Royale With Cheese

 Royale With Cheese

 
 



quinta-feira, junho 30, 2005  

IT:

Título: It
Realizador: Tommy Lee Wallace
Ano: 1990


Não é por acaso que Stephen King é o escritor vivo com mais romances adaptados ao grande ecrã. Os seus livros dão excelente argumentos para filmes, apesar de se tornarem na grande parte das vezes, aborrecidas adaptações. No entanto, normalmente essas adaptações não querem nada com a qualidade, muito graças ao trabalho dos realizadores que pegam no trabalho.
It, um dos clássicos do mestre do terror, foi transformado em telefilme dividido em duas partes, fiél ao romance, o que condensado em DVD, se transformou numa estocada de três horas com as mesmas ideias a serem repetidas até à morte. Mas se o abordarmos como duas partes, a situação afigura-se mais fácil.

Há porventura, filmes que se fazem a si mesmos. Filmes que se tornam interessantes mesmo que a reaização seja ruim demais e as interpretações amadoras. E um filme que esrela Pennywise, o palhaço dançarino que conta anedotas enquanto mutila criancinhas, como é que é possível não gostar dele? Mesmo que toda a dramataização ridícula dos telefilmes esteja presente (exemplo: Porque é que o monstro é tão mau?", interrogação gritada ao céus por uma das vítimas, num dos momentos de maior clímaxe psicológico do filme), mesmo que os jovens actores parecem ter sido escolhidos enquanto passavam na rua e mesmo que todos os clichets da realização de filmes de terror esteja presente.

It é assim um filme dividido em dois: a primeira parte é um manifesto juvenil, a história que estamos habituados a ver na televisão ao domingo à tarde, do grupo de jovens que é posto de parte na escola por ser "diferente", o grupo dos falhados, que têm ainda em comum o facto de serem espancados/humilhados/roubados pelo miúdo mais velho da escola, neste caso, Henry Bowers (Jarred Blancard). Mas os sete amigos vão enfrentar Pennywise, o palhaço dançarino, uma forma maléfica que se alimenta dos seus piores medos e que, de trinta em trinta anos, escolhe uma forma física para dar azo aos seus fetiches doentios com crianças.
A segunda parte do filme reúne os amigos trinta anos depois, adultos e caídos na vida infeliz das pessoas crescidas, de volta à terra natal para cumprir a promessa que tinham feito ao derrotar o monstro na juventude de que, se ele voltasse, que também eles voltariam para o matar.

A segunda parte do filme é claramente melhor, muito mais filme de terror e muito mais bizarra, às vezes sem grande sentido, mas sempre perturbadora e desconfortável.
Paralelamente à história de horror, decorrem as características comuns da obra de Stephen King, na construção das personagens, que nunca são simples carne para canhão: são crianças que sofreram uma educação rigída e austera que lhes condicionou o crescimento, ou mulheres vítimas de machismo extremo, que se reflecte numa brutalidade e num extremismo nas relações.
Mas Stephen King sempre foi melhor na faceta do fantástico e não é por acaso que o chama de Mestre do Terror.

Interpretado superiormente pelo próprio Dr. Drank N' Further - Tim Curry - Pennywise é uma das grandes figuras do cinema de terror, um palhaço assustador e doentio, de olhos irrigados a sangue e dentes afiados.
It é um filme sobre o medo, o medo que invade os homens, sobre e acima das nuvens, que é o preço que pagamos por andar sobre a Terra; e Pennywise é o reflexo desse medo, que se alimenta dos temores das crianças. Mas o que no livro tinha bastante sentido, em que o palhaço assumia as formas dos piores medos das pessoas, no filme passa completamente ao lado, numa amálgama de fantasmas interiores, aranhas gigantes e lobisomens do cinema.

It tem uam análise geral facílima:
Pennywise, o palhaço dançarino - Royale With Cheese
Primeira parte do filme ou Os 7 Contra O Palhaço Assassino - Cheeseburger
Segunda parte do filme - McChicken
Agora junta-se tudo na mesma panela, mistura-se bem e faz-se a média - McChicken com muitas, muitas, batatas fritas (leia-se McBacon).

Posted by: dermot @ 9:17 da manhã
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domingo, junho 26, 2005  

UMA PEQUENA VINGANÇA:

Título: Mean Creek
Realizador: Jacob Aaron Estes
Ano: 2004


Antes de entrar na sala, um rápido olhar sobre Uma Pequena Vingança assemelha-se bastante a Larry Clark. A sinopse - cinco miúdos resolvem vingar-se de um sexto - não só soa a Larry Clark, como até cheira bastante a Larry Clark. Por isso, quando ao fim de vinte minutos já o filme é uma agradável surpresa, nada melhor que constatarmos que as nossas impressões estavam enganadíssimas. Felizmente, nem tudo o que reluz é ouro.

O primeiro trunfo de Uma Pequena Vingança é a facildade que tem em se identificar connosco (ou somos nós que nos identificamos com ele?). Todos nos cruzámos na escola com o miúdo gordo e cretino que nos batia ou que roubava os nossos brinquedos; e todos nós tivemos o secreto desejo de o castigar, elaborando maléficos e complexos planos para o tramar. Por isso, quando Rocky (Trevor Morgan) e o irmão mais novo Sam (Rory Culkin) engendram um plano para se vingarem de George (Josh Peck) - com a cumplicidade dos amigos Marty (Scott Mechlowicz), Clyde (Ryan Kelley) e Millie (Carly Schroeder) - não conseguimos evitar de nos tornarmos um deles, mais um do grupo que finalmente vai almejar a sua pequena vingança.

No entanto, o que deveria ser uma inocente partida acaba por ser um infeliz acidente e o que parecia ser um filme de Larry Clark, de violência visceral juvenil, acaba por ser um drama profundo e intenso.
Num ambiente todo ele indie, o estreante Jacob Aaron Estes usa habilmente os silêncios e o minimalismo de uma fotografia naturalista, para criar uma envolvente introspecção naquele grupo de jovens, num dia que lhes marcou a vida.

Em vez das caricaturas que os filmes do género fazem da juventude (alguém mencionou Treze?), carregando os adolescentes de esteriótipos justos e injustos, Uma Pequena Vingança confere-lhes profundidade, criando para cada um deles uma personagem a três dimensões, palpável e sentida. E se o elenco, apesar da inexperiência, é um portento que ajuda muito na tarefa, o que dizer do olhar penetrante de Scott Mechlowicz?

O filme é uma evolução constante de seis jovens, que quando chegam ao fim do filme, não são os mesmos do início. Quando os conhecemos são apenas cinco adolescentes vulgares que decidem vingar-se do cretino da escola. Mas durante a viagem, este revela-se afinal, um jovem como eles, carente e com problemas psicológicos que os fazem duvidar deles próprios. E quando a morte bate a porta, os jovens vão viver a comunhão cúmplice que a morte transporta e vão perder a inocência - partiram miúdos e voltaram homens.

Uma Pequena Vingança não é sobre vingança; é sobre cumplicidade, laços de sangue e crescimento. É uma história extremamente bem contada e um drama intenso. Mas como já o vimos mais bem feito em O Regresso (apenas com outros intérpretes e outro contexto), é apenas um McBacon.

Posted by: dermot @ 10:54 da tarde
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sábado, junho 25, 2005  

O ANJO EXTERMINADOR:

Título: El Ángel Exterminador
Realizador: Luis Buñuel
Ano: 1962


Antes de haver Pedro Almodovar, já um realizador erspanhol dava cartas no extenso panorama internacional do cinema; e antes de haver David Lynch, já um realizador de língua espanhola assinava filmes estanhos, no bom sentido da palavra, entenda-se.
Luis Buñuel de seu nome, foi um dos mais interessantes, estimulantes e originais realizadores da já longa história da sétima arte; discípulo incondicional do surrealismo, teve como mestres figuras ímpares como Magrite ou Dalí, este último com quem trabalhou em Um Cão Andaluz.
Em 1962 realizou este O Anjo Exterminador, um dos seus filmes mais reconhecido e consensual.

O Anjo Exterminador é uma sátira surrealista sobre a burguesia da altura, tema sobre o qual iria ser reincidente ao longo da carreira. Numa crónica de costumes com tanto de crítico como de simbólico, Buñuel conta a história de um grupo de aristocratas que, após um concerto de ópera, se reúnem na casa de Rauk (Tito Junco) para jantar. No entanto, ao contrário dos criados, que são atraídos para o exterior da casa por uma súbita vontade, os burgueses vêm-se retidos na sala de estar por uma estranha força invisível. Vontade suprema, histeria colectiva ou simplesmente, as ideias insólitas de Buñuel a funcionar?

Exilados voluntários, rapidamente aquela massa de engravatados se torna numa marcha de desalinhados, cujo desespero, suspeita e cinismo, faz crair as máscaras da classe alta, revelando toda a podridão desta.
Buñuel diverte-se a desarmar esta classe, trocando-a de local e obrigando-a a sacrificar os próprios carneiros que são, num microcosmos metafórico que cria numa sala de estar.
A partir de um clima paternal e amigável, é desenrolado todo um cenário de intriga e sobevivência, que Buñuel pulveriza com alguns pingos de surrealismo, sejam a desfloração original de uma virgem, ou o voo picado das águias no armário de jarrões chineses transformado em casa de banho.

