segue o fio de raciocínio dos seus antecessores: continua a narrar a evolução da família Corleone, desta vez com um salto temporal maior, até aos anos 90, e mantém um interessante jogo circular com O Padrinho - bastante interessante o início, em que uma comunhão substitui o casamento da primeira parte, mas mantém todos os elementos, indo buscar inclusive o próprio padeiro Enzo. Evolutivamente, O Padrinho - Parte III sobe ainda mais a parada - e os negócios vão-se realizar com o próprio Vaticano.

Michael Corleone (Al Pacino) nunca quis ser aquele homem. Tinha até prometido a si próprio não seguir os negócios do pai, uma vez que não se identificava com a máfia. E para efectuar esse corte alistou-se desde logo na tropa. Mas o destino de um homem já está traçado e Michael acabou por suceder ao pai, Vito (Marlon),e tornando a família Corleone numa das mais respeitáveis e ricas do Mundo. Agora, neste terceira parte, Michael tenta a todo o custo legitimar os seus negócios, abandonando o submundo do crime. Mas definitivamente, já não tem os valores morais e familiares do seu lado, que perdera em O Padrinho - Parte II. A sua esperança recai então no filho bastardo do seu irmão, o tempestuoso Vincent (Andy Garcia).

Há um defeito importante nesta terceira parte, que as outras duas não tinham: O Padrinho - Parte III é um filme breve. Além disso, é um argumento mais técnico do que táctico. Já não há guerras de gangues suficientemente credíveis, mas é preciso renovar o sangue da família, uma coisa inexplicável e cíclica. E Michael precisa de se redimir dos seus pecados. Por isso, se O Padrinho - Parte II era o episódio mais negro, O Padrinho - Parte III é o episódio mais introspectivo e pessoal.

Na primeira parte revelava-se Al Pacino e na segunda Robert De Niro. Neste terceiro há Andy Garcia, a única personagem digna desse nome neste último capítulo, uma vez que Sofia Coppola pouca arte tem para representar (bendita hora em que decidiu dedicar-se à realização). Garcia, que pessoalmente não admiro muito, tem aqui um desempenho bastante razoável, no papel de um gangster tempestuoso à moda antiga, com uma das cenas mais cool da triologia: quando dois homens armados o tentam assassinar na sua própria casa.

O Padrinho - Parte III é a assinatura desta triologia. Não vem contar nada, apenas redimir e colocar um ponto final parágrafo na saga. Porque mesmo que surja um quarto capítulo (que o Diabo seja cego, surdo e mudo), nunca será uma sequela, uma vez que mais do que uma triologia, estes três filmes são a epopeia de uma dinastia. E a família Corleone ficou por aqui.
Se ainda não tiveram o previlégio de ver O Padrinho, esqueçam tudo o que viram até aqui. Esqueçam todas as triologias, esqueçam Star Wars, O Senhor Dos Anéis, tudo! O Padrinho é A trologia, mesmo que este último tomo seja apenas um McBacon.

Posted by: dermot @ 7:43 da tarde
|  




sábado, novembro 26, 2005  

LAST DAYS - OS ÚLTIMOS DIAS:

Título: Last Days
Realizador: Gus Van Sant
Ano: 2005


Apesar de ser honestamente inspirado nos últimos dias de vida de Kurt Cobain, Last Days - Os Últimos Dias não tem muito a ver com o malogrado líder dos Nirvana. Quer dizer, terá a ver de certa forma subliminar, mas os fãs mais aguerridos do movimento grunge não encontrarão nada que se assemelhe ao formato biopic para se identificarem. Nem mesmo um requiem.

Feito o aviso, partimos então para o filme, o culminar de uma triologia de Gus Van Sant. Depois do insípido Gerry, um exercício experimental que de filme tinha muito pouco e de Elephant, interessante adaptação livre do atentado de Coumbine, Last Days - Os Últimos Dias complementa a tríade e posso acrescentar que se situa num meio termo entre os seus antecessores. Fica ali num limbo algures entre o sobre nada de Gerry e o sobre tudo de Elephant.

Blake (Michael Pitt) é uma sombra pálida de um ícone rock, em reclusão domiciliária após uma cura de desintoxicação. Perseguido por fantasmas, desnorteado e desorientado, Blake é um farrapo humano, que nos é apresentado numa sequência inicial perdido no mato, quase como um ser primitivo. Anti-social, Blake passa o filme a balbucionar coisas sem sentido e a evitar as pessoas, numa casa que compartilha com alguns amigos, que têm mais de parasitas do que de amigos. Blake consegue apenas encontrar um escape na música, que utiliza para exteriorizar toda a sua fúria contida e para exorcizar os fantasmas interiores.

Last Days - Os Últimos Dias é um filme minimalista. Há uma grande diferença entre o minimalismo e o simplismo, mas muitas vezes estes conceitos são baralhados. Este filme de Van Sant é o exemplo perfeito de um filme minimalista. E como tal, são muitas as interpretações que o espectador pode fazer do filme. Ou seja, o parágrado anterior que escrevi mascarado de sinopse, pode fazer ao leitor tanto sentido como se ele estivesse escrito em mandarim.

Significa isto que Last Days - Os Últimos Dias não justifica nenhuma acção, nem procura dar respostas. Apenas apresenta os factos, de forma mais ou menos voyerista, apanhando com mesmo detalhe tanto a forma como a produtora discográfica (Kim Gordon) lhe atira a cara que se tornou um cliché do rock'n'roll, como a forma de Blake comer os seus cereais de manhã.

Neste processo, é um filme aborrecido. Na sua composição não linear, em que há cenas repetidas, Gus Van Sant apresenta-nos Blake a morrer várias vezes, sempre que é ignorado pelos amigos ou pela vida. É tão aborrecido que para vos dar uma ideia, vou recorrer a um exemplo: já todos nós abrimos, uma vez pelo menos, a porta de casa aos Elders, que nos pregaram um sermão tão grande sobre a sua religião que agora fugimos deles como o Diabo da cruz. Pois bem, em Last Days - Os Últimos Dias, a determinada altura os Elders vão a casa de Blake. E conseguem ser menos maçadores que a maioria das partes do filme.

Vale assim por dois momentos: a fantástica cena em que Blake morre de vez e em que vemos o último fôlego a deixar o seu corpo, uma cena de fazer corar A Paixão De Cristo; e uma sublime composição sonora, filmada à distância do outro lado da janela, de forma a não perturbar o músico. Além disso, há um apontamento curioso: quando Blake morre, os seus amigos fogem de casa, com a consciência pesada por não terem prestado atenção ao seu amigo. Simultaneamente, também nós podemos ficar com um certo peso na consciência por não temros prestado mais atenção a Blake durante o filme.

Last Days - Os Últimos Dias não é, como alguns dizem, uma epifânia rock de Gus Van Sant. É antes um Double Cheeseburguer. Mas atenção, porque vem acompanhado com um enorme benefício da dúvida.

Posted by: dermot @ 9:03 da tarde
|  




sexta-feira, novembro 25, 2005  

ÓBITO:

Desapareceu ontem, 24 de Novembro, o grande e único Pat Morita. O actor tinha 74 anos de idade e a sua morte deveu-se a causas naturais. Para muitos, Pat Morita era o chamado "para para toda a obra", para outras era pura e simplesmente o mr. Myiagi. Mas Pat Morita era mais do que isso, era mais do que o "gajo chinês com ar de mestre de artes marciais" para qualquer filme de domingo há tarde. Não, esperem. Se calhar até era só isto. Seja como for, Pat Morita era um ícone do cinema que todos conseguimos identificat. E o que poucos devem saber é que foi o primeiro actor americano nascido na Ásia a ser nomeado para um Óscar.
Em jeito de tributo, o Royale With Cheese apresente O TOP 5 DE PAT MORITA:

5º lugar - Movies, o teledisco dos Alien Ant Farm (2000)
4º lugar - Mulan (1998)
3º lugar - Espia Como Puderes (1996)
2º lugar - Até As Vaqueiras Ficam Tristes (1993)
1º lugar - O Momento Da Verdade (1984); wax on wax off

Posted by: dermot @ 9:13 da tarde
|  




quinta-feira, novembro 24, 2005  

ELA ODEIA-ME:

Título: She Hate Me
Realizador: Spike Lee
Ano: 2004


Confesso que não sou grande apreciador de Spike Lee, nem mesmo do aclamado A Última Hora. Não é que o considere um mau realizador (aliás, a sequência de Ela Odeia-me em que o protagonista reencontra pela primeira vez a sua ex-noiva, é talvez a sequência mais bem filmada deste ano, uma lição perfeita de como usar a música para criar atmosferas, com pausas no sítio certo para transmitir mais ou menos ênfase, consoante as situações); também não me incomoda o seu estilo incisivo e crítico. Pura e simplesmente não sou apreciador do seu estilo. Ponto final.

Ela Odeia-me centra-se na personagem de Anthony Mackie: John Armstrong é o mais novo vice-presidente duma conceituada empresa farmacêutica, que na busca (corrupta) pela vacina para a SIDA, acaba por o despedir, transformando-o no bode expiatório do insucesso. Reduzido à indiferença e à pobreza, dois estatutos a que nunca estivera exposto, John acaba por arranjar uma forma de ganhar dinheiro que à primeira vista parecia fácil e confortável: engravidar lésbicas de forma natural, a troco de alguns milhares de dólares.

Spike Lee mistura neste caldeirão todos os temas que tem usado ao longo da sua filmografia como forma de crítica à sociedade contemporânea (acrescentar a palavra norte-americana à frase), a saber: racismo, xenofobia, descriminação, as desigualdades sociais e a cultura empresarial. Assim, cruza no mesmo filme duas histórias que pouco têm em comum: de um lado a corrupção empresarial das grandes empresas capitalistas cujo único objectivo é a fome de dinheiro; e de outro lado o racismo e a desigualdade social, de todas as formas: racial ou sexual. Isto é como quem diz: de um lado o drama pessoal de um homem despedido e perseguido; do outro lado, a componente cómica de um homem que assume o estatuto que todos os homens sonham - o de homem objecto (uma espécie de Deuce Bigalow - Gigolo Profissional, mas em bom).

Assim, Ela Odeia-me é um apanhado de elementos de várias histórias que nem sempre se encaixam: há lésbicas incompreendidas, descriminação racial, um negro trasnformado em bode expiatório por ser o elo mais fraco, a máfia e até julgamento social. Aliado a isto há ainda as metáforas que Spike Lee usa constantemente: a metáfora com Frank Wills, o homem que decobriu Watergate e que foi tragado pela sociedade (com recurso a uma reconstituição da cena em sonho genial); e a metáfora com a descriminação e desigualdade social que há para com as mulheres, invertendo os papéis, ao colocar John Armstrong como um boneco sexual usado por elas.

Ela Odeia-me é uma amálgama algo estranha e pouco convincente, que se salva pela forma escorreita habitual do realizador. Para além disso, as duas horas longuíssimas de filme (cujos créditos iniciais, candidatos certamente ao prémio de "créditos iniciais mais longos de todo o sempre", já pareciam fazer prever) e o final banal, com um clímax patriótico em tribunal, não ajudam nada a quem estivesse ainda céptico com a validade do filme.
Por isto, mesmo que Ela Odeia-me acabe com uma metáfora curiosa - em que o casal lésbico que passa o filme a ser descriminado, termina num trio(!) -, é um filme que não vai além do Double Cheeseburguer. E garanto que não é nada pessoal.

Posted by: dermot @ 5:38 da tarde
|  




terça-feira, novembro 22, 2005  

DE HOMEM PARA HOMEM:

Título: Man To Man
Realizador: Régis Wargnier
Ano: 2005


Super co-produção franco-inglesa, De Homem Para Homem é um filme ambicioso que procura ser mais do que é. Não que seja presunçoso; é antes ingénuo na forma como procura atingir esse objectivo. É que um grande épico não se resume a muito dinheiro envolvido, uma realização sóbria e certinha e uma fotografia cuidada nas maravilhosas paisagens africanas.

De Homem Para Homem é a história de três cientistas do século XIX, Jamie Dodd (Joseph Fiennes), Alexander Auchinleck (Iain Glen) e Fraser McBride (Hugh Bonneville), que com a ajuda da comerciante Elena Van Den Ende (Kristin Scott Thomas), capturam em África dois pigmeus, os quais acreditam piamente ser o elo perdido na evolução humana entre o macaco e o homem.
Claro que estão errados e ao longo dos estudos que os três cientistas submetem aos pigemeus, começam a notar um humanismo superior ao que pensavam existir; Toko e Likola, os dois pigmeus, são humanos como nós, mas apenas Jamie Dodd vê isso, uma vez que os seus dois colegas recusam-se a abandonar as suas teorias de longa data e uma provavél fama internacional. Vai então ser uma luta desigual contra as atitudes desumanas de um povo ignorante e supersticioso.

