Royale With Cheese

 Royale With Cheese

 
 



segunda-feira, outubro 31, 2005  

SINAIS VERMELHOS:

Título: Feux Rouges
Realizador: Cédric Kahn
Ano: 2004


Sempre que há um feriado a uma terça-feira ou a uma quinta-feira e o povo português decide fazer ponte e tirar um fim-de-semana prolongado, acontece sempre o mesmo: os automóveis enchem as estradas nacionais, maioritariamente rumo ao Algarve e o aparato policial e televisivo sobrepõem-se - conduza com precaução, se conduzir não beba, conduza com precaução... são tudo conselhos que se ouvem constantemente durante esses dias de viagem. Mas este cenário não acontece só em Portugal. Em França também é assim.

Antoine (Jean-Pierre Darroussin) e Hélène (Carole Bouquet) vão-se meter à estrada num desses dias, buscar os dois filhos à colónia de férias e tirar quinze dias de merecidas férias. Só que o casamento não parece levar o rumo que Antoine desejava: a vida sexual parece afastada (apanhamo-lo a observar fixamente a mulher no duche) e o facto da sua mulher ser mais bem sucedida também parece não lhe agradar. Por isso, Antoine gosta de afogar os problemas na bebida.
Quando uma relação não vai bem, qualquer pequeno pormenor é um pequeno salto até à discussão e à agressividade. E uma longa viagem de carro com alguns percarlços anteriores é um cenário propício.

Sinais Vermelhos começa por ser um road movie conjugal, com as cenas rodoviárias bastante bem filmadas por sinal. Nesta viagem pelas estradas francesas, as paragens pelos bares à beira da estrada vão-se suceder. E neles Antoine vai aproveitar para beber um copo. Mas como é sabido, no fundo de cada cerveja encontra-se o Diabo em pessoa e à medida que as cervejas se vão sucedendo umas às outras, a figura do demónio torna-se mais nítida. E no final, é a perdição.

Hélèna vai abandonar o marido na estrada, optando pelo comboio; e a viagem de Antoine com um misterioso passageiro vai tornar-se uma estranha jornada - Antoine, influenciado pelo álcool no sangue, decide enfrentar o touro de frente e decide ter um acto louco, que entende como rebeldia. Pelo menos uma vez na vida decide não ligar aos semáforos e aos outros sinais vermelhos da vida. Mas normalmente, esses sinais estão lá como medida de precaução... Sinais Vermelhos salta assim do road movie para o thriller psicológico e até policial. Sucedem-se cambalhotas no argumento, escondem-se meadas e deixam-se portas em aberto; tudo com uma grande mestria por parte de Cédric Kahn.

Jean-Pierre Darroussin tem uma interpretação cinco estrelas num filme que, um pouco de supresa, é bastante interessante. Sinais Vermelhos peca apenas pelo final em anti-clímax, mas vale sobretudo pelo argumento misterioso, que não é tão simples quanto parece. Porque ao chegar ao fim, se passarmos em revista os acontecimentos, vemos que há qualquer coisa que não bate certo. E um McBacon é talvez o melhor para tentar clarificar as ideias.

Posted by: dermot @ 11:53 da tarde
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domingo, outubro 30, 2005  

THE LANGOLIERS:

Título: The Langoliers
Realizador: Tom Holland
Ano: 1995


Como é sabido, Stephen King, o Mestre do Terror, é o escritor vivo com mais livros adaptados à sétima arte. Tal facto deve-se ao tratamento que o escritor dá às personagens, conferindo-lhe uma tridimensionalidade bastante adaptável ao cinema, para não falar de um tipo de escrita bastante parecido com um argumento. É como uma espécie de Dan Brown, só que em bom...
The Langoliers é a adaptação de uma das suas short stories menos conhecida para a televisão, com todos os pormenores que isso acarreta: longa duração para dividir o filme em duas partes e momentos de tensão planeados segundo essa planificação. Por isso, não nos devemos esquecer de que o que estamos a ver é um telefilme!

The Langoliers apresenta uma premissa deveras promissora. Um grupo de dez passageiros de um voo para Boston acordam a meio da viagem com o avião completamente vazio. Dos restantes passageiros, os úncios vestígios são os adereços que traziam, caídos sobre os assentos. O que se passa? Abdução extraterrestre? Salto no tempo? Experiência secreta governamental? E que será que se passa no solo? Terá desaparecido todo o Mundo? Ou será que foram eles que desapareceram?
As pergutas são demasiadas e as respostas nada esclarecedoras. Tudo isto, confinado a um espaço reduzido e limitado (o interior do avião) resulta numa atmosfera claustrofóbica, onde reina o suspense e a tensão.

O herói no filme é um herói colectivo, fragmentado por dez personagens com personalidades fortes, deonde se destacam algumas: Dinah (Kate Maberly), uma rapariga cega com estranhas percepções sensoriais; Nick Hopewell (Mark Lindsay Chapman), um inglês mais violento do que aparenta e com uma estranha profissão; o comandante Engle (David Morse), aviador e viúvo; Bob Jenkins (Dean Stockwell), um escritor de ficção-científica, cuja familiaridade com estranhos casos vai ser uma preciosa ajuda; e Craig Toomy (Bronson Pinchot), um empresário arrogante com traumas de infância, a um pequeno passo da insanidade. Todos eles vão para Boston com um objectivo em mãos, alguns mais obscuros que outros - um encontro secreto, uma desintoxicação, um assassinato político... - e todos eles vão regressar, após a aventura, com outra visão da vida.

Do elenco de actores, apesar de alguns de segunda categoria, sobressaem alguns nomes: se a jovem Kate Maberly é para esquecer, por sua vez Mark Lindsay Chapman parece uma espécie de James Bond versão familiar. Mas o destaque vai sobretudo para os dois nomes mais conceituados do elenco: Bronson Pinchot e David Morse.

The Langoliers é um filme que ainda se aproveita do paranormal para complementar aquela misteriosa jornada. E apesar da extensão do filme, Tom Holland consegue manter o ritmo e a tensão suficiente para o espectador não esmorecer.
O problema do filme é mesmo a sua natureza televisiva. Isso e os efeitos-especiais, completamente ridículos, com uns renders feitos num spectrum ou algo parecido.

Por isso, não é de admirar que saia daqui com um McBacon. Nem sempre a obra de Stephen King (com direito ao habitual cameo) é bem tratada no cinema, mas esta é uma das agradáveis excepções. Só não se percebe o final, candidato ao pior final de sempre do cinema. Tão mau, tão mau, que vou ter de o contar nas próximas linhas - após terminar a aventura, os sobreviventes congratulam-se uns aos outros. E de tão felizes que estão, dão as mãos e correm em direcção à câmara. No preciso momento em que gritam "yupi" e dão um salto de contentamento, há um freeze e os créditos começam a passar. Priceless...

PS - Sei que o filme no Brasil adquiriu a fantástica tradução de Fenda No Tempo. Se por acaso alguém souber qual foi a portuguesa, agradecia que deixasse o seu contributo na caixa de comentários. Obrigado.

Posted by: dermot @ 6:04 da tarde
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ROYALE WITH CHEESE:

Já aconteceu a todos nós, certamente, assistir a um filme que tenha mexido tanto connosco, que nos tenha apetecido obrigar todos os nossos amigos a vê-lo. Quem nunca viu um filme que tenha achado tão bom ao ponto de recomendá-lo a toda a gente, interruptamente, nas semanas seguintes que ponha a mão no ar. Claro, ninguém... como calculei.
A última vez que me aconteceu isso foi com Harold E Maude, do qual falei anteriormente; é um filme tão fantástico que quando eu mandar no Mundo irei criar uma lei que obrigue toda a gente a vê-lo.

Pois bem, estava eu a pensar nisto quando me ocorreu algo. Será que algum de vocês, fíéis leitores, já tiveram o prazer de descobrir um filme destes à conta deste blogue? Eu sei que vocês são poucos, mas também sei que são bons. Por isso, deixem a vossa resposta a esta auscultação na caixa dos comentários. Obrigado.

Posted by: dermot @ 1:41 da tarde
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quinta-feira, outubro 27, 2005  

HAROLD E MAUDE:

Título: Harold And Maude
Realizador: Hal Ashby
Ano: 1971


Em Doidos Por Mary, Cameron Diaz diz - e passo a simplificar - que o homem da sua vida teria de ser arquitecto, possuir uma casa no Nepal e ter como filme favorito Harold E Maude, a maior história de amor do cinema. Pois bem, se a personagem de Diaz fosse real, a este escriba só faltava uma ida a uma imobiliária nepalesa para se tornar num forte pretendente.

Harold (Bud Cort) é um jovem de 17 anos soturno e misterioso com uma estranha obsessão pela morte, que gosta de espreitar funerais e de simular suicídios para chamar a atenção da sua mãe, uma socialite demasiado preocupada com o chá das cinco. Maude (Ruth Gordon) é uma anciã de 79 anos, alegre e vivaça, que também gosta de espreitar funerais, mas antes pela estranha obessão que nutre pelo ciclo da vida. Como considera a morte uma parte integrante da vida, frequenta os funerais com roupas de cores alegres e um guarda-chuva amarelo.
Juntos vão construir uma relação de amizade e amor, que vai quebrar tabus e preconceitos.

Harold E Maude é um filme bizarro, uma fantástica história de amor, fresca e descontraída, que consegue abordar temas tão complexos como a vida e a morte, através de uma relação com uma forte componente sexual implícita. Além disso, desconstrói ainda tabus políticos, com uma Maude a combater ideais à sua maneira, depois de uma adolescência em manifestações e na prisão (estadia revelada por um subtil plano que revela um número tatuado no seu antebraço); além disso, uma autobiografia com recurso ao mito de Leda e o Cisne sugere ainda um passado de certa forma ligado ao regime nazi.

