Royale With Cheese

 Royale With Cheese

 
 



sábado, abril 30, 2005  

CINECITTÀ:

Abriu em Lisboa um novo espaço dedicado aos coleccionadores, aos amantes de cinema e aos cinéfilos em geral, baptizado com o nome dos famosos estúdios italianos Cinecittà.

A ideia é criar um espaço de referência para os cinéfilos em geral, que celebre o fascínio iconográfico do cinema (daí estarem à venda produtos como posters, postais, fotos ou mousepads) e que aposte numa selecção de dvds importados que incida sobretudo em títulos pouco ou nada disponíveis no mercado nacional, sempre segundo um critério de singularidade, o qual poderá abarcar as realidades mais diversas, do
cinema de autor europeu à série B (e Z), passando pelos clássicos e
independentes americanos, bem como nas cinematografias orientais.

Para os interessados e para os curiosos, poderão conferir pelos próprios olhos no próprio estabelecimento, na Avenida Sacadura Cabral, nº 4, junto à avenida de Roma, perto da estação de comboios. Está também disponível o e-mail cine_citta@yahoo.com.

Posted by: dermot @ 7:09 da tarde
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quarta-feira, abril 27, 2005  

TARNATION:

Título: Tarnation
Realizador: Jonathan Cauoette
Ano: 2003


Tarnation não é um filme. Quer dizer, é e não é. Pelo menos, não é um filme comum.
Não é cinema na verdadeira acepção do termo, ou seja, não é um filme orientado para o espectador, alinhavado por um argumento e representado por actores; também não se encaixa bem dentro do cinema experimental, porque é um filme que está do lado de lá da linha invisível que traça o experimentalismo; mas também não chega ao patamar do cinema enquanto arte, como o era, por exemplo, o ciclo Cremaster. É por isso uma experiência nova e original; e o seu visionamento nem se deve limitar à militância cinéfila.
Tal como o já tinha referido, aquando da crítica ao ciclo Cremaster, Tarnation também é um filme ao qual não consigo dar uma classificação no final. Por isso, o que vou fazer, é apenas opinar sobre a sua validade enquanto projecto.

O que é então Tarnation? Primeiro que tudo é Jonathan Cauoette. E depois é a sua vida.
Habituado a filmar muita da sua vida ao longo das três décadas que leva, Jonathan Cauoette decidiu contar a sua história ao mundo, ao invés de a esconder num recôndito buraco longíquo, que era o que muita gente na mesma posição faria; e fê-lo sobre a forma de cinema documentarial, colando home videos, fotografias, telediscos, excertos de televisão, mensagens do atendor de chamadas e uma banda-sonora genial.
Para além da originalidade e deste exercício experimental, qual é o outro trunfo de Tarnation? A própria vida de Jonathan. Numa época em que cada vez mais nos habituamos à vida alheia, através dos cada vez mais comuns reality shows, Jonathan Cauoette conta uma história dentro de uma família disfuncional, com uma mãe psicótica, esquizofrénica e alterada psicologicamente, um pai ausente, um avô activo demais e uma avó com problemas mentais; uma história de abusos, violência, roubos, homossexualidade e toxicodependência; a sua história!

O filme começa com uma sequência encenada, em que Jonathan e o seu parceiro recriam o momento em que recebeu a notícia que a sua mãe tinha apanhado uma overdose de lítio. Curiosamente, é a pior sequência do filme e a única que não resulta.
Tudo o resto é manipulado a seu bel-prazer, apenas com o intuito de criar emoções. E Jonathan Cauoette consegue-o exímiamente: perturba e incomoda. Mas também faz sorrir e deixa transparecer o amor familiar, por entre tantas cenas macabras e arrepiantes.

Sensacionalismo? Claro, o próprio Jonathan não tem pejo de filmar demoradamente a sua avó completamente muribunda, num estado quase terminal, ou a sua mãe num ataque psicótico, verdadeiramente demente. Mas não era essa a sua vida? Há que pague por menos, muito menos...
Tarnation é como uma revisão da sua vida. Cauoette tem uma consciência tremenda de tudo o que viveu (e foi muito, acreditem), e mesmo que manipulado, disseca todos aqueles fantasmas de forma exemplar, mesmo que abuse do experimentalismo ou das possibilidades gráficas do computador.
O ponto chave do filme é quando a sua mãe, inquirida perante a câmara de filmar afirma que pais doentes criam filhos doentes.

Tarnation é uma novela da vida real doentia.
Encha o peito de ar e prepare-se para uma experiência que pode ser perturbadora. E prepare-se para redifinir o seu conceito de sensacionalismo. Tarnation resulta plenamente nesse contexto, no de estimular sensações e estados de espírito e claro, não resulta no contexto cinematográfico. Mas Tarnation não é um filme...

Posted by: dermot @ 8:44 da manhã
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terça-feira, abril 26, 2005  

ENTREVISTA A JOSÉ BARAHONA:

A XII edição do festival Caminhos do Cinema Português teve como destaque um jovem realizador português, de seu nome José Barahona, que se apresentou com três filmes a concurso – o documentário Buenos Aires Hora Zero e as curtas Quem É Ricardo? e Pastoral – arrecadando mesmo o prémio para Melhor Curta Metragem – Película com este último.
A rematar a sua cobertura por dentro da edição deste ano do certame, o Royale With Cheese tem o prazer e a honra de entrevistar este promissor realizador português.

Royale With Cheese – José Barahona foi um dos destaques desta edição do festival Caminhos do Cinema Português, ao apresentar-se a concurso com três obras [Buenos Aires Hora Zero, Quem É Ricardo? e Pastoral]. É a desmistificação de que afinal não é tão difícil fazer em cinema em Portugal como dizem ou foi o reflexo de um ano de muito trabalho?
José Barahona - Não sei se Portugal é um pais onde é muito difícil fazer cinema, é difícil fazer cinema em todo o mundo e Portugal tem os seus problemas específicos, mas também não devemos ser demasiado críticos em relação a nós próprios. Existe um sistema que funciona com as suas perversões, e que é preciso combater, mas também existe uma liberdade de expressão e criação que muitos realizadores de outros países invejam. No meu caso pessoal o facto de ter terminado três filmes em 2004, é em parte coincidência, mas também fruto de alguma perseverança. Buenos Aires Hora Zero foi filmado no verão de 2002, mas teve um processo de montagem e pós-produção muito longo e atribulado. Quanto aos meus dois filmes de ficção tenho de confessar que fui beneficiado por uma política com a qual não estou à partida de acordo: a objectividade de critérios do júri de selecção fez com que no mesmo concurso do ICAM tivesse dois subsídios atribuídos. Não senti no entanto que fosse injusto de um ponto de vista pessoal, pois há mais de sete anos que concorria e não conseguia resultados. Toda esta conjuntura resultou de facto num ano de muito trabalho, mas do qual tirei um prazer imenso, pois é o tipo de situação que não me importaria que fosse permanente. No fundo é o sonho de qualquer cineasta: filmar o mais possível. O que me assusta é não poder ser sempre assim.

RWC – Como é ser realizador de cinema em Portugal?
JB - Existem poucos realizadores de cinema em Portugal a tempo inteiro. A maior parte de nós tem uma carreira paralela como técnico ou no ensino, uma que vez que não é possível sobreviver com os orçamentos de curtas metragens ou documentários, e mesmo realizadores de longas metragens que não filmam todos os anos, ou seja a grande maioria, têm essa dificuldade. Isso implica uma grande disciplina uma vez que há que gerir o tempo livre para escrever e preparar os projectos. No fundo é uma escolha que implica sacrifícios e da qual nunca temos certeza das recompensas. Mas para mim é a única possível.

RWC – Vamos falar agora dos seus filmes a concurso. Quem É Ricardo? é uma história intensa com Portugal salazarista como pano de fundo. O seu filme anterior era sobre a guerra da Guiné [Anos de Guerra – Guiné 1963]. A repressão e a tortura é uma temática recorrente na sua obra ou apenas uma coincidência?
JB - Na prática existe alguma coincidência, mas teoricamente podemos sempre dizer que elas não existem. A Guiné foi um filme que me foi proposto por um produtor, o mesmo se passando com o Ricardo, mas por alguma razão isso aconteceu. E foram filmes que abracei como meus, pois é a única forma de os levar a bom termo.

É-me difícil analisar o meu próprio trabalho, mas talvez um dos temas presentes em alguns dos meus filmes seja a luta pela liberdade. Não é a repressão e a tortura que me interessam particularmente, mas sim aqueles que contra ela lutaram, e os que ainda hoje lutam, e seria bom que o meu trabalho pudesse fazer parte dessa luta. Claro que mesmo Buenos Aires Hora Zero é um filme que passa por estes temas e até a Pastoral é um filme político e de luta pela liberdade, só que nesse caso, não se tratando de um filme histórico, mas sim de uma reflexão contemporânea, trata-se de uma luta contra um inimigo invisível materializado em pequenos objectos, ou metaforizado pelo medo, do qual não se conhece o motivo, da personagem interpretada pela Micaela Cardoso. No fundo ambos os personagens estão á procura de uma alternativa.

RWC – Em Buenos Aires Hora Zero propôs-se a encontrar o último dos descendentes da única cidade uruguaia fundada por portugueses – Colónia de Sacramento. O que o levou a se interessar por este motivo?
JB - Há uma temática recorrente no documentário português, que é quase uma imposição política nas directivas do estado e na lei do cinema referente aos concursos do ICAM para documentários, que faz com que muitos filmes tenham temas relacionados com as “pedras” que os portugueses deixaram espalhadas pelo mundo. Para alguns só isso é a cultura portuguesa, não entendendo que qualquer obra feita por um português sobre uma temática que para nos, à partida é aparentemente estranha enquanto país, é não só uma obra de cultura portuguesa, como reflecte sempre a nossa realidade mais não seja através do nosso olhar particular.
No fundo a busca do personagem do Buenos Aires não é mais do que um pretexto, um fio condutor, que me serviu para falar de uma cidade que conhecia, mostrando um ponto de vista pessoal. Daí a minha presença no filme e não por qualquer pretensão narcisística. É importante para mim realçar este dado, uma vez que por vezes o documentário tende a ser confundido com a realidade, e por vezes é mesmo trabalhado nesse sentido, quando a mim o que me interessa é precisamente o contrario: sublinhar que aquilo que o espectador vê no écran é um ponto de vista de alguém, o autor, sobre uma realidade que cada um pode ver de distintas maneiras. Já é suficientemente perigoso que aquilo que a televisão nos mostra seja muitas vezes tomado como a realidade.

RWC – Com Pastoral, uma história de medo afectivo, recebeu o prémio para melhor curta-metragem de película. Que significa esta distinção para si?
JB - É sempre bom receber um prémio, ainda mais com um trabalho que nos agrada particularmente e que é talvez o mais pessoal dos três que passaram no festival.
É obvio que o reconhecimento é sempre agradável, dá-nos força para continuar e ajuda a que seja mais fácil conseguir concretizar o próximo projecto. E talvez mais importante que tudo isto, o prémio pode contribuir para que o filme seja visto por mais pessoas, que é afinal de contas o objectivo principal de todos os cineastas.

RWC – São três filmes bastante distintos e eclécticos; é esta a principal característica do José Barahona enquanto realizador?
JB - Não sei bem, mas como já antes referi, são três filmes com uma génese diferente. O Buenos Aires é um filme que segue uma linha diferente talvez porque estamos dentro de um domínio mais próximo do documentário, (se é que existe uma fronteira distinta entre documentário e ficção), onde eu talvez possa encontrar pontos de contacto evidentes com outros documentários que fiz. A Pastoral está dentro de um estilo mais pessoal, que tem seguimento no projecto que tenho neste momento entre mãos, e com muitos outros que estão ainda por sair do computador. Já o Ricardo, sendo um guião que me foi proposto, requeria outro tipo de aproximação da minha parte. Acho que é isso que os faz de alguma forma serem bastante distintos. Além disso, para mim, cada filme contém em si mesmo a sua própria linguagem. Seja na fase da escrita, ou numa primeira leitura de um guião terminado, cada um de nós vê imediatamente qual a forma que o filme deve tomar. Se bem que cada realizador veja o mesmo guião de uma forma distinta e particular, para essa pessoa, a linguagem, a forma, já lá está. E por isso cada filme acaba por ter a sua vida própria, e mesmo as suas imposições perante o seu autor.

RWC – Quem são as suas referências cinematográficas?
JB - Pergunta complexa, pois a lista pode tornar-se interminável, mas vou tentar referir só os primeiros que me vierem à cabeça, mas devo sublinhar que não sou “fanático” por nenhum realizador em particular.
Ford pelo tratamento dos grandes espaços, exteriores e interiores, principalmente o de A Desaparecida, e pela própria desmistificação do Western em O Homem que matou Liberty Wallence. Welles pelos excessos geniais e pela violentação da câmara. Bergman, por tudo o que nos faz descobrir sobre nós próprios e pelo rigor da encenação. Scorsese, até ao Tudo Bons Rapazes. Lynch pelo universo surreal. E Almodovar pela imaginação formal e narrativa.

Há ainda uma série televisa que revejo de dois em dois anos, e que é para mim o equivalente no cinema aos dez volumes de À Procura Do Tempo Perdido de Proust: Reviver o Passado em Bridshead, onde tudo está no lugar certo.

RWC – Num futuro próximo onde vamos poder ver o seu nome referenciado? Para quando uma aventura pelo domínio das longas-metragens?
JB - Estou neste momento a trabalhar na montagem de uma curta metragem intitulada A Cura, que espero puder mostrar no inicio do próximo ano, e com vários outros projectos no papel, mas sobre os quais é melhor só falar quando há a certeza de puderem ser concretizados.

RWC – Antes de terminar queria apenas fazer umas perguntas de resposta directa, que de certa forma já se tornaram hábito aqui no Royale With Cheese.
- Um filme de eleição?
Difícil… A Desaparecida? Reviver o Passado em Bridshead?