De Homem Para Homem é um filme que tratado de forma honesta e sincera poderia ser algo mais do que é. No entanto, Régis Wargnier enxovalha-o com sentimentalismos baratos e tearjerkers abundantes, em duas extensas horas de filme, que são claramente demais. Além disso, o realizador consegue ser sempre tão gracioso quanto um elefante numa loja de loiças: não deixa nada por dizer e muito menos sugere alguma coisa, retirando ao espectador qualquer hipóetese de pensar sobre a intriga, explicitando ao pormenor as acções que estamos a ver e as que vamos ver.

Salva-se então a primeira parte do filme, antes de este se transformar em telenovela virada para o público feminino de meia-idade à procura duma boa tragédia sentimental: quando Koto e Likola são capturados, assiste-se a uma curiosidade perante aqueles seres desconhecidos semelhante à de O Planeta Dos Macacos, quando Charlton Heston é capturado pelos macacos.

Manção ainda para as representações, que apesar de serem no geral bastante positivas, apresentam um Joseph Fiennes em constante piloto automático, limitado durante todo o filme a duas expressões faciais: a de boca aberta e a de boca fechada.

De Homem Para Homem é um filme claramente falhado, que justifica plenamente porque tem passado ao lado de toda a crítica internacional. E só por estar bem-disposto é que sai deste antro com um suculento Double Cheeseburguer.

Posted by: dermot @ 11:18 da manhã
|  




sexta-feira, novembro 18, 2005  

O NEVOEIRO:

Título: The Fog
Realizador: John Carpenter
Ano: 1980


Agora que estamos prestes a acolher o remake (cujas críticas não agoiram nada de bom), faz todo o sentido recuperarmos a versão original de O Nevoeiro, de John Carpenter. Realizado em 1980 com um baixo orçamento e após o sucesso do sangrento Halloween, Carpenter assinou um contido e minimalista filme de terror, que continua a ser um marco vinte e cinco anos depois.

Antonio Bay é o nome de uma pequena localidade piscatória, prestes a celebrar os 100 anos de história. No entanto, o que ninguém sabe é que Antonio Bay é uma cidade amaldiçoada por seis conspiradores. Agora, cem anos depois, os fantasmas dos leprosos-traídos-e-roubados retornarão para reclamar o que é seu e fazer vingança pelas próprias mãos.

O Nevoeiro é um curto filme de oitenta minutos, directo ao assunto, que não perde tempo com dramas desnecessários. Carpenter veste a pele de Mestre do Fantástico e realiza um conto de fantasmas, cuja influência de Edgar Allan Poe vai muito mais além do que a simples citação no início do filme. Aliás, O Nevoeiro é quase o equivalente cinematográfico do estilo literário que Poe imortalizou.

Antonio Bay é uma cidade amaldiçoada e Carpenter sublinha este facto no início do filme: através dum curioso caso de numerologia e com um sobrepôr defactos que vão mais além do que a simples coincidência - o programa de rádio A Hora Das Bruxas, a décima terceira boleia que Elizabeth (Jamie Lee Curtis) apanha, os cem anos da cidade. E tudo isto a rematar um prólogo assustador, em que um marinheiro aposentado conta uma história de terror a um grupo de miúdos à volta da fogueira, à meia-noite.

De história de fantasmas a zombie-flick é um pequeno pulo, ou não fosse John Carpenter o realizador. Imagem de marca é também a banda-sonora, assinada pelo prórprio Carpenter, num dos seus mais subvalorizados filmes.
Menção ainda para o desempenho fenomenal de Jamie Lee Curtis, no papel do espírito livre Elizabeth, e da sua mãe Janet Leigh, no papel de Kathy Williams, a presidente da cidade.

O Nevoeiro não é, certamente, o melhor filme de Carpenter, mas é um dos mais característicos. E enquanto se espera pelo regresso do Mestre do Fantástico à cadeira de realizador, ao sabor de um McBacon, os ávidos estúdios de Hollywood aproveitam para rentabilizar as suas obras de baixo orçamento, que perdem o aspecto caseiro e com ele grande parte da mística dos filmes. Foi assim com Assalto À Esquadra 13 e deverá ser assim com O Nevoeiro.

Posted by: dermot @ 3:43 da tarde
|  




terça-feira, novembro 15, 2005  

DENTRO DA GARGANTA FUNDA:

Título: Inside Deep Throat
Realizador: Fenton Bailey e Randy Barbato
Ano: 2005


12 de Junho de 1972: Garganta Funda estreava nos cinemas norte-americanos.
Realizado por Gerard Damiano em 6 dias por apenas 25 mil dólares, Garganta Funda é o mais rentável filme de sempre, ao render até há data mais de 600 milhões(!) de dólares. Além disso, foi o primeiro filme pornográfico a ser exibido comercialmente no circuito mainstream cinematográfico e revoluciou uma geração, uma sociedade e um país!

Dentro Da Garganta Funda surge mais de três décadas depois, um documentário realizado por Fenton Bailey e Randy Barbato e com a voz-off inconfundível de Dennis Hopper, um dos mais marcantes símbolos da contra-cultura norte-americana.
Garganta Funda tornou-se o mais famoso filme prono por duas razões: a primeira pela sua premissa atípica. Uma mulher, Linda Lovelace, dotada com atributos pouco convencionais na arte do felácio, tinha o clitóris na garganta. Era uma premissa divertida para um filme hardcore e chamava a atenção. Quanto à segunda razão, é bastante simples: porque foi um filme perseguido.

Todos sabemos o quão extremo pode ser os Estados Unidos, que resvala do conservadorismo fundamentalista para o outro extremo com a mesma facilidade com que trocamos de camisa. Na década de 70, a sociedade norte-americana era púdica e conservadora, mas uma juventude cansada de tanta condescendência começava a ebulir uma revolução cultural. O filme Garganta Funda foi tomado como um dos panfletos revolucionários e, devido ao seu sucesso, o governo decidiu ataca-lo em primeiro lugar, na guerra contra a perversidade da pornografia.
Como o fruto proibido é sempre o mais desejado, o público apressou-se a defender o filme, alegando o direito de expressão para combater aquela decisão de censura.

Os anos de guerra aberta entre intervenientes no filme, governo, povo e até a máfia, enraízaram Garganta Funda na cultura pop, tornando-se num marco tão importante na sociedade contemporânea, que até baptizou a fonte misteriosa do caso Watergate.
Pop é também o documentário Dentro Da Garganta Funda. Popularizado desde o aparecimento de Michael Moore, é um género de documentário fresco e descontraído, que aborda os assuntos de maneira ligeira, mas nunca superficial.

Dentro Da Garganta Funda não segue as convenções do documentário académico. Tem material desnecessário, como fonte de diversão visual e auditiva, mas extremamente cativante e até tem comic relief, com a divertida esposa de um dos entrevistados. Tudo para tornar o documentário um género mais atractivo, uma vez que a banda-sonora típica dos anos 70 não chegava. Por isso, não quer dizer que essa atitude tenha de ter resultados negativos.

Dentro Da Garganta Funda não é só um agradável documentário sobre a forma de como um filme pode marcar a história, como é também um DVD que traz dignidade a qualquer colecção cinéfila. E acima de tudo serve para provar como os americanos são burros: um povo que tem gente que diz que "prefere a droga à pornografia", ou gente que legisla a pornografia desde que tenha um carácter educativo (seja o que isso for). Em compensação, foram também os americanos que inventaram os McBacons.

Posted by: dermot @ 12:09 da manhã
|  




segunda-feira, novembro 14, 2005  

TOP 10:

Tal como o Royale With Cheese, também a Empire, uma das mais conceituadas revistas de cinema a nivel interncional, é dada a listas e topes muito próprios. É certo que uma lista vale o que vale, mas é sempre giro e curioso comparar opiniões e gostos através das diversas listagens. A Empire escolheu então os 50 melhores filmes independentes de sempre; como o que fica para a história são os primeiros, eis O TOP 10 DOS MELHORES FILMES INDEPENDENTES:

10º lugar - Mean Streets (1973), de Martin Scorcese
9º lugar - Sideways (2004), de Alexander Payne
8º lugar - Os Suspeitos Do Costume (1995), de Bryan Singer
7º lugar - Sexo, Mentiras e Vídeo (1980), de Steven Soderbergh
6º lugar - A Noite Dos Mortos Vivos (1968), de George A. Romero
5º lugar - A Vida De Brian (1974), de Terry Jones
4º lugar - Clerks (1994), de Kevin Smith
3º lugar - Exterminador Implacável (1984), de James Cameron
2º lugar - Donnie Darko (2001), de Richard Kelly
1º lugar - Cães Danados (1992), de Quentin Tarantino

Posted by: dermot @ 5:46 da tarde
|  




sábado, novembro 12, 2005  

QUADRIOLOGIA ALIEN:

ALIEN - O OITAVO PASSAGEIRO:
Título: Alien
Realizador: Ridley Scott
Ano: 1979


Aproveitando a embalagem, Alien - O Oitavo Passageiro chocou os novos fãs da ficção científica, trazida para o mainstream graças à space-opera de Geroge Lucas e a Caminho Das Estrelas.
Com efeito, Alien - O Oitavo Passageiro introduziu uma nova e poderosa ameaça, um alienígena perfeito e ameaçadoramente hostil.

Ridley Scott, realizador de créditos firmados mas que consegue alternar um grande filme (alguém mencionou Blade Runner - Perigo Iminente?) com um muito mau (olá GI Jane!), foi o pai do Alien, enquanto insituição. Sim, porque a mãe foi HR Giger, macabro artista plástico, responsável pela concepção visual de todo o filme.

A Nostromo é uma nave transportadora que se dirige para a Terra com sete tripulantes. No entanto, durante a viagem, intercepta um pedido de SOS vindo de um planeta desabitado. Mas e se aquele sinal de SOS for na verdade um aviso de perigo? A tenete Ripley (Sigorney Weaver) coloca essa possibilidade, mas já tarde demais: os seus companheiros já estão de volta à nave e com eles trazem um novo tripulante: o oitavo passageiro!

Alien - O Oitavo Passageiro é uma versão minimalista de 2001: Odisseia No Espaço: pegando no seu universo sci-fi e altamente realista, cruza-o com o suspense e o thriller, num slasher espacial, género advogado por gente como Wes Craven.
Aliás, o realismo e a credibilidade é o grande trunfo deste Kubrick meets Carpenter: o espaço físico limitado à nave espacial, para além de levarem a uma claustrofobia sufocante sem escapatória possível, é filmado com um realismo arrepiante, que aliado aos diálogos sobrepostos, agitados e improvisados, faz lembrar uma espécie de reality-show em que a certa altura, alimentados pela pressão e pelo pânico, já ninguém se entende.

"No espaço ninguém te pode ouvir" foi o célebre slogan que ficou imortalizado numa trailer de gritos assustados; de facto, esta versão espacial de Tubarão apostara tudo na casa do suspense e ganhara, com uma realização sóbria num ambiente angustiante e sufocador, sem nenhum local para fugir e ninguém que acudisse.

Alien - O Oitavo Passageiro tem o condão de apresentar dois pormenores, daqueles pormenores capazes de elevarem por si só um filme ao Olimpo cinametográfico: um deles é o facto de ter criado o primeiro action hero feminino - Ripley; e o segundo, é a clássica cena do chestburster. Já todos nós a vimos, nem que seja parodiada em outros filmes (destaque para a formidável cena de A Mais Louca Odisseia No Espaço), mas é uma cena que arrepia sempre que a vemos. Claro que é um daqueles momentos que não se compara à primeira vez que a vemos, mas mesmo sabendo de cor o que vai acontecer não deixa de ser incomodativa e arrepiante.

Ridley Scott teve o privilégio de iniciar a saga e logo como melhor filme da quadrilogia, onde se aliou a uma equipa de mestres - Jerry Goldsmith e HR Giger - de forma a contornar o orçamento modesto e os efeitos-especiais artesanais para criar um filme com vida própria. Alien - O Oitavo Passageiro não é um filme qualquer; é o filme de terror-ficção-científica, o que é o mesmo de dizer McRoyal Deluxe.




ALIENS - O REENCONTRO FINAL
Título: Aliens
Realizador: James Cameron
Ano: 1986


Depois de feitas as introduções estavam abertas as hostilidades.
A sequela de Alien - O Oitavo Passageiro revela-se por completo logo no título original: apenas um S a mais, que indicava logo à partida que Aliens - O Reencontro Final envolveria muitos mais alienígenas, ao invés do predador solitário de Alien - O Oitavo Passageiro.