Mas Harold E Maude é sobretudo uma revelação espiritual; Harold vai descobrir a vida com a experiência de Maude, uma mulher cuja idade já lhe ensinou que a vida são dois dias e por isso não vale a pena afeiçoar-nos a objectos físicos e superficiais; devemos saborear os pequenos prazeres da vida e não devemos preocupar-nos com o que os outros pensam de nós, nem julgar outréns. Assim como a relação de ambos não deve ser julgada! Harold E Maude é ainda um filme divertido (ao ponto de soltar uma gargalhada), com um dedo de humor subtil e absurdo na boa tradição britânica dos Monty Phitons, principalmente com os gags hilariantes de Harold a simular imolações e hara kiris, com o objectivo de espantar as namoradas que a sua mãe lhe impingia.

Bud Cort, que ficou para sempre ligado a esta personagem bizarra, e Ruth Gordon partilham ainda de uma química mágica, que faz inveja a muitos dos casais da maioria das comédias românticas da actualidade. Um choque de duas gerações, com um trabalho fenomenal na construção desta obra-prima de Hal Ashby (um homem que ao editar o concerto dos Rolling Stones, Let's Spend The Night Together, comprovou que só podia ser uma óptima pessoa) e cuja banda-sonora magistral de Cat Steven só ajudou a densificar o culto.

Harold E Maude é uma lição de bom cinema para todos os cineastas: um filme descontraído e bem-disposto sem deixar de ser pertinente e acutilante; diálogos inteligentes e poéticos; e um filme que apesar de extremamente curto, não deixa nada por dizer. Por tudo isto, Royale With Cheese - a maior história de amor do cinema.

Posted by: dermot @ 5:09 da tarde
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terça-feira, outubro 25, 2005  

AMOR DE VERÃO:

Título: My Summer Of Love
Realizador: Pawel Pawlikowski
Ano: 2004


Nos últimos ano tem-se cultivado o gosto pelo cinema indie, fabricando-se uma espécie de falso cinema independente, que o tornou acessível às massas, que assim parecem ficar mais satisfeitas ao não consumirem apenas blockbusters e filmes pré-fabricados. No entanto, se não se deixarem intimidar pelo título Amor De Verão, irão deparar-se com uma bela surpresa, um filme back to basics em que o cinema independente volta a ser um cinema de autor livre feito por gente esquisita e maluca.

Mona (Nathalie Press) é uma rapariga do interior, que já descobriu o que a vida tem de pior à custa da própria pele, o que lhe conferiu uma certa dose de rebeldia. Tamsin (Emily Blunt) é a filha mimada de dois pais ricos concentrados mais nas carreiras profissionais e nos amantes do que na filha, que cultiva também uma certa dose de rebeldia. O que têm as duas em comum? Ambas vão passar o Verão juntas no meio de nenhures, num lugar perdido do Yorkshire inglês, combatendo o marasmo, o tédio e o aborrecimento com o tabaco, as drogas, o álcool e o sexo.

Filmado na sua totalidade em suporte digital, apenas com handycam e sem tripé, Amor De Verão é um verdadeiro filme indie, com toda a libertinagem artística por parte do realizador que isso pode significar.
Pawel Pawlikowski aproveita habilmente as paisagens bucólicas do interior da Inglaterra, tal como os pintores expressionistas (olá Turner) o tinham feito no passado, para ilustrar esta aventura de verão, servindo-se ainda de uma banda-sonora genial e eclética (Caetano Veloso, Edith Piaf ou Goldfrapp) e de duas actrizes semi-debutantes que encantam (e não é só pelos atributos físicos).

Amor De Verão é uma espécie de versão feminina de E A Tua Mãe Também, uma jornada adolescente com um prazo de duração marcado - o final do Verão. Até lá tudo conta; e no final não terá sido apenas mais um Verão, terá sido o Verão, o Verão de todas as descobertas, tristezas e revelações. Mona e Tamsin vão tornar-se amigas, irmãs, amantes e confidentes, vão fundir-se uma na outra, carnal e psicologicamente: Mona ocupa o lugar do namorado que a acabara de deixar (no final de relação mais seco e machista de sempre no cinema) com Tamsin e esta ocupa o lugar da irmã anoréxica falecida com Mona.

Amor De Verão constrói-se sobretudo com o desenvolvimento dos símbolos que Pawel Pawlikowski vai deixando ao longo do filme. Por exemplo, como quando Tamsin conhece Mona diz-lhe que "parece que é uma má influência para as pessoas"; ou quando Tamsin mitifica a biografia "maravilhosamente trágica" de Edith Piaf, como um prenúncio daquela aventura; ou ainda quando cita Nietzsche ou Freud para explicar certas atitudes comportamentais; ou quando o irmão de Mona, um novo-cristão, tenta reclamar o vale onde vivem em nome de Deus, para o livrar das sombras que o habitam (e já agora, menção para o exorcismo mais hilariante dos últimos tempos do cinema).

Amor De Verão é um filme sincero e artístico, um escape de bom cinema na cada vez mais formatada indústria cinematográfica. E como se não bastasse, ainda tem duas jovens belas e despidas em actos menos convencionais. Um McRoyal Deluxe por todas essas razões.

Posted by: dermot @ 10:29 da tarde
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UM DIA DE RAIVA:

Título: Falling Down
Realizador: Joel Schumacher
Ano: 1993


Quem nunca esteve preso no trânsito que levante a mão. Quem nunca esteve tanto tempo preso num engarrafemento em que um minuto começou a parecer uma hora que atire a primeira pedra.
Com efeito, já todos nós passamos por isso, essa que é uma das mais estressantes experiências que o ser humano pode ser submetido. Todos nós já tivemos, nem que seja por uma vez sequer, presos no trânsito por tanto tempo que desejámos que o nosso carro tivesse um pára-choques navio-quebra-gelo-soviético para abrir caminho por entre os outros automóveis.

William Foster (Michael Douglas) teve um dia assim, um dia em que bateu no fundo e que não aguentou. É que não era só o engarrafamento; era o emprego que tinha perdido recentemente, era o casamento que culminara em divórcio, era um buraco na sola do sapato, era tudo isto e mais ainda, era a sociedade que conspirava contra si. Até que não aguentou mais e explodiu. Porque tal como já dizia o grande pensador Bob Dylan, quando não tens nada, não tens nada a perder.

Um Dia De Raiva é como a própria tradução indica um filme de descompressão total. Mas é também uma interessante alegoria de A Divina Comédia, o clássico de Dante - um Homem que apenas quer chegar aos braços da mulher que ama apenas uma vez mais, mas que para isso terá de atravessar os círculos do inferno, ou seja, o inferno da cidade - e não falo apenas das zonas suburbanas, dos guetos e das favelas da América que escondem dos turistas; falo também dos condomínios fechados, que são guetos à sua maneira, dos campos de golfe e dos bairros de elite e dos tarados e dos pervertidos que enchem a sociedade norte-amerciana. E essa caminhada é uma jornada predestinada, em que William Foster apenas segue os desígnios divinos que se encarregam de o proteger, quando por exemplo desviam uma rajada de balas de uma gangue local.

Um Dia De Raiva é também uma acutilante crítica social de Joel Schumacher, que nos apresenta um homem que apenas quer seguir as leis da sociedade actual e que, defendendo os seus direitos e interesses, chega ao fim do dia conspurcado pelo pecado, transformando-se ele próprio num pecador, transoformando-se também num pouco da escória que é a sociedade urbana actual.

Mas quem brilha no filme é Robert Duvall, no papel do detective Martin Prendergast, que paralelamente à história, vive o seu último dia na polícia antes da reforma, que o levará para um paraíso recôndito, que afinal será nada mais nada menos do que uma prisão para o seu espírito jovem. Conseguirá percebe-lo antes que seja tarde demais?

Então porque é Um Dia De Raiva apenas um Double Cheeseburguer? Não só pelo final traiçoeiro, nem tão pouco pelas situações forçadas, como quando parece que é William Foster que procura os sarilhos e não os sarilhos que vão ao seu encontro; é devido ao facto de Um Dia De Raiva ser um filme cheio de potencialidades e Joel Schumacher não as ter aproveitado, optando antes pela via mais fácil.

Posted by: dermot @ 8:10 da manhã
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domingo, outubro 23, 2005  

A DAMA DE HONOR:

Título: La Demoiselle D'Honneur
Realizador: Claude Chabrol
Ano: 2004


Claude Chabrol e Ruth Rendell podiam ser a mesma pessoa. Ambos usam como tema central recorrente das suas obras a exploração das mentes distorcidas e do lado mais violento e perturbador do ser humano. Por isso nao é de admirar que, desde que decobriu a obra da escritora inglesa, Claude Chabrol tenha vindo a aproveitar os seus romances para os adaptar ao cinema.

Sophie Tardieu (Solène Bouton) vai-se casar e deixar a casa onde vivia com a mãe, a irmã mais nova e o irmão mais velho, Philippe, que sendo o único homem da casa, acaba por preencher um pouco a figura de pai, tanto como sustento como educador. Durante o casamento da irmã, Philippe conhece Senta (Laura Smet), uma das damas de honor e termina logo esse dia debaixo dos lençóis da sua cama.
Assim sucintamente, a sinopse pode parecer que A Dama De Honor é um filme neo-realista francês do novo século, uma crónica de costumes. Até o poderia ser, mas o facto de Philippe viver obcecado por um busto feminino de pedra ou o facto de Senta viver sozinha na cave de um edifício enorme do qual é dona, dão a entender que algo de sinistro se passa. Isso e o facto de Claude Chabrol estar por detrás das câmaras.

Com efeito, Senta é uma figura bizarra, uma mulher com estranhos pensamentos e que facilmente entra pelo campo das mentiras. Mas o que seria de esperar de uma rapariga que na adolescência passou dois anos a fumar haxixe em Marrocos e outro ano em Nova Iorque, trabalhando como dançarina nocturna? Ou será que também isso seria mentira?
Todos nós sabemos o que uma mulher pode fazer a um homem e uma mulher assim não pode fazer mais do que o desgraçar. E Philippe não é excepção. E mesmo que profissionalmente consiga ir dando conta do recado, fisica e psicologicamente é uma tarefa árdua, capaz de abater qualquer um. Mas o amor é uma coisa estranha e segue caminhos que a razão desconhece.