- As referências cinematográficas nacionais?
Fácil: Oliveira, Rocha e António Reis – como cineasta, professor e companheiro de descobertas na cinemateca.

- Com que actores portugueses gostaria de contar num projecto seu?
Com todos os grandes actores que existem em Portugal.

- Que filme quer fazer antes de morrer?
Como espero que ainda falte algum tempo, muitos. Todos os que tenho na cabeça. E um filme de aventuras, com piratas.

RWC – Obrigado pelo tempo disponibilizado. Muitas felicidades para o futuro e que possamos continuar a acompanhar o seu trabalho. Quer deixar uma mensagem a todos os jovens que sonham com um futuro de câmara de filmar ao ombro?
JB - A maneira com põe a sua questão faz-me imediatamente pensar na famosa frase do Glauber Rocha: Uma câmara na mão e uma ideia na cabeça. Apesar de todos estes anos que passaram, acho que hoje em dia ela se aplica cada vez mais. E a subversão é também um factor importante nestas coisas, por isso talvez: Uma ideia na mão e uma câmara na cabeça.

Posted by: dermot @ 1:32 da tarde
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domingo, abril 24, 2005  

BIRTH - O MISTÉRIO:

Título: Birth
Realizador: Jonathan Glazer
Ano: 2004


Imagine que, após ultrapassar dez anos de luto, é confrontado em vésperas de um novo casamento, com a presença de um rapaz de dez anos, que afirma ser o seu marido reencarnado. Em quem e em que iria acreditar?

Bith - O Mistério respira Kubrick por todos os poros. É uma história acerca do amor enquanto fé, mas numa intriga bifurcada; tal como em Lolita, há um triângulo amoroso, em que um dos vértices é um adolescente; tal como em Barry Lyndon, a banda-sonora é requerida nos momentos de catarse; e tal como em De Olhos Bem Fechados, quase que nos sentimos a violar a privacidade dos personagens, naqueles incomodativos grandes planos, demorados e fixos. Com o filme a respirar tanto Kubrick, não conseguimos evitar um suspiro de desilusão no final, ao percebermos que o realizador norte-americano faria-o muito mais intenso e sombrio. Enfim, faria-o melhor...

No entanto, é impossível falarmos de Birth - O Mistério sem falarmos de A Semente Do Diabo. Não é só por Nicole Kidman estar num registo em tudo semelhante ao de Mia Farrow, quer fisico, quer psicologicamente, numa interpretação minimalista e frágil; é porque também é um filme psicologicamente perturbador, que Polanski expressa magistralmente na sua obra - uma aura de misticismo, com uma pinga de claustrofobia e uma grande dose de confronto de identidades num ciclo fechado de familiares e amigos.

Birth - O Mistério não é um mau filme, antes pelo contrário. Mas perante o que já foi feito, dentro do mesmo campeonato, não pode ser encarado da mesma forma.
É, contudo, um filme bastante artístico e intenso; apesar de orientado para uma revelação final, a história esquiva-se ao twist, permancendo na reflexão e na ambiguidade. É certo que o final desaponta, não tanto pela opção argumentativa, mas pelo comportamento das personagens.

Apesar de ser o seu segundo filme, Jonathan Glazer mostra que sabe o que faz. É fantástica a perspicácia com que distribui alguns pormenores que são de grande importância para o desenlace da intriga - para quem ainda o vai ver, aconselho a tomar atenção aos atacadores desapertados na cena inaugural do filme - ou a promiscuidade cúmplice com que coloca Nicole Kidman a tomar banho com o petiz Cameron Bright, numa cena memorável e clássica.
É, no entanto, de uma irritação tremenda o facto de os microfones aparecerem em mais de cinquenta por cento do filme. Espero que não seja geral e que tenha sido só na fita que eu vi, mas assistir a um filme em que os actores quase que chegam a dar cabeçadas nos microfones é assustador.

Assim, ponderados os devidos altos e os baixos do filme, Birth - O Mistério acaba por receber um McBacon, temperado e acompanhado.

Posted by: dermot @ 9:15 da tarde
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sexta-feira, abril 22, 2005  

ALTA FIDELIDADE:

Título: High Fidelity
Realizador: Stephen Frears
Ano: 2000


Comecemos pelo final: Alta Fidelidade é um excelente filme, muito certinho, adaptado do excelente romance homónimo de Nick Hornby. No entanto, à semelhança de filmes como Quase Famosos, facilmente passa para níveis acima de satisfação, os da galvanização e da glorificação, se formos melómanos ou simples amantes da música; porque é esta a medula óssea do filme, a essência da história e aquela metade que não se vê nem se toca. É que ver Cusack, Black e Louiso elaborarem o “top cinco” das melhores canções para um funeral é uma coisa; e vê-lo, conhecendo as músicas que são sugestionadas, é outra coisa completamente diferente.

John Cusack é Rob Gordon, dono de uma loja de discos usados em Chicago – onde trabalha com os dois irmãos gémeos maluquinhos da música, Dick (Todd Louiso) e Barry (Jack Black) - e dono de uma vida em pantanas, acabado de ser largado pela namorada, Laura (Iben Hjejle). Alta Fidelidade é de certa forma, uma comédia romântica acerca deste melómano e apreciador de listas e “topes cincos”, desventurado no amor, mas com uma grande capacidade de síntese das suas relações.

O principal trunfo do filme começa por ser a sua originalidade. John Cusack é o protagonista desta história e como tal, assume o lugar de narrador, conversando abertamente com o espectador, olhos virados para a câmara. E depois, nesta sinceridade frontal, Cusack disseca a sua vida, as mulheres, o amor, as suas relações, os amigos, o trabalho, tudo numa perspectiva essencialmente machista.
O segundo trunfo é o próprio John Cusack. Mesmo para os que alinham na equipa dos que têm um ódio de estimação pelo actor (e são muitos), é impossível não ficar rendido à sua prestação: realista, sincera e confidente, Cusack torna-se um de nós, com quem nos identificamos rapidamente e que se torna impossível não gostar.

Quanto à veia melómana do filme não passa por estala-la em altos decibéis numa paleta de músicas bem escolhidas; esta escolha está lá, mas é administrada de maneira diferente, ilustrando caminhos, relações e sentimentos. A música em Alta Fidelidade assume, literalmente, o lugar de banda-sonora da vida – e o exemplo de Bruce Springsteen, o boss em carne e osso, a dar conselhos à guitarra é fabuloso.

Alta Fidelidade é uma divertida comédia, com bons momentos de cinema e de entertenimento. Ao lado de Cusack, desfila ainda Jack Black, que quer queiramos quer não, é um dos mais divertidos actores da sua geração quando não abusa do overacting (e que parece ter começado aqui a sua aventura em A Escola Do Rock) e um pequeno número de grandes nomes em papéis menos grandes, deonde se destaca Tim Robbins, numa caricatura engraçadíssima, qual fusão entre Steven Seagal e Tom Cruise em Magnolia.

Top 5 dos melhores filmes melómanos de sempre: 2º lugar (Le Big Mac) – Alta Fidelidade.

Posted by: dermot @ 6:38 da tarde
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segunda-feira, abril 18, 2005  

FESTIVAL CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS:

DIA 8

Começava por ser visível a ansiedade pela grande cerimónia que iria anunciar os premiados desta XII edição do festival Caminhos do Cinema Português. No entanto, antes, ainda havia filmes a exibir.
Foi então, por entre este clima de expectativa, que se assistiu a um poema animado bastante interessante, declamado por João Villaret chamado A Menina Gorda, de Pedro Lino, alguns documentários de onde sobressaiu No Jardim Do Mundo, de Maya Rosa, acerca dos poetas populares do Alentejo; o terceiro filme com que José Barahona se apresentou a concurso - Quem É Ricardo? - que mais uma vez voltou a não desiludir, com uma tortura do sono angustiante ao protagonista/espectador, e o documentário-ficcionado de Rui Simões, qual episódio de Morangos Com Açúcar acerca da anorexia, intitulado Os Meus Espelhos.

Chegava então a altura do grande momento.
A cerimónia de entrega de prémios coroou Noite Escura, de João Canijo, como o grande vencedor da edição deste ano do festival, ao atribuir o grande prémio do júri por melhor longa-metragem em película e o prémio de imprensa. A noite recompensou ainda o excelente ano de trabalho do realizador José Barahona, com Pastoral como a melhor curta em película e, agraciado pelo público, Kiss Me, de António Cunha Telles (e de Marisa Cruz) foi o grande vencedor. A noite não terminou sem o reconhecimento a António Cunha Telles pela sua carreira exemplar, que recebeu das mãos de depois de um interessante discuro o prémio Ardenter Imagine.
De referir ainda a curta A Dama Da Lapa, que o júri de imprensa, no qual o Royale With Cheese teve o orgulho e a honra de participar, decidiu atribuir uma menção honrosa pela sua originalidade, inovação, pela diversão, pela banda-sonora do mítico Manuel João Vieira e pelo argumento muito non-sense, algo pouco usual na animação nacional. O Royale With Cheese apoia esta curta, que espera, muito sinceramente, que se torne um caso de sucesso.
De seguida, a lista dos vencedores:


PREMIOS JÚRI OFICIAL:

Melhor Longa Metragem - Categoria de Película
Noite Escura de João Canijo

Menção Honrosa - Longa Metragem Categoria de Película
Costa dos Murmúrios de Margarida Cardoso

Melhor Curta Metragem Categoria de Película
Pastoral de José Barahona

Menção Honrosa – Curta Metragem - Categoria de Película
Perto de Pedro Pinho

Melhor Curta Metragem - Categoria de Vídeo
Apneia de Fernando Amaral

Melhor Documentário Vídeo
Se Podes Olhar Vê. Se podes Ver Repara de Rui Simões

Menção Honrosa – Documentário Vídeo
A Utopia do Padre Himalaya de Jorge António

Melhor Animação Vídeo
Sem Respirar de Pedro Brito

Melhor Documentário Categoria TV
Marrabentando, ou as Histórias que a minha Guitarra Canta de Karen Boswall

Prémio Revelação
Anna de Palma por Sem Ela


PREMIOS DE IMPRENSA:

Prémio de Imprensa
Noite Escura de João Canijo

Menção Honrosa
A Dama da Lapa de Joana Toste


PRÉMIOS do Júri da Federação Internacional de Cineclubes
Prémio D. Quijote:

O Outro Lado do Arco-Íris de Gonçalo Galvão Teles


PRÉMIO DO PÚBLICO:

Melhor Filme - Categoria de Película – Prémio REN
Kiss Me de António da Cunha Telles

Melhor Filme - Categoria de Vídeo
Moli de Ricardo Blanco

Melhor Filme - Categoria de TV
Marrabentando, ou as Histórias que a minha Guitarra Canta de Karen Boswall


PRÉMIO ARDENTER IMAGINE:
António da Cunha Telles

Posted by: dermot @ 5:15 da tarde
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FESTIVAL CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS:

DIA 7

Apesar de começar a queimar os últimos cartuchos, o festival parece não querer baixar a qualidade da sua programação. Antes pelo contrário.

O sétimo dia de certame foi preenchido, por entre algumas obras que não deixaram grande memória, por um bom número de curtas de alta qualidade, das quais quero destacar quatro - a primeira foi Descobri Portugal, um sketch animado por Armando Coelho de um português frustrado (no bom sentido), numa divertidíssima curt(íssim)a; ainda no campo da animação, A Dama Da Lapa, de Joana Toste, pisou os terrenos do melhor que até agora passou pelo festival. Extremamente original, divertido, non-sense e musicalmente agradável, foi mesmo o ponto alto do dia. Continuando pelas curtas animadas, Fernando Galrito e João Ramos trouxeram Com Uma Sombra Na Alma, que infelizmente, se apresentou fora da competição por motivos burocráticos. A sua qualidade merecia mais. E por fim, Carta Ao Ópio de Pedro Duarte, fechou este quarteto de distinções particulares, numa interessante curta-metragem depressiva, que procurou algo que não se viu ainda muito no festival: o twist final.
A fechar a sessão, foi exibido o regresso às câmaras de José de Sá Caetano, intitulado Maria E As Outras.


Título: Maria E As Outras
Realizador: José de Sá Caetano
Ano: 2004


Catarina Furtado continua a cultivar o estatuto de namoradinha do povo português: bastante bonita, amorosa e aquele ar frágil fazem dela um dos rostos mais requisitados da televisão. Por isto, José de Sá Caetano chamou-a para protagonizar Maria E As Outras, uma comédia ligeira, num raro registo do cinema português de tentar fugir ao cinema de autor, ao cinema histórico e/ou ao cinema de literatura.

Maria E As Outras é uma adaptação da série Sexo E A Cidade, versão portuguesa, em que Maria é Catarina Furtado e as "outras" são Joana (Isabel Abreu), Isilda (Ana Brito E Cunha) e a fugaz Sandra Cóias - retratos da mulher moderna, sofisticadas, profissionalmente realizadas e com uma mente aberta em relação ao amor.
Maria vê a vida dos seus mudar à sua volta, enquanto continua à procura do príncipe perfeito que teima em não vir. Mas a sua vida vai encontrar outro revés: o seu pai (Filipe Ferrer) sofre um AVC e o acidente vai levar a uma reconciliação com a mãe (São José Lapa).

Maria E As Outras é um filme sobre amor; sobre a sua faceta mais misteriosa, aquela que faz dele uma surpresa, que nunca sabemos quando vai atacar. José de Sá Caetano relembra-nos que o amor pode estar nos sítios mais inesperados, seja logo ao virar da esquina como no mais recôndito lugar.
Maria E As Outras é ainda um filme moderno e jovial; há a internet, com os seus chats e os encontros virtuais, há os telemóveis e os sms, há os metrossexuais e a liberalização sexual. No entanto, tal como a maioria do retrato social actual, também o filme é bastante superficial.