Com efeito, Ripley estava de volta à Terra, cinco décadas depois de andar à deriva. Claro que era difícil fazer crer aos seus superiores que tinha destruído uma nave de milhões de dólares devido a uma entidade extraterrestre hostil desconhecida, que lhe dizimara a tripulação e, por isso, perdeu o seu emprego como comandante. Mas quando a colónia estabelecida entretanto no planeta em que Ripley tinha descoberto o alienígena deixou de contactar com a Terra, a história começa a fazer algum sentido. E Carter Burke (Paul Reiser) convocou-a como consultora para uma expedição espacial com um único objectivo: exterminar todos aqueles sacanas.

Se Alien - O Oitavo Passageiro era uma espécie de Tubarão no espaço, então Aliens - O Reecontro Final é uma espécie de Predador no espaço: um filme claramente de acção, onde o suspense e o terror do primeiro filme deram lugar à força bruta e ao confronto impiedoso entre um exército de fuzileiros e um exército de alienígenas malignos.

Da expedição destacavam-se alguns elementos: Ripley, claro, cuja primeira aventura a tinha deixado mais rija; Bishop (Lance Henriksen), um andróide que ao contrário do seu homónimo da primeira aventura, tinha bom coração e respeitava as leis da robótica de Asimov; e claro, Hudson (Bill Paxton), que para além de uma prestação notável, iniciou aqui o seu percurso curioso em que foi morto por um alien, um predador e um exterminador.
Convocada a equipe, faltava alguém para a dirigir; e quem melhor do que James Cameron, um dos mais hábeis realizadores de acção, que tinha acabado de assinar Exterminador Implacável. Aliens - O Reencontro Final tem todo o seu cunho pessoal: uma cinematografia em tons de azul, efeitos especiais de eleição e uma história de acção, que apesar da força bruta desmedida, é sempre coerente e atenta aos pormenores.

Mas se Ripley é aqui elevada a action hero, também é verdade que desenvolve o seu espírito maternal, como em todas as mulheres. Aliás, Aliens - O Reencontro Final é uma enorme metáfora feminina, que joga com as mulheres da tripulação e a posição destas na sociedade consoante as suas personalidades, até à própria alien-mãe. Mas isto é uma estória para outras linhas, que poderia fazer-me destilar muitas linhas de conversa teórica.
Mas resumindo: se em Alien - O Oitavo Passageito já Ripley demonstrava (ainda que levemente) o seu espírito maternal para com Jonesy, o gato, aqui há Newt (Carrie Henn), uma rapariga que sobrevive ao extermínio. E no final há um duelo de fêmeas, entre Ripley que protege a sua "protegida" e a mãe-alien que protege os seus ovos.

É certo que Cameron abusa um pouco, quando nos últimos minutos envovle os personagens num heroísmo algo desmedido, à boa maneira de Rambo, mas Aliens - O Reencontro Final é sempre um poderoso filme de acção. Há um clima assustador, alienígenas por todos os lados e tiros em catadupa - violência senil com um úncio objectivo: matar, nem que para isso seja preciso recorrer a armas atómicas. E depois há uma cena memorável, uma das mais fantásticas da saga, quando um alien irrompe de um túnel cheio de água.
Há ainda um par de eventos que se tornam ponto fixo na saga: a evolução da entidade extraterrestre e o "homem sintético" Bishop.

Depois de Ridley Scott, James Cameron deu o passo seguinte na saga e Aliens - O Reencontro Final era o que de melhor se podia esperar num filme de acção entre humanos e extraterrestres. Faltou um poucochinho mais para passar à frente do McBacon.




ALIEN - A DESFORRA
Título: Alien 3
Realizador: David Fincher
Ano: 1992


Diz a sabedoria popular que não há duas sem três. E provando a veracidade de tal adágio, em 1992 a saga Alien transformou-se numa triologia, com o terceiro tomo que ganhou o subtítulo em português de A Desforra.
Desta vez, o escolhido para tão difícil missão era o estreante David Fincher, um realizador com carreira construída no mercado dos telediscos. E a tarefa não foi fácil: com sucessivas alterações no guião e com a produtora a meter o bedelho constantemente, Alien - A Desforra teve um parto difícil, que acabou por ver a luz do dia quase sob a forma de manta de retalhos (o que faz com que a versão director's cut seja quase um filme diferente). Mas como os seus pergaminhos viriam a mostrar, Fincher não é um realizador vulgar e mesmo em versão-manta-de-retalhos, Alien - A Desforra não é um filme banal.

Desta vez, não existe um lapso temporal para o último volume da série. Alien - A Desforra inicia-se pouco depois do confronto final de Aliens - O Reencontro Final. Em estado de hiper-sono Ripley não pode ver que está a dar boleia a um dos alienígenas que conseguiu escapar da destruição maciça e este acaba por fazer despenhar a nave, num planeta remoto. Esse planeta chama-se Fury 161 e é um mundo-prisão, onde são incarcerados perigosos assassinos, violadores e outros que tais. Mas a prisão está desactivada e agora só alberga 25 reclusos, que se mantiveram no cu de Judas depois de se converterem à religião. São eles que resgatam Ripley dos destroços, a única sobrevivente da queda. E são eles que vão combater mais uma ameaça extraterrestre.

Depois do filme feminino que foi Aliens - O Reencontro Final, David Fincher apostou num filme extremamente masculino. Para isso, a tenente Ripley, que segue aqui o seu enrijecimento, rapa a cabeça de forma a ganhar masculinidade (fórmula que Demi Moore tentou copiar anos mais tarde, mas sem resultado). E como a tenente tem vindo a passar uma vida quase inteira dedicada aquele extraterrestre, nesta tecreira aventura a sua relação é levada ao extremo.
Alien - A Desforra faz lembrar um pouco, uma fusão dos outros dois capítulos da saga: faz lembrar Aliens - O Reecontro Final, porque volta a ser uma espécie de guerra homem vs alienígena, e faz lembrar Alien - O Oitavo Passageiro devido ao seu aspecto primitivo, um back to basics, em que um grupo de homens desarmados estão limitados ao espaço do edifício, sem escapatória possível.

David Fincher consegue mostrar os seus dotes de realizador de eleição e consegue mesmo ter um dos momentos (quiçá o melhor) altos de toda a saga: o face to face entre o alienígena e Ripley. Além disso, aqui a entidade extraterrestre é parida por um cão (numa cena chocante) e absorve algumas parecenças com o quadrúpude, transformando-se num monstro mais assustador.
Alien - A Desforra é um filme muito mais pessoal e introspectivo do que o segundo, o que consegue evitando o fogo de artífico habitual do action man James Cameron; no entanto, os pontos que ganha aqui perde-os nos momentos mais tearjearker, com direito a um discurso patriota e tudo.

Alien - A Desforra é um filme sofrido, que deve ser visto apenas a título de curiosidade; a verdadeira obra é a versão director's cut. Mesmo assim, consegue ir até ao McBacon, rés-rés campo de Ourique.
E este deveria ter sido mesmo o fim do ciclo, uma vez que Fincher termina o filme com grande carga simbólica: fecha uma porta sobre o assunto e volta a brilhar o sol/eperança.




ALIEN - O REGRESSO:
Título: Alien: Resurrection
Realizador: Jean-Pierre Jeunet
Ano: 1997


David Fincher encerrou a saga Alien em 1992, fechando uma porta sobre o assunto, com a morte de Ripley e o dizimar do último alienígena. Certo? Errado! Em 1997 era preciso revitalizar o monstro extraterrestre devido ao franchising consumista que se avizinhava (o malfadado Alien Vs. Predador) e para isso a triologia passou a quadriologia.
O escolhido para esta revitalização foi o feancês Jean-Pierre Jeunet, um dos mais interessantes realizadores da sua geração, que tinha acabado de assinar um dos últimos grandes filmes da ficção-científica, A Cidade Das Crianças Perdidas.

Com efeito, a tenente Ripley tinha morrido no episódio interior, um simples mas importantíssimo pormenor que era preciso contornar. Assim, recorreu-se ao comum processo da clonagem.
Duzentos anos depois de Alien - A Desforra, a tenente Ripley foi clonada com sucesso, de forma a criar em laboratório uma daquelas espécies alienígenas únicas. Parecia tudo de volta à normalidade: Ripley, um alienígena hostil e uma entidade governamente sem escrúpulos.
No entanto, desta vez estamos a lidar com a clonagem e Ripley, enquanto clone e hospedeira, além de ter transmitido algumas das suas propriedades ao seu "novo filho", veio ainda "enxertada" com algumas propriedades extraterrestre: sangue corrosivo, força sobre-humana e agilidade superior. A única coisa que não sabíamos é que os alienígenas tinham um sentido de humor tão apurado.

De facto, Ripley encerra aqui o seu ciclo de masculinização, atingindo o cúmulo de super-herói com super-poderes (de forma aligeirada, claro). Escrito para um novo público e de maneira bastante genérica, este quarto capítulo da saga sofre sobretudo das falhas do argumento, frágil e demasiado artificial. Além disso, há ainda fogo-de-artifício a mais e sensibilização artificial.
Tal como Cameron em Aliens - O Reencontro Final, também Jeunet explora o conceito da maternidade, desta vez levado ao extremo. Além disso, aproveitando a presença de Annalee Call (Winona Ryder), Jeunet explora ainda o complexo Pinóquio, ou seja, tenho sentimentos, quero ser humano mas não o sou.

O dedo do realizador francês nota-se sobretudo em duas cenas: na excelente sequência em que Ripley descobre a câmara de clonagem e numa superiormente orquestrada, mas bastante exagerada, persgueição aquática.
Fora isto, Alien - O Regresso é uma aventura bastante artificial, com buracos de argumento e soluções e confrontos fraquinhos. Além disso, há novamente um herói colectivo que vai sendo exterminado aos poucos ao longo do filme, mas que ao contrário dos seus antecessores, não ganha profundidade suficiente para terem algum papel preponderante da intriga.

Alien - O Regresso tem alguns pontos positivos - uma faceta bastante mais gore que os restantes capítulos e uma nova forma de alienígena - mas os pontos negativos sobrepõem-se claramente: esse novo alien é extremamente feio (ninguém bate HR Giger), a personagem de Winona Rider é bastante frágil para a aventura e o argumento é extramemente esburacado. É apenas um Double Cheeseburguer, mas para quem assistiu à restante triologia, não há motivo para não assistirem a este último (esperamos nós) filme da saga.

Posted by: dermot @ 10:44 da tarde
|  




quinta-feira, novembro 10, 2005  

ENTREVISTA:

Se mencionar o nome de Sara David Lopes, o mais provável é não lhe dizer nada. No entanto, posso garantir ao leitor que é um dos nomes responsáveis pelo cinema que assistimos nas salas nacionais.
Sara David Lopes é um dos heróis sem rosto da legendagem dos filmes para português, um trabalho silencioso, mas de enorme responsabilidade e totalmente indispensável.
O Royale With Cheese esteve à conversa com Sara David Lopes, com quem desvendámos alguns segredos desse processo chamado legendagem, que por nos ser tão comum, raramente nos interrogamos como é que se processa.

Royale With Cheese – Como entrou para o mundo das legendagens? Qual é a sua ligação com o cinema?
Sara David Lopes – Sempre adorei línguas e sempre me interessei por tradução e cinema. Em miúda, fazia às vezes umas traduções para arranjar algum dinheiro. Eram trabalhos de pouca responsabilidade, mas alimentavam este meu interesse. Quando me propuseram traduzir documentários de inglês para português para um projecto chamado EUROPA TV, que funcionava a partir da Holanda, aceitei com imenso entusiasmo. Infelizmente, o projecto não vingou e a responsável pela parte portuguesa (tinha sido destacada daqui, da RTP, para encabeçar o projecto lá) regressou a Portugal. Naquela altura a RTP quis ampliar o seu leque de tradutores e ia abrir um concurso. Conhecendo já o meu interesse, ela propôs-me ingressar no grupo que a RTP ia formar. E eu assim fiz. Fiquei desde aí a trabalhar para a RTP em regime de freelance e com o tempo fui alargando o meu leque de clientes. A entrada para o cinema fez-se mais tarde, pela mão da Atalanta, para quem traduzi o primeiro filme da distribuidora, o Yaaba.

RWC – Imagino que seja um trabalho complicado. Como se processa? Tem de traduzir o filme a partir do próprio som, assistindo ao filme e traduzindo simultaneamente ou é através do guião que é fornecido? Ou não tem nada a ver com isto?
SDL – Como qualquer outro trabalho, é complicado para quem não o conhece. Realmente exige uma certa técnica, mas não é nada que não se aprenda, sobretudo se houver vontade e motivação. No entanto, é indispensável uma certa sensibilidade para as línguas. Em resposta à segunda parte da sua pergunta, geralmente são-nos fornecidos um guião e um suporte visual. Fazemos uma primeira visualização para tomar contacto com o filme e dividir o texto sob a forma de legendas. Essas marcações são feitas à mão no guião que nos dão. Frequentemente, acrescento logo uma frase ou outra que me ocorra. À laia de exemplo, neste último filme do Harry Potter, há uma parte em que os irmãos gémeos do Ron dizem em uníssono “Wicked!”. Quando estava a visionar o filme, ocorre-me logo a palavra “Fixe!” e anotei-a à margem. Quando vi o filme numa sala, ouvi um coro de gargalhadas quando a palavra apareceu. Isso indicou-me que foi uma solução feliz que podia não me ter ocorrido na fase já da tradução. Passada esta primeira fase, pegamos no guião e traduzimos. Depois, introduzimos o ficheiro da tradução no programa específico de legendagem e, de novo com a imagem, localizamos cada uma das legendas.