Ao contrário de Lynch (cujo trabalho de Buñuel foi uma óbvia fonte de inspiração), o realizador espanhol utiliza o silêncio para criar inquietação e desconforto, tanto psicológico como físico, ganhando com isto um maior realismo. Também ao contrário de Lynch, Buñuel utiliza uma estrutura narrativa mais linear e perceptível, em que destaca os diálogos em espanhol com grandes cargas de ironia, muitas vezes pouco perceptíveis quando sujeitos a tradução.

O Anjo Exterminador é um dos mais fantásticos filmes deste realizador de excepção que foi Luis Buñuel e um dos mais indicados para iniciar uma descoberta sobre a filmografia do realizador. Longe do exercício surreal que foi Um Cão Andaluz, este é um filme mais acessível, mas não por isso, menos estranho. Um McRoyal Deluxe surreal, com batatas fritas derretidas e molho de esparregado.

Posted by: dermot @ 2:55 da tarde
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sexta-feira, junho 24, 2005  

BONNIE E CLYDE:

Título: Bonnie And Clyde
Realizador: Arthur Penn
Ano: 1967


You've read the story of Jesse James,
of how he lived and died.
If you're still in the need
of something to read,
here's the story of Bonnie and Clyde

Bonnie Parker e Clyde Barrow foram os primeiros serial killers da América, o que os tornou desde logo ícones imortalizados, num país que tanto admira estes insólitos. Líderes da conhecida Barrow Gang nos anos 30, atravessaram os Estados Unidos deixando atrás de si um rasto de assaltos, violência e mortes.
Quando o cinema se precipitou a mudar, com o final do cinema clássico de Hollywood às mãos de um grupo de jovens e impetuosos realizadores, Bonnie E Clyde tornou-se desde logo um dos marcos dessa década, através da adaptação livre dessa história, que lhe conferiu uma aura de poesia e fábula.

Bonnie (Faye Dunaway) e Clyde (Warren Beatty) conheceram-se fortuitamente, pouco depois deste ter abandonado a prisão. Ela, empregada de mesa, ansiosa por fugir do marasmo da sua vida quotidiana, viu essa hipótese na paixão à primeira vista pelo ex-presediário. Amantes fogosos, apesar da relação deveras particular (Clyde seria homossexual e/ou impotente), alimentaram o fogo da paixão a gasolina, que crescia ao sabor da adranalina e da feromona, proporcional à onda de violência em que embarcaram. No mesmo barco seguiu também o jovem C.W. Moss (Michael J. Pollard), o irmão de Clyde, Buck (Gene Hackman) e a insuportável esposa deste, Blanche (Estelle Parsons).

Arthur Penn não tenta explicar nada, nem contextualizar opções de vida; pura e simplesmente apresenta-nos as personagens, narra aquela jornada inesquecível e acaba-a abruptamente, tão abruptamente quanto a última faísca de vida abandonou os corpos dos amantes criminosos.
Num registo descomprometido, mas extremamente violento, a empresa dos bandidos assume uma mística e uma poesia de anti-heróis, que apesar dos crimes, serão sempre admirados por um mundo de fiéis.
Além disto, o realizador não se furta a um ligeiro retrato da época; apesar de se passar nos anos 30, a história reflecte-se na recessão dos anos 60. Infelizmente, é pouco abordado a forma como a história se repercutiu na América, ficando a tarefa à conta da nossa imaginação e de uns recortes de jornal. Mas para isso existe Assassinos Natos.

Bonnie E Clyde é um filme violento e angustiante, que vai ficando cada vez mais carregado à medida que as mortes vão acontecendo; depois de um princípio bem-disposto e divertido, o clima começa a tornar-se negro e acaba completamente sinistro, como que se o pesado fardo da consciência começasse a pesar cada vez mais nas costas do filme.
E depois há a famosa cena do clímaxe final, um bailado de balas que ainda hoje é uma das cenas mais violentas da sétima arte. Aliás, se algum dia for escrito um dicionário de cinema, junto à palavra violência, estará a capa de Bonnie E Clyde.

Bonnie E Clyde tem presença, carisma e estilo e Faye Dunaway e Warrem Beatty contribuiram bastante para isso, nomeadamente a primeira. Jovem e bela, Faye Dunaway passeia glamour e irradia toques de diva, sob uma cabeleira loira brilhante, uma bóina inesquecível e um vestido provocador.

Em poucos parágrafos já falei de dois aspectos do filme que merecem nota máxima: a cena final e Faye Dunaway. É fácil deduzir a nota final de Bonnie E Clyde: Royale With Cheese.

Posted by: dermot @ 6:23 da tarde
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terça-feira, junho 21, 2005  

O ASSASSÍNIO DE RICHARD NIXON:

Titulo: The Assassination Of Richard Nixon
Realizador: Niels Mueller
Ano: 2004


Depois da tempestade vem sempre a bonança.
Há quem reja a sua vida por este ditame, quem defenda que a história do mundo se desenvolve ciclicamente, por altos e baixos. Ou seja, a seguir a uma época de forte recessão, seguir-se-à sempre outra de forte expansão. Só assim se percebe que um filme acerca da realidade dos anos 70 seja tão real e actualizado quase quatro décadas depois.
Ora vejamos, a América e o mundo, nos anos 70 não eram assim tão diferentes da realidade de hoje; em ambos os períodos, os Estados Unidos têm(tiveram) no poder um déspota democrata, que cultiva a mentira e as falsas promessas para manter a liberdade ocultada numa guerra; ontem o Vietname, hoje o Iraque. Há quarenta anos também se vivia em recessão, a crise era palpável, os pobres muito pobres e os ricos muito ricos. O ontem como hoje, já Manoel de Oliveira usara a alegoria no seu Quinto Império.

Mais do que uma metáfora ou uma crítica, O Assassínio De Richard Nixon é um filme sobre um homem, Samuel Bicke (Sean Penn), um grão de areia na enorme praia que é o mundo, um homem farto de ver os assalariados serem tratados como escravos, farto de tanta corrupção e mentira, farto de ver o seu casamento falhar e sobretudo, cansado de pedir tanta vez desculpa (um Homem não pede tanta vez desculpa). Samuel Bicke era um homem falhado e a sociedade vai transforma-lo num sociopata.
Samuel Bicke precisava de acreditar em qualquer coisa, nem que fosse nos Black Panthers. E surgia na televisão um rosto que tinha escrito na testa "culpado": Richard Nixon, o homem que se vendeu ao povo americano por dois mandatos consecutivos. Samuel Bicke vai marcar encontro com a História e vai provar que um grão de areia também pode parar a engrenagem.

Neste Taxi Driver revisited, Sean Penn transforma-se num sociopata frustrado, determinado a mudar o mundo, ao decidir desviar um avião de encontro à Casa Branca (mais uma coincidência de datas?). Acompanhamos ao longo do filme a sua lenta metamorfose, relatada pelo seu diálogo unilateral com o maestro Leonard Bernstein, escolhido como confidente devido à sua música honrada e pura. E que metamorfose!
Sean Penn é cada vez mais um actor com lugar destinado no Olimpo da sétima arte e a sua interpretação em O Assassínio De Richard Nixon é apenas mais um degrau na sua escalada imparável.

Niels Mueller tem assim uma estreia em grande, num retrato de época fiél, de cores esbatidas e um Richard Nixon constantemente na televisão e na rádio. O filme tem o ritmo certo, de condensação de frustrações e desilusões, até que o saco explode num clímaxe frio, mas perturbador.
As comparações com Taxi Driver são inevitáveis, mas neste caso, a conspurcação do Homem pela sociedade doente é bastante diferente: ambas são cancerígenas, mas em zonas do corpo diferente.

No final do filme, Sean Penn refere que o trabalho de um Homem só é reconhecido pelas suas acções. Neste antro reconhecemos o trabalho dos cineastas por menus de comida de plástico. E um Le Big Mac é um grande reconhecimento.

Posted by: dermot @ 10:32 da tarde
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O MAQUINISTA:

Título: El Maquinista
Realizador: Brad Anderson
Ano: 2004


Em O Maquinista há algo que se sobrepõe ao próprio filme: Christian Bale!
O actor cedeu aos intentos do realizador e deu, literalmente, o corpo ao manifesto, emgarecendo quase 40kg para o papel, peso que entretanto recuperou num mês para encarnar o homem-morcego em Batman - O Início. Se como Batman Bale é um homem musculado e saudável, em O Maquinista é um homem esquelético, que nos coloca numa situação desconfortável perante aquela aparição de Auschwitz. Mas tal como o próprio filme, também a sua interpretação é muita forma e pouco conteúdo.

O maquinista é então Trevor Reznik (Christian Bale) que nada tem a ver com comboios: Trevor é o maquinista da sua própria vida, alienada e manietada.
Trevor sofre de uma perturbação psicológica, um fantasma que não o deixa dormir há mais de um ano, o que se reflecte na sua condição precária e doentia, que se divide pelo tempo passado na linha de montagem onde trabalha, um bar perdido no aeroporto e a casa de uma prostituta, que é, simultaneamente, mãe e amante. Como se isto não bastasse, um infeliz acidente no trabalho ceifa um braço ao seu colega Miller (Michael Ironside); acusado, Trevor aponta o dedo ao novo trabalhador Ivan (John Sharian). Contudo, na empresa ninguém conhece esse homem. Fruto da sua imaginação ou teoria da conspiração gigantesca para o tramar?