É aí que Maria E As Outras falha. Ao tentar ser tão leve e ligeiro, acaba por cair na superficialidade, em que nada prende a atenção ou capta o interesse. Há problemas amorosos, situações que tentam ser jocosas e acontecimentos dramáticos, mas tudo demasiado superficial. E depois há também Catarina Furtado, que apesar do ser glamorosa e charmosa, não é definitivamente uma boa actriz, apesar de todos os seus esforços. A sua personagem é uma capa esvoaçante, que paira completamente por entre Ana Brito E Cunha, uma verdadeira força da natureza.

Uma comédia ligeira, sofisticada e superficial - uma frase que justifica na perfeição o filme, frase esta que pode ser substituída apenas por uma palavra: Cheeseburger.

Posted by: dermot @ 12:43 da tarde
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domingo, abril 17, 2005  

FESTIVAL CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS:

DIA 6

Ao sexto dia reinaram as longas-metragens. O dia incluiu a sequela de Balas E Bolinhos, de sub-título O Regresso, e também a estreia da bela Marisa Cruz na sétima arte, com Kiss Me. Pelo meio, foi exibida a curta Perto, de Pedro Pinho.
Falada em francês e sem legendas, o filme rapidamente reaproximou o público, com uma história de amor obsessivo e dependência, entre um jovem e a sua vizinha do apartamento de cima. Pedro Pinho filma com bastante empenho e um grande realismo incomodativo um tema que, particularmente, me agrada bastante; no entanto, o filme sofre de alguma falta de personalidade, terminando de forma algo desastrosa.

Título: Balas E Bolinhos - O Regresso
Realizador: Luís Ismael
Ano: 2004


Tomando boleia do êxito que foi o amador O Ninja Das Caldas, Balas E Bolinhos ganhou facilmente, notariedade na televisão alternativa. Agora, anos depois, o grupo de amigos voltou a reunir-se para realizar a sequela, desta vez com um pouco mais de recursos. O título? Balas e Bolinhos - O Regresso.

Quer queiramos quer não, Balas E Bolinhos - O Regresso é o retrato da nossa sociedade, num alvo social médio-baixo. Como tal, é um filme pimba, uma realidade com a qual todos nós já contactamos, nem que seja numa noite de copofonia avançada.
Balas E Bolinhos - O Regresso tem todos os componentes xunga - música pimba, linguagem brejeira, Fernando Rocha, diálogos desabocados, vinho tinto e pastéis de bacalhau.

Balas E Bolinhos - O Regresso é a história de quatro grunhos - Culatra (J.D. Duarte), Rato (Jorge Neto), Bino (João Pires) e Tone (Luís Ismael) -, quatro calões de dedo leve que encontram a solução para os seus problemas: um mapa do tesouro. E como em todos os mapas do tesouro, o X marca o local onde estão as jóias, os diamantes e o ouro. A empresa vai ser complicada e vai despoletar uma série de peripécias, sempre perseguidos pelos piratas, perdão, pelos ciganos.

Diálogos desbocados e linguagem brejeira; já aqui referi, não foi por esquecimento, foi mesmo uma repetição intencional. É que Balas E Bolinhos - O Regresso é mesmo isto: diálogos triviais e non-sense, em que cada nove das dez palavras de cada frase não devem ser aqui repetidas por questões de boa educação e cuja repetição maciça se torna atrozmente maçadora. Por isso, o filme assemelha-se por vezes, a uma versão brejeira de Os Malucos Do Riso.

É contudo, um tipo de filmes que não deixa de fazer falta ao cinema português. Descontraído e assumidamente divertido, sem qualquer compromisso de festival, nota-se que ali sabe-se minimamente de cinema - os planos são cuidados, a banda-sonora é sempre pertinente - mas que a intenção é meramente esta.
Balas E Bolinhos - O Regresso é um filme que serve, pelo menos, para encurtar distância entre o público e o cinema nacional.

Se levarmos o cérebro para a sessão, Balas E Bolinhos - O Regresso é um filme fraco. Mas se o deixarmos à porta é um filme menos fraco, um Happy Meal mas sem brinquedo. Porque o filme é todo ele uma brincadeira.


Título: Kiss Me
Realizador: António Da Cunha Telles
Ano: 2004


Marisa Cruz é uma personalidade com grande crédito no mundo da moda e com grande aderência junto do público masculino. Por isso, a sua estreia na sétima arte, e logo como protagonista, suscitou desde logo uma grande ansiedade para ver até que ponto não teria sido uma decisão meramente comercial. No entanto, António Cunha Telles parecia ser a única pessoa com crédito suficiente para executar tal tarefa com a nossa confiança, uma vez que tem sido, ao longo dos anos, um realizador com um grande dom para revelar novos talentos, como o fez com Maria Cabral, em O Cerco, em 1970.
Afinal, após o visionamento de Kiss Me, ficamos decepcionados, principalmente, por notarmos que quem falhou foi o realizador e não Marisa Cruz.

Kiss Me é a história de Laura (Marisa Cruz), uma mulher reprimida pelo marido e pela mãe, no regionalismo alentejano de Portugal salazarista. Para fugir à violência doméstica, Laura abandona a casa e o filho e vai viver com a tia (Clara Pinto Correia), acabada de chegar dos Estados Unidos e cujo estilo de vida era facilmente associado à libertinagem. Laura vai assumir esse liberalismo americano, movimento encabeçado pela diva Marilyn Monroe. E tal como a actriz norte-americana, também vai despedaçar corações, nomeadamente Fernando Almeida (Nicolau Breyner), Rodrigo (Manuel Wiborg) e Artur (Rui Unas).

Marisa Cruz não é, definitivamente, uma boa actriz; está excelente no papel de sedutora, cheia de glamour, imagem da qual o realizador abusa ao despi-la em cena sim, cena não, mas quando sai de um registo de passividade, escorrega completamente.
Contudo, é António da Cunha Telles que se espalha totalmente, ao realizar um filme bastante light, mas com uma duração violentamente extensa, em que anda tem a profundidade desejada.
Parece ser um filme fetiche, em que faz desfilar um sem número de referências ao cinema que o marcou ao longo dos anos. Mas Bertolucci também o fez, em Os Sonhadores, e não se esqueceu de contar uma história.

Kiss Me conta com um genérico lindíssimo, tanto nos créditos iniciais, como nos finais. Mas em contrapartida, apresenta alguns pormenores de um nível quase amador (consequência de ter estado inactivo durante oito anos?): há erros crassos de continuidade, Marisa Cruz a cantar sem mexer a boca, planos perdidos entre cenas, um jovem a tocar acordeão sem mexer os dedos e cenas digitais completamente ridículas (como um avião que parecia feito em spectrum).
Por tudo isto, Kiss Me só pode saber a desilusão. Desilusão esta que tem o sabor de um Cheeseburger.

Posted by: dermot @ 2:30 da tarde
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sexta-feira, abril 15, 2005  

FESTIVAL CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS:

DIA 5

O quinto dia de festival foi uma sessão atípica, o que não significa que seja necessariamente mau; foi atípica, simplesmente, por uma questão de programação, numa sessão dedicada ao cidadão, à qual as organizações sociais locais limitaram-se a ignorar.
Assim, o dia englobou quatro documentários e uma curta, antes de apresentar a longa-metragem O Milagre Segundo Salomé, o filme de Mário Barroso que este ano vestiu a camisola das quinas na corrida infrutífera ao Óscar.

A sessão abriu com Cidadão Invisível, uma curta-metragem de "intervenção social", com uma forte mensagem a lembrar que o cinema não é só divertimento, mas também uma fonte de consciencialização social.
Ciente das suas limitações, Paulo Abrantes limita-se ao que se propõe, apesar de denotar alguns erros. Foi de louvar, no entanto, o esforço de passar a mensagem, so dotar a sessão, inclusive, com tradução simultânea para linguagem gestual.

A sessão trouxe ainda o esforço documental do grupo teatral O Bando, na adaptação aos palcos do intenso romance de José Saramago "Ensaio Sobre A Cegueira".
Se Podes Olhar, Vê. Se Podes Ver, Repara é um angustiante testemunho acerca da invisualidade, relembrando-nos que a visão é um dom que raramente justificamos.
A juntar-se ao romance e à própria peça teatral, também é um documentário a ver.

Tamira é uma menina africana que vive com dificuldades em Portugal, dividida entre o hospital e a segurança social. Marta Santos Lima tinha um diamante em bruto nas mãos, mas não o soube lapidar convenientemente, deixando algumas arestas por limar.

Por fim, Death By Water foi um documentário com ar de trabalho universitário, de Paulo da Fonseca, acerca dum cidadão de lesta a viver no nosso país. De algo sem grande interessa, o realizador conseguiu realizar um documentário sem nenhum interesse, extensíssimo, de pseudo-intelectualismo, onde a banda-sonora de Vincent Gallo explica muita coisa: a cara de um (leia-se presunção) é a cara de outro.

Por fim, AC-13 antecedeu O Milagre Segundo Salomé, uma curiosa curta de Raquel Jacinto Pereira acerca de amor, mas principalmente, de desejo. Localizada no mais improvável local - uma recôndita portagem perdida no meio do nada - é uma história que deve mais ao non-sense do que ao simbolismo.

O destaque da noite foi então O Milagre Segundo Salomé - pormenores opinativos recolhidos aquando da sua estreia, podem ser encontrados por aqui.

Posted by: dermot @ 4:41 da tarde
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quinta-feira, abril 14, 2005  

FESTIVAL CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS:

DIA 4

O quarto dia voltou a ser o dia de Beatriz Batarda. Apesar de estar alguns pontos abaixo da interpretação em Noite Escura, A Costa Dos Nurmúrios é mais uma excelente prestação da jovem actriz portuguesa.
Quanto a A Costa Dos Murmúrios, podem ser encontrados aqui os pormenores, uma vez que hoje os destaques voltam a ser as curtas.

Foi com A Cor Negra que o dia abriu. Silvino Fernandes e Paulo Sousa são os dois nomes por detrás desta história animada sobre o mito da criação, versão africana.
Com uma bonita história, politicamente correcta, acerca da criação das raças, A Cor Escura tem tão pouco da irreverência que prometia ter ao início, como do próprio trabalho de animação.
Ao princípio tudo era branco, até Eva ter cometido o pecado capital e o Mundo ter ganho cor. O Double Cheeseburger premeia esta intenção.

A Sal E Sol foi o primeiro documentário da noite. E os seus curtos vinte minutos de duração, rapidamente se trabsformaram numa longuíssima eternidade. Com uma morosidade maçadora, Rui Costa filma todo o processo da extração de sal como se de um ritual religioso se tratasse, com pompa e circunstância. Como sal tem com fartura, nada melhor que uma Sandes de Choco para acompanhar.

Felizmente, Marrebentando foi um documentário muito superior do que este último. Karen Bolwall realiza uma cativante dissertação pela música tradicional moçambicana e de como esta corre nas veias dos seus músicos. Essencialmente, capta toda a alegria que a música deste povo transmite, mas também aquela particularidade que a música tem, seja ela de que natureza for.
Só é pena não se entenderem alguns diálogos, quando teria sido preferível optar pelas legendas. Contudo, nada que belisque o mais alto menu desta sessão, um McBacon.

Depois houve um momento estranho ao festival. Certamente por engano, foi passado qualquer coisa que parecia responder pelo nome I.S.A.A.C. Doloroso de mais, era algo dispensável, que preferimos fingir que não aconteceu.

Por fim, antecedendo A Costa Dos Murmúrios, Gonçalves Galvão Teles trouxe O Outro Lado Do Arco-Íris, uma adaptação contemporânea da fábula acerca do pote de ouro no final do arco-íris. No entanto, o registo infantil rapidamente se desvanece mais do que se esperava, só recuperando as cores perto do final - falta-lhe sobretudo, a magia! Mesmo assim, é uma sincera e competente curta a que o grande Nicolau Breyner faz mesmo atingir o McChicken.

Posted by: dermot @ 2:20 da tarde
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quarta-feira, abril 13, 2005  

FESTIVAL CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS:

DIA 3

E ao terceiro dia soaram as primeiras palmas. Foram tímidas, é certo, também porque não são um hábito comum no certame, mas serviram como que um sinal para aquele que foi o melhor dia do festival até agora. Tudo devido a duas curtas - Sem Respirar e O Estratagema Do Amor - e à estreia cinematográfica de Anna de Palma - Sem Ela.

A primeira é uma assumida história de amor, contada por Pedro Brito numa interessante e não muito convencional animação. Com alguma ingenuidade pelo meio, Pedro Brito não tem receio de levar o seu sacrifício de amor até ao fim, resistindo no momento certo, à tentação de não cair no romance lamechas. Ao ritmo de uma magnífica banda-sonora ao piano, Sem Respirar conta mesmo com uma cena genial, daquelas que fica na retina muito depois do final da sessão.

Quanto à segunda, foi a estreia na realização de Ricardo Aibéo, na curta-metragem O Estratagema Do Amor. E que bela estreia!
Com uma cinematografia bastante séria, O Estratagema De Amor é mais do que um desafio amoroso e mais do que um confronto de sexualidades; é também um excelente ensaio sexual com laivos de poesia e um não menos excelente retrato histórico.
Para a posterioridade devem ficar ainda os nomes dos dois protagonistas: Rita Durão e Tobias Monteiro, que podem vir a ser nomes mais sérios do panorama cinematográfico nacional num futuro muito próximo.

No entanto, o destaque da noite foi inteiro para a longa-metragem da noite, o filme sensação da luso-francesa Anna de Palma.

Título: Sem Ela
Realizadr: Anna de Palma
Ano: 2003


Aproveitando o facto de ser luso-francesa, filha de emigrantes portugueses, a realizadora Anna de Palma marcou a sua estreia no cinema com um drama familiar repartido entre França e Portugal.