RWC – E quando são filmes falados numa língua que não domina?
SDL – Nessas circunstâncias, procuro sempre que o espectador não se aperceba da minha ignorância. Não é que pretenda enganá-lo, até porque escrevo no fim tradução do inglês ou francês já para me salvaguardar, mas nessas traduções, o complicado é a localização. Realmente não percebo nada de chinês ou finlandês, mas entre as dicas do texto e a sensibilidade que vamos adquirindo com o tempo, ajudados por uma palavra ou outra, lá se consegue encaixar o texto. A parte pior é quando há um monólogo. Acontece acabar de localizar o texto do monólogo e sobrarem ou faltarem legendas. Aí, volto atrás e refaço esse pedaço até estar satisfeita. De qualquer modo, o ideal é que o espectador não tenha de se confrontar com “buracos” na tradução.

RWC – Por vezes é também uma tarefa ingrata. Nunca cometeu nenhuma gralha que a tenha deixado envergonhada?
SDL – Sim, já me tem acontecido. Fico muito triste e embaraçada. No entanto, há vários tipos de “erros”. Uma gralha propriamente dita não é motivo de vergonha, embora nunca seja agradável constatá-lo. Quanto aos erros de tradução, já é outra coisa. Não é que tenhamos de saber tudo, mas temos uma responsabilidade enorme para com o público. Às vezes, quando estou a localizar, resolvo mudar a frase toda e deixo ficar uma palavra da frase anterior. Quando me apercebo disso na sala, fico muito aborrecida. Depois há ainda os chamados erros de simpatia. Quando traduzi o filme El Rey Pasmado, distraidamente escrevi “a Santa Sede” em vez de Santa Sé, arrastada pelo espanhol! Quando me disseram, só tive vontade de me enfiar pelo chão dentro! Apesar de tudo, com os correctores que temos hoje à nossa disposição nos editores de texto, não há grande desculpa para cometer gralhas, mas errar é humano, não?

RWC – Uma das partes mais traiçoeiras nas traduções, imagino eu que seja nas partes mais obscenas. É comum vermos traduzidos palavrões enormes para simples “Meu Deus” ou algo semelhante. Existe algum código para essas situações ou o tradutor tem liberdade para fazer o que bem entende?
SDL – Digamos que de uma maneira geral, o tradutor tem liberdade para fazer o que entende, no entanto, temos de ter bom senso e os nossos clientes confiam em nós. É verdade que irrita quando vemos um chorrilho de palavrões dito por um tipo cheio de tatuagens, armado até aos dentes, ser traduzido simplesmente por “Bolas!”. Contudo, é preciso ter em consideração que os filmes são vistos por muita gente de diferentes sensibilidades e que o que é aceitável para mim, deixa de o ser para certas pessoas de idade ou para alguém acompanhado por uma criança. Por outro lado, os americanos (infelizmente, é o caso da maioria dos filmes) dizem os ditos palavrões com muita facilidade e nem sempre o “fuck” se deve traduzir por “f...”.
Além de tudo isto, a questão dos palavrões prende-se com outra muito mais delicada que é a da classificação dos filmes. E se no cinema, as pessoas têm alguma atenção a isso, na televisão isso já não é tão respeitado. Os responsáveis pela programação e selecção de filmes devem ter isso em consideração, mas muitas vezes, valores mais altos (audiências, etc) se levantam... Uma vez, um canal de televisão pediu-me a tradução do filme Shaft. É um filme visualmente violento e cheio de colorido terminológico. Perguntei a que horas passava e foi-me dito que estivesse à vontade porque ia ser à noite. Senti-me bastante inspirada e fiz uma tradução adequada. De repente, mudaram de ideias. Vieram a correr pedir-me que suavizasse os palavrões porque ia passar num sábado à tarde!

RWC – Costuma receber emails de pessoas a protestarem com alguma tradução menos bem feita, ou pelo contrário, a elogiarem uma tradução bastante pertinente?
SDL – Sim, às vezes. Decidi pôr o meu e-mail na legenda da tradução precisamente para isso. Tenho recebido elogios muito simpáticos e alguns pedidos de trabalho (que nem referem a minha tradução). Uma vez, recebi um e-mail de uma senhora que perguntava muito curiosa em saber por que é que eu optava por traduzir passagens conhecidas da Bíblia em vez de usar os textos que já existem. Tinha observado isso em dois trabalhos meus e decidiu perguntar-me. A verdade é que eu não tenho qualquer formação religiosa e só sei o Padre-Nosso e a Ave-Maria. Tudo o resto, ou está localizado no meu texto, ou nem sei onde o ir buscar!

RWC – Portugal nunca teve uma grande tradição nas dobragens. Qual é a vantagem das legendagens sobre as dobragens? Ou é apoiante que se dobrem os filmes?
SDL –
A discussão dobragem vs legendagem é antiga e muito controversa. Como é natural, ambas as técnicas têm vantagens, mas eu defendo que se devem aproveitar as vantagens de cada uma delas e rejeitar as desvantagens. É verdade que temos uma enorme taxa de analfabetismo, mas isso não se resolve dobrando os filmes. Até porque muitas vezes, essas pessoas (e aqui estou a especular, perdoem) estão mais interessadas em concursos e reality shows do que em filmes. A existência de filmes legendados estimula a leitura e a aprendizagem da língua, tanto do português como da língua original. Eu acredito que a falta de jeito para as línguas que se verifica em certos países se deve em grande parte à dobragem. Por exemplo, em França, Alemanha e Espanha (tudo países enormes, o que não deixa de ser curioso) as pessoas têm muito mais dificuldade em falar outras línguas e isso não se aplica apenas à pronúncia.
Claro que a dobragem também tem o seu mérito. Permite que as crianças mais pequenas possam ver certos filmes ou desenhos animados estrangeiros, por exemplo. Por outro lado, quando é bem feita, deixa-nos totalmente disponíveis para apreciar a imagem, coisa que não acontece nas legendas, pois a nossa atenção é dividida entre a legenda e a imagem e temos de ter em conta que há pessoas que por estarem pouco habituadas à leitura lêem mais devagar.

RWC – Imagino que já lhe devem ter passado pelas mãos milhentos filmes. Houve algum cuja tradução tenha sido particularmente complicada, por alguma razão em especial?
SDL –
É difícil responder a essa pergunta, até porque o ser “particularmente complicado” tem muito que se lhe diga. Há textos manifestamente difíceis, como as peças literárias ou as coisas muito técnicas. No entanto, de uma maneira geral, os filmes de entretenimento recorrem a uma linguagem aberta ao grande público e não apresentam dificuldades de maior. Apesar disso, há textos que à partida vêm muito mal escritos e parece que a tradução não flui. Doutras vezes, o filme até é desinteressante, mas tem um guião muito bem escrito... Os documentários, contudo, são uma coisa à parte. Recentemente tive a oportunidade de fazer dois documentários do Michael Moore e vi-me literalmente grega em certas partes. Não porque seja difícil traduzir o texto, mas porque está cravejado de referências que não dizem nada aos portugueses (e infelizmente não podemos recorrer às notas de rodapé) e porque todas as informações são essenciais à compreensão do texto. Isso faz com que as legendas sejam muito densas e de difícil leitura e que se perca necessariamente qualquer coisa.

RWC – É já costume no Royale With Cheese terminar as entrevistas com um pequeno grupo de perguntas de resposta directa:

- Qual é o filme da sua vida? Não consigo nomear um só. Há filmes de que gostei muito e filmes que, embora não tenha gostado particularmente, me ficaram na cabeça. Tenho uma certa obsessão em arranjar em DVD o filme Blade Runner, mas se só pudesse ter UM filme, nem seria esse. De qualquer modo, gosto muito mais do cinema independente do que do ‘comercial’ e sinto-me também muito privilegiada por poder ver tantos filmes de países de cujo cinema nunca se ouve falar.

- E o pior filme de sempre, qual é? Da mesma maneira, também não consigo dizer um título. Há filmes que detesto fazer, mas isso prende-se mais com o género.

- O filme ideal: visto no cinema, ou no conforto do DVD lá de casa? Depende do filme. Há filmes que perdem muito quando vistos em casa, pura e simplesmente porque resultam muito melhor num grande ecrã e vistos às escuras com um som profissional. Outros vêem-se muito bem em casa. De qualquer das maneiras, adoro ir ao cinema propriamente dito, comprar o bilhete, procurar um lugar, sentar-me ao lado de pessoas que pelo menos na escolha do filme têm algo de comum comigo. Por essa razão, evito (quando não me recuso...) ir a cinemas integrados em áreas comerciais grandes. Gosto muito mais de entrar no cinema vinda da rua e não ter de passar por cinquenta e quatro lojas pelo caminho. Infelizmente, essa é uma tradição que se vai perdendo em Portugal, mas também aí acredito que o público que prefere as salas de acesso mais directo também tem mais a ver comigo.

- Os títulos dos próprios filmes também têm uma tradição curiosa em Portugal, no que diz respeito às suas traduções. Qual é a tradução mais risível de um título de um filme em Portugal? Antes de mais, gostava de esclarecer que não são os tradutores que escolhem o título aos filmes. Essa escolha é feita pelos departamentos comerciais que estão atentos a coisas que nem passam pela cabeça dos tradutores. Acontece muito raramente pedirem-nos uma opinião ou aceitarem uma sugestão nossa. Às vezes, o título entra até em contradição com o conteúdo do filme ou induz o espectador em erro. Há uns tempos, recomendei imenso a uma amiga que fosse ver o filme Crash. Ela foi e adorou, tal como eu esperava, mas disse que nunca iria ver um filme chamado Colisão (o título dado ao filme em Portugal). Quanto à sua pergunta propriamente dita, não sei dizer qual é o mais risível, mas, por exemplo, o filme baseado na história da Sereiazinha, que todos conhecemos, teve em Portugal o título A Pequena Sereia, vá-se lá saber porquê...

Posted by: dermot @ 7:12 da tarde
|  




terça-feira, novembro 08, 2005  

WILD ZERO:

Título: Wild Zero
Realizador: Tetsuro Takeuchi
Ano: 2000


PRÓLOGO: Antes de começar, tenho de abrir este prólogo para esclarecer uma coisa: quem são os Guitar Wolf?
Os Guitar Wolf são um power-trio japonês de rock'n'roll que se notabilizaram no mundo da música pelas suas actuações explosivas, a sua atitude e a sua música urgente e visceral, até que em 2004 o baixista Bass Wolf pereceu às mãos de problemas cardíacos, deixando a banda num impasse. Os Guitar Wolf são um fenómeno não só no Oriente, mas em todo o Ocidente; são como uma espécie de Jon Spencer Blues Explosion apocalípticos, ou uns Elvis Presley vindos do Inferno. Resumindo, são apenas rock'n'roll!

Todos nós temos o desejo (mais ou menos)secreto de um dia realizar um filme fetiche, para satisfazer todos os nossos caprichos mais perversos e doentios. Para a maioria não passa disso mesmo, mas para alguns bafejados pela sorte, isso torna-se realidade. Tetsuro Takeuchi, o realizador de telediscos japonês conhecido como MTV-man, é um desses sortudos. No ano 2000, com um orçamento minúsculo (que é o equivalente ao mediano filme nacional) realizou um semi-amador semi-independente filme-fetiche, um rock'n'roll-zombie-flick de pura diversão intitulado Wild Zero, para ver com os amigos num sábado há noite, com pizza e cerveja.

O argumento não tem nada que saber e é o costume dos filmes de série B - Ace (Masashi Endô) é um jovem rockabilly com uma admiração extrema pelos deuses do rock Guitar Wolf, que segue fielmente os seus conselhos espirituais. Como em True Romance, só que em vez do Elvis, temos o trio japonês.
No final de um concerto, Ace decide finalmente ir conhecer os seus heróis, mas chega mesmo a tempo de assistir a um ajuste de contas entre a banda e o seu manager gay. A partir daí tornam-se irmãos de sangue e de rock'n'roll e a história conflui em várias outras, muitas sem sentido: os extraterrestres invadem a Terra, trasnformando a população em zombies; existe uma action girl de fazer Lara Croft corar de inveja, que trabalha para a Yakuza; existe a própria Yakuza; e claro, romance, romance zombie e romance inconvencional.