De facto, o Hitchcock francês volta a abordar o mistério e o desvaneio sinistro da personalidade humana, com uma trama intensa e inquietante com o desmorenamento de uma célula familiar no centro. A intriga nunca é claustrofóbica, mas é sempre desenhada a rigor com o traço dos grandes mestres. Para isso, serve-se de uma cinematografia segura, de moldes clássicos e atenta aos pormenores, e uma banda-sonora consistente, fazendo recordar os policiais dos tempos áureos do preto-e-branco.

Mas quem faz o filme funcionar são os personagens, principalmente Philippe e Senta. Benoît Magimel é um actor exemplar e, depois de A Pianista, volta a brilhar num filme com tanto de inquietante como de esquisito. E Laura Smet tem uma actuacção híbrida, algures entre a femme fatale e o exotismo das mulheres de muito longe, que escondem sempre algo de misterioso por detrás dos olhos azuis.

A Dama De Honor é um trabalho de mestre de Chabrol que condensa em cento e onze minutos a intensidade certa do romance de Ruth Rendell. Ainda que longe das suas obras-primas, é um filme que tem tanto de Chabrol, como de Rendell e como de Hitchcock (alguém mencionou Psico?). E ainda tem o condão de despertar o interesse suficiente para ir correr comprar The Bridesmaid, a estória original. Só isso era já motivo suficiente para um McRoyal Deluxe.

Posted by: dermot @ 10:58 da tarde
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quinta-feira, outubro 20, 2005  

OS OLHOS DA SERPENTE:

Título: Snake Eyes
Realizador: Brian De Palma
Ano: 1998


Brian De Palma é um dos realizadores favoritos deste escriba, devo confessar. Autor de algumas obras maiores (alguém mencionou Vestida Para Matar, Carrie ou Blow Out - A Explosão?), é um especialista em filmes de gangues e de máfia e, simultaneamente, um realizador deveras subvalorizado, especialmente após o incompreendido Missão Impossível. No entanto, verdade seja dito, desde esse episódio que a sua obra tem sido decrescente.

Os Olhos Da Serpente foi então o primeiro capítulo após Missão Ímpossível e era um regresso de De Palma ao velho tema dos policiais e dos assassinatos.
Nicolas Cage é Rick Santoro, um polícia local com "muitos conhecimentos", uma amante e até galifão; contudo, é também um homem íntegro no que diz respeito à lealdade, o seu "único vício". De serviço num importante combate de boxe, antro de corrupção, Rick e o seu amigo Kevin Dunne, responsável pela segurança do local, vêem um atirador furtivo alvejar mortalmente o Secretário Da Defesa. Mas como todas as conspirações, tudo o que parece raramente o é; principalmente se houverem planos de armas secretas envolvidos.

O filme abre de maneira soberba: com um único plano de 13 minutos, Brian De Palma percorre toda a arena seguindo Nicolas Cage, introduzindo toda a trama: a bazófia de Rick Santoro, os seus negócios ilícitos, as personagens secundárias, os suspeitos, a vítima e o combate de boxe.
Depois, colocadas as cartas na mesa, De Palma lança o trunfo seguinte: uma conspiração inteligente e misteriosa, qual JFK em escala menor.

A primeira parte de Os Olhos Da Serpente é um fantástico filme: para além da trama que teima em se desenrolar por mais esforços que se façam para a enrolar, é ainda um exercício estilístico genial, com flashbacks, cores saturadas, reconstituições e opções arrojadas, como aquele em que se recupera o atentado segundo dois pontos de vista, com o ecrã dividido ao meio. Durante essa parte, Nicolas Cage está no seu melhor, naquela exuberância característica que explorou em Coração Selvagem, por exemplo. Gary Sinise como sempre, faz aquilo que sabe fazer melhor: papel de mau.

Mas se Os Olhos Da Serpente é tão bom, o que aconteceu a seguir? Estranhamente, é difícil de perceber. De Palma parece ter usado aquela primeira parte para experimentações e como tinha de acabar o filme, parece que decidiu fazer qualquer coisa. Para isso, seguiu a auto-estrada da previsibilidade, parando em todas as estações que encontrou pelo caminho para atestar-se de clichés e intrigas murchas. Acaba-se o ritmo fresco do filme e até Cage se apaga. Como que um automóvel a quem lhe falta gasolina.

Os Olhos Da Serpente são dois filmes num só: uma excitante abertura e um medíocre fim. Tudo junto custa a chegar ao Double Cheeseburguer; mas as opções estilísticas de Brian De Palma na primeira metade do filme ajudam a desempatar, dando-lhe crédito positivo para um McChicken.

Posted by: dermot @ 10:47 da manhã
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quarta-feira, outubro 19, 2005  

TOP 5:

E a sexta vida de James Bond, o espião irresistível, será Daniel Craig.
Não quero tirar conclusões precipitadas, mas de facto parece-me que o próximo filme da saga não está a ter um bom parto. E digo-o por várias razões: primeiro pelo próprio actor que, independentemente das suas faculdades representativas, não me parece ter o charme inglês que é imagem de marca de Bond; depois porque Casino Royale é um dos melhores livros de Ian Fleming, cuja irreverência será sempre difícil passar para a grande tela; e como se isso não bastasse, já existe uma versão-sátira do livro, que é um das mais hilariantes comédias absurdas (comentário opinativo aqui). Por isso, falta-nos esperar pela bond girl para nos espevitar o apetite, uma vez que já sabemos que não haverá Moneypenny nem Q para ninguém.

Por isso, utilizando Daniel Craig como pretexto, o Royale With Cheese está de volta ás suas famosas listas, desta vez para apresentar O TOP 5 DOS PIORES FILMES DA SAGA JAMES BOND:

5º Lugar - Só Se Vive Duas Vezes (1967)
4º Lugar - Aventura No Espaço (1967) - o título diz tudo...
3º Lugar - Alvo Em Movimento (1987) - Grace Jones??
2º Lugar - Nunca Digas Nunca (1983) - não é oficial e ainda bem
1º Lugar - Licença Para Matar (1989) - uma vingança para esquecer

Posted by: dermot @ 5:14 da tarde
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segunda-feira, outubro 17, 2005  

ALICE:

Título: Alice
Realizador: Marco Martins
Ano: 2005


A obsessão sempre foi um interessante tema para a música (alguém mencionou Every Breath You Take? ou Anybody Seen My Baby?) e até para a literatura. Agora, é também o tema para Alice, o filme sensação do cinema português de 2005.
Alice não vai salvar o cinema português nem muito menos fazer as pazes entre o grande público e a produção nacional; mas é sem dúvida uma grande obra, que vem provar que o cinema nacional não está moribundo.

Alice é a estreia auspiciosa de Marco Martins na realização, um filme sobre a obsessão louca de um pai (Nuno Lopes) pela filha, desaparecida há alguns meses.
Na tentativa desesperada de a recuperar, Mário (é esse o seu nome) espalha várias câmaras de filmar por Lisboa, na tentativa de captar uma imagem da filha, refém de uma série de rotinas que cria à sua volta, porque "se as quebrar, deixará de conseguir ver Alice".

A sua obsessão é levada ao limite da loucura, porque um homem que perde um filho deixa de ser um homem e passa a ser, simplesmente, um pai. E porque as "mães sofrem sempre mais", Luísa (Beatriz Batarda) é o espelho da loucura, afogando o desespero nos calmantes.

Alice é um filme português atípico. Marco Martins filma Lisboa como esta nunca tinha sido filmada; uma Lisboa amorfa, de Inverno, com chuva, nuvens carregadas e uma massa cinzenta impessoal que é a multidão no seu dia-a-dia quotidiano, com quem nos cruzamos diariamente. É uma Lisboa bem distante da Lisboa alva, que normalmente é um retrato mais turístico da capital. Percebe-se que Wim Wender, por exemplo, a veja como "a cidade branca" à distância; mas nós, que a frequentamos todos os dias, é assim que a vemos.

Quanto a Nuno Lopes é um bloco de dor, moldado com poucas palavras e um olhar exasperante, que carrega quase todo o filme às costas, provando que é um dos bons actores da nova geração, fugindo aos papéis humorísticos que nos tinha habituado. A outra metade do filme é carregada pela genial Beatriz Batarda, sem dúvida o rosto mais presente da nova geração de actores, que apesar de participar em apenas duas cenas, são os momentos mais perturbadores e emotivos do filme. Destaque ainda para o excelente rol de actores secundários: os sempre geniais Miguel Guilherme e Ivo Canelas, Ana Bustorff e José Wallenstein.

O carácter voyeur do filme e o trabalho de câmara de Marco Martins transformam Alice num retrato intimista da perda de Mário, uma fotografia que por vezes sentimo-nos incomodados de invadir, como a imprensa sensacionalista o faz quando esses casos ainda estão frescos para depois se esmorecer quando o caso peca por novidades.
Alice é ainda feito de pequenos pormenores, simbolismos que o realizador vai pontuando ao longo do filme e que fazem toda a diferença. Assim como a banda-sonora de Bernardo Sasseti.

Depois de Noite Escura ter surpreendido em 2004, eis Alice a surpreender em 2005. E por dois anos seguidos, teremos um bom filme a tentar chegar aos Óscares. Para já, o McBacon já ninguém lhe tira.
E juro que reconheci uma pessoa naquelas imagens voyeuristas de Lisboa!