Sem Ela é a história de dois irmãos gémeos: Fanfan (Bérénice Bejo) e Jo (Aurélien Wiik). Apesar de serem unha com carne, os dois irmãos vão enfrentar a separação quando Jo e os pais (Vítor Norte e Maria Emília Correia) regressam das férias e Fanfan permanece em Portugal. Resistirão os laços de sangue dos dois irmãos à distância, à ausência, ao desencanto pela vida, aos novos amigos e ao desmoronar do ambiente familiar?

Mais do que um drama familiar, Sem Ela é um drama pessoal, em que Fanfan e Jo acabam por ser a mesma pessoa, projectada sob corpos e personalidades diferentes. Anna de Palma absorve completamente estes personagens, construindo com grande realismo a relação entre estes e a evolução que esta vai tomar, negligenciando completamente os actores secundários.
E devido à sua condição de luso-francesa, Anna de Palma pinta também um magnífico retrato dessa realidade.

Abdicando de quaisquer referências cronológicas, o filme sofre um pouco com esses lapsos temporais. No entanto, a grande lacuna está na forma como a música é usada, uma vez que assumida a sua importância como escape das personagens, acaba por ser na maioria das vezes mal escolhida. Além disso, é um filme mal filmado, principalmente nas cenas de grande tensão.
Sem Ela não veio só revelar uma ainda assim promissora realizadora; veio também revelar dois actores espantosos: a bela Bérénice Bejo e o jovem Aurélie Wiik. E junto a eles está o genial Vítor Norte, em mais uma prestação portentosa, na personagem do pai português típico, autoritario e (muito) pouco compreensivo.

Datado de 2003, só agora Sem Ela vê a escuridão das nossas salas nacionais. Mas como diz o adágio, antes tarde do que nunca. É que apesar de não ser a sensação que alguns apregoaram aquando da sua estreia, é uma primeira obra deveras competente. Por isso, não é de estranhar ve-lo receber algo mais do que um McChicken.

Posted by: dermot @ 4:16 da tarde
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terça-feira, abril 12, 2005  

FESTIVAL CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS:

DIA 2

Talvez a contrastar com a longa-metragem de Manoel de Oliveira - O Quinto Império - Ontem Como Hoje - o segundo dia do certame foi preenchido com uma mão cheia de curtas-metragens.
Para acompanhar o mito sebastionista segundo Manoel de Oliveira, versão teatral, é só seguir este caminho; para continuar a acompanhar as curtas, é só se manter nestas linhas.

Cowboys Na António Maria Cardoso foi a primeira curta do dia. João Pinho Nogueira filma uma história de Portugal ditadurista de 1963 à volta de um miúdo de sete anos (João Maria Pinto), o seu pai detido (Miguel Guilherme), cowboys e índios.
É uma premissa que podia ser bem interessante (todo o folclore dos cowboys e índios, enquanto luta entre o Bem e o Mal), mas a pouca credibilidade do filme, onde nem Miguel Guilherme está particularmente feliz, fazem-no ficar pelo Cheeseburger.

A Guerra No Iraque é o making of mascarado de documentário de uma curiosa animação feita por crianças de uma turma primária, sob a supervisão de Leonor Areal.
As personagens são as que conhecemos - George W. Bush, Tony Blair, Saddam Husein e até Bin Laden - mas a história é bem mais imaginativa: nela há a ingenuidade inocente das crianças e o ponto de vista que estes têm da actualidade, da guerra e da violência.
Se Ser E Ter fosse uma curta, poderia muito bem ser A Guerra No Iraque, se Leonor Areal não se limitasse a deixar a câmara ligada em frente aos miúdos. Mas são estes que fazem valer o filme, pelas suas divertidas tiradas. Claro que o McRoyal Deluxe é mais olhos que barriga, mas a gulosice das crianças é mesmo assim.

Apneia é um clichet gigantesco de estilização da violência que se tem tornado lugar comum desde Cães Danados.
Alguns bons momentos de edição dão crédito a Fernando Amaral para uma nova tentativa. E dão também um McChicken.

Tatana é um conto moçambicano com o dedo do poeta Mia Couto. Nele, há o misticismo africano, o sol moçambicano, uma brilhante fotografia e um bom trabalho de realização de João Ribeiro, que lhe prometem um agradável futuro. Mas no filme há também maus actores e uma espécie de urgência em terminar. E mais uma vez, fica-se pelo McChicken.

Para Ficheiros Escondidos, de Maria João Ferreira, apenas três palavras: pão com manteiga.

A terminar a sessão, Mário Lopes trouxe um documentário acerca dos indígenas Deni, da floresta amazónica, intitulado A Terra Dos Deni.
Académico e tradicional, é um documentário digno do Canal 2. Não deslumbra, mas em compensação também não ofende; tal como um Double Cheeseburger.

A noite não terminou, no entanto, sem mais uma curta - Da Minha Janela. Em apenas nove certeiros minutos, Pedro Caldas filma a monotonia e a resignação da velhice, com todo aquele espírito próprio de uma curta-metragem. Só por isso, vale o McBacon.

Posted by: dermot @ 3:00 da tarde
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segunda-feira, abril 11, 2005  

FESTIVAL CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS:

DIA 1

O primeiro dia de hostilidades apresentou um bom número de curtas-metragens e duas longas-metragens. Das primeiras não rezam grandes histórias: houve uma história que a punchline merecia pelo menos uns actores que soubessem representar (Retrato Da Velha Enquanto Senhora) e que teve o condão de mostrar uma casa pejada de fotos, que eram todas iguais(!); houve uma homenagem a Pessoa, com direito ao próprio Jorge Palma, que afinal mais pareceu um insulto (A Fuga); um documentário em busca dos últimos portugueses no Uruguai, que acaba também por se dissipar (Buenos AIres Zero Hour); uma animação tecnicamente irrepreesnsível acerca de um astronauta rockabilly com um final em homenagem a Carpenter (Cosmix); e uma história de amor agridoce, com o grande João Lagarto (Pastotal).
Das longas, Noite Escura veio consolidar o estatuto de filme português de 2004 e voltar a lembrar o portento que fez Beatriz Batarda - fica aqui a crítica passada, em que a nota final deve ser revisitada um nível acima - e A Cara Que Mereces, que se apresentou com um cartão de visita de críticas completamente díspares, que fazia crescer a curiosidade.

Título: A Cara Que Mereces
Realizador: Miguel Gomes
Ano: 2004


Diferente - é este o melhor adjectivo e o melhor elogio que se pode fazer à estreia de Miguel Gomes nas longas-metragens, face ao panorama actual do cinema nacional.
"Para os jovens de coração" devia ser o dístico de abertura do filme; no entanto, "até aos 30 anos tens a cara que Deus te deu, depois tens a cara que mereces" é uma frase que diz muito de A Cara Que Mereces, porque este também tem duas caras, também elas completamente díspares: a primeira, um interessante e promissor dia de aniversário de Francisco (Pedro Airosa), antes de ser remetido para uma cama, a contas com sarampo; e a segunda, um delírio não assumido de redenção introspectiva, premeditada mas sem sentido, dividida em "sete anões".

Enquanto Miguel Gomes se mantém fresco e coerente, muma primeira parte evrdadeiramente interessada, amscarada de musical, qual 8 Mulheres, A Cara Que Mereces é um óptimo feel-good movie acerca da meia-idade; depois, quando se arma em David Lynch juvenil, de jogos lúdicos com regras pré-definidas, chega a ser medíocre, apesar de algum do bom humor nunca se perder. Os actores da segunda parte é que também não ajudam em nada.

Miguel Gomes desconserta; no entanto, arrisca tudo ao retirar a rede ao espectador. O resultado? O espectador cai desamparado.
A Cara Que Mereces não deixa de ser um filme original e, sobretudo, diferente, o que é um melhor elogio que o Double Cheeseburger.

Posted by: dermot @ 10:39 da manhã
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FESTIVAL CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS:

DIA 0
O certame deste ano abriu as portas ao público num espaço fatástico e acolhedor - o Centro Cultural D. Dinis -, onde decorreram três eventos: o lançamento da fotobiografia oficial do festival, onde são recordadas as memórias dos onze anos anteriores de festival, uma excelente actuação do fado de Coimbra; e o tradicional Porto de honra.
Terminados os compromisso, o pano descerrou para o primeiro filme - o alemão Lichter - sem antes apresentar um curto trecho multimédia sobre a história do cinema.

Título: Lichter
Realizador: Hans-Christian Schmidt
Ano: 2003


Lichter é um drama sobre a realidade urbana de uma pequena cidade polaca, junto à fronteira alemã. Assente na máxima "a sobrevivência do mais apto", o realizador Hans-Christian Schmidt cria um mosaico de histórias de desilusão, sob diferentes formas, seja no tema da emigração ilegal, do desemprego, ou do tráfico de tabaco. Em suma, têm todos em comum a depressão económica.

Lichter é um típico filme alemão, em que a câmara treme muito (às vezes até demais) e banda-sonora é monocórdica. No entanto, é demasiado extenso, o que faz as histórias caírem no esquecimento ao passarem bastante tempo ausentes. Um razoável McChicken, que talvez fosse mais se as cadeiras não fossem tão desconfortáveis. Aliás, foi este o ponto baixo do dia. Esse e o facto de o filme ser alemão e ter as legendas em espanhol.

Posted by: dermot @ 10:26 da manhã
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sexta-feira, abril 08, 2005  

FESTIVAL CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS:

Começa já amanha, dia 9 de Abril, a 12ª edição do único festival de cinema exclusivamente dedicado ao cinema nacional, o Caminhos Do Cinema Português. Este ano, o certame, para além da habitual secção oficial, destaca ainda um ciclo de cinema alemão, para além de outras actividades paralelas, como a 1ª Feira do Livro.
O Royale With Cheese vai acompanhar, diariamento, o festival por dentro, tendo o orgulho de poder contribuir para o Prémio de Imprensa deste ano.

Posted by: dermot @ 5:07 da tarde
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quinta-feira, abril 07, 2005  

SIDEWAYS:

Título: Sideways
Realizador: Alexander Payne
Ano: 2004


Sideways é um filme americano com todos os preceitos do cinema europeu, que arrebatou a crítica cinematográfica no ano transacto. Alexander Payne realizou uma espécie de road movie sobre vinhos, acerca de duas depressões de meia-idade (tema que já tinha abordado no genial Confissões De Schmidt), uma devido a um casamento desfeito e outra devido ao aproximar do casamento. Sideways venceu mesmo o Óscar para Melhor Argumento, algo que não é muito habitual num filme acerca dos aspectos mundanos da vida quotidiana.

Sideways roda à volta de dois amigos, Miles (Paul Giamatti) e Jack (Thomas Haden Church), que vão embarcar numa viagem de uma semana pela América vinícula, como forma de Jack se despedir da vida de solteiro. Miles, ainda a enfrentar o facto de ter sido trocado pela mulher que amava, apenas procura uma semana de descontração a provar vinhos e a jogar golfe; Jack, em conflito consigo mesmo devido ao compromisso que irá contrair no final da semana, quer tirar o máximo de partido da semana, aproveitando-se do seu charme de actor. E quando este par se tranforma num quadrado amoroso, com Maya (Virginia Madsen) e Stephanie (Sandra Oh), as implicâncias vão transformar-se numa trama sobre paixão e sobre a vida.

Alexander Payne é um realizador confiante, que tem toda uma escola de cinema indie que coloca ao seu dispôr, quando filma os conflitos pessoais com grande humanismo e realismo. Em Sideways, mistura uma grande dose de feel-good movie com uma grande garrafa de vinho envenenada em xanax, naquelas relações afecto-depressivas que tanto furor fizeram em filmes como Felicidade ou As Invasões Bárbaras.
Aliás, o vinho é o grande elo conductor do filme. Mantém o ritmo, aumentando-o ou diminuindo-o, dá o mote para o que vai acontecer e justifica o que está para acontecer. Tal como um Chardonais, também a vida depende das condições alheias, do clima, da forma como é tratada ou da própria casta.

Paul Giamatti, depois de ter descoberto a sua faceta no papel do obsessivo Harvey Pekar, em American Splendor, volta a vestir a pele de um fracassado, um looser divorciado e depressivo, que rouba a prórpia mãe, encharca-se em xanax e que se enbebeda. Quanto se pensava que tinha feito o papel da sua vida em American Splendor, eis que volta a surpreender, provando que aquele papel não foi um acaso. Talvez tenha sido redescoberto para o cinema, tal como o foi Bill Murray.

Quando se fala em filmes descontraídos, vem logo à baila a revelação de Garden State. No entanto, com filmes como Sideways, é difícil entender a tanta excitação à volta de alguns filmes.
Se a escala de conotações deste antro fosse em vinhos em vez de hamburgas, o McRoyal Deluxe seria sem dúvidas, um apurado Pinot Noir.

Posted by: dermot @ 8:59 da manhã
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quarta-feira, abril 06, 2005  

NOTHING:

Título: Nothing
Realizador: Vincenzo Natali
Ano: 2003


Vincenzo Natali apresentou-se ao Mundo com Cubo e ficou, instantaneamente, na retina do panorama cinematográfico internacional. Agora, ao terceiro filme, depois de Cypher, Natali já confirmou todos os seus créditos e já convenceu até os mais cépticos.
Nothing, que novamente valeu ao realizador canadiano, o prémio de melhor filme na secção oficial do certame deste ano do Fantasporto, é até à data, o seu registo mais experimental, mas também mais descntraído

E se Vincenzo Natali se tivesse juntado aos criadores do South Park e a Wes Anderson para criarem uma comédia genial? O resultado seria Nothing; mas mesmo sozinho, Natali saiu-se muito bem. Aproveitando a demência (leia-se non-sense) juvenil de Trey Parker e Matt Stone e a subtileza alienada de Wes Anderson, Natali deu o seu cunho experimental a esta comédia, levando ao extremo todo aquele seu minimalismo de Cubo. Assim, pode-se dizer que Nothing é o primeiro filme absolutamente niilista da história do cinema.