A partir daqui o filme funde-se numa amálgama entre a realidade e a demência de Bale, sem nunca termos a certeza do que é e o que não é real. Christian Bale vê-se envolvido num thriller psicológico perturbador e doentio, do qual Brad Anderson faz um excelente trabalho visual, seja com o clima mininalista, sujo e negro do apartamento de Bale, seja com a fotografia granulada dos exteriores. No entanto, é a aparência física do protagonista o factor principal para nos sentirmos desconfortáveis durante todo o filme.

Apesar do trabalho do realizador ser bastante interessante, o que torna O Maquinista inóquo?
Começa a ser demasiado habitual os filmes que surgem segundo esta estrutura narrativa: a história começa com o actor principal numa situação comprometedora (nesta caso pode-se adiantar que Bale inicia o filme preparando-se para se desenvecilhar de um cadáver) e depois desenvolve-se ao contrário, ou por flasbacks ou com um recuo no tempo, deixando o suspense no ar e a dúvida ao espectador. E depois há a perturbação até final, altura em que surge o twist ou o contra-twist, que tem dois efeitos extremistas: ou salva o filme ou enterra-o completamente.
Com tantos filmes a obedecer a esta estrutura, o que dizer de um que não traz nada de novo? O final é um clichet gigantesco, já bastante visto no cinema e desvendado a meio da trama. E depois há ali demasiado Memento, demasiado Clube de Combate (sem me alongar nos porquês para não entrar no terreno dos spoilers) e, principalmente, demasiado Hitchcock (mesmo que pareça filmado por David Lynch). A única coisa que há ali a mais sem ser nociva, é haver demasiado Dostoevsky.

O Maquinista sofre bastante da aura de filme de culto em que vem envolto porque apesar do bom trabalho do realizador e do sacrifício de Christian Bale, a sua essência é demasiado inofensiva. E custa deduzir que se o actor principal fosse outro, que não se tivesse submetido ao que Bale se submeteu, o filme seria um autêntico bocejo de ideias repetidas de outra forma.
Mais olhos do que barriga. Tal como o aspecto físico do protagonista. Imagino a falta que uns McChickens lhe fizeram durante a sua dieta de uma lata de atum e uma maçã por dia... Para ver uma vez!

Posted by: dermot @ 7:26 da manhã
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domingo, junho 19, 2005  

SAW - ENIGMA MORTAL:

Título: Saw
Realizador: James Wan
Ano: 2004


Apesar da tradução do título do filme para português, mais uma vez, não dever nada à literalidade, desta vez não podemos culpar os responsáveis de excesso de imaginação; de facto, Saw é o maior enigma mortal do cinema do novo milénio. Um enigma mortal de sangue e carne humana.

Saw - Enigma Mortal, filme sensação de 2004 do circuito independente alternativo, deixou já para trás a promessa de uma sequela e uma falange de adeptos atrás de si, graças ao trabalho do realizador estreante James Wan, que com um estilo muito próprio, criou um dos grandes sucessos do terror do ano transacto e um possível filme de culto num futuro próximo.
Imagine uma fusão entre O Jogo e Sete Pecados Mortais, de David Ficnher, realizada pelo mestre gore do terror italiano, Dario Argento. Esse resultado seria Saw - Enigma Mortal.

O filme começa com dois homens, Adam (Leigh Whannell) e Lawrence (Cary Elwes), acorrentados numa casa de banho imunda e abandonada, apenas com um cadáver entre eles, um gravador e duas serras. Um psicopata conhecido por "Assassino do Puzzle" é o autor da façanha e presta-se a ditar as regras: se quiserem viver, têm de matar o próximo, nem que para isso seja necessário cortar o próprio membro para alcançar uma arma de fogo.

Esta premissa inicial mostra um thriller doentio e cruél, iniciando o filme a grande velocidade. No entanto, os cartuchos esgotam-se ao fim de vinte minutos, o que nos faz pensar que a partir de agora, o caminho será sempre a descer. Puro engano: consciente das limitações, James Wan não tenta esticar o suspense e opta por um thriller psicológico, recorrendo a flashbacks para contextualizar e dar profundidade às personagens. O trunfo está na identificação que sofremos: que faríamos nós em tal situação? E a intensidade nunca diminui.

Tal como em O Jogo, Saw - Enigma Mortal é um jogo de regras bem definidas, mas sarcásticas e cruéis - um jogo doentio e visceral que os dois homens vão ter de jogar. A perturbação de Sete Pecados Mortais também está presente, nas intenções desumanas do psicopata, que afinal não tem mais do que um sentimento nobre: dar às pessoas uma consicência da benção que é a vida. E depois, todo o gore visceral do cinema de terror de Argento é revisistado, seja na jovem Amanda (Shawnee Smith) obrigada a revolver as entranhas do seu amado em busca de uma chave, ou nos pobres protagonistas, presos no tortuoso dilema entre cortar um membro ou morrer.

Saw - Enigma Mortal apenas vacila no final. Depois de criar um ambiente único e uma identidade suja e sombria a tons de ferrugem e bolor, James Wan parece ter ficado cansado e vazio de ideias e quase que acaba o filme como um amador. Apesar do twist funcionar minimamente, as revelações são ridículas e desprovadas de qualquer imaginação; nem parece que o mesmo homem que idealizou aqueles enigmas mortais foi o mesmo que escreveu aquele final.
E estranhamente, deambula pela história um polícia que já teve melhores dias no cinema. Falo de Danny Glover, cuja prestação é aborrecida e inútil.

Saw - Enigma Mortal é um excelente filme, que sofre do síndrome do final. O realizador, na dúvida pelo melhor clímax, opta pela ideia mais fácil, vista e batida. O que teria sido se continuasse a fazer juz a todos os adjectivos dignos do resto do filme?
Mesmo assim, o filme sobe um ponto por ser uma lufada de ar fresco num estilo cada vez mais formatado pelas chinesisses actuais que inundam as salas de cinema. E um ponto a mais significa McRoyal Deluxe.

Posted by: dermot @ 12:01 da tarde
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quarta-feira, junho 15, 2005  

TOP 5:

Aproveitando um ligeiro abrandamento de conteúdos (que será breve), decidi pegar boleia do entusiasmo criado por Sin City - Cidade Do Pecado e voltar à temática das listas, que tanto gostamos, e elaborar o TOP 5 DAS MELHORES ADAPTAÇÕES DE BANDAS-DESENHADA PARA O CINEMA):

5º Lugar - Mortadelo E Filémon (2003) - Javier Fesser faz de Francisco Ibáñez
4º Lugar - Astérix E Cleópatra (2002) - Alain Chabat faz de Goscinny e Uderzo
3º Lugar - Mundo Fantasma (2000) - Terry Zwigoff faz de Daniel Clowes
2º Lugar - American Splendor (2004) - Shari Springer Berman e Robert Pulcini fazem de Harvey Pekar
1ª Lugar - Sin City - Cidade Do Pecado (2005) - Roberto Rodriguez e o próprio Frank Miller fazem de Frank Miller

Posted by: dermot @ 1:38 da tarde
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domingo, junho 12, 2005  

SIN CITY - CIDADE DO PECADO:

Título: Sin City
Realizador: Robert Rodriguez
Ano: 200


Sejamos directos e deixemo-nos de rodriguinhos: Sin City - Cidade Do Pecado é bom demais!
Verdade seja dita, o mais difícil era não sê-lo; o filme tinha tudo para ser uma obra-prima: Frank Miller, o próprio criador da banda-desenhada homónima a trabalhar com Robert Rodriguez, o realizador com créditos firmados (alguém falou de Desperado?) que mais se adequava ao tipo de história; um elenco de luxo, deonde se destacava Rutger Hauer, Bruce Willis, Michael Madsen e, especialmente, Mickey Rourke, quatro actores sinónimos de feios, porcos e maus; e até Quentin Tarantino, como realizador convidado, responsável pela cena mais surreal de todo o filme. Tinha tudo para ser perfeito. Tudo, excepto Elijah Wood; mas que afinal é uma surpresa fantástica.
Sin City - Cidade Do Pecado atinge assim todas as expectativas que criara; e que eram elevadíssimas.

Sin City é originalmente uma banda-desenhada criada por Frank Miller, um dos mais obscuros e sinistros autores norte-americanos; o seu sucesso deu-se em parte pela crueza e violência das histórias, mas também pelo seu aspecto gráfico, a preto e branco, com ligeiros apontamentos de cor.
Sin City - Cidade Do Pecado é mais do que uma adaptação de três dos livros da série interligados (mais uma curta); é uma transição para a grande tela. Com recurso ao sistema digital, cada vez mais em voga (alguém mencionou Sky Captain E O Mundo De Amanhã?) e cada vez mais perfeito, Rodriguez e Miller, usando os próprios livros como storyboards, transpuseram The Hard Goodbye, The Big Fat Kill e That Yellow Bastard para cinema.

Ver Sin City - Cidade Do Pecado é como ler os graphic novels, mas com maior dinâmica. A montagem segue os quadradinhos e por isso não há continuidade na edição. O resultado não é mau e pode possibilitar interessantes experiências num futuro próximo.
No entanto, é no seu aspecto visual que reside o seu grande trunfo. Cem por cento digital, com os cenários ilustrados pelo próprio Frank Miller, o filme carrega-se com uma forte aura noir e um pesado ambiente de banda-desenhada, que se fundem perfeitamente com a crueldade daquela cidade do pecado.