Posted by: dermot @ 7:46 da manhã
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domingo, outubro 16, 2005  

OS SELVAGENS DA NOITE:

Título: The Warriors
Realizador: Walter Hill
Ano: 1979


O final dos anos 70/anos 80 foi uma década que não quis nada com a moda, com os penteados e com a música em geral. Mas foi também uma década de gangues, rebelião juvenil e uma ânsia de viver de uma juventude descentre no futuro. Os Selvagens Da Noite tornou-se num dos panfletos da contra-cultura, um espelho daqueça geração, que tinha pressa em viver.

Numa Nova Iorque retro-futurista com milhares de habitantes, Cyrus (Roger Hill), líder do maior gangue nova-iorquino, tinha um sonho: se todos os gangues da cidade se juntassem num só e remassem por uma causa comum, em vez de lutarem por uma minúscula parcela de território, Nova Iorque ficaria à sua mercê. Ao todo seriam mais de 60000 mil deliquentes juvenis, numa proporção de 5 para 1 em relação à polícia, o que significaria o controle sob as actividades ilegais (e até algumas legais).
Foi então marcada uma reunião no Bronx para Cyrus expôr os seus pontos de vista, qual Martin Luther King delinquente. Mas os Rogues, gangue de mau feitio, decidiu assassina-lo. E a culpa recaiu sobre os Warriors. De um momento para o outro, tudo o que é gangue na cidade vai estar no seu encalce. E a viagem de volta a casa vai ser longa...

Os Selvagens Da Noite é um filme de acção em que há um herói colectivo: a gangue dos Warriors, inicialmente com nove elementos, cujo chefe é Swan (Michael Beck), vai ter de atravessar Nova Iorque, não só evitanto os perseguidores, mas também tentando recuperar a sua reputação. Os Selvagens Da Noite não é só o espelho de uma juventude inquieta, passada no submundo dos anos 80, quando os grafitis eram desenhos foleiros nas paredes e o hip-hop (felizmente) ainda não existia: é também uma irrepreensível história sobre lealdade, amor e até esperança.

Drama de gangues juvenil, cujo Os Marginais é o expoente máximo, articula-se numa narrativa linear, há boa maneira dos jogos de arcada que fizeram as delícias nos anos 80 (olá Double Dragon). Os obstáculos vão surgindo ao longo do percurso, de forma intercalada e sob a forma de gangues diferentes, que se distinguem entre si pelos uniformes (na maioria das vezes a roçarem o ridículo). Quanto às cenas de acção, nada mais do que memoráveis: coreografias perfeitas e extremamente convincentes (como bailados poéticos), com o uso perfeito da câmara-lenta. Arrisco mesmo a dizer que Os Selvagens Da Noite é o Matrix dos anos 80.

Filme iconoclasta, mostra ainda que não é uma obra vulgar com dois pormenores cheios de classe: uma voz-off feminina denunciada apenas pelos lábios sensuais, que vai dando os resumos dos acontecimentos pela rádio, intercalado com hits do motown; e a figura de Cyrus, uma espécie de Messias negro do hip-hop, que inspirou a vedeta da luta-livre norte-americana Booker T. McRoyal Deluxe - can you dig it sucka?

Posted by: dermot @ 12:13 da manhã
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quinta-feira, outubro 13, 2005  

OS EDUKADORES:

Título: Die Fetten Jahre Sind Vorbei
Realizador: Hans Weingartner
Ano: 2004


Desde que encontrou um rosto com quem se identificar (no caso, o de James Dean) que se tornou natural a juventude rebelar-se, principalmente contra a condescendência da sociedade. Já dizia a sabedoria popular que "quem tem menos 30 anos e não é liberal é porque não tem coração". Mas na sociedade actual em que vivemos, consumista e capitalista, como é que se propala uma revolução que já se vende nos próprios supermercados?

Jan (Daniel Brühl) e Peter (Stipe Erceg) encontraram a solução num manifesto que baptizaram de "Os Edukadores", uma espécie de grupo de ladrões revolucionários invulgares, na esperança de serem o detonador capaz de despoletar uma acção liberal numa sociedade cada vez mais sedada pela televisão.
Mas todos sabemos que uma mulher traz sempre problemas, principalmente quando inseridas num grupo de pessoas; ora Jule (Julia Jentsch), quando descobre o que o seu namorado Peter anda a fazer, decide entrar também no movimento.
Mas a precipitação é inimiga da perfeição e os acontecimentos descambam em tragédia por anunciar. Uma inofensiva acção revolucionária leva a um rapto, cujo final ninguém saberá como irá ser.

Os Edukadores, filme sensação alemão de 2004, é um misto de drama político (olá Bom-dia Noite) com drama introspectivo juvenil. Jan, Peter e Jule são três jovens inadaptados da sociedade agressiva actual, ao género de Clube De Combate, que desenvolvem uma relação algures entre Os Sonhadores e E A Tua Mãe Tambénm.
Mas Os Edukadores não é apenas um filme político; aliás, nem é essa a sua principal preocupação, uma vez que é apenas o rastilho para a explosão de acontecimentos humanos entre os três personagens principais da história. Não se puxa políticas à esquerda nem à direita, muito pelo contrário, ambas se contradizem, ambas respondem pelos argumentos correctos. No final, a repsosta fica pelo centro, poe um sistema anárquico.

Com um trio de actores suberbos (principalmente o par Daniel Brühl e Julia Jentsch, que vimos em Goodbye Lenine e Sophie Scoll - Os Últimos Dias, respectivamente), Os Edukadores é a montra do novo cinema alemão, uma cinematografia moderna e arrojada, fresca de ideias e pertinente. Um sinal dos novos tempos.

E se nos idos tempos revolucionários dos anos 60 tínhamos Bob Dylan como um dos porta-vozes, hoje em dia Jeff Buckley é um dos mártires dos inadaptados. Por isso é normal que se oiça Hallellujah no final do filme, numa sequência mágica e poética, que arrepia os pêlos da nuca, num final inesperado até ao último segundo. É certo que a música de Jeff Buckley até trasnformava uma novela da TVI em algo agradável, como disse um colega, mas naquela altura faz todo o sentido.

Por isso, ao ver Os Edukadores, ao penetrar tão fundo naquele sistema, naquele conflito interior e exterior de três personagens habilmente esculpidos, não se consegue perceber o que se passa com Hans Weingartner naquele trabalho de câmara. Filmado em suporte digital, o realizador compromete partes importantes do filme com um trabalho de câmara quase amador, principalmente com o recurso ao zoom, técnica completamente datada. E longe do cinema de autor ou de um estilo arty.

Representante germânico na corrida aos Óscares, Os Edukadores tem tudo para ser o vencedor. Pelo menos, um dos primeiros lugares nos filmes do ano já ninguém lhe tira. Um Le Big Mac nada comprometido (faltou-lhe um bocadinho assim para a obra-prima).

Posted by: dermot @ 11:15 da manhã
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terça-feira, outubro 11, 2005  

OS GUARDIÕES DA NOITE:

Título: Nochnoy Dozor
Realizador: Timur Bekmambetov
Ano: 2004


Depois de Matrix, de O Senhor Dos Anéis e de Star Wars, eis que chega a nova triologia fantástica, que promete criar uma falange de admiradores incondicionais e um enorme culto à sua volta. O primeiro volume chama-se Os Guardiões Da Noite e, inesperadamente, vem da Rússia; mas se não fosse falado em russo, ninguém o diria.

Com efeito, o principal trunfo do sucesso internacional do filme prende-se com o facto de ser uma obra longe do cinema de autor e do cinema europeu. Com uma cinematografia moderna e uma edição arrojada, sempre perto do ritmo vertiginoso propalado pela geração-MTV dos telediscos, Os Guardiões Da Noite é um filme que rivaliza com as grandes produções de Hollywood no que diz respeito aos efeitos especiais.

Os Guardiões Da Noite cruza os universos criados por Tolkien, Ann Rice e o folclore bíblico, da luta eterna entre o Bem e o Mal (algo muito parecido ao criado em Matrix). Fundem-se assim ficção científica, acção e thriller-quase-noir, numa interessante opcção em que o sensacionalismo e a violência gratuita não são abordados - o que não deixa de o tornar num filme perturbador e assustador.

Há muito, muito tempo, as forças do Bem e do Mal, constituídas por Outros (humanos com dons sobrenaturais, como vampiros, transmorfos, telepatas, etc), decretaram uma trégua; uma trégua que duraria séculos, em que serviria para manter o equilíbrio no Universo, uma vez que ambas as facções se equiparavam. Mas diz a lenda que um dia essa trégua será desfeita numa batalha de proporções assustadoras e que nessa altura o Grande Outro, qual Messias, irá aparecer e optar por uma das facções. E essa opcção irá ser decisiva no vencedor final, que passará a governar o Universo.

A história é original, apesar de não ser nada que nunca tenhamos visto - o Bem versus o Mal, um Salvador e o Armagedão final. Ou seja, a Bíblia revisitada sobre os moldes de aventura épica. Mas é suficientemente imaginativa e credível, no campeonato do fantástico cada vez mais batido e onde é cada vez mais difícil surpreender.
Além disso, como já todos sabemos o que são vampiros, lobismones e outros afins, Os Guardiões Da Noite dispensam toda a explicação desse folclore, o que evita alguns bons quartos de hora desnecessários no filme.

Os Guardiões Da Noite é uma surpresa fantástica que tem vindo a criar um monstro maior que o criador em redor do Mundo, cativando as mais altas esferas do cinema como Quentin Tarantino ou Danny Boyle. Conta ainda com uma banda-sonora infeliz de nu-metal a chamar por atenção comercial, mas que acaba por ser eficaz graça ao efeito estético desta aventura de ficção-científica.

Agora é esperar pelos próximos tomos; para já ficaram algumas questões no ar, buracos no argumentos que não são mais do que perguntas pendentes. Mas até lá temos sequências de acção cativantes, momentos perturbadores, mistério de queimar os neurónios, drama familiar e até uma sequência de animação fabulosa. Um épico à boa maneira do Le Big Mac.