O filme divide-se em duas partes. Antes de mais, começa com um prólogo magnífico, numa edição divertidíssima de colagens e sobreposições, que introduz as personagens de Dave (David Hewlett) e Andrew (Andrew Miller), dois amigos de infância e dois falhados completos. Fazendo juz à máxima “quando as coisas parecem não poder piorar, vão piorar”, os dois amigos conseguem, em pouco mais de dez minutos, ver-se envolvidos numa série de problemas catastróficos que os fazem desejar que o Mundo desaparecesse. E se esse desejo se concretizasse?

Nothing é um filme assente nessa premissa e é uma história sobre nada. Literalmente! Ausentes do mundo, Nothing é uma antítese de Cubo; se neste, a claustrofobia era provocada pelo encerramento das personagens num cubo misterioso, em Nothing a claustrofobia é provocada pela total ausência do que quer que seja: o cenário é totalmente branco e nem há linha do horizonte como linha para nos agarrarmos – uma vertigem constante.
Natali dá esta possibilidade aos dois personagens e dota-os com o poder divino de fazer desaparecer o que bem entendessem. E o que de início parecia uma brincadeira, rapidamente se torna num martírio, quando maiores questões se começam a levantar. O filme é mais do que uma lição de moral: é uma lição de psicologia, que Freud não faria melhor.

Numa amálgama de estilos, Natali realiza uma comédia divertida e experimental sobre o nada, em que a atenção recai totalmente sobre os actores; e ambos respondem à chamada, em interpretações sólidas e brilhantes.
E mesmo rodeado de nada, conseguimos encontrar no filme, o cunho pessoal de Natali, no modo como ele cria os ambientes de tensão, num estilo minimalista e extremamente eficaz. È precisamente este o ponto alto do filme, em contraste com o lado mais juvenil, mais South Park, do filme, que tem como espelho o confronto final, que é para riscar completamente da memória.

Vincenzo Natali ao seu terceiro filme já marcou posição no cinema fantástico e no cinema de ficção-científica pensado; e por aqui, já se tornou mesmo num dos realizadores de eleição.
Nothing é um filme fantástico, uma experiência que correu bastante bem. E como é difícil fazer um filme sobre nada, que o diga Gus Van Sant e o seu Gerry. Nada difícil, contudo, é atribuir um saboroso Le Big Mac a esta original criação.

Posted by: dermot @ 1:18 da tarde
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segunda-feira, abril 04, 2005  

ENTREVISTA À PRODUTORA OLHO DE VIDRO:

Olho de Vidro é o nome da nova produtora cinematográfica nacional, que nasceu no norte do país, com sede em Guimarães, com o objectivo de acabar com o marasmo que afecta o cinema português.
Rodrigo Areias, licenciado em Som e Imagem pela Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa e formado em Realização Cinematográfica pela Tisch School of Arts da Universidade de Nova Iorque, é quem encabeça este projecto e é o convidado do Royale With Cheese para falar sobre este projecto e não só.

Royale With Cheese – Rodrigo Areias, afinal o que é a associação Olho de Vidro?
Rodrigo Areias - A Olho de Vidro é uma associação cinematográfica voltada essencialmente para a produção de cinema. O nosso objectivo é capitalizar uma série de condições que hoje existem espalhadas por todo o país, e que são subaproveitadas. Pois existem hoje meios técnicos de ponta disponíveis, profissionais técnicos altamente qualificados, actores de qualidade com vontade de ver espelhada a sua arte, espaços técnicos, cénicos e naturais únicos, que não são explorados pelo cinema português. E hoje, dada a democratização com o cinema digital, quem quer fazer cinema, tem uma maior facilidade, mas existem muitos entraves para que as coisas evoluam.

RWC – Na sua opinião, o que corre mal no cinema nacional, que se traduz num último nível, numa fraca afluência de público às salas de cinema para ver filmes em português?
RA – O que corre pior no cinema português é a promoção, distribuição e exibição. As pessoas não se sentem atraídas a ir ver filmes portugueses, porque os filmes mais falados e com espaço de crítica, são normalmente “filmes de festival de cinema”, com os quais o público não se identifica. O problema é que o cinema cinzento à português, urbano-depressivo, deflagrou em força nos anos 90, devido a ser mais exequível fazer filmes em que entrem poucos actores, nos apartamentos dos amigos e sem guarda-roupa. É mais barato desta maneira, é verdade, mas há outras formas de fazer cinema que também deveriam ser apoiadas. Eu acho que a única solução para o problema do cinema português está na diversidade da produção, em que apesar de exígua que será sempre, possa agradar também ao público em alguns filmes. Há casos conhecidos de respostas dos júris do ICAM estilo: “muito próximo do gosto do público”, como razão para não apoiar um projecto que havia ficado em primeiro lugar nos concursos de desenvolvimento de argumento, de um realizador como o António Ferreira. Ou seja, não considero que se deva financiar um tipo especifico de cinema, mas sim diversificar, e que pelo menos não sejam sempre os mesmos a receber, e à quarenta anos.

RWC – O cinema português encontra-se limitado a géneros muito específicos, resumindo-se a algumas pedradas no charco, como as recentes apostas independentes de Sorte Nula ou I’ll See You In My Dreams. Podemos esperar da Olho de Vidro uma quebra neste marasmo, com a aposta em outras áreas?
RA – O I’ll See You In My Dreams é um bom exemplo de aposta independente, dado que envereda por um género especifico, feito com grande profissionalismo, a que o cinema português não está habituado, mas é uma curta-metragem e com um orçamento altíssimo. E eu considero que apostas independentes são, por exemplo os filmes do Edgar Pêra, que faz longas metragens sem qualquer financiamento e estão em festivais de cinema à séria, e são propostas arrojadas de cinema. Por outro lado, mais independente e mais próximo do público que o Sorte Nula, é o Balas e Bolinhos, um filme de comédia absurda, um género que a mim não me apraz muito, mas que sem financiamento e sem críticas positivas, consegue fazer público e estar em sala dois meses. Este é um caminho possível, mas a Olho de Vidro não é a isso que se propõe, a nossa ideia é em liberdade criativa e sem género fazer com que seja possível a uma série de pessoas fazer cinema. Juntar gente das várias áreas do cinema e fazer com que se criem coisas, dar apoio, infra-estruturas, condições.

RWC – A internacionalização é um passo a conquistar pela Olho de Vidro?
RA – A internacionalização é um passo fundamental para o cinema português em geral, essa deveria ser a aposta do Estado Português, como toda a gente faz por esse mundo fora, investir à séria nesse âmbito. Em vez de se dar subsídios a filmes que nunca são exibidos, como acontece frequentemente, deveria dar-se maior importância à exportação do cinema português, que tem mais potencial do que se julga. A Olho de Vidro, está já nesse processo de internacionalização, aos poucos e estamos neste momento aliados a uma série de estruturas de produção nacionais e estrangeiras, e sabemos que não é assim tão difícil chegar lá. Os nossos dois primeiros projectos foram de facto duas curtas de produção francesa, e temos como aliado actualmente um produtor inglês que tem já um projecto de longa metragem com rodagem integral em Portugal e prevista para este ano.

RWC – Ao fim ao cabo, 2004 acabou por ser um ano positivo para o cinema nacional, pelo menos em questões de qualidade. O Milagre Segundo Salomé foi o escolhido para a corrida aos Óscares. Concorda com esta opção ou a sua escolha teria recaído noutro filme?
RA – As escolhas para os Óscares não são só politicas em Hollywood, começam logo por sê-lo cá. Não concordo de todo que 2004 tenha sido um ano positivo para o cinema nacional, não saiu nada com força desse ano. Mas a escolha do filme português que irá ingressar numa pré-escolha para se ser candidato aos Óscares é decidido no ICAM, e quase sempre mal escolhido. Em 2001 estavam quatro filmes nessa escolha, o Vou Para Casa do Manoel de Oliveira, que foi excluído da corrida por ser falado em francês, o Quarto da Vanda do Pedro Costa que por opção do Produtor foi também retirado e sobraram dois, A Janela Marialva Mix do Edgar Pêra, e o Camarate do Luis Filipe Rocha. O filme escolhido pelo ICAM foi o Camarate, um filme à americana, linear e que em nada pode representar o cinema português. Destes filmes, apenas o Costa ou o Pêra deveriam ter sido considerados, porque são filmes com atitude e são geniais, apesar de estarem nos antípodas um do outro.

RWC – Que nomes nacionais gostaria de ver envolvidos em futuros projectos da Olho de Vidro?
RA – Para já estão envolvidos o João Trabulo, com Sombras, uma longa metragem sobre o Teixeira de Pascoaes e o Edgar Pêra com Português à Força, uma longa baseada no livro Amadeo do Mário Cláudio; estas duas são produções da Periferia Filmes de Lisboa com quem iremos ter mais colaborações no futuro. Iremos colaborar em 667 O Vizinho da Besta de Eduardo Condorcet, e temos uma série de produções de curtas e documentários a avançar de novos autores que irão estar a fazer uma série de coisas no futuro connosco. Mas creio que o grande nome do cinema que eu gostaria de ver envolvido com a nossa associação é mesmo o Edgar Pêra, o que estou já muito contente de estarmos a trabalhar juntos em vários projectos. Obviamente que gostaria de ver outros nomes associados, como o João Canijo, o Joaquim Pinto, o António Ferreira ou o Pedro Costa, que são realizadores de quem gosto bastante, bem como do seu trabalho, sendo no entanto, todos bastante diferentes entre si.

RWC – É sabido que o primeiro “filho” da Olho de Vidro será uma longa-metragem inspirada em O Rei Édipo, de Sófocles, realizada pelo próprio Rodrigo Areias. Que pode adiantar acerca do filme? Que podemos esperar? E para quando poderemos encontra-lo nas salas de cinema?
RA – O Rei é uma versão da tragédia clássica de Sófocles, mas com uma série de particularidades, é uma versão actual, onde um filho de emigrantes portugueses nos arredores de Paris, parte em busca das suas origens e se depara com um universo de valores distante do seu e da realidade. É uma incursão particular num universo de democracia paralela. É uma longa metragem de ficção, sem financiamento do ICAM, que irá ter distribuição em cinema, dvd e exibição em televisão, garantida já em Portugal, Inglaterra, França e Brasil; numa escala reduzida e especifica obviamente.
Damos muitos passos para muitos lados, mas passos pequenos de cada vez...
Estrear comercialmente só em 2006. É um filme que conta com Nuno Melo, David Almeida, Paula Guedes, Manuel João Vieira, Paulo Furtado, entre outros.

RWC – Paulo Furtado será o responsável pela banda-sonora do filme. É uma aposta singular, ou é uma experiência a repetir, para revitalizar também a música portuguesa?
RA – Com o Paulo especificamente, é sempre uma experiência a repetir, temos trabalhado bastante juntos, escrito e realizado trabalhos em conjunto, e é alguém com quem me identifico bastante. Não me parece que esta relação revitalize propriamente a música portuguesa, existe sempre uma exportação de ambos os produtos que ajudam na divulgação do outro.

RWC – Enquanto realizador, já colaborou com nomes importantes da área, como Edgar Pêra e Paulo Rocha. Quem são as suas referências/influências cinematográficas?
RA - Toda a história do cinema é a minha influência, não tenho uma identificação directa com nenhum realizador especifico, tenho com vários. Das últimas décadas, Alex de la Iglesia, Jim Jarmusch, Wim Wenders, John Waters, David Lynch, antes dos anos 80 Fellini e Godard, antes ainda Tati, e os clássicos são poços de sabedoria, Vertov, Eisenstein; não sei responder a isto...


RWC – Para terminar, deixo uma série de perguntas curtas para respostas directas:
- O filme da sua vida?
A lista é enorme...
- Um actor e uma actriz que deram sentido ao cinema?
A história do cinema está repleta de óptimos actores.
- O que melhor já se fez em Portugal, dentro da área cinematográfica?
Para além do Edgar Pêra, o Tráfico do João Botelho.
- Hollywood ou o circuito indie?
Poucos blockbusters e odeio saber quem vendeu mais bilhetes, acho um atraso mental.
- Cinema digital ou tradicional?
É indiferente, as inovações tecnológicas no cinema coincidiram sempre com mudanças radicais na forma de se fazer e ver cinema, esta é apenas mais uma.

RWC – Obrigado pelo tempo dispendido. Muitas felicidades e boa sorte para a associação Olho de Vidro, são os votos sinceros do Royale With Cheese e dos seus leitores. Espero que possa visitar com frequência o Royale With Cheese.

Posted by: dermot @ 6:44 da tarde
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domingo, abril 03, 2005  

BUBBA HO-TEP:

Título: Bubba Ho-tep
Realizador: Don Coscarelli
Ano: 2002


Bubba - Campónio; Rapaz do campo
Ho-tep - Descendente da 17ª dinastia dos faraós do Egipto

Bubba Ho-tep é o filme de Don Coscarelli, um aficcionado de filmes de zombies, de Romero a Raimi, que saiu do certame do Fantasporto deste ano, cheio de agradáveis críticas.
E o que é Bubba Ho-tep? Para começar, é um filme que tem (não necessariamente por esta ordem): Bruce Campbell, o rei do cinema de série B, no papel do rei do rock n’ roll, reformado e doente; Ossie Davis, no papel de John Fitzgerald Kennedy, reformado e doente; e uma múmia “saloia”, com botas de cowboy, saída do antigo Egipto com uma arreliadora maldição às costas. É então, o mais criativo e original filme fantástico dos últimos tempos? Não, é a mais original e criativa crise de meia-idade da história do cinema.