Qual Sodoma, Basin City é uma cidade conspurcada pelo pecado. Com ligeiros pontos em comum, vão decorrer três histórias de amor, vingança e crime. Marv (Mickey Rourke) é um gigante falhado com um coração de ouro a procurar vingar pelas próprias mãos a morte da sua amada Goldie (Jaime King); Hartigan (Bruce Willis) é um dos únicos polícias honestos naquela cidade corrupta (alguém se lembrou de Serpico?), que ao meter-se nos assuntos do Senador Roark (Powers Boothe), vai ver a sua vida ser ameaçada por um artificial sacana amarelo (Nick Stahl); e Jackie Boy (Benicio Del Toro) é um machista que vai ter que ser ver com o novo namorado da sua mulher, Dwight (Clive Owen).

Um filme com um elenco com gente como Mickey Rourke, Michael Madsen ou Rutger Hauer, só pode significar sangue, brutidade e muito ambiente série B. Sin City - Cidade Do Pecado conjuga com todos esses adjectivos - nao tem pejo em mutilar, desfigurar ou massacrar.
Mickey Rourke, ícone do cinema de série B, está oficialmente recuperado para Hollywood, com uma interpretação brutal do desfigurado Marv; Bruce Willis, cuja carreira parece já não dar mais do que deu quando andava envolvido em assaltos a arranha-céus e afins, pode ter aqui um excelente canto de cisne; e Elijah Wood, que há partida era o elo mais fraco, acaba por ser uma das personagens mais perturbadoras do cinema dos últimos anos. Além disso, Benicio Del Toro é mais uma vez genial.
Filme extremamente machista, em que as mulheres são sempre secundárias, pouco espertas e/ou submissas, Sin City - Cidade Do Pecado acaba sempre por ter um contraponto de honra, orgulho e fiéldade.

Sin City - Cidade Do Pecado não foge muito da perfeição e é, sem dúvida, um pilar da cultura pop do novo século.
Não há muito a dizer sobre um filme assim, agora só nos resta temer pelas sequelas; ser melhor que isto é difícil, mas ser pior é muito fácil. Quando se atinge o Royale With Cheese à primeira não é preferível ficar por aqui?

Posted by: dermot @ 11:11 da manhã
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sexta-feira, junho 10, 2005  

FÚRIA SILENCIOSA:

Título: The Punisher
Realizador: Mark Goldblatt
Ano: 1989


Os anos 80 foram do caraças.
A frase não é minha, mas eu não me canso de a repetir, desde que a adoptei no meu vocabulário. De facto, a década de 80 foi prolífera para o genuíno cinema xunga, um cinema de acção descomprometido com qualquer requisito comercial, descomplexado e despretensioso.
Os anos 80 foi uma década de verdadeiros action movies, com verdadeiras action figures (Shchwarzenegger, Stallone, Van Damme ou Seagal); foi uma década de low-budget movies, que passavam directamente para o circuito comercial dos clubes de vídeo; e foi uma década de cinema de culto! Englobado nestas três categorias está Fúria Silenciosa, a primeira adaptação ao cinema do herói da Marvel, Justiceiro.

Numa altura em que as adaptações dos heróis de banda-desenhada ainda não tinham invadido o cinema, com algumas raras excepções (da qual o Super-Homem era o exemplo mais flagrante), o desconhecido realizador Mark Goldblatt decidiu apostar no mais negro herói da Marvel - o Justiceiro.
Verdadeiro anti-herói, cruel e impiedoso, o Justiceiro (de seu nome próprio, Frank Castle) jurara acabar com o crime no Mundo, depois de a sua família ter perecido inocentemente, no meio de um duelo de gangues. O Justiceiro e a palavra vingança confundem-se, quase que são ambas o mesmo; mas no remake(?) de 2004, Jonathan Hensleigh parece ter-se esquecido do verdadeiro significado do termo vingança.

Fúria Silenciosa é o verdadeiro filme xunga, um action movie despretensioso e objectivo. Após introduzir a história de Frank Castle (Dolph Lundgren) de forma telegráfica nos primeiros cinco minutos, o filme arranca para hora e meia de vingança cruél e sem perdão, mascarada de matança do porco. Os banhos de sangue só são interrompidos para curtos momentos filosóficos, morais ou/e simbólicos. Aliás, da equação de cinema xunga, só falta mesmo a parcela do sexo.

Dolph Lundgren, um dos mais inexpressivos actores de sempre, é uma tentativa fantasmagórica do Justiceiro, que pouco passa do dormente. Tomando o papel de Deus, o Justiceiro promete castigar todos os pecadores e proteger os inocentes. Assim, vai acabar por se ver envolvido numa guerra entre a máfia italiana e a yakuza, que se degladiavam pelo controlo de Nova Iorque. Claro que aqui a máfia italiana está repleta de pistoleiros zarolhos e a yakuza está cheia de ninjas mortais, sempre prontos a trocar uma execução certa por um combate corpo-a-corpo.
Com uma banda-sonora sinistra, a fazer lembrar os bons velhos tempos de Carpenter, Fúria Silenciosa ainda conta com uma edição ridícula para tornar as cenas de acção sem sentido.

No entanto, nem tudo é mau no filme. Como em todas as pérolas xunga, existem verdadeiros achados. E em Fúria Silenciosa, o seu trunfo é a crueldade. Completamente impiedoso, o filme é um circo de mortes de todas as formas, em que a contagem dos corpos se perde ao fim do primeiro quarto de hora. O seu clímaxe é o final, numa invasão à sede da yakuza, em que os ninjas são dizimados impiedosamente. Exemplo: o Justiceiro irrompe por uma sala apinhada de samurais; simplesmente, descarrega a sua metralhadora nos inimigos, deixando atrás de si uma multidão de corpos mutilados.
E depois há Zoshka Mizak. E quem é Zoshka Mizak? No filme, é a filha adoptiva muda de Lady Tanaka (Kim Miyori), a líder da yakuza. No vida real é uma total desconhecida, da qual nada se sabe. No entanto, em Fúria Silenciosa, no meio de tantos maus actores, deambula como uma benção celestial, com pormenores verdadeiramente deliciosos: ou são os brincos, qual arma branca letal, ou é a maneira como luta, proporcionando no final, o melhor duelo do filme.

Fúria Silenciosa é uma pérola xunga, cujo Cheeseburger é cem por cento inflacionado pelo seu espírito impiedoso e cruél. No entanto, se o compararmos com Punisher - O Vingador, é quase um Royale With Cheese!

Posted by: dermot @ 12:00 da tarde
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terça-feira, junho 07, 2005  

21. FESTRÓIA:

Destaque Royale With Cheese - FIM DE ANO EM SPLIT:


Título: Ta Divna Splitska Noc
Realizador: Arsen A. Ostojic
Ano: 2004


Por entre o desfile de películas do Festróia, o Royale With Cheese teve o prazer de assistir a algumas dezenas de filmes; uns de boa qualidade, outros de menos boa qualidade. Colocando de lado este segundo grupo, decidi destacar dos do primeiro grupo, aquele que mais me impressionou e atribuir-lhe uma menção honrosa.
Veio da Croácia, chama-se Fim De Ano Em Split e é uma das grandes produções do país inseridas na recém-proclamada new-wave do cinema croata, um estilo estilizado e modernista, que veio dar um novo fôlego ao cinema nacional.

O filme é um crossover de três histórias do submundo de Split, na véspera do Ano Novo, filmadas em tons de azul, o que mergulha o filme num ambiente noir, dando-lhe uma aura apaixonante de livro de banda-desenhada.
À primeira vista, Fim De Ano Em Split faz lembrar Pulp Fiction, primeiro pelos temas abordados - droga, sexo, tráfico - num estilo muito cool, apologista da violência; e segundo pela estrutura narrativa, num cruzamento de três histórias, do fim para o início, em que nada têm a ver umas com as outras, mas que só fazem sentido juntas. No entanto, apesar da mestria com que dialogam entre si, são estruturalmente mais simples de seguir.
Contudo, é o ambiente noir aliado à arquitectura de Split, que faz Fim De Ano Em Split parecer uma versão soft de Sin City, salpicada pelo obscurismo de Cidade Obscura.

As três histórias resumem-se muito simplesmente: a primeira tem como protagonista Nike (Mladen Vulic), um dealer apaixonado a serviço da máfia, que vai ser alvo de traição; a segunda, tem como persgonagem central a bela Maja (Marija Skaricic), uma adolescente viciada em cocaína, desesperada por uma dose; e a terceira e última história, roda à volta de um casal de namorados, apostados em perder a virgindade antes da passagem do ano. Estas três histórias têm como ponto-charneira o vocalista incógnito de uma banda rock, a actuar no centro de Split a poucas horas da reveillon.

Filme estilizado e muito cool, com um trabalho de realização e montagem notável, Fim De Ano Em Split é a metáfora de um país pós-guerra, marcado pelas cicatrizes de um confronto bélico violento.
Se visualmente é cativante, menos não pode ser dito em relação à banda-sonora, que devido à tal banda rock, abre o filme com o genérico mais divertido do festival.

Fim De Ano Em Split é um excelente filme que merece a passagem por um circuito comercial alargado. Tem estilo (e um estilo próprio), foge ao convencionalismo e não se assusta em não fazer sentido no final. Além disso, acompanha muito bem um saboroso saco de pipocas. E quem fala em pipocas, fala em Le Big Mac.