Posted by: dermot @ 11:10 da manhã
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terça-feira, outubro 04, 2005  

THE LAST HOUSE ON THE LEFT:

Título: The Last House On The Left
Realizador: Wes Craven
Ano: 1972


Apesar de ser o responsável pelo flagelo cinematográfico que são os actuais slasher teen movies, Wes Craven é um dos grandes mestres do terror moderno. E não digo isto apenas por ter sido o criador da lenda Freddy Krueger; digo-o porque, mesmo muito antes disso, já Wes Craven revolucionara o cinema de terror. Principalmente com este The Last House On The Left.

Banido durante décadas em vários países, o primeiro filme de Wes Craven foi, sem dúvida, o mais marcante da sua carreira. The Last House On The Left é um ensaio sobre a violência, um manifesto cruél e visceral que ilustra na perfeição a faceta pervertida e doentia de Wes Craven.
The Last House On The Left elemina qualquer intenção secundária, limitando o espectador a uma experiência perturbadora. Foi sem dúvida o ponto de partida para a inspiração de O Massacre Do Texas.

Mari Colingwood (Sandra Cassel) é uma jovem formosa, acabada de sair dos anos 60, da geração da paz e do amor, alimentada pelos primeiros indícios do heavy metal e do libertismo menos puro. E é numa saída há noite, com a sua amiga Phyllis (Lucy Grantham), que as duas amigas vão cair numa emboscada do heroínomano Junior (Marc Sheffler), que a pretexto de lhes vender marijuana, as leva para as garras do seu pai (o magistral David Hess) e dos seus dois amigos, foragidos da penitenciária onde cumpriam pena pelos mais horríveis crimes.

The Last House On The Left canaliza toda a violência de uma época conturbada (alguém mencionou o Vietname?), funcionando como escape. Apesar do orçamento limitado e dos actores pouco mais do que amadores, Wes Craven realiza magistralmente um panfleto sobre a violência demente, incluíndo violação, assassinato, tortura ou fetiches doentios. No filme não há pontos de vista secundários ou poesias indistintas. É cru e visceral e o que se vê é o que importa. Não há heróis ou actos heróicos; apenas vítimas, violência e vingança pelas próprias mãos.

Mesmo para quem está habituado ao fetsival gore-barroco italiano de realizadores como Fulci ou Argento, The Last House On The Left é um filme demasiado perturbador (de referir que na Alemanha, aquando da sua estreia, tentaram faze-lo passar por um filme snuff), uma experiência por vezes difícil de acompanhar, possível de distorcer os espíritos mais sensíveis.
Ciente disso, Wes Craven apenas se dedicou a um comic relief breve, caricaturando demasiado a polícia, tornando isso no ponto baixo do filme.

Quanto aos pontos altos, falta ainda referir a banda-sonora fantástica, obra e graça do magistral compostior David Hess, que aqui é também actor. Num registo dentro do acid-folk rock, a revisistar gente como os The Byrds ou os The Doors, Hess consegue ser ainda os olhos de Wes Craven, quando o cineasta desvia a câmara das cenas mais explícitas.

The Last House On The Left é um marco obrigatório na obra de Wes Craven, longe dos filems-pipoca de Gritos, ou do festival gore Pesadelo Em Elm Street. Um ensaio sobre vingança e violência que se insere num grupo de filmes como I Spit On Your Grave, por exemplo. Aconselho o McRoyal Deluxe, da mesma forma que aconselho a não o comer pouco antes do visionamento do filme - corre o risco de não o aguentar durante muito tempo no estômago.

Posted by: dermot @ 12:48 da tarde
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domingo, outubro 02, 2005  

DE TANTO BATER O MEU CORAÇÃO PAROU:

Título: De Battre Mon Coeur S'est Arrêté
Realizador: Jacques Audiard
Ano: 2005


Como é possível passar pela sala de cinema, observar o cartaz do filme em exibição, ler este título fantástico e conseguir continuar o caminho, sem ser impelido a entrar e assistir ao filme?
De Tanto Bater O Meu Coração Parou é, quiçá, o melhor título de 2005 e o seu cartaz não é menos interessante. Só por isso, já vale o visionamento do filme.

A história de De Tanto Bater O Meu Coração Parou é a história de Tom (Romain Duris), um jovem destinado a seguir as pegadas do pai no ramo da especulação imobiliária. No entanto, Tom sente-se assustado, não só por aquele mundo violento, mas sobretudo pela possibilidade de se vir a tornar no retrato degradante do seu pai (Niels Arestrup). Felizmente, um encontro casual vai leva-lo de volta ao contacto com o piano, o escape dessa sua faceta de sociopata, alimentando a ilusão de se tornar pianista, a exemplo da sua falecida mãe.
Tom é um gajo do rock, o blusão de cabedal e as botas não enganam ninguém. Os fones nos ouvidos só o comprovam. E como o Michael Nyman e o Bach são gajos do rock, é normal que o piano seja o escape encontrado.

De Tanto Bater O Meu Coração Parou é um filme tridimensional a duas cores. Drama urbano e thriller psicológico, Jacques Audiard desconstrói a personalidade complexa de Tom, envolvido num universo urbano claustrofóbico e perturbador.
Tom usa a arte (mais propriamente o piano) como instrumento para extravasar as suas frustrações; mais uma vez, a arte como uma redoma protectora de uma sociedade cada vez mais agressiva.

Depois, há também o conflito paternal. O filme inicia-se com um diálogo fantástico, em que um amigo de Tom desabafa sobre as suas útimas relações com o pai. Uma relação de ódio com alguém que se ama. E Tom vê-se reflectido na imagem do seu pai e assusta-se. Assusta-lhe acabar os dias triturado pela especulação imobiliária, assusta-lhe ser apenas um escroque em busca de umas linhas de coca e uma mulher para passar a noite. É por isso que despreza tanto o seu colega Fabrice (Jonathan Zaccaï), que continua a trair a mulher dia sim dia sim.

De Tanto Bater O Meu Coração Parou é um filme poético e simbólico, com dois pontos fenomenais: a banda-sonora e Romain Duris. O actor francês, que todos conhecemos de A Residência Espanhola, brilha omnipresente num registo entre o De Niro de Taxi Driver e de Isabelle Huppert em A Pianista.
Mas De Tanto Bater O Meu Coração Parou não é um filme tão consistente quanto devia ser (ou pelo menos, quanto o título obrigava). No entanto, é o suficiente para ser um filme a descobrir, pelo menos uma vez na vida (que é como quem diz, um McChicken).

Posted by: dermot @ 11:19 da manhã
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COTAÇÃO:
10 - Royale With Cheese
9 - Le Big Mac
8 - McRoyal Deluxe
7 - McBacon
6 - McChicken
5 - Double Cheeseburger
4 - Cheeseburger
3 - Caixinha de 500 paus (Happy Meal)
2 - Hamburga de Choco
1 - Pão com Manteiga

TAKE:
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- As Ervas Daninhas
- As Invasões Bárbaras
- As Lágrimas Do Tigre Negro
- As Leis Da Atracção
- As Noites Loucas Do Dr. Jerryll
- As Penas Do Desejo
- As Tartarugas Também Voam
- As Vidas Dos Outros
- Aberto Até De Madrugada
- Assalto À Esquadra 13 (1976)
- Assalto À Esquadra 13 (2005)
- Assalto Ao Santa Maria
- Assassinos Natos
- Ata-me
- Até Ao Inferno
- Até Ao Limite Do Terror
- Atraídos Pelo Crime
- Através Da Noite
- Attack Of The 50 Foot Woman
- Aurora
- Austrália
- Autocarro 174
- Avatar
- Aviva, Meu Amor
- Aztec Rex
- Azul Metálico

- Babel
- Backbeat, Geração Inquieta
- Balas E Bolinhos - O Regresso
- Balbúrdia No Oeste
- Bando À Parte
- Baraka
- Barbarella
- Barreira Invisí­vel
- Batman
- Batman Regressa
- Batman - O Início
- Be Cool
- Beijing Bastards
- Belleville Rendez-Vouz
- Bem-vindo À Zombieland
- Bem-vindo Ao Norte
- Berlin 36
- Birth - O Mistério
- Biutiful
- Black Sheep
- Black Snake Moan - A Redenção
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- Bobby Darin - O Amor É Eterno
- Body Rice
- Bombom
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- Bom Dia Vietnam
- Bonnie E Clyde
- Boogie Nights
- Borat
- Brasil - O Outro Lado Do Sonho
- Breakfast On Pluto
- Brincadeiras Perigosas (2007)
- Brisa De Mudança
- Bronson
- Bruce, O Todo-poderoso
- Bruiser - O Rosto Da Vingança
- Bruno
- Buffalo 66
- Bubba Ho-Tep
- Bullit
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- Buried
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- Bz, Viagem Alucinante

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- Cães Danados
- Cães De Palha
- Café E Cigarros
- Call Girl
- Camino
- Capitão Alatriste
- Capitão América - O Primeiro Vingador
- Capote
- Carrie
- Cartas Ao Padre Jacob
- Cartas De Iwo Jima
- Casa De Loucos
- Casablanca
- Casino Royale
- Catwoman
- Cavalo De Guerra
- Cemitério Vivo
- Censurado
- Centurion
- Charlie E A Fábrica De Chocolate
- Che - Guerrilha
- Che - O Argentino
- Chemical Wedding
- Chéri
- Chinatown
- Chocolate
- Choke - Asfixia
- Chovem Almôndegas
- Christine - O Carro Assassino
- Cidade Fria
- Cinco Dias, Cinco Noites
- Cinema Paraíso
- Cinerama
- Cisne Negro
- Clube De Combate
- Coco Avant Chanel
- Coisa Ruim
- Cold Mountain
- Cold Weather
- Colete De Forças
- Colisão
- Com Outra? Nem Morta!
- Comboios Rigorosamente Vigiados
- Comer Orar Amar
- Complexo - Universo Paralelo
- Conan, O Bárbaro
- Contrato
- Control
- Controle
- Coração De Cavaleiro
- Coração De Gelo
- Coração Selvagem
- Corações De Aço
- Coragem De Mãe: Confrontando O Autismo
- Corre Lola Corre
- Correio De Risco
- Correio De Risco 3
- Corrida Contra O Futuro
- Corrupção
- Cozinhando A História
- Crank - Veneno No Sangue
- Crank - Alta Voltagem
- Cremaster
- Crime Ferpeito
- Crippled Masters
- Cristóvão Colombo - O Enigma
- Crónica Dos Bons Malandros
- Crueldade Intolerável
- Cubo
- Culture Boy
- Cypher
- Cyrano de Bergerac (1950)