Original é o adjectivo que mais se adequa a Bubba Ho-tep. Elvis Presley (Bruce Campbell), cansado da vida de fama, troca de lugar com um imitador, Sebastian Haff, passando os últimos dias da sua carreira imitando um imitador de si próprio. Actualmente, vive num lar de idosos, gordo e doente, onde vive também John F. Kennedy (Ossie Davis), ex-presidente dos Estados Unidos, cujo cérebro foi trocado por um saco de areia e a cor da pele tingida de negro pelos serviços secretos norte-americanos, depois do atentado de homicídio manipulado em Dallas. Esse lar acaba de ser assombrad por uma múmia sugadora de almas, que tem de ser detida, de modo a deixar os idosos do lar morrerem de forma descansada.

Parace equisito. E é! Bubba Ho-tep é um cruzamento entre a demência institucional de Voando Sobre Um Ninho De Cucos e a crise existencial de meia-idade de As Confissões De Schmidt e Beleza Americana, com a dimensão fantástica da triologia Evil Dead.
Don Coscarelli recorre ao imaginário de Elvis Presley, cujo folclore permite uma mão cheia de diferentes abordagens. E como qualquer filme que tenha o Rei tem que ter estilo (algo que Tony Scott desconhecia quando realizou True Romance), Bruce Campbell trata disso de maneira sublime, numa interpretação genial de um Johnny Bravo raquítico, impotente e de cabelos brancos.

Pode não parecer, mas Bubba Ho-tep é uma magistral metáfora acerca da vida de Elvis Presley, que se pode adequar à vida de cada um de nós: um homem abatido pelo tempo, que tem uma vida passada para endireitar, para poder viver os últimos dias em paz consigo próprio. Elvis é a própria múmia que enfrenta e o confronto entre ambos não é mais do que um exorcizar de fantasmas - Elvis é um bubba, que apesar de representar sempre o herói, quer em cima do palco, quer na grande tela, foi sempre um pacóvio na vida real, ao sabor da fama, das drogas e das mulheres; mas é também um Ho-tep, o faraó do rock, imortal e divino.

Bubba Ho-tep é um moderno clássico americano, com uma metade muito série B, cuja visualização encerra inúmeros desígnios, impossíveis de descrever por palavras.
A maneira mais aproximada de o fazer é atribuindo-lhe um Le Big Mac e esperar que vos façam procurar pelo filme.

Posted by: dermot @ 11:09 da manhã
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sábado, abril 02, 2005  

1 ANO:

Correndo o risco de ser pouco humilde ou até mesmo presunçoso, é com orgulho que chego a esta data, que marca o primeiro aniversário do Royale With Cheese. Foi com extremo prazer que criámos este espaço e o vimos crescer e, sobretudo, amadurecer, sempre com a intenção de compartilharmos com vocês a nossa paixão pelo cinema.
Um sincero obrigado a todos aqueles que visitaram, participaram e contribuiram, nestes doze meses e uma palavra de apreço ao Vitrugo, que foi a outra metade criadora deste dínamo, que tem sido o Royale With Cheese.

Posted by: dermot @ 10:43 da manhã
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COTAÇÃO:
10 - Royale With Cheese
9 - Le Big Mac
8 - McRoyal Deluxe
7 - McBacon
6 - McChicken
5 - Double Cheeseburger
4 - Cheeseburger
3 - Caixinha de 500 paus (Happy Meal)
2 - Hamburga de Choco
1 - Pão com Manteiga

TAKE:
Take - cinema magazine | take.com.pt


ARE YOU TALKING TO ME:
DUELO AO SOL
CLARENCE HAD A LITTLE LAMB
GONN1000
BITAITES
ANTESTREIA
CINEBLOG
CINEMA NOTEBOOK
CONTRA CAMPO
ZONA NEGRA
O MELHOR BLOG DO UNIVERSO
A CAUSA DAS COISAS
O MEU PIU PIU
AMARCORD
LAURO ANTÓNIO APRESENTA
SARICES ARTÍSTICAS
A RAZÃO TEM SEMPRE CLIENTE
MIL E UM FILMES
AS IMAGENS PRIMEIRO
A DUPLA PERSONALIDADE
TRASH CINEMA TRASH
SUNSET BOULEVARD
CINEMA XUNGA


ARE YOU TALKIN' TO ME?
cinephilus@mail.pt


CRÍTICAS:
- A Armadilha
- A Arte De Pensar Negativamente
- A Árvore Da Vida
- A Balada de Jack And Rose
- A Bela E O Paparazzo
- A Boda
- À Boleia Pela Galáxia
- A Cabana Do Medo
- A Cela
- A Canção De Lisboa
- A Cara Que Mereces
- A Casa Dos 1000 Cadáveres
- A Casa Maldita
- A Cidade Dos Malditos
- A Ciência Dos Sonhos
- A Comunidade
- A Cor Do Dinheiro
- A Costa Dos Murmúrios
- A Criança
- A Dália Negra
- A Dama De Honor
- A Descida
- A Duquesa
- À Dúzia É Mais Barato
- A Encruzilhada
- A Estrada
- A Estranha Em Mim
- A Frieza Da Luz
- A Fúria Do Dragão
- A História De Uma Abelha
- A Honra Da Família
- A Janela (Maryalva Mix)
- A Lagoa Azul
- A Lenda Da Floresta
- A Liga Dos Cavalheiros Extraordinários
- A Lista De Schindler
- A Lojinha Dos Horrores
- A Mais Louca Odisseia No Espaço
- A Maldição Da Flor Dourada
- A Mansão
- A Maravilhosa Aventura De Charlie
- A Marcha Dos Pinguins
- A Máscara
- A Máscara De Cristal
- A Menina Jagoda No Supermercado
- A Minha Bela Lavandaria
- A Minha Vida Sem Mim
- A Morte Do Senhor Lazarescu
- A Mosca
- A Mulher Do Astronauta
- A Mulher Que Viveu Duas Vezes
- A Múmia
- A Noiva Cadáver
- A Noiva Estava De Luto
- A Origem
- A Outra Margem
- A Paixão De Cristo
- A Pele Onde Eu Vivo
- A Pequena Loja Dos Horrores
- A Prairie Home Companion - Bastidores Da Rádio
- A Presa
- À Procura Da Terra Do Nunca
- A Promessa
- À Prova De Morte
- A Rainha
- A Rai­nha Africana
- A Raiz Do Medo
- A Rapariga Santa
- A Rede Social
- A Religiosa Portuguesa
- A Ressaca
- A Residencial Espanhola
- A Sangue Frio
- A Secretária
- A Semente Do Diabo
- A Senhora Da Água
- A Severa
- A Sombra Do Caçador
- A Sombra Do Samurai
- A Tempestade No Meu Coração
- A Tempo E Horas
- A Torre Do Inferno
- A Turma
- A Última Famel
- A Última Tentação De Cristo
- A Valsa Com Bashir
- A Verdadeira História De Jack, O Estripador
- A Viagem De Chihiro
- A Viagem De Iszka
- A Vida De Brian
- A Vida É Um Jogo
- A Vida É Um Milagre
- A Vida Em Directo
- A Vida Secreta Das Palavras
- A Vila
- A Vítima Do Medo
- A Vizinha Do Lado
- A Volta Ao Mundo Em 80 Dias
- Aberto Até De Madrugada
- Abraços Desfeitos
- Acção Total
- Aconteceu No Oeste
- Across The Universe
- Actividade Paranormal
- Acusado
- Adam Renascido
- Admitido
- Adriana
- Aelita
- Ágora
- Água Aos Elefantes
- Air Guitar Nation
- Albert, O Gordo
- Aldeia Da Roupa Branca
- Alice
- Alice In Acidland
- Alice No País Das Maravilhas
- Alien - O Oitavo Passageiro
- Aliens - O Reencontro Final
- Alien - A Desforra
- Alien - O Regresso
- Alien Vs. Predador
- Alien Autopsy
- Alma Em Paz
- Almoço De 15 De Agosto
- Alphaville
- Alta Fidelidade
- Alta Golpada
- Alta Tensão
- Alucinação
- Amália
- Amarcord
- American Movie
- American Splendor
- Amor À Queima-Roupa
- Amor De Verão
- Amor E Corridas
- Amor E Vacas
- Amor Em Las Vegas
- Amor Ou Consequência
- And Soon The Darkness
- Angel-A
- Animal
- Annie Hall
- Anónimo
- Antes Do Anoitecer
- Antes Que O Diabo Saiba Que Morreste
- Anticristo
- Anvil! The True Story of Anvil
- Anytinhig Else - A Vida E Tudo Mais
- Appaloosa
- Apocalypto
- Aquele Querido Mês De Agosto
- Aracnofobia
- Aragami
- Arizona Dream
- Armin
- Arséne Lupin - O Ladrão Sedutor
- As Asas Do Desejo
- As Aventuras De Jack Burton Nas Garras Do Mandarim
- As Aventuras De Tintim - O Segredo Do Licorne
- As Aventuras Do Príncipe Achmed
- As Bandeiras Dos Nossos Pais
- As Bonecas Russas
- As Canções De Amor
- As Crónicas De Narnia - O Leão, A Feiticeira E O Guarda-Roupa
- As Diabólicas
- As Ervas Daninhas
- As Invasões Bárbaras
- As Lágrimas Do Tigre Negro
- As Leis Da Atracção
- As Noites Loucas Do Dr. Jerryll
- As Penas Do Desejo
- As Tartarugas Também Voam
- As Vidas Dos Outros
- Aberto Até De Madrugada
- Assalto À Esquadra 13 (1976)
- Assalto À Esquadra 13 (2005)
- Assalto Ao Santa Maria
- Assassinos Natos
- Ata-me
- Até Ao Inferno
- Até Ao Limite Do Terror
- Atraídos Pelo Crime
- Através Da Noite
- Attack Of The 50 Foot Woman
- Aurora
- Austrália
- Autocarro 174
- Avatar
- Aviva, Meu Amor
- Aztec Rex
- Azul Metálico

- Babel
- Backbeat, Geração Inquieta
- Balas E Bolinhos - O Regresso
- Balbúrdia No Oeste
- Bando À Parte
- Baraka
- Barbarella
- Barreira Invisí­vel
- Batman
- Batman Regressa
- Batman - O Início
- Be Cool
- Beijing Bastards
- Belleville Rendez-Vouz
- Bem-vindo À Zombieland
- Bem-vindo Ao Norte
- Berlin 36
- Birth - O Mistério
- Biutiful
- Black Sheep
- Black Snake Moan - A Redenção
- Blade Runner - Perigo Iminente
- Blueberry
- Boa Noite E Boa Sorte
- Bobby Darin - O Amor É Eterno
- Body Rice
- Bombom
- Bom Dia Noite
- Bom Dia Vietnam
- Bonnie E Clyde
- Boogie Nights
- Borat
- Brasil - O Outro Lado Do Sonho
- Breakfast On Pluto
- Brincadeiras Perigosas (2007)
- Brisa De Mudança
- Bronson
- Bruce, O Todo-poderoso
- Bruiser - O Rosto Da Vingança
- Bruno
- Buffalo 66
- Bubba Ho-Tep
- Bullit
- Bunker Palace Hotel
- Buried
- Busca Implacável
- Bz, Viagem Alucinante

- Cadillac Records
- Cães Danados
- Cães De Palha
- Café E Cigarros
- Call Girl
- Camino
- Capitão Alatriste
- Capitão América - O Primeiro Vingador
- Capote
- Carrie
- Cartas Ao Padre Jacob
- Cartas De Iwo Jima
- Casa De Loucos
- Casablanca
- Casino Royale
- Catwoman
- Cavalo De Guerra
- Cemitério Vivo
- Censurado
- Centurion
- Charlie E A Fábrica De Chocolate
- Che - Guerrilha
- Che - O Argentino
- Chemical Wedding
- Chéri
- Chinatown
- Chocolate
- Choke - Asfixia
- Chovem Almôndegas
- Christine - O Carro Assassino
- Cidade Fria
- Cinco Dias, Cinco Noites
- Cinema Paraíso
- Cinerama
- Cisne Negro
- Clube De Combate
- Coco Avant Chanel
- Coisa Ruim
- Cold Mountain
- Cold Weather
- Colete De Forças
- Colisão
- Com Outra? Nem Morta!
- Comboios Rigorosamente Vigiados
- Comer Orar Amar
- Complexo - Universo Paralelo
- Conan, O Bárbaro
- Contrato
- Control
- Controle
- Coração De Cavaleiro
- Coração De Gelo
- Coração Selvagem
- Corações De Aço
- Coragem De Mãe: Confrontando O Autismo
- Corre Lola Corre
- Correio De Risco
- Correio De Risco 3
- Corrida Contra O Futuro
- Corrupção
- Cozinhando A História
- Crank - Veneno No Sangue
- Crank - Alta Voltagem
- Cremaster
- Crime Ferpeito
- Crippled Masters
- Cristóvão Colombo - O Enigma
- Crónica Dos Bons Malandros
- Crueldade Intolerável
- Cubo
- Culture Boy
- Cypher
- Cyrano de Bergerac (1950)

- Daisy Town
- Dallas
- Danny The Dog - Força Destruidora
- Daqui P'ra Frente
- Dark City - Cidade Misteriosa
- De Cabeça Para Baixo
- De Homem Para Homem
- De Olhos Abertos
- De Olhos Bem Fechados
- De Sepultura Em Sepultura
- De Tanto Bater O Meu Coração Parou
- De-Lovely
- Delhi Belly
- Dead Snow
- Death Race 2000
- Deixa-me Entrar
- Delicatessen
- Demolidor - O Homem Sem Medo
- Dentro Da Garganta Funda
- Depois Do Casamento
- Destruir Depois De Ler
- Diamante De Sangue
- Diário Dos Mortos
- Diários De Che Guevara
- Dias De Futebol
- Dick E Jane - Ladrões Sem Jeito
- Dictado
- Die Hard 4.0 - Viver Ou Morrer
- Die You Zombie Bastards!
- Dogma
- Domino
- Don Juan DeMarco
- Donnie Brasco
- Doom - Sobrevivência
- Doomsday - Juízo Final
- Dorian Gray
- Dot.Com
- Dr. Estranhoamor
- Drácula 2001
- Drácula De Bram Stoker
- Drive - Risco Duplo
- Dreamgirls
- Duas Mulheres