Posted by: dermot @ 10:59 da manhã
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domingo, junho 05, 2005  

21. FESTRÓIA:

CERIMÓNIA DE ENCERRAMENTO:


Chegara ao fim a 21ª edição do Festróia. Foram oito dias interruptos de cinema, mais de cem filmes apresentados e mais de mil horas de película exibida. Agora, a noite era de festa e o público ansiava pela entrega dos prémios.

A Secção Oficial, a mais aguardada do festival, englobara doze filmes, todos com um alto nível qualitativo, o que adivinhava logo de início, uma árdua tarefa ao júri; além disso, eliminava à partida qualquer favorito à vitória.
E o vencedor foi Sempre Se Pode Voar, de Bahman Ghobadi, acerca da guerra do Iraque, vista do Curdistão. O Royale With Cheese já lhe havia vaticinado um bom cenário para o filme no Festróia, algo que o júri oficial confirmou, atribuindo-lhe o Golfinho De Ouro (que se juntou ao Prémio SIGNIS), galardão que aumentou a lista de prémios já conquistados nos festivais de Berlim e San Sebastián.
Destaque também para duas personalidades: a primeira é um realizador já bem conhecido em Setúbal, Carlos Sorin, que arrecadou o Golfinho de Prata pelo melhor argumento, graças a Bombom, que também venceu o prémio FIPRESCI; e a segunda foi a Shooting Star Dorka Gryllus, que viu a sua interpretação em Dallas ser distinguida com o Golfinho de Prata para Melhor Actriz.
Para conferir a lista completa dos prémios, é só seguir aqui.

A noite não terminaria, sem antes Mário Ventura, a face mais visível deste grande projecto, subir a palco para anunciar a próxima edição do festival, marcada para o início do próximo mês de Junho. E as luzes apagaram-se para mais uma ante-estreia nacional.


Ante-Estreia - A BALADA DE JACK AND ROSE:

Título: The Ballad Of Jack And Rose
Realizador: Rebecca Miller
Ano: 2005


A Balada De Jack E Rose apresentava-se ao público com dois aliciantes extras que despertavam a curiosidade: o primeiro era o nome da realizador, Rebecca Miller, filha do mestre Arthur Miller, que se prestava aqui à sua prova de fogo depois de dois filmes discutíveis; e o segundo era a reabilitação do actor (e seu marido) Daniel Day-Lewis, nove anos depois do seu último papel (com excepção para a participação secundária em Gangues De Nova Iorque).

O filme conta a história de Jack (Daniel Day-Lewis) e Rose (Camilla Belle) Slavin, pai e filha, dois activistas ambientais a viverem praticamente isolados, numa comuna abandonada numa ilha paradisíaca na costa norte-americana. No entanto, a saúde de Jack era cada vez mais débil, proporcional ao crescendo da sua veia ambientalista activa. Numa decisão algo arriscada, Jack decide convidar a sua namorada Kathleen (Catherine Keener) a ir viver consigo. Tal situação vai ser um choque para Rose, que não vai aceitar a invasão do seu espaço muito particular, por três alienígenas, uma vez que Kathleen se fizera acompanhar pelos seus dois filhos: Thaddius (Paul Dano) e Rodney (Ryan McDonald).

Em A Balada De Jack E Rose tudo é belo: começando pela fotografia assombrosa e os cenários maravilhosos, passando pela banda-sonora folk de Bob Dylan e Eric Burdon e terminando na prestação brutal de Daniel Day-Lewis, regressado novamente ao papel de débil fisicamente, mas forte psicologicamente, depois de O Meu Pé Esquerdo.
O filme é um ensaio sobre a degração pessoal e caótica do seu humano, muito à semelhança da obra de Lars Von Trier (o tremer de câmara parece assim não ser uma simples coincidência), mas um ensaio levado longe demais: se o distúrbio da personalidade humana é conseguida de forma perturbante, a sua prestação dramática queda-se pelo atabalhoamento.

Amor, incesto ou paixão? A tríade de emoções principais que percorrem o filme não é senão um simulacro para a resposta correcta: possessão. A Balada De Jack E Rose é uma história choque de posse, um desejo de propriedade perturbador de um pai e uma filha, que Rebecca Miller ilustra perspicazmente com o fantástico tema I Put A Spell On You, nos momentos cruciais da trama.
Mas a míriade de objectivos da realizadora não se ficam por aqui e a sua mensagem ramifica-se por caminhos indistintos, que por vezes nos são completamente obscuros. E nem os nossos piores medos o explicam.

No entanto, o ponto negativo do filme é o seu final. Primeiro dá a sensação de que foi alterado por motivos de força maior (reação negativa do público num primeiro teste?); e depois porque quebra toda a força do filme e todo o seu conceito. Como que se a linha que viesse desenrolando durante o filme se partisse.
Fica assim no ar sensações como desilusão e frustração. Desilusão porque o filme tinha tudo para ser um must see. E frustração porque há ali tantas coisas que mereciam mais do que um McChicken. Até o próprio título o merecia.

Posted by: dermot @ 11:51 da tarde
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sábado, junho 04, 2005  

21. FESTRÓIA:

DIA 7
Cinema Português Do Ano - PRETO E BRANCO:


Título: Preto E Branco
Realizador: José Carlos
Ano: 2003


Apesar de ser datado de 2003, Preto E Branco, o filme de José Carlos de Oliveira (que se prepara para invadir as salas nacionais com o seu novo projecto) sobre a guerra colonial, foi um dos escolhidos para ilustrar a secção de cinema português da edição deste ano do Festróia.

A Guerra Colonial é o nosso Vietname: uma guerra violenta, que deixou marcas profundas no território, no povo português, no povo africano e, principalmente, nos intervenientes directos do confronto. Por isso, é normal que o cinema português se interesse pelo conflito.
Não se percebe, no entanto, o porquê da fraca qualidade das abordagens que foram feitas ao longo dos anos. Apesar de algumas excepções - alguém mencionou Os Imortais? - a abordagem do cinema português ao Ultramar queda-se pelos efeitos psicológicos que a guerra deixou. Por isso, é agradável ver logo de início que Preto E Branco é uma excepção.

Preto E Branco é rodado em Moçambique em plena Guerra Colonial. O sargento Lopes (Luís Sarmento) lidera uma operação especial no mato africano, mas um erro estratégico vai deixa-los em terra, perdendo o acesso ao helicópetro de resgate. O Sargento Lopes vai perder os seus dois soldados, ficando sozinho no mato com um prisioneiro negro (Ângelo Torres).

Após um início realista e brusco, bem no âmago do combate, o filme entra por um registo narrativo próximo da comédia, com um humor que faz despertar várias gargalhadas da plateia. José Carlos de Oliveira faz um excelente trabalho na construção das personagens, trocando-lhes os papéis: afinal é o negro o natural de Lisboa, com ideias de esquerda bem definidas e com uma aversão ao mato; e o branco é o natural de Moçambique, que reclama a terra como sua e que vê a guerra como solução.
Em Preto E Branco, o realizador isola dois personagens: um branco e um preto. Mas a vida não é a preto e branco e eles rapidamente se apercebem disso. E quando uma terceira pessoa se junta à jornada - a enfermeira-paraquedista Adelaide (Cristina Homem de Mello) - essa realidade a cores vai tomar nova direcção.

Cortando com o registo sério que rege o cinema nacional, Preto E Branco é um excelente passo na direcção certa do cinema português, em que acaba por só falhar em alguns lugares comuns no final. No entanto, tecnicamente, é um filme extremamente pobre. A edição é fraca e pouco imaginativa e até a fotografia vulgar; e depois nem se fala do uso ridículo da câmara lenta e das explosões-bombinhas-de-carnaval. Isso para não falar dos microfones aos cantos do ecrã.

Numa altura que o cinema português já deu um grande salto em termos técnicos, Preto E Branco sabe um pouco a paradoxo, uma vez que é aí que falha.
No entanto, deve ser levado a sério e tomado como um bom exemplo, tanto para o cinema português, como para a abordagem à Guerra Colonial, que pede desesperadamente por um filme no terreno, por dentro da guerra. Que o McBacon sirva ainda mais de motivação.

Posted by: dermot @ 7:35 da tarde
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21. FESTRÓIA:

DIA 6
Secção Oficial - DALLAS:


Título: Dallas Pashamende
Realizador: Robert-Adrian Pejo
Ano: 2005


O que começou por ser uma simples pordução romena, rapidamente se transformou numa co-produção com a Hungria, devido ao comportamento político romeno. Estes, assustados com a imagem que o filme poderia transpor do país, exigiram que as filmagens fossem movidas para o país vizinho, independemente de todos os custos extas e burocracias que isso comportava.
Dallas é um filme sobre um bairro de lata cigano numa lixeira húngara, com todo o devido paralelismo com a série homónima norte-americana; mas as autoridades romenas não tinham motivo algum para estarem assustadas, uma vez que aquele bairro, curiosamente baptizado de Dallas, poderia muito bem encontrar-se em qualquer parte do Mundo.