Wild Zero é uma confluência de cinema trash, numa espécie de Ed Wood meets George A. Romero e Russ Meyer. Há zombies, por isso, consequentemente, há gore, muito gore; há mulheres, por isso, consequentemente, existem mamas. E há os Guitar Wolf, o que consequentemente, significa palhetas voadoras electrificadas, espadas-guitarra e muita vingança heróica. Wild Zero é o equivalente oriental de Die You Zombie Bastard!
E se pensavam que zombies japoneses era uma coisa estranha, então esperem para ver rockabillys japoneses, que ainda por cima dizem lock and loll.

Com uma banda-sonora brutal (que para além dos óbvios Guitar Wolf, inclui também Dick Dale ou os Oblivians, por exemplo) e com interpretações razoavelmente aceitáveis, Wild Zero é uma pérola de entretenimento como já não se faz. Se você é daqueles que acha que O Mundo A Seus Pés é o melhor filme de sempre, então Wild Zero é um Double Cheeseburger. Mas se você é um amente de (escolher a(s) opç(oe)ão certa): cinema de série B; cerveja; garage-surf-punk-rock; os Guitar Wolf, então este Wild Zero é o filme indicado para si: Royale With Cheese.

Posted by: dermot @ 8:53 da manhã
|  




sábado, novembro 05, 2005  

A TALE OF TWO SISTERS:

Título: Janghwa, Hongryeon
Realizador: Ji-woon Kim
Ano: 2003


Quando a vaga dos slasher teen movies esgotou o filão dos filmes de terror, na década de 90, o público ávido por um bom susto virou as atenções para o oriente. Rapidamente, vimo-nos invadidos pelo cinema de terror oriental, especialmente coreano, que os gananciosos estúdios de Hollywood aproveitaram logo para reciclar.
De entre os mais famosos (alguém mencionou Ringu ou The Eye?) destaca-se, no entanto, aquele que parece mais ocidental e menos original (atenção, sublinhar a palavra "parece"): A Tale Of Two Sisters, que varreu completamente (e no bom sentido) a edição do Fantasporto de 2004, é a adaptação de uma lenda tradicional coreana para os dias de hoje. Não tem cassetes de vídeo ou telemóveis amaldiçoados, mas tem fantasmas e uma mansão assombrada.

As duas irmãs que o título menciona são Soo-mi (Su-jeong Lim) e Soo-yeon (Geun-yeong Mun), que regressam com o pai (Kap-su Kim) para a casa de campo depois de um episódio algo conturbado. A casa de campo é uma mansão antiga, plantada no meio de uma floresta de paisagens bucólicas e com um papel de parede lindíssimo. Como todos sabemos, as mansões antigas são das coisas mais assustadoras que podem haver: são os ruídos à noite da madeira a ranger, que na maior parte das vezes, significam que existe algures uma alma penada a sofrer. Mas mais assustador que isso, apenas uma coisa: uma madrasta! E Eun-joo (Jung-ah Yum) é uma madrasta do mais ruim que há.

A sinopse é extremamente redutora, mas mais não poderei dizer sem revelar spoilers em catadupa. Apenas posso acrescentar que A Tale Of Two Sisters é mais complicado do que parece, feito de cambalhotas e partidas por parte do realizador, que se diverte em ir tirando o tapete debaixo dos nossos pés sempre que nos convencemos que finalmente percebemos o que se passa.
Há boa maneira oriental, esta espécie de Sexto-Sentido-versão-David Lynch não segue os padrões normais da linearidade.

Mas o grande motivo de interesse de A Tale Of Two Sisters não está na sua componente de terror (apesar de haverem algumas jump scenes e uma miúda assustadora com os tradicionais cabelos pretos escorridos sobre os olhos); está no ambiente que cria, uma misteriosa e perturbadora aura com resquícios góticos, que fomenta uma tensão de cortar à faca ao longo do filme. Não é tanto o horror psicológico que vai criando, mas sobretudo os jogos psicológicos que maneja, alienando completamente a nossa mente até ficarmos indefesos perante os fantasmas daquela família.

Em A Tale Of Two Sisters tudo é cativante do ponto de vista visual. Com uma cinematografia bastante stylish e uma banda-sonora hitchcockiana, até a capa do DVD é apelativa.
A Tale Of Two Sisters é um filme que exige três coisas: olhos e ouvidos bem atentos durante todo o tempo; uma segunda (e quiçá uma terceira ou uma quarta) visualização; e um Le Big Mac.

Posted by: dermot @ 7:55 da tarde
|  





COTAÇÃO:
10 - Royale With Cheese
9 - Le Big Mac
8 - McRoyal Deluxe
7 - McBacon
6 - McChicken
5 - Double Cheeseburger
4 - Cheeseburger
3 - Caixinha de 500 paus (Happy Meal)
2 - Hamburga de Choco
1 - Pão com Manteiga

TAKE:
Take - cinema magazine | take.com.pt


ARE YOU TALKING TO ME:
DUELO AO SOL
CLARENCE HAD A LITTLE LAMB
GONN1000
BITAITES
ANTESTREIA
CINEBLOG
CINEMA NOTEBOOK
CONTRA CAMPO
ZONA NEGRA
O MELHOR BLOG DO UNIVERSO
A CAUSA DAS COISAS
O MEU PIU PIU
AMARCORD
LAURO ANTÓNIO APRESENTA
SARICES ARTÍSTICAS
A RAZÃO TEM SEMPRE CLIENTE
MIL E UM FILMES
AS IMAGENS PRIMEIRO
A DUPLA PERSONALIDADE
TRASH CINEMA TRASH
SUNSET BOULEVARD
CINEMA XUNGA


ARE YOU TALKIN' TO ME?
cinephilus@mail.pt


CRÍTICAS:
- A Armadilha
- A Arte De Pensar Negativamente
- A Árvore Da Vida
- A Balada de Jack And Rose
- A Bela E O Paparazzo
- A Boda
- À Boleia Pela Galáxia
- A Cabana Do Medo
- A Cela
- A Canção De Lisboa
- A Cara Que Mereces
- A Casa Dos 1000 Cadáveres
- A Casa Maldita
- A Cidade Dos Malditos
- A Ciência Dos Sonhos
- A Comunidade
- A Cor Do Dinheiro
- A Costa Dos Murmúrios
- A Criança
- A Dália Negra
- A Dama De Honor
- A Descida
- A Duquesa
- À Dúzia É Mais Barato
- A Encruzilhada
- A Estrada
- A Estranha Em Mim
- A Frieza Da Luz
- A Fúria Do Dragão
- A História De Uma Abelha
- A Honra Da Família
- A Janela (Maryalva Mix)
- A Lagoa Azul
- A Lenda Da Floresta
- A Liga Dos Cavalheiros Extraordinários
- A Lista De Schindler
- A Lojinha Dos Horrores
- A Mais Louca Odisseia No Espaço
- A Maldição Da Flor Dourada
- A Mansão
- A Maravilhosa Aventura De Charlie
- A Marcha Dos Pinguins
- A Máscara
- A Máscara De Cristal
- A Menina Jagoda No Supermercado
- A Minha Bela Lavandaria
- A Minha Vida Sem Mim
- A Morte Do Senhor Lazarescu
- A Mosca
- A Mulher Do Astronauta
- A Mulher Que Viveu Duas Vezes
- A Múmia
- A Noiva Cadáver
- A Noiva Estava De Luto
- A Origem
- A Outra Margem
- A Paixão De Cristo
- A Pele Onde Eu Vivo
- A Pequena Loja Dos Horrores
- A Prairie Home Companion - Bastidores Da Rádio
- A Presa
- À Procura Da Terra Do Nunca
- A Promessa
- À Prova De Morte
- A Rainha
- A Rai­nha Africana
- A Raiz Do Medo
- A Rapariga Santa
- A Rede Social
- A Religiosa Portuguesa
- A Ressaca
- A Residencial Espanhola
- A Sangue Frio
- A Secretária
- A Semente Do Diabo
- A Senhora Da Água
- A Severa
- A Sombra Do Caçador
- A Sombra Do Samurai
- A Tempestade No Meu Coração
- A Tempo E Horas
- A Torre Do Inferno
- A Turma
- A Última Famel
- A Última Tentação De Cristo
- A Valsa Com Bashir
- A Verdadeira História De Jack, O Estripador
- A Viagem De Chihiro
- A Viagem De Iszka
- A Vida De Brian
- A Vida É Um Jogo
- A Vida É Um Milagre
- A Vida Em Directo
- A Vida Secreta Das Palavras
- A Vila
- A Vítima Do Medo
- A Vizinha Do Lado
- A Volta Ao Mundo Em 80 Dias
- Aberto Até De Madrugada
- Abraços Desfeitos
- Acção Total
- Aconteceu No Oeste
- Across The Universe
- Actividade Paranormal
- Acusado
- Adam Renascido
- Admitido
- Adriana
- Aelita
- Ágora
- Água Aos Elefantes
- Air Guitar Nation
- Albert, O Gordo
- Aldeia Da Roupa Branca
- Alice
- Alice In Acidland
- Alice No País Das Maravilhas
- Alien - O Oitavo Passageiro
- Aliens - O Reencontro Final
- Alien - A Desforra
- Alien - O Regresso
- Alien Vs. Predador
- Alien Autopsy
- Alma Em Paz
- Almoço De 15 De Agosto
- Alphaville
- Alta Fidelidade
- Alta Golpada
- Alta Tensão
- Alucinação
- Amália
- Amarcord
- American Movie
- American Splendor
- Amor À Queima-Roupa
- Amor De Verão
- Amor E Corridas
- Amor E Vacas
- Amor Em Las Vegas
- Amor Ou Consequência
- And Soon The Darkness
- Angel-A
- Animal
- Annie Hall
- Anónimo
- Antes Do Anoitecer
- Antes Que O Diabo Saiba Que Morreste
- Anticristo
- Anvil! The True Story of Anvil
- Anytinhig Else - A Vida E Tudo Mais
- Appaloosa
- Apocalypto
- Aquele Querido Mês De Agosto
- Aracnofobia
- Aragami
- Arizona Dream
- Armin
- Arséne Lupin - O Ladrão Sedutor
- As Asas Do Desejo
- As Aventuras De Jack Burton Nas Garras Do Mandarim
- As Aventuras De Tintim - O Segredo Do Licorne
- As Aventuras Do Príncipe Achmed
- As Bandeiras Dos Nossos Pais
- As Bonecas Russas
- As Canções De Amor
- As Crónicas De Narnia - O Leão, A Feiticeira E O Guarda-Roupa
- As Diabólicas
- As Ervas Daninhas
- As Invasões Bárbaras
- As Lágrimas Do Tigre Negro
- As Leis Da Atracção
- As Noites Loucas Do Dr. Jerryll
- As Penas Do Desejo
- As Tartarugas Também Voam
- As Vidas Dos Outros
- Aberto Até De Madrugada
- Assalto À Esquadra 13 (1976)
- Assalto À Esquadra 13 (2005)
- Assalto Ao Santa Maria
- Assassinos Natos
- Ata-me
- Até Ao Inferno
- Até Ao Limite Do Terror
- Atraídos Pelo Crime
- Através Da Noite
- Attack Of The 50 Foot Woman
- Aurora
- Austrália
- Autocarro 174
- Avatar
- Aviva, Meu Amor
- Aztec Rex
- Azul Metálico

- Babel
- Backbeat, Geração Inquieta
- Balas E Bolinhos - O Regresso
- Balbúrdia No Oeste
- Bando À Parte
- Baraka
- Barbarella
- Barreira Invisí­vel
- Batman
- Batman Regressa
- Batman - O Início
- Be Cool
- Beijing Bastards
- Belleville Rendez-Vouz
- Bem-vindo À Zombieland
- Bem-vindo Ao Norte
- Berlin 36
- Birth - O Mistério
- Biutiful
- Black Sheep
- Black Snake Moan - A Redenção
- Blade Runner - Perigo Iminente
- Blueberry
- Boa Noite E Boa Sorte
- Bobby Darin - O Amor É Eterno
- Body Rice
- Bombom
- Bom Dia Noite
- Bom Dia Vietnam
- Bonnie E Clyde
- Boogie Nights
- Borat
- Brasil - O Outro Lado Do Sonho
- Breakfast On Pluto
- Brincadeiras Perigosas (2007)
- Brisa De Mudança
- Bronson
- Bruce, O Todo-poderoso
- Bruiser - O Rosto Da Vingança
- Bruno
- Buffalo 66
- Bubba Ho-Tep
- Bullit
- Bunker Palace Hotel
- Buried
- Busca Implacável
- Bz, Viagem Alucinante