- Daisy Town
- Dallas
- Danny The Dog - Força Destruidora
- Daqui P'ra Frente
- Dark City - Cidade Misteriosa
- De Cabeça Para Baixo
- De Homem Para Homem
- De Olhos Abertos
- De Olhos Bem Fechados
- De Sepultura Em Sepultura
- De Tanto Bater O Meu Coração Parou
- De-Lovely
- Delhi Belly
- Dead Snow
- Death Race 2000
- Deixa-me Entrar
- Delicatessen
- Demolidor - O Homem Sem Medo
- Dentro Da Garganta Funda
- Depois Do Casamento
- Destruir Depois De Ler
- Diamante De Sangue
- Diário Dos Mortos
- Diários De Che Guevara
- Dias De Futebol
- Dick E Jane - Ladrões Sem Jeito
- Dictado
- Die Hard 4.0 - Viver Ou Morrer
- Die You Zombie Bastards!
- Dogma
- Domino
- Don Juan DeMarco
- Donnie Brasco
- Doom - Sobrevivência
- Doomsday - Juízo Final
- Dorian Gray
- Dot.Com
- Dr. Estranhoamor
- Drácula 2001
- Drácula De Bram Stoker
- Drive - Risco Duplo
- Dreamgirls
- Duas Mulheres

- É Na Terra Não É Na Lua
- Easy A
- Easy Rider
- Eduardo Mãos De Tesoura
- Efeito Borboleta
- El Mariachi
- El Topo
- Ela Odeia-me
- Eles
- Eles Vivem
- Elvis
- Em Bruges
- Em Busca Da Felicidade
- Em Carne Viva
- Em Liberdade
- Em Nome De Caim
- Em Nome De Deus
- Em Paris
- Em Privado
- Embargo
- Encarnação Do Demónio
- Encontros Em Nova Iorque
- Encrenca Dupla
- Encurralada
- Ensaio Sobre A Cegueira
- Enterrado Na Areia
- Entre Os Dedos
- Entrevista
- Equilibrium
- Era Uma Vez No México
- Eraserhead - No Céu Tudo É Perfeito
- Escola De Criminosos
- Escolha Mortal
- Esporas De Aço
- Estado De Guerra
- Estamos Vivos
- Este É O Meu Lugar
- Este País Não É Para Velhos
- Estômago
- Estrada Perdida
- Estranhos
- Estrellita
- Eu Amo-te Phillip Morris
- Eu, Peter Sellers
- Eu Sou A Lenda
- Eu Sou Evadido
- Eu, Tu E Todos Os Que Conhecemos
- Everything Must Go
- Evil Dead - A Noite Dos Mortos-Vivos
- Evil Dead 2 - A Morte Chega De Madrugada
- Evil Dead 3 - O Exército Das Trevas
- Ex-Drummer
- Exterminador Implacável 1
- Exterminador Implacável 2 - O Dia Do Julgamento Final
- Exterminador Implacável 3 - Ascensão Das Máquinas
- Exterminador Implacável 4 - A Salvação

- Factory Girl - Quando Edie Conheceu Warhol
- Factotum
- Fados
- Fahrenheit 9/11
- Falso Alarme
- Fando E Lis
- Fantasmas De Marte
- Fargo
- Faster, Pussycat! Kill! Kill!
- Fausto 5.0
- Favores Em Cadeia
- Felicidade
- Feliz Natal
- Férias No Harém
- Festival Rocky De Terror
- Ficheiros Secretos: Quero Acreditar
- Fim De Ano Em Split
- Fim-De-Semana Alucinante
- Final Cut - A Última Memória
- Fish Tank
- Florbela
- Flores Partidas
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- Footloose - A Música Está Do Teu Lado
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- História De Um Fotógrafo
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- Homem Aranha 2
- Homem Aranha 3
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- Homens De Negro 2
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- Hot Fuzz - Esquadrão De Província
- Howl - Grito
- Hugo

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- I Spit On Your Grave
- I'll See You In My Dreams
- Iluminados Pelo Fogo
- I'm Still Here
- I Wanna Hold Your Hand
- Imitação Da Vida
- Imortal
- In Search Of A Midnight Kiss
- Indiana Jones E O Reino Da Caveira De Cristal
- Indomável
- Infiltrado
- Inimigos Públicos
- INLAND EMPIRE
- Inquietos
- Insidioso
- Insónia
- Intervenção Divina
- Intriga Internacional
- Invictus
- Irmão, Onde Estás?
- It
- It Might Get Loud
- Italian Spiderman

- Jack Ketchum's The Girl Next Door
- Jackass 2
- Jackass 3D
- Jackie Brown
- Jacuzzi - O Desastre Do Tempo
- James Bond - Agente Secreto
- James Bond - Casino Royale
- James Bond - Quantum Of Solace
- Janela Indiscreta (1954)
- Janela Indiscreta (1998)
- Janela Secreta
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- Lucifer Rising
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- Lucky Number Slevin - Há Dias De Azar

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- McQuade, O Lobo Solitário
- Meia-Noite Em Paris
- Meio Metro De Pedra
- Melancolia
- Melinda E Melinda
- Menina
- Mephisto
- Metrópolis
- Meu Nome É Bruce
- Miami Vice
- Milhões
- Milk
- Millenium 1. Os Homens Que Odeiam As Mulheres
- Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos
- Minha Mãe
- Minha Terra
- Misery - Capí­tulo Final
- Missão A Marte
- Missão Impossí­vel 3
- Missão Impossível - Missão Fantasma
- Missão Solar
- Mistérios De Lisboa
- Momentos Agradáveis
- Moneyball - Jogada De Risco
- Monsters - Zona Interdita
- Monstro
- Monty Phyton E O Cálice Sagradi
- Morte Cerebral
- Morte De Um Presidente
- Movimentos Perpétuos
- Mr. E Mrs. Smith
- Mrs. Henderson Presents
- Muito Bem, Obrigado
- Mulholland Drive
- Mundo Fantasma
- Mundos Separados
- Munique
- Murderball - Espírito De Combate
- Murish
- Mutilados
- Mysterious Skin

- Na Cama
- Nacho Libre
- Não Estou Aí
- Napoleon Dynamite
- Nas Costas Do Diabo
- Nas Nuvens
- Needle
- Nico: À Margem Da Lei
- Ninguém Sabe
- Nixon
- No Limite Do Amor
- No Vale De Elah
- Noite De Agosto
- Noite Escura
- Noivos Sangrentos
- Nome De Código: Cloverfield
- Northfork
- Nosferatu, O Vampiro
- Nothing
- Nova Iorque 1997
- Nove Raínhas
- Nunca Digas Sim