Os ciganos são uma sociedade bastante característica e particular, vezes sem conta traduzida no cinema. Mas em Dallas, o mundo cigano não é só o universo pitoresco da festa, da música, da dança e das personagens bizarras de Emir Kusturica (apesar de haver um urso, uma velha caucasiana pianista envolta num manto de linho, qual aparição divina entre os pecadores e um mudo que mais não é que uma mistura entre Frank Zappa e Zé do Caixão), mas também a realidade dos roubos compulsivos, a violência quotidiana e o deitar para o chão do primeiro gole de qualquer bebida de garrafa.
Por isso, Dallas não é só uma comédia divertida e um retrato pictoresco de uma sociedade interessante; é também um drama intenso, com toda a carga melodramática inerente. E as semelhanças com a série Dallas não se fica pelo nome do bar do bairro, ou pelas sessões nocturnas dos ciganos ao assistirem à série pela televisão - há todo um paralelismo intrínseco, mas em realidades paralelas, do reencontro familiar e, principalmente, do retorno do filho pródigo.

Zsolt Bogdán é Radu, um cigano que regressa ao seu bairro natal, vinte anos depois de o ter abandonado para se tornar professor. O motivo? A morte do seu pai. No entanto, a estadia naquele gueto na lixeira vai-se prolongar, uma vez que o seu carro começa a ser roubado às peças e a sua pessoa acaba por se ver injustamente envolvida num caso de assalto.
Radu vai então começar a tomar consciência das suas raízes, despertada sobretudo pelo reencontro com a antiga namorada Oana (Dorka Gryllus); e Radu vai tentar salvar aquela gente. Mesmo que eles não queiram ser salvos.

Com uma fotografia fabulosa, o realizador Robert-Adrian Pejo não só conta uma história bastante coerente, quanto ritmada, como faz um retrato humanista daquele bairro do terceiro mundo.
Na interpretação, Zsolt Bogdán tem uma prestação notável, mas é a jovem e bela Dorka Gryllus, cuja curta, mas interessante interpretação, lhe valeu a oportunidade de ser mostrar entre as Shooting Stars deste ano.

Dallas é um dos principais candidatos a sair do Festróia com o prémio principal nas mãos. Um magnífico filme, que tem como veredicto final um Golfinho de Ouro, perdão... um Le Big Mac.




Secção Oficial - AZUL METÁLICO:

Título: Metallic Blue
Realizador: Dan Verete
Ano: 2004


Rematando a Secção Oficial do certame chegou-nos Azul Metálico, uma co-produção entre Israel e Canadá, assinada pelo realizador Dan Verete.
O filme é uma fusão entre o road-novie e o buddy movie, ou seja, um filme onde dois companheiros vão envolver-se num longo périplo recheado de peripécias.

Os dois amigos são Siso (Moshe Ivgy) e Shmuel (Avi Kushnir), dois isrealitas vendedores de carros. Quando um emigrante no Canadá aparece a tentar vender a sua limusine americana, um item de colecção avaliado numa fortuna astronómica, os dois companheiros vêm a oportunidade das suas vidas. Daí até comprarem o carro por uma ninharia e enverdarem pela auto-estrada em direcção à Alemanha, para o venderem por um preço dez vezes superior, é um pequeno pulo.

Dos buddy movies que estamos habituados a ver, concluimos facilmente que para tal fórmula resultar, é necessário uma química especial entre os dois amigos e algumas situações divertidas entre os dois. Em Azul Metálico essa relação resulta, mas as situações humorísticas não são tão divertidas quanto isso, caindo várias vezes no clichet e no medíocre.
Azul Metálico safa-se melhor na sua faceta de road movie, naquela dissertação que uma viagem longa pelo alcatrão interminável proporciona: dois homens israelitas vão viver o sonho europeu, um sonho que nada deve ao sonho americano; mas tal como este último, também o primeiro não passa na maioria das vezes de uma enorme ilusão e, consequentemente, de uma desilusão.

O périplo vai assim colocar em causa a amizade entre os dois e o real signifcado daquela viagem. A realidade israelita, no interior e no exterior do país, é também focada pelo realizador com um grande dedo crítico, devido à guerra e aos ataques suicidas, às vezes sem grande intuito e mais como um desabafo de quem está farto de fugir a tiros perdidos e homens-bomba extremistas.
O Holocausto, apesar de já se terem passado seis décadas desde o seu final, continua bem presente na mente Dos israelitas. E Azul Metálico é também uma excelente oportunidade de o revisistar e de exorcizar fantasmas. No entanto, mais uma vez, a intenção do realizador passa mais pelo desabafo.

Azul Metálico é um filme que procura mais do que tinha capacidades. E no final, apercebemo-nos que o realizador acabou por sofrer aquilo que os dois protagonistas sofreram no final, a que a sabedoria popular descreve sabiamente como quem tudo quer, tudo perde.
O filme é obviamente azul, mas não necessariamente metálico; é baço. E como tal, é um McChicken.

Posted by: dermot @ 10:40 da manhã
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quinta-feira, junho 02, 2005  

21. FESTRÓIA:

DIA 5
Primeiras Obras - ACUSADO


Título: Anklaget
Realizador: Jacob Thuesen
Ano: 2005


Da Dinamarca chega-nos Acusado, o filme filme choque do estreante Jacob Thuesen, produzido pelo pai do "filme-pipoca dinamarquês", Kim Fupz Aakeson.
Falar de Acusado sem levantar por pouco que seja a ponta do véu é quase impossível, pois toda a essência da história prende-se com os pequenos detalhes. No entanto, vou tentar faze-lo discretamente.

Na curta sinopse lê-se que Henrik (Troels Lyby), um respeitável professor de natação, vê o seu mundo desmoronar-se ao ser acusado de um terrível crime.
Podemos ir um pouco mais longe e acrescentar, sem o perigo de estragar qualquer surpresa ao futuro espectador do filme, que o crime é a pedofilia: Henrik é acusado pela própria filha, Stine (Kirstine Rosenkrands Mikkelsen), de a molestar. Mas Stine é uma criança com problemas depressivos e com vastos antecedentes no campo da mentira e Henrik acaba absolvido em tribunal. Poderá agora, um pai perdoar a sua filha?

Acusado é um filme em três partes: primeiro é um thriller kafkiano, onde conhecemos um homem respeitável, que é acusado de algo que só sabemos muito depois do filme começar; depois, ameaça tornar-se um filme de tribunal, mas o julgamento presta-se a ser breve, apesar de intenso, fazendo lembrar a última metade de Vera Drake e por fim, é um drama-choque psicológico, em que o protagonista vai sentir todas as repercursões da acusação, perante a sua esposa, os seus amigos e mesmo, os desconhecidos. E no final, ainda há mais qualquer coisa...

Com uma prestação notável do actor principal, Troels Lyby, o realizador constrói a narrativa de forma exemplar, criando os ambientes certos a cada momento: suspense no início, ansiedade a seguir e drama no final.
Mas Jacob Thuesen tenta ir mais longe e presenteia-nos com um twist final, bem à moda norte-americana. Não poderia ter ficado pelo drama, onde a questão do perdão do pai à filha dava pano para mangas?

Mas o grande problema deAcusado é que não é um filme original. Já vimos isto ser feito antes e por isso, torna-se rapidamente óbvio que o twist final não vai ter tanto de surpresa quanto isso. Posso mesmo acrescentar que o filme é como que uma mistura entre A Raiz Do Medo e O Condenado. E a partir daqui, o leitor fará as suas deduções. Para quem já viu o filme, perceberá concerteza que ter Edward Norton permite certas coisas que caso contrário são impossíveis de obter.

Acusado é uma estreia agradável de Jacob Thuesen na realização. Apesar de tudo, é um filme coerente e positivo, com momentos de alta carga emocional. Mas um filme-choque sem chocar verdadeiramente perde pontos, obviamente. O que não implica necessariamente, algo abaixo do McBacon. Mas pode implicar...




Secção Oficial - O IDEALISTA:


Título: Koirankynnen Leikkaaja (Dog Nail Clipper)
Realizador: Markku Pölönen
Ano: 2004


A Finlândia é um país com uma fraca produção cinematográfica; no entanto, este adjectivo não é pejorativo, uma vez que é empregue segundo termos quantitativos. Contudo, a compensação qualitativa é proporcionalmente superior. Por isso, qualquer que seja o filme finlandês, bom ou mau, a sua qualidade visual e sonora é sempre superior, que nada deve às produções megalómanas de Hollywood.
O Festróia tem apostado desde o seu início no cinema deste país, um cinema bastante eclético e com um sentido de humor bastante semelhante ao nosso. Este ano em particular, a Finlândia é um país em destaque no certame, mas é na Secção Oficial que foi apresentado O Idealista, em mais um erro crasso e sem sentido na tradução de títulos para a nossa língua.

Em 1941, o mundo estava em guerra: era a Segunda Guerra Mundial e a Finlândia era invadida pela Rússia. Mertsi Vepsäläinen (Peter Franzén) era um dos soldados ao serviço da pátria. Numa emboscada, Mertsi é atingido na cabeça por um sniper; mas miraculosamente, ainda não era a sua altura de partir e a morte passou-lhe ao lado. Deixou-lhe, no entanto, marcas profundas para o resto da vida. E o seu cérebro sofreu danos irreparáveis, deixando-o num estado de consicência inferior.
Terminada a guerra, Mertsi torna-se ajudante do carpinteiro Ville Kuosmanen (Ahti Kuoppala), que lhe fala sobre a sua cadela Sakke, uma fiél amiga, sua companheira ao longo dos anos. Mas o pormenor de que a cadela tinha as esporas compridas demais, o que lhe causava transtornos de tempos a tempos, tornou-se numa obsessão para Mertsi, que vai empreender uma jornada até aliviar o sofrimento de Sakke.