- Cadillac Records
- Cães Danados
- Cães De Palha
- Café E Cigarros
- Call Girl
- Camino
- Capitão Alatriste
- Capitão América - O Primeiro Vingador
- Capote
- Carrie
- Cartas Ao Padre Jacob
- Cartas De Iwo Jima
- Casa De Loucos
- Casablanca
- Casino Royale
- Catwoman
- Cavalo De Guerra
- Cemitério Vivo
- Censurado
- Centurion
- Charlie E A Fábrica De Chocolate
- Che - Guerrilha
- Che - O Argentino
- Chemical Wedding
- Chéri
- Chinatown
- Chocolate
- Choke - Asfixia
- Chovem Almôndegas
- Christine - O Carro Assassino
- Cidade Fria
- Cinco Dias, Cinco Noites
- Cinema Paraíso
- Cinerama
- Cisne Negro
- Clube De Combate
- Coco Avant Chanel
- Coisa Ruim
- Cold Mountain
- Cold Weather
- Colete De Forças
- Colisão
- Com Outra? Nem Morta!
- Comboios Rigorosamente Vigiados
- Comer Orar Amar
- Complexo - Universo Paralelo
- Conan, O Bárbaro
- Contrato
- Control
- Controle
- Coração De Cavaleiro
- Coração De Gelo
- Coração Selvagem
- Corações De Aço
- Coragem De Mãe: Confrontando O Autismo
- Corre Lola Corre
- Correio De Risco
- Correio De Risco 3
- Corrida Contra O Futuro
- Corrupção
- Cozinhando A História
- Crank - Veneno No Sangue
- Crank - Alta Voltagem
- Cremaster
- Crime Ferpeito
- Crippled Masters
- Cristóvão Colombo - O Enigma
- Crónica Dos Bons Malandros
- Crueldade Intolerável
- Cubo
- Culture Boy
- Cypher
- Cyrano de Bergerac (1950)

- Daisy Town
- Dallas
- Danny The Dog - Força Destruidora
- Daqui P'ra Frente
- Dark City - Cidade Misteriosa
- De Cabeça Para Baixo
- De Homem Para Homem
- De Olhos Abertos
- De Olhos Bem Fechados
- De Sepultura Em Sepultura
- De Tanto Bater O Meu Coração Parou
- De-Lovely
- Delhi Belly
- Dead Snow
- Death Race 2000
- Deixa-me Entrar
- Delicatessen
- Demolidor - O Homem Sem Medo
- Dentro Da Garganta Funda
- Depois Do Casamento
- Destruir Depois De Ler
- Diamante De Sangue
- Diário Dos Mortos
- Diários De Che Guevara
- Dias De Futebol
- Dick E Jane - Ladrões Sem Jeito
- Dictado
- Die Hard 4.0 - Viver Ou Morrer
- Die You Zombie Bastards!
- Dogma
- Domino
- Don Juan DeMarco
- Donnie Brasco
- Doom - Sobrevivência
- Doomsday - Juízo Final
- Dorian Gray
- Dot.Com
- Dr. Estranhoamor
- Drácula 2001
- Drácula De Bram Stoker
- Drive - Risco Duplo
- Dreamgirls
- Duas Mulheres

- É Na Terra Não É Na Lua
- Easy A
- Easy Rider
- Eduardo Mãos De Tesoura
- Efeito Borboleta
- El Mariachi
- El Topo
- Ela Odeia-me
- Eles
- Eles Vivem
- Elvis
- Em Bruges
- Em Busca Da Felicidade
- Em Carne Viva
- Em Liberdade
- Em Nome De Caim
- Em Nome De Deus
- Em Paris
- Em Privado
- Embargo
- Encarnação Do Demónio
- Encontros Em Nova Iorque
- Encrenca Dupla
- Encurralada
- Ensaio Sobre A Cegueira
- Enterrado Na Areia
- Entre Os Dedos
- Entrevista
- Equilibrium
- Era Uma Vez No México
- Eraserhead - No Céu Tudo É Perfeito
- Escola De Criminosos
- Escolha Mortal
- Esporas De Aço
- Estado De Guerra
- Estamos Vivos
- Este É O Meu Lugar
- Este País Não É Para Velhos
- Estômago
- Estrada Perdida
- Estranhos
- Estrellita
- Eu Amo-te Phillip Morris
- Eu, Peter Sellers
- Eu Sou A Lenda
- Eu Sou Evadido
- Eu, Tu E Todos Os Que Conhecemos
- Everything Must Go
- Evil Dead - A Noite Dos Mortos-Vivos
- Evil Dead 2 - A Morte Chega De Madrugada
- Evil Dead 3 - O Exército Das Trevas
- Ex-Drummer
- Exterminador Implacável 1
- Exterminador Implacável 2 - O Dia Do Julgamento Final
- Exterminador Implacável 3 - Ascensão Das Máquinas
- Exterminador Implacável 4 - A Salvação

- Factory Girl - Quando Edie Conheceu Warhol
- Factotum
- Fados
- Fahrenheit 9/11
- Falso Alarme
- Fando E Lis
- Fantasmas De Marte
- Fargo
- Faster, Pussycat! Kill! Kill!
- Fausto 5.0
- Favores Em Cadeia
- Felicidade
- Feliz Natal
- Férias No Harém
- Festival Rocky De Terror
- Ficheiros Secretos: Quero Acreditar
- Fim De Ano Em Split
- Fim-De-Semana Alucinante
- Final Cut - A Última Memória
- Fish Tank
- Florbela
- Flores Partidas
- Fome
- Footloose - A Música Está Do Teu Lado
- Força Delta
- Forrest Gump
- Freddy Vs. Jason
- Frenético
- Frida
- Frost/Nixon
- Fruto Proibido
- Fuga De Los Angeles
- Fuga Para A Vitória
- Fur - Um Retrato Imaginário De Diane Arbus
- Fúria Cega
- Fúria De Viver
- Fúria Silenciosa

- Gabrielle
- Gainsbourg - Vida Heróica
- Gang Dos Tubarões
- Gangs de Nova Iorque
- Garden State
- Génova
- GI Joe - O Ataque Dos Cobra
- Godzilla
- Goodbye Lenine!
- Gosford Park
- Gothika
- Gran Torino
- Grande Mundo Do Som
- Gremlins
- Grizzly Man
- Gru - O Maldisposto
- Guerra Dos Mundos (2005)
- Guerra Dos Mundos (1953)

- Há Lodo No Cais
- Hairspray
- Half Nelson - Encurralados
- Hard Candy
- Harley Davidson E O Cowboy Do Asfalto
- Harold E Maude
- Harry Brown
- Haverá Sangue
- Hawai Azul
- He-Man - Mestres Do Universo
- Head On - A Esposa Turca
- Heartbreak Hotel
- Hell Ride
- Hellboy
- Hellboy 2: O Exército Dourado
- Helter Skelter - O Caso De Sharon Tate
- Henry E June
- Hereafter - Outra Vida
- Hiena
- História De Duas Irmãs
- História De Um Fotógrafo
- Hobo With A Shotgunbr> - Hollywood Ending
- Homem Aranha
- Homem Aranha 2
- Homem Aranha 3
- Homem De Ferro
- Homem Demolidor
- Homem Em Fúria
- Homens De Negro
- Homens De Negro 2
- Homens Que Matam Cabras Só Com O Olhar
- Hostel
- Hostel 2
- Hot Fuzz - Esquadrão De Província
- Howl - Grito
- Hugo

- I Am Sam - A Força Do Amor
- I Spit On Your Grave
- I'll See You In My Dreams
- Iluminados Pelo Fogo
- I'm Still Here
- I Wanna Hold Your Hand
- Imitação Da Vida
- Imortal
- In Search Of A Midnight Kiss
- Indiana Jones E O Reino Da Caveira De Cristal
- Indomável
- Infiltrado
- Inimigos Públicos
- INLAND EMPIRE
- Inquietos
- Insidioso
- Insónia
- Intervenção Divina
- Intriga Internacional
- Invictus
- Irmão, Onde Estás?
- It
- It Might Get Loud
- Italian Spiderman

- Jack Ketchum's The Girl Next Door
- Jackass 2
- Jackass 3D
- Jackie Brown
- Jacuzzi - O Desastre Do Tempo
- James Bond - Agente Secreto
- James Bond - Casino Royale
- James Bond - Quantum Of Solace
- Janela Indiscreta (1954)
- Janela Indiscreta (1998)
- Janela Secreta
- JCVD
- Joga Como Beckham
- John Rambo
- Jonestown - The Life And Death Of Peoples Temple
- Jovens Rebeldes - A Verdadeira História
- Julgamento
- Julie E Julia
- Juno
- Juventude Em Marcha
- Juventude Tardia

- Kalifórnia
- Kandahar
- Karate Kid
- Katyn
- Kenny
- Kick Ass - O Novo Super-herói
- Kids - Miúdos
- Kill Bill vol.2
- King Kong (2005)
- Kiss Kiss Bang Bang
- Kiss Me
- Klimt
- Kopps
- Kung-Fu-Zão
- Kung Pow - Punhos Loucos

- La Jetée
- La Vie En Rose
- Ladrões
- Lady Snowblood
- Laranja Mecânica
- Last Days - Os Últimos Dias
- Lavado Em Lágrimas
- Lemmy
- Léon, O Profissional
- Lichter
- Lindas Encrencas As Garotas
- Lobos
- Longe Da Terra Queimada
- Lost In Translation - O Amor É Um Lugar Estranho
- Lua De Mel, Lua De Fel
- Lucifer Rising
- Lucky Luke
- Lucky Number Slevin - Há Dias De Azar

- M - Matou!
- Má Educação
- Machete
- Madrigal
- Maldito United
- Mamma Mia
- Manhattan
- Manô
- Mamonas Pra Sempre
- Mar Adentro
- Maria E As Outras
- Marie Antoinette
- Marjoe
- Marte Ataca!
- Matança De Natal
- Match Point
- Matou A Família E Foi Ao Cinem
- McQuade, O Lobo Solitário
- Meia-Noite Em Paris
- Meio Metro De Pedra
- Melancolia
- Melinda E Melinda
- Menina
- Mephisto
- Metrópolis
- Meu Nome É Bruce
- Miami Vice
- Milhões
- Milk
- Millenium 1. Os Homens Que Odeiam As Mulheres
- Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos
- Minha Mãe
- Minha Terra
- Misery - Capí­tulo Final
- Missão A Marte
- Missão Impossí­vel 3
- Missão Impossível - Missão Fantasma
- Missão Solar
- Mistérios De Lisboa
- Momentos Agradáveis
- Moneyball - Jogada De Risco
- Monsters - Zona Interdita
- Monstro
- Monty Phyton E O Cálice Sagradi
- Morte Cerebral
- Morte De Um Presidente
- Movimentos Perpétuos
- Mr. E Mrs. Smith
- Mrs. Henderson Presents
- Muito Bem, Obrigado
- Mulholland Drive
- Mundo Fantasma
- Mundos Separados
- Munique
- Murderball - Espírito De Combate
- Murish
- Mutilados
- Mysterious Skin

- Na Cama
- Nacho Libre
- Não Estou Aí
- Napoleon Dynamite
- Nas Costas Do Diabo
- Nas Nuvens
- Needle
- Nico: À Margem Da Lei
- Ninguém Sabe
- Nixon
- No Limite Do Amor
- No Vale De Elah
- Noite De Agosto
- Noite Escura
- Noivos Sangrentos
- Nome De Código: Cloverfield
- Northfork
- Nosferatu, O Vampiro
- Nothing
- Nova Iorque 1997
- Nove Raínhas
- Nunca Digas Sim