- O Acontecimento
- O Agente Da Broadway
- O Lugar Do Morto
- O Americano
- O Amor Acontece
- O Anjo Exterminador
- O Anti-Pai Natal
- O Artista
- O Assassínio De Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford
- O Assassí­nio De Richard Nixon
- O Batedor
- O Bom Alemão
- O Bom, O Mau E O Vilão
- O Cabo Do Medo
- O Caminho De São Diego
- O Cão, O General E Os Pássaros
- O Capacete Dourado
- O Castelo Andante
- O Castor
- O Cavaleiro Das Trevas
- O China
- O Cobrador
- O Código Da Vinci
- O Comboio Dos Mortos
- O Comboio Mistério
- O Condenado
- O Couraçado Potemkin
- O Cowboy Da Meia-Noite
- O Crepúsculo Dos Deuses
- O Dedo De Deus
- O Delator!
- O Demónio
- O Despertar Da Besta
- O Despertar Da Mente
- O Deus Da Carnificina
- O Deus Elefante
- O Dia Em Que A Terra Parou (1951)
- O Dia Em Que A Terra Parou (2008)
- O Dia Da Besta
- O Discurso Do Rei
- O Enigma Do Espaço
- O Estranho Caso De Benjamin Button
- O Estranho Mundo De Jack
- O Evangelho Segundo São Mateus
- O Exorcista
- O Fatalista
- O Feiticeiro De Oz
- O Feitiço Do Tempo
- O Fiél Jardineiro
- O Gabinete Das Figuras De Cera
- O Gabinete Do Dr. Caligari
- O Gato Das Botas
- O Génio Do Mal (1976)
- O Grande Peixe
- O Grande Ditador
- O Guerreiro
- O Homem Duplo
- O Homem Que Copiava
- O Homem Que Sabia Demasiado
- O Homem Que Veio Do Futuro
- O Idealista
- O Jogo
- O Júri
- O Imperador Da Califórnia
- O Inquilino
- O Justiceiro Da Noite
- O Labirinto Do Fauno
- O Laço Branco
- O Lado Selvagem
- O Lago Perfeito
- O Leopardo
- O Livro Negro
- O Lobo Do Mar
- O Macaco De Ferro
- O Maquinista
- O Marinheiro De Água Doce
- O Menino De Ouro
- O Meu Tio
- O Milagre De Berna
- O Milagre Segundo Salomé
- O Mistério Galindez
- O Monstro Da Lagoa Negra
- O Mundo A Seus Pés
- O Nevoeiro (1980)
- O Ofício De Matar
- O Olho
- O Orfanato
- O Paciente Inglês
- O Padrinho - Parte I
- O Padrinho - Parte II
- O Padrinho - Parte III
- O Panda Do Kung Fu
- O Panda Do Kung Fu 2
- O Pesadelo De Darwin
- O Pistoleiro Do Diabo
- O Planeta Selvagem
- O Pó Dos Tempos
- O Portador Da Espada
- O Presidiário
- O Prisioneiro Do Rock
- O Protegido
- O Próximo A Abater
- O Quinto Elemento
- O Quinto Império
- O Regresso
- O Rei Dos Gazeteiros
- O Reino Proibido
- O Ritual
- O Ritual Dos Sádicos
- O Sabor Do Amor
- O Sargento Da Força Um
- O Segredo A Brokeback Mountain
- O Segredo De Um Cuscuz
- O Segredo Dos Punhais Voadores
- O Selvagem
- O Sentido Da Vida
- O Sétimo Selo
- O Sítio Das Coisas Selvagens
- O Sonho Comanda A Vida
- O Sonho De Cassandra
- O Sorriso De Mona Lisa
- O Tempo Do Lobo
- O Tesouro Da Sierra Madre
- O Tigre E A Neve
- O Tio Boonmee Que Se Lembra Das Suas Vidas Anteriores
- O Triunfo Da Vontade
- O Turista
- O Último Airbender
- O Último Grande Herói
- O Último Rei Da Escócia
- O Último Tango Em Paris
- O Último Voo Do Flamingo
- O Vingador Tóxico
- O Wrestler
- Ocean's Eleven - Façam As Vossas Apostas
- Odete
- Oldboy - Velho Amigo
- Olho Mágico
- Oliver Twist
- Ônibus 174
- Orca
- Órfã
- Os Amantes Regulares
- Os Amigos De Alex
- Os Bons E Os Maus
- Os Caça-Fantasmas
- Os Cavaleiros Do Asfalto
- Os Chapéus De Chuva De Cherburgo
- Os Cinco Venenos
- Os Clãs Da Intriga
- Os Condenados De Shawshank
- Os Descendentes
- Os Edukadores
- Os Famosos E Os Duendes Da Morte
- Os Filhos Do Homem
- Os Friedmans
- Os Guardiões Da Noite
- Os Homens Preferem As Loiras
- Os Imortais
- Os Inadaptados
- Os Índios Apache
- Os Invisíveis
- Os Irmãos Grimm
- Os Limites Do Controlo
- Os Marginais
- Os Mercenários
- Os Miúdos Estão Bem
- Os Novos Dez Mandamentos
- Os Olhos Da Serpente
- Os Olhos Sem Rosto
- Os Onze De Oceano
- Os Optimistas
- Os Pássaros
- Os Produtores (2005)
- Os Psico-Detectives
- Os Rapazes Da Noite
- Os Rapazes Não Choram
- Os Renegados Do Diabo
- Os Rutles - All You Need Is Cash
- Os Selvagens Da Noite
- Os Simpsons - O Filme
- Os Sonhadores
- Os Sorrisos Do Destino
- Os Super-Heróis
- Os Supeitos Do Costume
- Os Três Enterros De Um Homem
-Os Visistantes Da Idade Média
- Os 300 Espartanos

- Pagafantas
- Palpitações
- Papillon
- Para Onde O Vento Sopra
- Parada De Monstros
- Paraíso, Inferno... Terra
- Paranoid Park
- Paris Je T'Aime
- Party Monster
- Pecados Íntimos
- Pele
- Pequenas Mentiras Entre Amigos
- Performance
- Perigo Na Noite
- Perto Demais
- Pesadelo Em Elm Street
- Pink Floyd The Wall
- Piranha 3D
- Piratas Das Caraíbas - O Mistério do Pérola Negra
- Piratas Das Caraí­bas - O Cofre Do Homem Morto
- Piratas Das Caraíbas - Nos Confins Do Mundo
- Planeta Dos Macacos
- Planeta Dos Macacos: A Origem
- Planeta Terror
- Plano 9 Dos Vampiros Zombies
- Polaróides Urbanas
- Polí­cia Sem Lei (1992)
- Polícia Sem Lei (2009)
- Poltergeist, O Fenómeno
- Ponto De Mira
- Por Favor Rebobine
- Por Favor Não Me Morda O Pescoço
- Porcos & Selvagens
- Posto Fronteiriço
- Precious
- Predadores
- Presente De Morte
- Preto E Branco
- Primer
- Príncipe Da Pérsia - As Areias Do Tempo
- Procurado
- Profissão: Repórter
- Promessas Proibidas
- Proposta Indecente
- Proteger
- Psico
- Psicopata Americano
- Pulp Fiction
- Pulsação Zero
- Punch-Drunk Love - Embriagado De Amor
- Purana Mandir
- Purple Rain

- Quando Viste O Teu Pai Pela Última Vez
- Quarentena
- Quarteto Fantástico (1994)
- Quarteto Fantástico (2005)
- Quase Famosos
- Quatro Noites Com Anna
- Que Lugar Maravilhoso
- Que Se Mueran Los Feos
- Queijo E Marmelada
- Quem Quer Ser Bilionário
- Querida Famí­lia
- Querida Wendy

- R
- Rapariga Com Brinco De Pérola
- Rare Exports
- Ratatui
- Ratos Assassinos
- Ray
- [Rec]
- [REC]2
- Red Eye
- Relatório Kinsey
- Relatório Minoritário
- Religulous - Que O Céu Nos Ajude
- Relíquia Macabra
- Renascimento
- Resident Evil: Apocalypse
- Rio
- Rio Bravo
- Rock De Fogo
- Rock, Rock, Rock
- Rocknrolla - A Quadrilha
- Rocky Balboa
- Roger E Eu
- Roma
- Romance E Cigarros
- Roxanne
- RRRrrrr!!!
- Rubber - Pneu
- Ruídos Do Além
- Ruivas, Loiras E Morenas
- Rumo À Liberdade
- Ruptura Explosiva

- Sacanas Sem Lei
- Sala De Pânico
- Salazar - A Vida Privada
- Salto Mortal
- Samsara
- Sangue Do Meu Sangue
- Sangue Por Sangue
- Santa Sangre
- Sapatos Pretos
- Save The Green Planet!
- Saw - Enigma Mortal
- Saw II - A Experiência Do Medo
- Saw 3D - O Capítulo Final
- Scoop
- Scott Pilgrim Contra O Mundo
- Seconds Apart
- Seis Indomáveis Patifes
- Sem Ela
- Sem Limites
- Sem Rumo
- Sem Tempo
- Semi-Pro
- Ser E Ter
- Sereia
- Serpentes A Bordo
- Sete Anos No Tibete
- Sete Vidas
- Sexo E A Cidade
- Sgt. Pepper's Lonely Heart Club Band
- Shaolin Daredevils
- Shaolin Soccer - O Ás Da Bola
- Shaolin Vs. Evil Dead
- Shattered Glass - Verdade Ou Mentira
- Sherlock Holmes
- Sherlock Holmes - Jogo De Sombras
- Shining
- Shoot 'Em Up - Atirar A Matar
- Shortbus
- Shrek 2
- Shrek O Terceiro
- Shrek Para Sempre
- Sicko
- Sid And Nancy
- Sideways
- Simpatyhy For Mr. Vengeance
- Sin City - Cidade Do Pecado
- Sinais
- Sinais De Fogo
- Sinais Do Futuro
- Sinais Vermelhos
- Singularidades De Uma Rapariga Loira
- Sky Captain E O Mundo De Amanhã
- Slither - Os Invasores
- Soldados Da Fortuna
- Soldados Do Universo
- Sombras Da Escuridão
- Somewhere - Algures
- Sonho De Uma Noite De Inverno
- Sonny
- Sophie Scholl - Os Últimos Dias
- Soro Maléfico
- Sorte Nula
- Soul Kitchen
- Spartacus
- Spartan - O Rapto
- Splice
- Stacy - Attack Of The Schoolgirl Zombies
- Star Wars - A Ameaça Fantasma
- Star Wars - A Vingança Dos Sith
- Star Wars - O Ataque Dos Clones
- Stardust - O Mistério Da Estrela Cadente
- Stone - Ninguém É Inocente
- Stoned, Anos Loucos
- Submarino
- Super
- Super Baldas
- Super-Homem
- Super-Homem: O Regresso
- Super 8
- Superstar
- Suspeita
- Suspiria
- Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro De Fleet Street
- Swimming Pool
- Sword Of Vengeance
- Sympathy For The Devil

- Taking Woodstock
- Tarnation
- Tarzan, O Homem Macaco (1981)
- Taxidermia
- Team America - Polí­cia Mundial
- Tebas
- Tecumseh
- Teeth
- Tempestade Tropical
- Tennessee
- Terra De Cegos
- Terminal De Aeroporto
- Terra Dos Mortos
- Terror Em Setembro
- Terror Na Auto-estrada
- Terror Nas Montanhas
- Tetro
- The Bloodstained Butterfly
- The Brown Bunny
- The Darjeeling Limited
- The Departed: Entre Inimigos
- The Devil And Daniel Johnston - Loucuras De Um Génio
- The Devil's Double
- The First Great Train Robbery
- The Fountain - O Último Capítulo
- The Grudge - A Maldição
- The Host - A Criatura
- The Impossible Kid
- The King Of Kong
- The Langoliers - Meia-Noite E Um
- The Last House On The Left
- The Machine Girl
- The Man From Earth
- The Marine
- The Million Dollar Hotel - O Hotel
- The Mindscape Of Alan Moore
- The Mist - Nevoeiro Misterioso
- The Others - Os Outros
- The Prestige - O Terceiro Passo
- The 50 Worst Movies Ever Made
- The Way
- The Woman
- Thirst - Este É O Meu Sangue
- This Is It
- This Is Spinal Tap
- Thor
- Thriller - A Cruel Picture
- THX 1138
- Tirar Vidas
- Titanic 2
- Tony
- Tournée - Em Digressão
- Toy Story 3
- Tragam-me A Cabeça De Alfredo Garcia
- Transamerica
- Tron
- Tron: O Legado
- Tropa De Elite
- Tropa De Elite 2 - O Inimigo Agora É Outro
- Tsotsi
- Tubarão
- Tubarão 2
- Tubarão 3
- Tubarão IV - A Vingança
- Tucker E Dale Contra O Mal
- Tudo Ficará Bem
- Tudo Pode Dar Certo
- Twisted - Homicídios Ocultos