Apesar da sinopse parecer complicada, O Idealista é um filme simples; é a epopeia do jovem Mertsi, numa missão aparentemente simples, mas que comporta no fundo, uma grande llção de moral. O Idealista é um conto infantil para adultos.
O filme inicia-se com uma sequência arrebatadora durante a Segunda Grande Guerra, onde é recriada a emboscada; visualmente perfeita, todas as cenas de guerra (que vão aparecendo em curtos flashbacks ao longo do filme) são superiores, ombreando lado a lado com qualquer produção bélica vinda do outro lado do Atlântico. Fora disto, é um retrato fiél, com uma fotografia belíssima, da Finlândia de há meio século atrás.

Tal como em Bombom, um dos outros filmes em competição, também aqui um cão é o éter do filme, compartilhando as suas faculdades de lealdade e companheirosmo. No entanto, enquanto que no primeiro o canídeo aparecia como companhia do Homem nas horas da sua solidão, aqui é a razão missão do protagonista, razão da sua jornada e aventura.
Quanto ao protagonista em si, o jovem actor Peter Franzén, tem uma prestação irrepreensível, numa interpretação recheada de maneirismos. Faz-me muito mais sentido associa-lo aos Shooting Stars, do que as outras estrelas (algumas, não todas) que supostamente se destacaram no panorama europeu do ano transacto.

O Idealista é uma história maravilhosa, tanto no exterior como no interior, o que faz dele um filme extremamente positivo e optimista. Talvez afectado ainda com tanto optimismo o associo ao McBacon, ignorando assim alguns buracos narrativos e cronológicos.

Posted by: dermot @ 12:58 da tarde
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quarta-feira, junho 01, 2005  

21. FESTRÓIA:

4º DIA
Secção Oficial - BOMBOM:


Título: Bombom - El Perro
Realizador: Carlos Sorín
Ano: 2004


A primeira vez que deixou o Festróia, o realizador argentino Carlos Sorin levou consigo o Golfinho De Ouro, graças ao aclamado Histórias Mínimas. Agora, no seu regresso a Setúbal, traz na bagagem uma enorme carga de responsabilidade; essa carga chama-se Bombom.

Bombom é a história de Coco Villegas (Juan Villegas), um senhor com uma cara de bonomia e ingenuidade cativante, que nos faz desejar que fosse nosso tio, para que pudessemos observar aquelas expressões faciais diariamente.
Na pasmacenta Patagónia, Coco tenta ganhar a vida vendendo facas artesanais, após ter sido despedido da oficina onde trabalhava. No entanto, a sua vida presta-se a mudar, quando lhe é oferecido um dogo argentino premiado, chamado Bombom. No entanto, algo que não se adequa, é um cão viril como um dogo, ser baptizado de Bombom; é como se víssemos o The Rock num papel de alguém com as tendências sexuais invertidas. Mas espere! Isso já aconteceu no recente Be Cool. O que significa que um dogo argentino chamado Bombom não pode ser um bom presságio.

Sempre no mesmo registo de Histórias Mínimas, qual episódio perdido daquele mosaico de histórias cruzadas, Carlos Sorin filma um exercício acerca da meia-idade e da solidão e amizade, que a segunda metade da vida comporta; para isso, puxa a figura do cão enquanto melhor amigo do Homem.
Sem grandes surpresas e com um realismo do quotidiano, o realizador Sorin faz-nos entrar na vida de Coco Villegas, que passamos a conhecer como nosso familiar.

Carlos Sorin é um realizador magistral: com um controlo de câmara perfeito, deambula por entre grandes planos, num estilo que editado por outro realizador poderia ser caótico. Além disso, tem noção perfeita do simbolismo, na manipulação dos planos vazios, sempre sugestionáveis.
Conta ainda com uma banda-sonora pertinente, que ilustra sempre, no timing exacto, a emoção a despoletar.

O realizador argentino pode assim deixar o Festróia com o sentimento de dever cumprido: Bombom não deslumbra, mas segue a linha da competência, como uma equipa que garante a manutenção jornadas antes do final do campeonato, graças a uma prestação bastante regular.
E além disso, pode-se gabar de ter assinado a mais curiosa cena de reencontro/reconciliação entre Homem e animal, enquanto este copula avidamente com a sua parceira.
A manutenção é então recompensada com um McChicken.

Posted by: dermot @ 11:59 da manhã
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21. FESTRÓIA:

DIA 3
Secção Oficial - SONHO DE UMA NOITE DE INVERNO:


Título: San Zimske Noci
Realizador: Goran Paskaljevic
Ano: 2004


Há uma lenda que diz que as fadas, às vezes, levam algumas crianças e deixam no seu lugar os seus próprios filhos. É que os autistas não são deste mundo, são filhos de fadas.
Apesar da sugestão do título, pouco tem o filme a ver com o maravilhoso conto de William Shakespeare; no entanto, Sonho De Uma Noite De Inverno não lhe é totalmente estranho.

Lazar (Lazar Ristovski) é um homem com um passado manchado por um longo peso no coração, que necessita desesperadamente de ser perdoado; após dez anos ausente, Lazar regressa à sua casa, para a encontrar sem a sua mãe, falecida entretanto, mas ocupada por uma mãe e a sua filha autista (Fedja Stojanovic).
O que ao princípio fora uma simples indiferença, rapidamente se tornou num apego de grande afecto, entre o homem e a jovem especial. E a relação entre os dois vai ser uma metáfora chocante do panorama de deterioração da Sérvia actual.

Sonho De Uma Noite De Inverno é um conto de inverno, à boa tradição nórdica; um drama sobre um coração gelado, perdido num céu nublado de nuvens carregadas (o cenário constante do desenrolar da acção), que tenta a libertação primaveril após manter contacto com "uma criança especial".
Filmado morosamente, com uma perspicácia minimalista, o filme encontra situações complicadas de se aguentar, o que o torna numa experiência intensa, tanto psicológica como fisicamente.

Dos aspectos técnicos de Sonho De Uma Noite De Inverno, destaca-se a prestação da jovem Fedja Stojanovic, no difícil mundo do autismo: apesar da sua tenra idade, a sua prestação nada tem de que se envergonhar das de Dustin Hoffman e Robin William, em Rain Man - Encontro De Irmãos, e Despertares, respectivamente (salvo as respectivas distâncias, claro).

Não obstante do Prémio do Júri em San Sebastian, dificilmente Sonho De Uma Noite De Inverno ombreará pelo Golfinho de Ouro neste Festróia; no entanto, a prestação da protagonista arrisca-se a ser premiada. Para já, o reconhecimento e um Double Cheeseburger são prémios mais do que justos.

Posted by: dermot @ 7:45 da manhã
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COTAÇÃO:
10 - Royale With Cheese
9 - Le Big Mac
8 - McRoyal Deluxe
7 - McBacon
6 - McChicken
5 - Double Cheeseburger
4 - Cheeseburger
3 - Caixinha de 500 paus (Happy Meal)
2 - Hamburga de Choco
1 - Pão com Manteiga

TAKE:
Take - cinema magazine | take.com.pt


ARE YOU TALKING TO ME:
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ARE YOU TALKIN' TO ME?
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CRÍTICAS:
- A Armadilha
- A Arte De Pensar Negativamente
- A Árvore Da Vida
- A Balada de Jack And Rose
- A Bela E O Paparazzo
- A Boda
- À Boleia Pela Galáxia
- A Cabana Do Medo
- A Cela
- A Canção De Lisboa
- A Cara Que Mereces
- A Casa Dos 1000 Cadáveres
- A Casa Maldita
- A Cidade Dos Malditos
- A Ciência Dos Sonhos
- A Comunidade
- A Cor Do Dinheiro
- A Costa Dos Murmúrios
- A Criança
- A Dália Negra
- A Dama De Honor
- A Descida
- A Duquesa
- À Dúzia É Mais Barato
- A Encruzilhada
- A Estrada
- A Estranha Em Mim
- A Frieza Da Luz
- A Fúria Do Dragão
- A História De Uma Abelha
- A Honra Da Família
- A Janela (Maryalva Mix)
- A Lagoa Azul
- A Lenda Da Floresta
- A Liga Dos Cavalheiros Extraordinários
- A Lista De Schindler
- A Lojinha Dos Horrores
- A Mais Louca Odisseia No Espaço
- A Maldição Da Flor Dourada
- A Mansão
- A Maravilhosa Aventura De Charlie
- A Marcha Dos Pinguins
- A Máscara
- A Máscara De Cristal
- A Menina Jagoda No Supermercado
- A Minha Bela Lavandaria
- A Minha Vida Sem Mim
- A Morte Do Senhor Lazarescu
- A Mosca
- A Mulher Do Astronauta
- A Mulher Que Viveu Duas Vezes
- A Múmia
- A Noiva Cadáver
- A Noiva Estava De Luto
- A Origem
- A Outra Margem
- A Paixão De Cristo
- A Pele Onde Eu Vivo
- A Pequena Loja Dos Horrores
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- A Presa
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- Tubarão 3
- Tubarão IV - A Vingança
- Tucker E Dale Contra O Mal
- Tudo Ficará Bem
- Tudo Pode Dar Certo
- Twisted - Homicídios Ocultos