- O Acontecimento
- O Agente Da Broadway
- O Lugar Do Morto
- O Americano
- O Amor Acontece
- O Anjo Exterminador
- O Anti-Pai Natal
- O Artista
- O Assassínio De Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford
- O Assassí­nio De Richard Nixon
- O Batedor
- O Bom Alemão
- O Bom, O Mau E O Vilão
- O Cabo Do Medo
- O Caminho De São Diego
- O Cão, O General E Os Pássaros
- O Capacete Dourado
- O Castelo Andante
- O Castor
- O Cavaleiro Das Trevas
- O China
- O Cobrador
- O Código Da Vinci
- O Comboio Dos Mortos
- O Comboio Mistério
- O Condenado
- O Couraçado Potemkin
- O Cowboy Da Meia-Noite
- O Crepúsculo Dos Deuses
- O Dedo De Deus
- O Delator!
- O Demónio
- O Despertar Da Besta
- O Despertar Da Mente
- O Deus Da Carnificina
- O Deus Elefante
- O Dia Em Que A Terra Parou (1951)
- O Dia Em Que A Terra Parou (2008)
- O Dia Da Besta
- O Discurso Do Rei
- O Enigma Do Espaço
- O Estranho Caso De Benjamin Button
- O Estranho Mundo De Jack
- O Evangelho Segundo São Mateus
- O Exorcista
- O Fatalista
- O Feiticeiro De Oz
- O Feitiço Do Tempo
- O Fiél Jardineiro
- O Gabinete Das Figuras De Cera
- O Gabinete Do Dr. Caligari
- O Gato Das Botas
- O Génio Do Mal (1976)
- O Grande Peixe
- O Grande Ditador
- O Guerreiro
- O Homem Duplo
- O Homem Que Copiava
- O Homem Que Sabia Demasiado
- O Homem Que Veio Do Futuro
- O Idealista
- O Jogo
- O Júri
- O Imperador Da Califórnia
- O Inquilino
- O Justiceiro Da Noite
- O Labirinto Do Fauno
- O Laço Branco
- O Lado Selvagem
- O Lago Perfeito
- O Leopardo
- O Livro Negro
- O Lobo Do Mar
- O Macaco De Ferro
- O Maquinista
- O Marinheiro De Água Doce
- O Menino De Ouro
- O Meu Tio
- O Milagre De Berna
- O Milagre Segundo Salomé
- O Mistério Galindez
- O Monstro Da Lagoa Negra
- O Mundo A Seus Pés
- O Nevoeiro (1980)
- O Ofício De Matar
- O Olho
- O Orfanato
- O Paciente Inglês
- O Padrinho - Parte I
- O Padrinho - Parte II
- O Padrinho - Parte III
- O Panda Do Kung Fu
- O Panda Do Kung Fu 2
- O Pesadelo De Darwin
- O Pistoleiro Do Diabo
- O Planeta Selvagem
- O Pó Dos Tempos
- O Portador Da Espada
- O Presidiário
- O Prisioneiro Do Rock
- O Protegido
- O Próximo A Abater
- O Quinto Elemento
- O Quinto Império
- O Regresso
- O Rei Dos Gazeteiros
- O Reino Proibido
- O Ritual
- O Ritual Dos Sádicos
- O Sabor Do Amor
- O Sargento Da Força Um
- O Segredo A Brokeback Mountain
- O Segredo De Um Cuscuz
- O Segredo Dos Punhais Voadores
- O Selvagem
- O Sentido Da Vida
- O Sétimo Selo
- O Sítio Das Coisas Selvagens
- O Sonho Comanda A Vida
- O Sonho De Cassandra
- O Sorriso De Mona Lisa
- O Tempo Do Lobo
- O Tesouro Da Sierra Madre
- O Tigre E A Neve
- O Tio Boonmee Que Se Lembra Das Suas Vidas Anteriores
- O Triunfo Da Vontade
- O Turista
- O Último Airbender
- O Último Grande Herói
- O Último Rei Da Escócia
- O Último Tango Em Paris
- O Último Voo Do Flamingo
- O Vingador Tóxico
- O Wrestler
- Ocean's Eleven - Façam As Vossas Apostas
- Odete
- Oldboy - Velho Amigo
- Olho Mágico
- Oliver Twist
- Ônibus 174
- Orca
- Órfã
- Os Amantes Regulares
- Os Amigos De Alex
- Os Bons E Os Maus
- Os Caça-Fantasmas
- Os Cavaleiros Do Asfalto
- Os Chapéus De Chuva De Cherburgo
- Os Cinco Venenos
- Os Clãs Da Intriga
- Os Condenados De Shawshank
- Os Descendentes
- Os Edukadores
- Os Famosos E Os Duendes Da Morte
- Os Filhos Do Homem
- Os Friedmans
- Os Guardiões Da Noite
- Os Homens Preferem As Loiras
- Os Imortais
- Os Inadaptados
- Os Índios Apache
- Os Invisíveis
- Os Irmãos Grimm
- Os Limites Do Controlo
- Os Marginais
- Os Mercenários
- Os Miúdos Estão Bem
- Os Novos Dez Mandamentos
- Os Olhos Da Serpente
- Os Olhos Sem Rosto
- Os Onze De Oceano
- Os Optimistas
- Os Pássaros
- Os Produtores (2005)
- Os Psico-Detectives
- Os Rapazes Da Noite
- Os Rapazes Não Choram
- Os Renegados Do Diabo
- Os Rutles - All You Need Is Cash
- Os Selvagens Da Noite
- Os Simpsons - O Filme
- Os Sonhadores
- Os Sorrisos Do Destino
- Os Super-Heróis
- Os Supeitos Do Costume
- Os Três Enterros De Um Homem
-Os Visistantes Da Idade Média
- Os 300 Espartanos

- Pagafantas
- Palpitações
- Papillon
- Para Onde O Vento Sopra
- Parada De Monstros
- Paraíso, Inferno... Terra
- Paranoid Park
- Paris Je T'Aime
- Party Monster
- Pecados Íntimos
- Pele
- Pequenas Mentiras Entre Amigos
- Performance
- Perigo Na Noite
- Perto Demais
- Pesadelo Em Elm Street
- Pink Floyd The Wall
- Piranha 3D
- Piratas Das Caraíbas - O Mistério do Pérola Negra
- Piratas Das Caraí­bas - O Cofre Do Homem Morto
- Piratas Das Caraíbas - Nos Confins Do Mundo
- Planeta Dos Macacos
- Planeta Dos Macacos: A Origem
- Planeta Terror
- Plano 9 Dos Vampiros Zombies
- Polaróides Urbanas
- Polí­cia Sem Lei (1992)
- Polícia Sem Lei (2009)
- Poltergeist, O Fenómeno
- Ponto De Mira
- Por Favor Rebobine
- Por Favor Não Me Morda O Pescoço
- Porcos & Selvagens
- Posto Fronteiriço
- Precious
- Predadores
- Presente De Morte
- Preto E Branco
- Primer
- Príncipe Da Pérsia - As Areias Do Tempo
- Procurado
- Profissão: Repórter
- Promessas Proibidas
- Proposta Indecente
- Proteger
- Psico
- Psicopata Americano
- Pulp Fiction
- Pulsação Zero
- Punch-Drunk Love - Embriagado De Amor
- Purana Mandir
- Purple Rain

- Quando Viste O Teu Pai Pela Última Vez
- Quarentena
- Quarteto Fantástico (1994)
- Quarteto Fantástico (2005)
- Quase Famosos
- Quatro Noites Com Anna
- Que Lugar Maravilhoso
- Que Se Mueran Los Feos
- Queijo E Marmelada
- Quem Quer Ser Bilionário
- Querida Famí­lia
- Querida Wendy

- R
- Rapariga Com Brinco De Pérola
- Rare Exports
- Ratatui
- Ratos Assassinos
- Ray
- [Rec]
- [REC]2
- Red Eye
- Relatório Kinsey
- Relatório Minoritário
- Religulous - Que O Céu Nos Ajude
- Relíquia Macabra
- Renascimento
- Resident Evil: Apocalypse
- Rio
- Rio Bravo
- Rock De Fogo
- Rock, Rock, Rock
- Rocknrolla - A Quadrilha
- Rocky Balboa
- Roger E Eu
- Roma
- Romance E Cigarros
- Roxanne
- RRRrrrr!!!
- Rubber - Pneu
- Ruídos Do Além
- Ruivas, Loiras E Morenas
- Rumo À Liberdade
- Ruptura Explosiva

- Sacanas Sem Lei
- Sala De Pânico
- Salazar - A Vida Privada
- Salto Mortal
- Samsara
- Sangue Do Meu Sangue
- Sangue Por Sangue
- Santa Sangre
- Sapatos Pretos
- Save The Green Planet!
- Saw - Enigma Mortal
- Saw II - A Experiência Do Medo
- Saw 3D - O Capítulo Final
- Scoop
- Scott Pilgrim Contra O Mundo
- Seconds Apart
- Seis Indomáveis Patifes
- Sem Ela
- Sem Limites
- Sem Rumo
- Sem Tempo
- Semi-Pro
- Ser E Ter
- Sereia
- Serpentes A Bordo
- Sete Anos No Tibete
- Sete Vidas
- Sexo E A Cidade
- Sgt. Pepper's Lonely Heart Club Band
- Shaolin Daredevils
- Shaolin Soccer - O Ás Da Bola
- Shaolin Vs. Evil Dead
- Shattered Glass - Verdade Ou Mentira
- Sherlock Holmes
- Sherlock Holmes - Jogo De Sombras
- Shining
- Shoot 'Em Up - Atirar A Matar
- Shortbus
- Shrek 2
- Shrek O Terceiro
- Shrek Para Sempre
- Sicko
- Sid And Nancy
- Sideways
- Simpatyhy For Mr. Vengeance
- Sin City - Cidade Do Pecado
- Sinais
- Sinais De Fogo
- Sinais Do Futuro
- Sinais Vermelhos
- Singularidades De Uma Rapariga Loira
- Sky Captain E O Mundo De Amanhã
- Slither - Os Invasores
- Soldados Da Fortuna
- Soldados Do Universo
- Sombras Da Escuridão
- Somewhere - Algures
- Sonho De Uma Noite De Inverno
- Sonny
- Sophie Scholl - Os Últimos Dias
- Soro Maléfico
- Sorte Nula
- Soul Kitchen
- Spartacus
- Spartan - O Rapto
- Splice
- Stacy - Attack Of The Schoolgirl Zombies
- Star Wars - A Ameaça Fantasma
- Star Wars - A Vingança Dos Sith
- Star Wars - O Ataque Dos Clones
- Stardust - O Mistério Da Estrela Cadente
- Stone - Ninguém É Inocente
- Stoned, Anos Loucos
- Submarino
- Super
- Super Baldas
- Super-Homem
- Super-Homem: O Regresso
- Super 8
- Superstar
- Suspeita
- Suspiria
- Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro De Fleet Street
- Swimming Pool
- Sword Of Vengeance
- Sympathy For The Devil

- Taking Woodstock
- Tarnation
- Tarzan, O Homem Macaco (1981)
- Taxidermia
- Team America - Polí­cia Mundial
- Tebas
- Tecumseh
- Teeth
- Tempestade Tropical
- Tennessee
- Terra De Cegos
- Terminal De Aeroporto
- Terra Dos Mortos
- Terror Em Setembro
- Terror Na Auto-estrada
- Terror Nas Montanhas
- Tetro
- The Bloodstained Butterfly
- The Brown Bunny
- The Darjeeling Limited
- The Departed: Entre Inimigos
- The Devil And Daniel Johnston - Loucuras De Um Génio
- The Devil's Double
- The First Great Train Robbery
- The Fountain - O Último Capítulo
- The Grudge - A Maldição
- The Host - A Criatura
- The Impossible Kid
- The King Of Kong
- The Langoliers - Meia-Noite E Um
- The Last House On The Left
- The Machine Girl
- The Man From Earth
- The Marine
- The Million Dollar Hotel - O Hotel
- The Mindscape Of Alan Moore
- The Mist - Nevoeiro Misterioso
- The Others - Os Outros
- The Prestige - O Terceiro Passo
- The 50 Worst Movies Ever Made
- The Way
- The Woman
- Thirst - Este É O Meu Sangue
- This Is It
- This Is Spinal Tap
- Thor
- Thriller - A Cruel Picture
- THX 1138
- Tirar Vidas
- Titanic 2
- Tony
- Tournée - Em Digressão
- Toy Story 3
- Tragam-me A Cabeça De Alfredo Garcia
- Transamerica
- Tron
- Tron: O Legado
- Tropa De Elite
- Tropa De Elite 2 - O Inimigo Agora É Outro
- Tsotsi
- Tubarão
- Tubarão 2
- Tubarão 3
- Tubarão IV - A Vingança
- Tucker E Dale Contra O Mal
- Tudo Ficará Bem
- Tudo Pode Dar Certo
- Twisted - Homicídios Ocultos

- Ultra Secreto
- Um Amor De Perdição
- Um Azar Do Caraças
- Um Bater De Corações
- Um Belo Par... De Patins
- Um Cão Andaluz
- Um Dia A Casa Vai Abaixo
- Um Dia De Raiva
- Um Homem Singular
- Um Longo Domingo De Noivado
- Um Lugar Para Viver
- Um Padrasto Para Esquecer
- Um Profeta
- Um Tiro No Escuro
- Um Trabalho Em Itália
- Uma Aventura Na Casa Assombrada
- Uma Boa Mulher
- Uma Canção De Amor
- Uma Espécie De Cavalheiro
- Uma Famí­lia À Beira De Um Ataque De Nervos
- Uma História De Violência
- Uma Pequena Vingança
- Uma Rapariga Com Sorte
- Uma Segunda Juventude
- Uma Segunda Vida
- Undefeatable
- Unseen Evil 2 - Alien 3000
- Up - Altamente

- V De Vingança
- Vai E Vive
- Vais Conhecer O Homem Dos Teus Sonhos
- Valhalla Rising - Destino De Sangue
- Valquíria
- Vampiros de John Carpenter
- Van Helsing
- Vanilla Sky
- Vanitas
- Vasilhame
- Veio Do Outro Mundo
- Veludo Azul
- Velvet Goldmine
- Vencidos Pela Lei
- Vendendo A Pele
- Veneno Cura
- Vera Drake
- Versus - A Ressurreição
- Vestida Para Matar
- Vice
- Vício - Quando Nada É Suficiente
- Vicky Cristina Barcelona
- Vidas Sombrias
- Vigilância
- Vingança Redentora
- Virgem Aos 40 Anos
- Vitus
- Viúva Rica Solteira Não Fica
- Viver A Sua Vida
- Voando Sobre Um Ninho De Cucos
- Voltando Para Casa
- Voltar
- Vontade Indómita
- Voo 93