- Ultra Secreto
- Um Amor De Perdição
- Um Azar Do Caraças
- Um Bater De Corações
- Um Belo Par... De Patins
- Um Cão Andaluz
- Um Dia A Casa Vai Abaixo
- Um Dia De Raiva
- Um Homem Singular
- Um Longo Domingo De Noivado
- Um Lugar Para Viver
- Um Padrasto Para Esquecer
- Um Profeta
- Um Tiro No Escuro
- Um Trabalho Em Itália
- Uma Aventura Na Casa Assombrada
- Uma Boa Mulher
- Uma Canção De Amor
- Uma Espécie De Cavalheiro
- Uma Famí­lia À Beira De Um Ataque De Nervos
- Uma História De Violência
- Uma Pequena Vingança
- Uma Rapariga Com Sorte
- Uma Segunda Juventude
- Uma Segunda Vida
- Undefeatable
- Unseen Evil 2 - Alien 3000
- Up - Altamente

- V De Vingança
- Vai E Vive
- Vais Conhecer O Homem Dos Teus Sonhos
- Valhalla Rising - Destino De Sangue
- Valquíria
- Vampiros de John Carpenter
- Van Helsing
- Vanilla Sky
- Vanitas
- Vasilhame
- Veio Do Outro Mundo
- Veludo Azul
- Velvet Goldmine
- Vencidos Pela Lei
- Vendendo A Pele
- Veneno Cura
- Vera Drake
- Versus - A Ressurreição
- Vestida Para Matar
- Vice
- Vício - Quando Nada É Suficiente
- Vicky Cristina Barcelona
- Vidas Sombrias
- Vigilância
- Vingança Redentora
- Virgem Aos 40 Anos
- Vitus
- Viúva Rica Solteira Não Fica
- Viver A Sua Vida
- Voando Sobre Um Ninho De Cucos
- Voltando Para Casa
- Voltar
- Vontade Indómita
- Voo 93

- Walk Hard - A História De Dewey Cox
- Walk The Line
- WALL-E
- Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme
- Wassup Rockers - Desafios De Rua
- Watchmen - Os Guardiões
- Welcome To The Rileys
- White Irish Drunkers
- Wild Zero
- Win Win
- Wolf Creek
- Wristcutters: A Love Story

- X-Men
- X-Men 2
- X-Men 3 - O Confronto Final
- X-Men: O Início
- X-Men Origens: Wolverine

- Zack E Miri Fazem Um Porno
- Zardoz
- Zatoichi
- Zombies Party - Uma Noite... De Morte
- Zombies Strippers
- Zozo

- 007 - Agente Secreto
- 007 - Casino Royale
- 007 - Quantum Of Solace
- 10 Coisas Que Odeio Em Ti
- 100 Volta
- 10.000 AC
- 12 Homens Em Fúria
- 12 Macacos
- 12:08 A Este De Bucareste
- 1984
- 2LDK
- 24 Hour Party People
- 28 Dias Depois
- 20,13 - Purgatório
- 2012
- 300
- 4 Copas
- 48
- 50/50
- 6=0 Homeostética
- 8 1/2
- 9 Canções
- 98 Octanas


ENTREVISTAS:
- Fernando Fragata
- Festróia - Mário Ventura
- Filipe Melo
- Good N Evil
- IMAGO - Sérgio Felizardo
- José Barahona
- Nuno Markl
- Paulo Furtado
- Rodrigo Areias
- Sara David Lopes
- Solveig Nordlund
- Fernando Alle


TOPES:
- Top 8 dos Melhores Filmes de 2011
- Top 5 dos Piores Filmes de 2011
- Top 10 dos Melhores Filmes de 2010
- Top 5 dos Piores Filmes de 2010
- Top 5 dos filmes de Leslie Nielsen
- Top 10 Dos Filmes Low Cost
- Top 5 das Melhores Cenas de Dança
- Top 8 dos Melhores Filmes de 2009
- Top 5 dos Piores Filmes de 2009
- Top 5 dos Filmes Que Tenho Vergonha De Dizer Que Gosto
- Top 5 das Melhores Músicas de Ennio Morricone
- Top 5 dos filmes com Patrick Swayze
- Top 5 dos Telediscos do Michael Jackson
- Top 5 dos Filmes com David Carradine
- Top 5 dos Filmes com Lutadores de Luta-Livre
- Top 10 Os Melhores Filmes de 2008
- Top 5 Os Piores Filmes de 2008
- Top 5 dos Piores Filmes de Natal
- Top 5 das Coisas que não Esperávamos Ver no Cinema
- Top 5 dos Melhores Filmes de Paul Newman
- Top 5 Personagens Com Palas Nos Olhos
- Top 10 Melhores Cartazes De Cinema
- Top 5 dos Filmes de Chuck Norris
- Top 5 dos Filmes de Patrick Swayze
- Top 10 Os Melhores/Piores Vestidos dos Oscares
- Top 5 As Mortes de Crianças Mais Gratuitas
- Top 10 Os Melhores de 2007
- Top 5 Os Piores de 2007
- Top 7 Adaptações ao Cinema de Livros de Stephen King
- Top 5 Filmes Pela Paz
- Top 5 Os Melhores Beijos
- Top 5 Grandes Arquitectos
- Top 10 Filmes Que Mudaram A Minha Vida
- Top 5 Mulheres de Cabeça Rapada
- Top 5 As Cenas Mais Excitantes
- Top 10 Os Melhores de 2006
- Top 5 Os Piores de 2006
- Top 3 Filmes de Robert Altman
- Top 5 Os Vilões do Cinema
- Top 5 Filmes Com Mick Jagger
- Top 5 Filmes Com Steve Buscemi
- Top 5 Dos Cães no Cinema
- Top 5 Dos Filmes do Indie06
- Top 5 Dos Filmes do Fantas06
- Top 5 dos Presidentes
- Top 10 Os Melhores de 2005
- Top 5 Os Piores de 2005
- Top 5 Filmes com Pat Morita
- Top 10 Os Melhores Filmes Independentes
- Top 5 Os Piores Filmes da Saga Bond
- Top 5 Filmes com Dolph Lundgren
- Top 5 Adaptações de BD Para Cinema
- Top 10 Cenas Mais Assustadoras de Sempre
- Top 5 Vencedores do Óscar
- Top 5 Bond Girls
- Top 5 Filmes Sobre Doenças
- Top 5 Filmes de Natal
- Top 5 Melhores Batalhas Corpo-A-Corpo
- Top 10 Melhores Canções do Cinema
- Top 10 Melhores Filmes de Sempre
- Top 5 Melhores Momentos Musicais
- Top 5 Grandes Duelos do Cinema
- Top 10 Maiores Personagens do Cinema
- Top 5 Piores Momentos da Ficção Cientí­fica
- Top 10 Melhores Momentos da Ficção Cientí­fica
- Top 5 Filmes Religiosos


BAÚ DO TRASH:
- Needle
- Que Se Mueran Los Feos
- Easy A
- Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme
- Saw 3D - O Capítulo Final
- And Soon The Darkness
- Os Imortais
- Purana Mandir
- Pagafantas
- The Bloodstained Butterfly
- Cisne Negro


ROYALE WITH CHEESE APRESENTA:
- A Tasca Da Cultura
- A Causa Das Coisas - parte I
- A Causa Das Coisas - parte II
- A Momentary Lapse Of Reason


FILMES A VER ANTES DE MORRER:
- #1 As Lágrimas Do Tigre Negro
- #2 Alucarda
- #3 Time Enough At Last
- #4 Armageddon
- #5 The Favour, The Watch And The Very Big Fish
- #6 Italian Spiderman
- #7 The Soldier And Death


UMA CURTA POR DIA NÃO SABE O BEM QUE LHE FAZIA:
- 1# Rabbit, de Run Wrake
- 2# Aligato, de Maka Sidibé
- 3# The Cat Concerto, de Joseph Barbera & William Hanna
- 4# A Curva, de David Rebordão
- 5# Batman: Dead End, de Sandy Callora
- 6# O Código Tarantino, de Selton Mello
- 7# Malus, de António Aleixo & Crosswalk, de Telmo Martins
- 8# Three Blind Mice, de George Dunning
- 9# Bedhead, de Robert Rodriguez
- 10# Key To Reserva, de Martin Scorcese
- 11# Bambi Meets Godzilla, de Marv Newland
- 12# The Horribly Slow Murderer with the Extremely Inefficient Weapon, de Richard Gale
- 13# Stolz Der Nation, de Eli Roth
- 14# Papá Wrestling, de Fernando Alle
- 15# Glas, de Bert Haanstra
- 16# Fotoromanza, de Michelangelo Antonioni
- 17# Quem É Ricardo?, de José Barahona
- 17# Terra Incognita, de Peter Volkart


AS MELHORES PIORES CENAS DE SEMPRE:
- A Pior Luta
- A Cena Mais Metida A Martelo
- O Ataque Animal Mais Brutal
- A Perseguição Mais Alucinante
- O Duelo Mais Improvável


CLUBE DE CINEMA DE SETÚBAL:
- Janeiro
- Fevereiro
- Março
- Abril
- Maio
- Setembro
- Novembro


FESTIVAIS:
- 20º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9
- 21º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 22º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10
- 23º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10
- 24º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 26º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 12º Caminhos Do Cinema Português
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- Imago 2006
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8

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