- É Na Terra Não É Na Lua
- Easy A
- Easy Rider
- Eduardo Mãos De Tesoura
- Efeito Borboleta
- El Mariachi
- El Topo
- Ela Odeia-me
- Eles
- Eles Vivem
- Elvis
- Em Bruges
- Em Busca Da Felicidade
- Em Carne Viva
- Em Liberdade
- Em Nome De Caim
- Em Nome De Deus
- Em Paris
- Em Privado
- Embargo
- Encarnação Do Demónio
- Encontros Em Nova Iorque
- Encrenca Dupla
- Encurralada
- Ensaio Sobre A Cegueira
- Enterrado Na Areia
- Entre Os Dedos
- Entrevista
- Equilibrium
- Era Uma Vez No México
- Eraserhead - No Céu Tudo É Perfeito
- Escola De Criminosos
- Escolha Mortal
- Esporas De Aço
- Estado De Guerra
- Estamos Vivos
- Este É O Meu Lugar
- Este País Não É Para Velhos
- Estômago
- Estrada Perdida
- Estranhos
- Estrellita
- Eu Amo-te Phillip Morris
- Eu, Peter Sellers
- Eu Sou A Lenda
- Eu Sou Evadido
- Eu, Tu E Todos Os Que Conhecemos
- Everything Must Go
- Evil Dead - A Noite Dos Mortos-Vivos
- Evil Dead 2 - A Morte Chega De Madrugada
- Evil Dead 3 - O Exército Das Trevas
- Ex-Drummer
- Exterminador Implacável 1
- Exterminador Implacável 2 - O Dia Do Julgamento Final
- Exterminador Implacável 3 - Ascensão Das Máquinas
- Exterminador Implacável 4 - A Salvação

- Factory Girl - Quando Edie Conheceu Warhol
- Factotum
- Fados
- Fahrenheit 9/11
- Falso Alarme
- Fando E Lis
- Fantasmas De Marte
- Fargo
- Faster, Pussycat! Kill! Kill!
- Fausto 5.0
- Favores Em Cadeia
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- Feliz Natal
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- Festival Rocky De Terror
- Ficheiros Secretos: Quero Acreditar
- Fim De Ano Em Split
- Fim-De-Semana Alucinante
- Final Cut - A Última Memória
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- Guerra Dos Mundos (1953)

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- In Search Of A Midnight Kiss
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- Jackass 3D
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- Jacuzzi - O Desastre Do Tempo
- James Bond - Agente Secreto
- James Bond - Casino Royale
- James Bond - Quantum Of Solace
- Janela Indiscreta (1954)
- Janela Indiscreta (1998)
- Janela Secreta
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- Jovens Rebeldes - A Verdadeira História
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- King Kong (2005)
- Kiss Kiss Bang Bang
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- Klimt
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- Lavado Em Lágrimas
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- Léon, O Profissional
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- Lindas Encrencas As Garotas
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- Lua De Mel, Lua De Fel
- Lucifer Rising
- Lucky Luke
- Lucky Number Slevin - Há Dias De Azar

- M - Matou!
- Má Educação
- Machete
- Madrigal
- Maldito United
- Mamma Mia
- Manhattan
- Manô
- Mamonas Pra Sempre
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- Maria E As Outras
- Marie Antoinette
- Marjoe
- Marte Ataca!
- Matança De Natal
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- McQuade, O Lobo Solitário
- Meia-Noite Em Paris
- Meio Metro De Pedra
- Melancolia
- Melinda E Melinda
- Menina
- Mephisto
- Metrópolis
- Meu Nome É Bruce
- Miami Vice
- Milhões
- Milk
- Millenium 1. Os Homens Que Odeiam As Mulheres
- Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos
- Minha Mãe
- Minha Terra
- Misery - Capí­tulo Final
- Missão A Marte
- Missão Impossí­vel 3
- Missão Impossível - Missão Fantasma
- Missão Solar
- Mistérios De Lisboa
- Momentos Agradáveis
- Moneyball - Jogada De Risco
- Monsters - Zona Interdita
- Monstro
- Monty Phyton E O Cálice Sagradi
- Morte Cerebral
- Morte De Um Presidente
- Movimentos Perpétuos
- Mr. E Mrs. Smith
- Mrs. Henderson Presents
- Muito Bem, Obrigado
- Mulholland Drive
- Mundo Fantasma
- Mundos Separados
- Munique
- Murderball - Espírito De Combate
- Murish
- Mutilados
- Mysterious Skin

- Na Cama
- Nacho Libre
- Não Estou Aí
- Napoleon Dynamite
- Nas Costas Do Diabo
- Nas Nuvens
- Needle
- Nico: À Margem Da Lei
- Ninguém Sabe
- Nixon
- No Limite Do Amor
- No Vale De Elah
- Noite De Agosto
- Noite Escura
- Noivos Sangrentos
- Nome De Código: Cloverfield
- Northfork
- Nosferatu, O Vampiro
- Nothing
- Nova Iorque 1997
- Nove Raínhas
- Nunca Digas Sim

- O Acontecimento
- O Agente Da Broadway
- O Lugar Do Morto
- O Americano
- O Amor Acontece
- O Anjo Exterminador
- O Anti-Pai Natal
- O Artista
- O Assassínio De Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford
- O Assassí­nio De Richard Nixon
- O Batedor
- O Bom Alemão
- O Bom, O Mau E O Vilão
- O Cabo Do Medo
- O Caminho De São Diego
- O Cão, O General E Os Pássaros
- O Capacete Dourado
- O Castelo Andante
- O Castor
- O Cavaleiro Das Trevas
- O China
- O Cobrador
- O Código Da Vinci
- O Comboio Dos Mortos
- O Comboio Mistério
- O Condenado
- O Couraçado Potemkin
- O Cowboy Da Meia-Noite
- O Crepúsculo Dos Deuses
- O Dedo De Deus
- O Delator!
- O Demónio
- O Despertar Da Besta
- O Despertar Da Mente
- O Deus Da Carnificina
- O Deus Elefante
- O Dia Em Que A Terra Parou (1951)
- O Dia Em Que A Terra Parou (2008)
- O Dia Da Besta
- O Discurso Do Rei
- O Enigma Do Espaço
- O Estranho Caso De Benjamin Button
- O Estranho Mundo De Jack
- O Evangelho Segundo São Mateus
- O Exorcista
- O Fatalista
- O Feiticeiro De Oz
- O Feitiço Do Tempo
- O Fiél Jardineiro
- O Gabinete Das Figuras De Cera
- O Gabinete Do Dr. Caligari
- O Gato Das Botas
- O Génio Do Mal (1976)
- O Grande Peixe
- O Grande Ditador
- O Guerreiro
- O Homem Duplo
- O Homem Que Copiava
- O Homem Que Sabia Demasiado
- O Homem Que Veio Do Futuro
- O Idealista
- O Jogo
- O Júri
- O Imperador Da Califórnia
- O Inquilino
- O Justiceiro Da Noite
- O Labirinto Do Fauno
- O Laço Branco
- O Lado Selvagem
- O Lago Perfeito
- O Leopardo
- O Livro Negro
- O Lobo Do Mar
- O Macaco De Ferro
- O Maquinista
- O Marinheiro De Água Doce
- O Menino De Ouro
- O Meu Tio
- O Milagre De Berna
- O Milagre Segundo Salomé
- O Mistério Galindez
- O Monstro Da Lagoa Negra
- O Mundo A Seus Pés
- O Nevoeiro (1980)
- O Ofício De Matar
- O Olho
- O Orfanato
- O Paciente Inglês
- O Padrinho - Parte I
- O Padrinho - Parte II
- O Padrinho - Parte III
- O Panda Do Kung Fu
- O Panda Do Kung Fu 2
- O Pesadelo De Darwin
- O Pistoleiro Do Diabo
- O Planeta Selvagem
- O Pó Dos Tempos
- O Portador Da Espada
- O Presidiário
- O Prisioneiro Do Rock
- O Protegido
- O Próximo A Abater
- O Quinto Elemento
- O Quinto Império
- O Regresso
- O Rei Dos Gazeteiros
- O Reino Proibido
- O Ritual
- O Ritual Dos Sádicos
- O Sabor Do Amor
- O Sargento Da Força Um
- O Segredo A Brokeback Mountain
- O Segredo De Um Cuscuz
- O Segredo Dos Punhais Voadores
- O Selvagem
- O Sentido Da Vida
- O Sétimo Selo
- O Sítio Das Coisas Selvagens
- O Sonho Comanda A Vida
- O Sonho De Cassandra
- O Sorriso De Mona Lisa
- O Tempo Do Lobo
- O Tesouro Da Sierra Madre
- O Tigre E A Neve
- O Tio Boonmee Que Se Lembra Das Suas Vidas Anteriores
- O Triunfo Da Vontade
- O Turista
- O Último Airbender
- O Último Grande Herói
- O Último Rei Da Escócia
- O Último Tango Em Paris
- O Último Voo Do Flamingo
- O Vingador Tóxico
- O Wrestler
- Ocean's Eleven - Façam As Vossas Apostas
- Odete
- Oldboy - Velho Amigo
- Olho Mágico
- Oliver Twist
- Ônibus 174
- Orca
- Órfã
- Os Amantes Regulares
- Os Amigos De Alex
- Os Bons E Os Maus
- Os Caça-Fantasmas
- Os Cavaleiros Do Asfalto
- Os Chapéus De Chuva De Cherburgo
- Os Cinco Venenos
- Os Clãs Da Intriga
- Os Condenados De Shawshank
- Os Descendentes
- Os Edukadores
- Os Famosos E Os Duendes Da Morte
- Os Filhos Do Homem
- Os Friedmans
- Os Guardiões Da Noite
- Os Homens Preferem As Loiras
- Os Imortais
- Os Inadaptados
- Os Índios Apache
- Os Invisíveis
- Os Irmãos Grimm
- Os Limites Do Controlo
- Os Marginais
- Os Mercenários
- Os Miúdos Estão Bem
- Os Novos Dez Mandamentos
- Os Olhos Da Serpente
- Os Olhos Sem Rosto
- Os Onze De Oceano
- Os Optimistas
- Os Pássaros
- Os Produtores (2005)
- Os Psico-Detectives
- Os Rapazes Da Noite
- Os Rapazes Não Choram
- Os Renegados Do Diabo
- Os Rutles - All You Need Is Cash
- Os Selvagens Da Noite
- Os Simpsons - O Filme
- Os Sonhadores
- Os Sorrisos Do Destino
- Os Super-Heróis
- Os Supeitos Do Costume
- Os Três Enterros De Um Homem
-Os Visistantes Da Idade Média
- Os 300 Espartanos

- Pagafantas
- Palpitações
- Papillon
- Para Onde O Vento Sopra
- Parada De Monstros
- Paraíso, Inferno... Terra
- Paranoid Park
- Paris Je T'Aime
- Party Monster
- Pecados Íntimos
- Pele
- Pequenas Mentiras Entre Amigos
- Performance
- Perigo Na Noite
- Perto Demais
- Pesadelo Em Elm Street
- Pink Floyd The Wall
- Piranha 3D
- Piratas Das Caraíbas - O Mistério do Pérola Negra
- Piratas Das Caraí­bas - O Cofre Do Homem Morto
- Piratas Das Caraíbas - Nos Confins Do Mundo
- Planeta Dos Macacos
- Planeta Dos Macacos: A Origem
- Planeta Terror
- Plano 9 Dos Vampiros Zombies
- Polaróides Urbanas
- Polí­cia Sem Lei (1992)
- Polícia Sem Lei (2009)
- Poltergeist, O Fenómeno
- Ponto De Mira
- Por Favor Rebobine
- Por Favor Não Me Morda O Pescoço
- Porcos & Selvagens
- Posto Fronteiriço
- Precious
- Predadores
- Presente De Morte
- Preto E Branco
- Primer
- Príncipe Da Pérsia - As Areias Do Tempo
- Procurado
- Profissão: Repórter
- Promessas Proibidas
- Proposta Indecente
- Proteger
- Psico
- Psicopata Americano
- Pulp Fiction
- Pulsação Zero
- Punch-Drunk Love - Embriagado De Amor
- Purana Mandir
- Purple Rain

- Quando Viste O Teu Pai Pela Última Vez
- Quarentena
- Quarteto Fantástico (1994)
- Quarteto Fantástico (2005)
- Quase Famosos
- Quatro Noites Com Anna
- Que Lugar Maravilhoso
- Que Se Mueran Los Feos
- Queijo E Marmelada
- Quem Quer Ser Bilionário
- Querida Famí­lia
- Querida Wendy

- R
- Rapariga Com Brinco De Pérola
- Rare Exports
- Ratatui
- Ratos Assassinos
- Ray
- [Rec]
- [REC]2
- Red Eye
- Relatório Kinsey
- Relatório Minoritário
- Religulous - Que O Céu Nos Ajude
- Relíquia Macabra
- Renascimento
- Resident Evil: Apocalypse
- Rio
- Rio Bravo
- Rock De Fogo
- Rock, Rock, Rock
- Rocknrolla - A Quadrilha
- Rocky Balboa
- Roger E Eu
- Roma
- Romance E Cigarros
- Roxanne
- RRRrrrr!!!
- Rubber - Pneu
- Ruídos Do Além
- Ruivas, Loiras E Morenas
- Rumo À Liberdade
- Ruptura Explosiva