- Ultra Secreto
- Um Amor De Perdição
- Um Azar Do Caraças
- Um Bater De Corações
- Um Belo Par... De Patins
- Um Cão Andaluz
- Um Dia A Casa Vai Abaixo
- Um Dia De Raiva
- Um Homem Singular
- Um Longo Domingo De Noivado
- Um Lugar Para Viver
- Um Padrasto Para Esquecer
- Um Profeta
- Um Tiro No Escuro
- Um Trabalho Em Itália
- Uma Aventura Na Casa Assombrada
- Uma Boa Mulher
- Uma Canção De Amor
- Uma Espécie De Cavalheiro
- Uma Famí­lia À Beira De Um Ataque De Nervos
- Uma História De Violência
- Uma Pequena Vingança
- Uma Rapariga Com Sorte
- Uma Segunda Juventude
- Uma Segunda Vida
- Undefeatable
- Unseen Evil 2 - Alien 3000
- Up - Altamente

- V De Vingança
- Vai E Vive
- Vais Conhecer O Homem Dos Teus Sonhos
- Valhalla Rising - Destino De Sangue
- Valquíria
- Vampiros de John Carpenter
- Van Helsing
- Vanilla Sky
- Vanitas
- Vasilhame
- Veio Do Outro Mundo
- Veludo Azul
- Velvet Goldmine
- Vencidos Pela Lei
- Vendendo A Pele
- Veneno Cura
- Vera Drake
- Versus - A Ressurreição
- Vestida Para Matar
- Vice
- Vício - Quando Nada É Suficiente
- Vicky Cristina Barcelona
- Vidas Sombrias
- Vigilância
- Vingança Redentora
- Virgem Aos 40 Anos
- Vitus
- Viúva Rica Solteira Não Fica
- Viver A Sua Vida
- Voando Sobre Um Ninho De Cucos
- Voltando Para Casa
- Voltar
- Vontade Indómita
- Voo 93

- Walk Hard - A História De Dewey Cox
- Walk The Line
- WALL-E
- Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme
- Wassup Rockers - Desafios De Rua
- Watchmen - Os Guardiões
- Welcome To The Rileys
- White Irish Drunkers
- Wild Zero
- Win Win
- Wolf Creek
- Wristcutters: A Love Story

- X-Men
- X-Men 2
- X-Men 3 - O Confronto Final
- X-Men: O Início
- X-Men Origens: Wolverine

- Zack E Miri Fazem Um Porno
- Zardoz
- Zatoichi
- Zombies Party - Uma Noite... De Morte
- Zombies Strippers
- Zozo

- 007 - Agente Secreto
- 007 - Casino Royale
- 007 - Quantum Of Solace
- 10 Coisas Que Odeio Em Ti
- 100 Volta
- 10.000 AC
- 12 Homens Em Fúria
- 12 Macacos
- 12:08 A Este De Bucareste
- 1984
- 2LDK
- 24 Hour Party People
- 28 Dias Depois
- 20,13 - Purgatório
- 2012
- 300
- 4 Copas
- 48
- 50/50
- 6=0 Homeostética
- 8 1/2
- 9 Canções
- 98 Octanas


ENTREVISTAS:
- Fernando Fragata
- Festróia - Mário Ventura
- Filipe Melo
- Good N Evil
- IMAGO - Sérgio Felizardo
- José Barahona
- Nuno Markl
- Paulo Furtado
- Rodrigo Areias
- Sara David Lopes
- Solveig Nordlund
- Fernando Alle


TOPES:
- Top 8 dos Melhores Filmes de 2011
- Top 5 dos Piores Filmes de 2011
- Top 10 dos Melhores Filmes de 2010
- Top 5 dos Piores Filmes de 2010
- Top 5 dos filmes de Leslie Nielsen
- Top 10 Dos Filmes Low Cost
- Top 5 das Melhores Cenas de Dança
- Top 8 dos Melhores Filmes de 2009
- Top 5 dos Piores Filmes de 2009
- Top 5 dos Filmes Que Tenho Vergonha De Dizer Que Gosto
- Top 5 das Melhores Músicas de Ennio Morricone
- Top 5 dos filmes com Patrick Swayze
- Top 5 dos Telediscos do Michael Jackson
- Top 5 dos Filmes com David Carradine
- Top 5 dos Filmes com Lutadores de Luta-Livre
- Top 10 Os Melhores Filmes de 2008
- Top 5 Os Piores Filmes de 2008
- Top 5 dos Piores Filmes de Natal
- Top 5 das Coisas que não Esperávamos Ver no Cinema
- Top 5 dos Melhores Filmes de Paul Newman
- Top 5 Personagens Com Palas Nos Olhos
- Top 10 Melhores Cartazes De Cinema
- Top 5 dos Filmes de Chuck Norris
- Top 5 dos Filmes de Patrick Swayze
- Top 10 Os Melhores/Piores Vestidos dos Oscares
- Top 5 As Mortes de Crianças Mais Gratuitas
- Top 10 Os Melhores de 2007
- Top 5 Os Piores de 2007
- Top 7 Adaptações ao Cinema de Livros de Stephen King
- Top 5 Filmes Pela Paz
- Top 5 Os Melhores Beijos
- Top 5 Grandes Arquitectos
- Top 10 Filmes Que Mudaram A Minha Vida
- Top 5 Mulheres de Cabeça Rapada
- Top 5 As Cenas Mais Excitantes
- Top 10 Os Melhores de 2006
- Top 5 Os Piores de 2006
- Top 3 Filmes de Robert Altman
- Top 5 Os Vilões do Cinema
- Top 5 Filmes Com Mick Jagger
- Top 5 Filmes Com Steve Buscemi
- Top 5 Dos Cães no Cinema
- Top 5 Dos Filmes do Indie06
- Top 5 Dos Filmes do Fantas06
- Top 5 dos Presidentes
- Top 10 Os Melhores de 2005
- Top 5 Os Piores de 2005
- Top 5 Filmes com Pat Morita
- Top 10 Os Melhores Filmes Independentes
- Top 5 Os Piores Filmes da Saga Bond
- Top 5 Filmes com Dolph Lundgren
- Top 5 Adaptações de BD Para Cinema
- Top 10 Cenas Mais Assustadoras de Sempre
- Top 5 Vencedores do Óscar
- Top 5 Bond Girls
- Top 5 Filmes Sobre Doenças
- Top 5 Filmes de Natal
- Top 5 Melhores Batalhas Corpo-A-Corpo
- Top 10 Melhores Canções do Cinema
- Top 10 Melhores Filmes de Sempre
- Top 5 Melhores Momentos Musicais
- Top 5 Grandes Duelos do Cinema
- Top 10 Maiores Personagens do Cinema
- Top 5 Piores Momentos da Ficção Cientí­fica
- Top 10 Melhores Momentos da Ficção Cientí­fica
- Top 5 Filmes Religiosos


BAÚ DO TRASH:
- Needle
- Que Se Mueran Los Feos
- Easy A
- Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme
- Saw 3D - O Capítulo Final
- And Soon The Darkness
- Os Imortais
- Purana Mandir
- Pagafantas
- The Bloodstained Butterfly
- Cisne Negro


ROYALE WITH CHEESE APRESENTA:
- A Tasca Da Cultura
- A Causa Das Coisas - parte I
- A Causa Das Coisas - parte II
- A Momentary Lapse Of Reason


FILMES A VER ANTES DE MORRER:
- #1 As Lágrimas Do Tigre Negro
- #2 Alucarda
- #3 Time Enough At Last
- #4 Armageddon
- #5 The Favour, The Watch And The Very Big Fish
- #6 Italian Spiderman
- #7 The Soldier And Death


UMA CURTA POR DIA NÃO SABE O BEM QUE LHE FAZIA:
- 1# Rabbit, de Run Wrake
- 2# Aligato, de Maka Sidibé
- 3# The Cat Concerto, de Joseph Barbera & William Hanna
- 4# A Curva, de David Rebordão
- 5# Batman: Dead End, de Sandy Callora
- 6# O Código Tarantino, de Selton Mello
- 7# Malus, de António Aleixo & Crosswalk, de Telmo Martins
- 8# Three Blind Mice, de George Dunning
- 9# Bedhead, de Robert Rodriguez
- 10# Key To Reserva, de Martin Scorcese
- 11# Bambi Meets Godzilla, de Marv Newland
- 12# The Horribly Slow Murderer with the Extremely Inefficient Weapon, de Richard Gale
- 13# Stolz Der Nation, de Eli Roth
- 14# Papá Wrestling, de Fernando Alle
- 15# Glas, de Bert Haanstra
- 16# Fotoromanza, de Michelangelo Antonioni
- 17# Quem É Ricardo?, de José Barahona
- 17# Terra Incognita, de Peter Volkart


AS MELHORES PIORES CENAS DE SEMPRE:
- A Pior Luta
- A Cena Mais Metida A Martelo
- O Ataque Animal Mais Brutal
- A Perseguição Mais Alucinante
- O Duelo Mais Improvável


CLUBE DE CINEMA DE SETÚBAL:
- Janeiro
- Fevereiro
- Março
- Abril
- Maio
- Setembro
- Novembro


FESTIVAIS:
- 20º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9
- 21º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 22º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10
- 23º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10
- 24º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 26º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 12º Caminhos Do Cinema Português
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- Imago 2006
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8

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