- Walk Hard - A História De Dewey Cox
- Walk The Line
- WALL-E
- Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme
- Wassup Rockers - Desafios De Rua
- Watchmen - Os Guardiões
- Welcome To The Rileys
- White Irish Drunkers
- Wild Zero
- Win Win
- Wolf Creek
- Wristcutters: A Love Story

- X-Men
- X-Men 2
- X-Men 3 - O Confronto Final
- X-Men: O Início
- X-Men Origens: Wolverine

- Zack E Miri Fazem Um Porno
- Zardoz
- Zatoichi
- Zombies Party - Uma Noite... De Morte
- Zombies Strippers
- Zozo

- 007 - Agente Secreto
- 007 - Casino Royale
- 007 - Quantum Of Solace
- 10 Coisas Que Odeio Em Ti
- 100 Volta
- 10.000 AC
- 12 Homens Em Fúria
- 12 Macacos
- 12:08 A Este De Bucareste
- 1984
- 2LDK
- 24 Hour Party People
- 28 Dias Depois
- 20,13 - Purgatório
- 2012
- 300
- 4 Copas
- 48
- 50/50
- 6=0 Homeostética
- 8 1/2
- 9 Canções
- 98 Octanas


ENTREVISTAS:
- Fernando Fragata
- Festróia - Mário Ventura
- Filipe Melo
- Good N Evil
- IMAGO - Sérgio Felizardo
- José Barahona
- Nuno Markl
- Paulo Furtado
- Rodrigo Areias
- Sara David Lopes
- Solveig Nordlund
- Fernando Alle


TOPES:
- Top 8 dos Melhores Filmes de 2011
- Top 5 dos Piores Filmes de 2011
- Top 10 dos Melhores Filmes de 2010
- Top 5 dos Piores Filmes de 2010
- Top 5 dos filmes de Leslie Nielsen
- Top 10 Dos Filmes Low Cost
- Top 5 das Melhores Cenas de Dança
- Top 8 dos Melhores Filmes de 2009
- Top 5 dos Piores Filmes de 2009
- Top 5 dos Filmes Que Tenho Vergonha De Dizer Que Gosto
- Top 5 das Melhores Músicas de Ennio Morricone
- Top 5 dos filmes com Patrick Swayze
- Top 5 dos Telediscos do Michael Jackson
- Top 5 dos Filmes com David Carradine
- Top 5 dos Filmes com Lutadores de Luta-Livre
- Top 10 Os Melhores Filmes de 2008
- Top 5 Os Piores Filmes de 2008
- Top 5 dos Piores Filmes de Natal
- Top 5 das Coisas que não Esperávamos Ver no Cinema
- Top 5 dos Melhores Filmes de Paul Newman
- Top 5 Personagens Com Palas Nos Olhos
- Top 10 Melhores Cartazes De Cinema
- Top 5 dos Filmes de Chuck Norris
- Top 5 dos Filmes de Patrick Swayze
- Top 10 Os Melhores/Piores Vestidos dos Oscares
- Top 5 As Mortes de Crianças Mais Gratuitas
- Top 10 Os Melhores de 2007
- Top 5 Os Piores de 2007
- Top 7 Adaptações ao Cinema de Livros de Stephen King
- Top 5 Filmes Pela Paz
- Top 5 Os Melhores Beijos
- Top 5 Grandes Arquitectos
- Top 10 Filmes Que Mudaram A Minha Vida
- Top 5 Mulheres de Cabeça Rapada
- Top 5 As Cenas Mais Excitantes
- Top 10 Os Melhores de 2006
- Top 5 Os Piores de 2006
- Top 3 Filmes de Robert Altman
- Top 5 Os Vilões do Cinema
- Top 5 Filmes Com Mick Jagger
- Top 5 Filmes Com Steve Buscemi
- Top 5 Dos Cães no Cinema
- Top 5 Dos Filmes do Indie06
- Top 5 Dos Filmes do Fantas06
- Top 5 dos Presidentes
- Top 10 Os Melhores de 2005
- Top 5 Os Piores de 2005
- Top 5 Filmes com Pat Morita
- Top 10 Os Melhores Filmes Independentes
- Top 5 Os Piores Filmes da Saga Bond
- Top 5 Filmes com Dolph Lundgren
- Top 5 Adaptações de BD Para Cinema
- Top 10 Cenas Mais Assustadoras de Sempre
- Top 5 Vencedores do Óscar
- Top 5 Bond Girls
- Top 5 Filmes Sobre Doenças
- Top 5 Filmes de Natal
- Top 5 Melhores Batalhas Corpo-A-Corpo
- Top 10 Melhores Canções do Cinema
- Top 10 Melhores Filmes de Sempre
- Top 5 Melhores Momentos Musicais
- Top 5 Grandes Duelos do Cinema
- Top 10 Maiores Personagens do Cinema
- Top 5 Piores Momentos da Ficção Cientí­fica
- Top 10 Melhores Momentos da Ficção Cientí­fica
- Top 5 Filmes Religiosos


BAÚ DO TRASH:
- Needle
- Que Se Mueran Los Feos
- Easy A
- Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme
- Saw 3D - O Capítulo Final
- And Soon The Darkness
- Os Imortais
- Purana Mandir
- Pagafantas
- The Bloodstained Butterfly
- Cisne Negro


ROYALE WITH CHEESE APRESENTA:
- A Tasca Da Cultura
- A Causa Das Coisas - parte I
- A Causa Das Coisas - parte II
- A Momentary Lapse Of Reason


FILMES A VER ANTES DE MORRER:
- #1 As Lágrimas Do Tigre Negro
- #2 Alucarda
- #3 Time Enough At Last
- #4 Armageddon
- #5 The Favour, The Watch And The Very Big Fish
- #6 Italian Spiderman
- #7 The Soldier And Death


UMA CURTA POR DIA NÃO SABE O BEM QUE LHE FAZIA:
- 1# Rabbit, de Run Wrake
- 2# Aligato, de Maka Sidibé
- 3# The Cat Concerto, de Joseph Barbera & William Hanna
- 4# A Curva, de David Rebordão
- 5# Batman: Dead End, de Sandy Callora
- 6# O Código Tarantino, de Selton Mello
- 7# Malus, de António Aleixo & Crosswalk, de Telmo Martins
- 8# Three Blind Mice, de George Dunning
- 9# Bedhead, de Robert Rodriguez
- 10# Key To Reserva, de Martin Scorcese
- 11# Bambi Meets Godzilla, de Marv Newland
- 12# The Horribly Slow Murderer with the Extremely Inefficient Weapon, de Richard Gale
- 13# Stolz Der Nation, de Eli Roth
- 14# Papá Wrestling, de Fernando Alle
- 15# Glas, de Bert Haanstra
- 16# Fotoromanza, de Michelangelo Antonioni
- 17# Quem É Ricardo?, de José Barahona
- 17# Terra Incognita, de Peter Volkart


AS MELHORES PIORES CENAS DE SEMPRE:
- A Pior Luta
- A Cena Mais Metida A Martelo
- O Ataque Animal Mais Brutal
- A Perseguição Mais Alucinante
- O Duelo Mais Improvável


CLUBE DE CINEMA DE SETÚBAL:
- Janeiro
- Fevereiro
- Março
- Abril
- Maio
- Setembro
- Novembro


FESTIVAIS:
- 20º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9
- 21º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 22º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10
- 23º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10
- 24º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 26º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 12º Caminhos Do Cinema Português
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- Imago 2006
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8

;

Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket



BLOCKBUSTERS:

04/01/2004 - 05/01/2004

05/01/2004 - 06/01/2004

06/01/2004 - 07/01/2004

07/01/2004 - 08/01/2004

08/01/2004 - 09/01/2004

09/01/2004 - 10/01/2004

10/01/2004 - 11/01/2004

11/01/2004 - 12/01/2004

12/01/2004 - 01/01/2005

01/01/2005 - 02/01/2005

02/01/2005 - 03/01/2005

03/01/2005 - 04/01/2005

04/01/2005 - 05/01/2005

05/01/2005 - 06/01/2005

06/01/2005 - 07/01/2005

07/01/2005 - 08/01/2005

08/01/2005 - 09/01/2005

09/01/2005 - 10/01/2005

10/01/2005 - 11/01/2005

11/01/2005 - 12/01/2005

12/01/2005 - 01/01/2006

01/01/2006 - 02/01/2006

02/01/2006 - 03/01/2006

03/01/2006 - 04/01/2006

04/01/2006 - 05/01/2006

05/01/2006 - 06/01/2006

06/01/2006 - 07/01/2006

07/01/2006 - 08/01/2006

08/01/2006 - 09/01/2006

09/01/2006 - 10/01/2006

10/01/2006 - 11/01/2006

11/01/2006 - 12/01/2006

12/01/2006 - 01/01/2007

01/01/2007 - 02/01/2007

02/01/2007 - 03/01/2007

03/01/2007 - 04/01/2007

04/01/2007 - 05/01/2007

05/01/2007 - 06/01/2007

06/01/2007 - 07/01/2007

07/01/2007 - 08/01/2007

08/01/2007 - 09/01/2007

09/01/2007 - 10/01/2007

10/01/2007 - 11/01/2007

11/01/2007 - 12/01/2007

12/01/2007 - 01/01/2008

01/01/2008 - 02/01/2008

02/01/2008 - 03/01/2008

03/01/2008 - 04/01/2008

04/01/2008 - 05/01/2008

05/01/2008 - 06/01/2008

06/01/2008 - 07/01/2008

07/01/2008 - 08/01/2008

08/01/2008 - 09/01/2008

09/01/2008 - 10/01/2008

10/01/2008 - 11/01/2008

11/01/2008 - 12/01/2008

12/01/2008 - 01/01/2009

01/01/2009 - 02/01/2009

02/01/2009 - 03/01/2009

03/01/2009 - 04/01/2009

04/01/2009 - 05/01/2009

05/01/2009 - 06/01/2009

06/01/2009 - 07/01/2009

07/01/2009 - 08/01/2009

08/01/2009 - 09/01/2009

09/01/2009 - 10/01/2009

10/01/2009 - 11/01/2009

11/01/2009 - 12/01/2009

12/01/2009 - 01/01/2010

01/01/2010 - 02/01/2010

02/01/2010 - 03/01/2010

03/01/2010 - 04/01/2010

04/01/2010 - 05/01/2010

05/01/2010 - 06/01/2010

06/01/2010 - 07/01/2010

07/01/2010 - 08/01/2010

08/01/2010 - 09/01/2010

09/01/2010 - 10/01/2010

10/01/2010 - 11/01/2010

11/01/2010 - 12/01/2010

12/01/2010 - 01/01/2011

01/01/2011 - 02/01/2011

02/01/2011 - 03/01/2011

03/01/2011 - 04/01/2011

04/01/2011 - 05/01/2011

05/01/2011 - 06/01/2011

06/01/2011 - 07/01/2011

07/01/2011 - 08/01/2011

08/01/2011 - 09/01/2011

09/01/2011 - 10/01/2011

10/01/2011 - 11/01/2011

11/01/2011 - 12/01/2011

12/01/2011 - 01/01/2012

01/01/2012 - 02/01/2012

02/01/2012 - 03/01/2012

03/01/2012 - 04/01/2012

04/01/2012 - 05/01/2012

05/01/2012 - 06/01/2012

06/01/2012 - 07/01/2012

07/01/2012 - 08/01/2012

08/01/2012 - 09/01/2012

09/01/2012 - 10/01/2012

10/01/2012 - 11/01/2012

11/01/2012 - 12/01/2012

12/01/2012 - 01/01/2013

01/01/2013 - 02/01/2013

02/01/2013 - 03/01/2013

03/01/2013 - 04/01/2013

04/01/2013 - 05/01/2013

05/01/2013 - 06/01/2013

06/01/2013 - 07/01/2013

07/01/2013 - 08/01/2013

08/01/2013 - 09/01/2013

09/01/2013 - 10/01/2013

10/01/2013 - 11/01/2013

10/01/2013 - 11/01/2013

11/01/2013 - 12/01/2013

12/01/2013 - 01/01/2014

01/01/2014 - 02/01/2014

02/01/2014 - 03/01/2014

03/01/2014 - 04/01/2014

04/01/2014 - 05/01/2014

05/01/2014 - 06/01/2014

06/01/2014 - 07/01/2014

07/01/2014 - 08/01/2014

08/01/2014 - 09/01/2014