- Sacanas Sem Lei
- Sala De Pânico
- Salazar - A Vida Privada
- Salto Mortal
- Samsara
- Sangue Do Meu Sangue
- Sangue Por Sangue
- Santa Sangre
- Sapatos Pretos
- Save The Green Planet!
- Saw - Enigma Mortal
- Saw II - A Experiência Do Medo
- Saw 3D - O Capítulo Final
- Scoop
- Scott Pilgrim Contra O Mundo
- Seconds Apart
- Seis Indomáveis Patifes
- Sem Ela
- Sem Limites
- Sem Rumo
- Sem Tempo
- Semi-Pro
- Ser E Ter
- Sereia
- Serpentes A Bordo
- Sete Anos No Tibete
- Sete Vidas
- Sexo E A Cidade
- Sgt. Pepper's Lonely Heart Club Band
- Shaolin Daredevils
- Shaolin Soccer - O Ás Da Bola
- Shaolin Vs. Evil Dead
- Shattered Glass - Verdade Ou Mentira
- Sherlock Holmes
- Sherlock Holmes - Jogo De Sombras
- Shining
- Shoot 'Em Up - Atirar A Matar
- Shortbus
- Shrek 2
- Shrek O Terceiro
- Shrek Para Sempre
- Sicko
- Sid And Nancy
- Sideways
- Simpatyhy For Mr. Vengeance
- Sin City - Cidade Do Pecado
- Sinais
- Sinais De Fogo
- Sinais Do Futuro
- Sinais Vermelhos
- Singularidades De Uma Rapariga Loira
- Sky Captain E O Mundo De Amanhã
- Slither - Os Invasores
- Soldados Da Fortuna
- Soldados Do Universo
- Sombras Da Escuridão
- Somewhere - Algures
- Sonho De Uma Noite De Inverno
- Sonny
- Sophie Scholl - Os Últimos Dias
- Soro Maléfico
- Sorte Nula
- Soul Kitchen
- Spartacus
- Spartan - O Rapto
- Splice
- Stacy - Attack Of The Schoolgirl Zombies
- Star Wars - A Ameaça Fantasma
- Star Wars - A Vingança Dos Sith
- Star Wars - O Ataque Dos Clones
- Stardust - O Mistério Da Estrela Cadente
- Stone - Ninguém É Inocente
- Stoned, Anos Loucos
- Submarino
- Super
- Super Baldas
- Super-Homem
- Super-Homem: O Regresso
- Super 8
- Superstar
- Suspeita
- Suspiria
- Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro De Fleet Street
- Swimming Pool
- Sword Of Vengeance
- Sympathy For The Devil

- Taking Woodstock
- Tarnation
- Tarzan, O Homem Macaco (1981)
- Taxidermia
- Team America - Polí­cia Mundial
- Tebas
- Tecumseh
- Teeth
- Tempestade Tropical
- Tennessee
- Terra De Cegos
- Terminal De Aeroporto
- Terra Dos Mortos
- Terror Em Setembro
- Terror Na Auto-estrada
- Terror Nas Montanhas
- Tetro
- The Bloodstained Butterfly
- The Brown Bunny
- The Darjeeling Limited
- The Departed: Entre Inimigos
- The Devil And Daniel Johnston - Loucuras De Um Génio
- The Devil's Double
- The First Great Train Robbery
- The Fountain - O Último Capítulo
- The Grudge - A Maldição
- The Host - A Criatura
- The Impossible Kid
- The King Of Kong
- The Langoliers - Meia-Noite E Um
- The Last House On The Left
- The Machine Girl
- The Man From Earth
- The Marine
- The Million Dollar Hotel - O Hotel
- The Mindscape Of Alan Moore
- The Mist - Nevoeiro Misterioso
- The Others - Os Outros
- The Prestige - O Terceiro Passo
- The 50 Worst Movies Ever Made
- The Way
- The Woman
- Thirst - Este É O Meu Sangue
- This Is It
- This Is Spinal Tap
- Thor
- Thriller - A Cruel Picture
- THX 1138
- Tirar Vidas
- Titanic 2
- Tony
- Tournée - Em Digressão
- Toy Story 3
- Tragam-me A Cabeça De Alfredo Garcia
- Transamerica
- Tron
- Tron: O Legado
- Tropa De Elite
- Tropa De Elite 2 - O Inimigo Agora É Outro
- Tsotsi
- Tubarão
- Tubarão 2
- Tubarão 3
- Tubarão IV - A Vingança
- Tucker E Dale Contra O Mal
- Tudo Ficará Bem
- Tudo Pode Dar Certo
- Twisted - Homicídios Ocultos

- Ultra Secreto
- Um Amor De Perdição
- Um Azar Do Caraças
- Um Bater De Corações
- Um Belo Par... De Patins
- Um Cão Andaluz
- Um Dia A Casa Vai Abaixo
- Um Dia De Raiva
- Um Homem Singular
- Um Longo Domingo De Noivado
- Um Lugar Para Viver
- Um Padrasto Para Esquecer
- Um Profeta
- Um Tiro No Escuro
- Um Trabalho Em Itália
- Uma Aventura Na Casa Assombrada
- Uma Boa Mulher
- Uma Canção De Amor
- Uma Espécie De Cavalheiro
- Uma Famí­lia À Beira De Um Ataque De Nervos
- Uma História De Violência
- Uma Pequena Vingança
- Uma Rapariga Com Sorte
- Uma Segunda Juventude
- Uma Segunda Vida
- Undefeatable
- Unseen Evil 2 - Alien 3000
- Up - Altamente

- V De Vingança
- Vai E Vive
- Vais Conhecer O Homem Dos Teus Sonhos
- Valhalla Rising - Destino De Sangue
- Valquíria
- Vampiros de John Carpenter
- Van Helsing
- Vanilla Sky
- Vanitas
- Vasilhame
- Veio Do Outro Mundo
- Veludo Azul
- Velvet Goldmine
- Vencidos Pela Lei
- Vendendo A Pele
- Veneno Cura
- Vera Drake
- Versus - A Ressurreição
- Vestida Para Matar
- Vice
- Vício - Quando Nada É Suficiente
- Vicky Cristina Barcelona
- Vidas Sombrias
- Vigilância
- Vingança Redentora
- Virgem Aos 40 Anos
- Vitus
- Viúva Rica Solteira Não Fica
- Viver A Sua Vida
- Voando Sobre Um Ninho De Cucos
- Voltando Para Casa
- Voltar
- Vontade Indómita
- Voo 93

- Walk Hard - A História De Dewey Cox
- Walk The Line
- WALL-E
- Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme
- Wassup Rockers - Desafios De Rua
- Watchmen - Os Guardiões
- Welcome To The Rileys
- White Irish Drunkers
- Wild Zero
- Win Win
- Wolf Creek
- Wristcutters: A Love Story

- X-Men
- X-Men 2
- X-Men 3 - O Confronto Final
- X-Men: O Início
- X-Men Origens: Wolverine

- Zack E Miri Fazem Um Porno
- Zardoz
- Zatoichi
- Zombies Party - Uma Noite... De Morte
- Zombies Strippers
- Zozo

- 007 - Agente Secreto
- 007 - Casino Royale
- 007 - Quantum Of Solace
- 10 Coisas Que Odeio Em Ti
- 100 Volta
- 10.000 AC
- 12 Homens Em Fúria
- 12 Macacos
- 12:08 A Este De Bucareste
- 1984
- 2LDK
- 24 Hour Party People
- 28 Dias Depois
- 20,13 - Purgatório
- 2012
- 300
- 4 Copas
- 48
- 50/50
- 6=0 Homeostética
- 8 1/2
- 9 Canções
- 98 Octanas


ENTREVISTAS:
- Fernando Fragata
- Festróia - Mário Ventura
- Filipe Melo
- Good N Evil
- IMAGO - Sérgio Felizardo
- José Barahona
- Nuno Markl
- Paulo Furtado
- Rodrigo Areias
- Sara David Lopes
- Solveig Nordlund
- Fernando Alle


TOPES:
- Top 8 dos Melhores Filmes de 2011
- Top 5 dos Piores Filmes de 2011
- Top 10 dos Melhores Filmes de 2010
- Top 5 dos Piores Filmes de 2010
- Top 5 dos filmes de Leslie Nielsen
- Top 10 Dos Filmes Low Cost
- Top 5 das Melhores Cenas de Dança
- Top 8 dos Melhores Filmes de 2009
- Top 5 dos Piores Filmes de 2009
- Top 5 dos Filmes Que Tenho Vergonha De Dizer Que Gosto
- Top 5 das Melhores Músicas de Ennio Morricone
- Top 5 dos filmes com Patrick Swayze
- Top 5 dos Telediscos do Michael Jackson
- Top 5 dos Filmes com David Carradine
- Top 5 dos Filmes com Lutadores de Luta-Livre
- Top 10 Os Melhores Filmes de 2008
- Top 5 Os Piores Filmes de 2008
- Top 5 dos Piores Filmes de Natal
- Top 5 das Coisas que não Esperávamos Ver no Cinema
- Top 5 dos Melhores Filmes de Paul Newman
- Top 5 Personagens Com Palas Nos Olhos
- Top 10 Melhores Cartazes De Cinema
- Top 5 dos Filmes de Chuck Norris
- Top 5 dos Filmes de Patrick Swayze
- Top 10 Os Melhores/Piores Vestidos dos Oscares
- Top 5 As Mortes de Crianças Mais Gratuitas
- Top 10 Os Melhores de 2007
- Top 5 Os Piores de 2007
- Top 7 Adaptações ao Cinema de Livros de Stephen King
- Top 5 Filmes Pela Paz
- Top 5 Os Melhores Beijos
- Top 5 Grandes Arquitectos
- Top 10 Filmes Que Mudaram A Minha Vida
- Top 5 Mulheres de Cabeça Rapada
- Top 5 As Cenas Mais Excitantes
- Top 10 Os Melhores de 2006
- Top 5 Os Piores de 2006
- Top 3 Filmes de Robert Altman
- Top 5 Os Vilões do Cinema
- Top 5 Filmes Com Mick Jagger
- Top 5 Filmes Com Steve Buscemi
- Top 5 Dos Cães no Cinema
- Top 5 Dos Filmes do Indie06
- Top 5 Dos Filmes do Fantas06
- Top 5 dos Presidentes
- Top 10 Os Melhores de 2005
- Top 5 Os Piores de 2005
- Top 5 Filmes com Pat Morita
- Top 10 Os Melhores Filmes Independentes
- Top 5 Os Piores Filmes da Saga Bond
- Top 5 Filmes com Dolph Lundgren
- Top 5 Adaptações de BD Para Cinema
- Top 10 Cenas Mais Assustadoras de Sempre
- Top 5 Vencedores do Óscar
- Top 5 Bond Girls
- Top 5 Filmes Sobre Doenças
- Top 5 Filmes de Natal
- Top 5 Melhores Batalhas Corpo-A-Corpo
- Top 10 Melhores Canções do Cinema
- Top 10 Melhores Filmes de Sempre
- Top 5 Melhores Momentos Musicais
- Top 5 Grandes Duelos do Cinema
- Top 10 Maiores Personagens do Cinema
- Top 5 Piores Momentos da Ficção Cientí­fica
- Top 10 Melhores Momentos da Ficção Cientí­fica
- Top 5 Filmes Religiosos


BAÚ DO TRASH:
- Needle
- Que Se Mueran Los Feos
- Easy A
- Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme
- Saw 3D - O Capítulo Final
- And Soon The Darkness
- Os Imortais
- Purana Mandir
- Pagafantas
- The Bloodstained Butterfly
- Cisne Negro


ROYALE WITH CHEESE APRESENTA:
- A Tasca Da Cultura
- A Causa Das Coisas - parte I
- A Causa Das Coisas - parte II
- A Momentary Lapse Of Reason


FILMES A VER ANTES DE MORRER:
- #1 As Lágrimas Do Tigre Negro
- #2 Alucarda
- #3 Time Enough At Last
- #4 Armageddon
- #5 The Favour, The Watch And The Very Big Fish
- #6 Italian Spiderman
- #7 The Soldier And Death


UMA CURTA POR DIA NÃO SABE O BEM QUE LHE FAZIA:
- 1# Rabbit, de Run Wrake
- 2# Aligato, de Maka Sidibé
- 3# The Cat Concerto, de Joseph Barbera & William Hanna
- 4# A Curva, de David Rebordão
- 5# Batman: Dead End, de Sandy Callora
- 6# O Código Tarantino, de Selton Mello
- 7# Malus, de António Aleixo & Crosswalk, de Telmo Martins
- 8# Three Blind Mice, de George Dunning
- 9# Bedhead, de Robert Rodriguez
- 10# Key To Reserva, de Martin Scorcese
- 11# Bambi Meets Godzilla, de Marv Newland
- 12# The Horribly Slow Murderer with the Extremely Inefficient Weapon, de Richard Gale
- 13# Stolz Der Nation, de Eli Roth
- 14# Papá Wrestling, de Fernando Alle
- 15# Glas, de Bert Haanstra
- 16# Fotoromanza, de Michelangelo Antonioni
- 17# Quem É Ricardo?, de José Barahona
- 17# Terra Incognita, de Peter Volkart


AS MELHORES PIORES CENAS DE SEMPRE:
- A Pior Luta
- A Cena Mais Metida A Martelo
- O Ataque Animal Mais Brutal
- A Perseguição Mais Alucinante
- O Duelo Mais Improvável


CLUBE DE CINEMA DE SETÚBAL:
- Janeiro
- Fevereiro
- Março
- Abril
- Maio
- Setembro
- Novembro


FESTIVAIS:
- 20º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9
- 21º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 22º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10
- 23º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10
- 24º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 26º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 12º Caminhos Do Cinema Português
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- Imago 2006
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8

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