Terça-feira, Dezembro 13, 2005
A MARCHA DOS PINGUINS:Título:
La Marche Le L'EmpereurRealizador: Luc Jacquet
Ano: 2005

Todos nós sabemos que a Antártida é um sítio frio como o caraças, visualmente arrebatador e com nove meses de inverno intenso e muito pouco sol. Também todos sabemos que os pinguins são umas aves castiças que por lá andam, com uma maneira de andar ridícula e uma pose bastante nobre, ou não estivessem todos de smoking. Como diz uma amiga minha,
parecem um bando de prisioneiros com grilhões nos pés.
O realizador Luc Jacquet passou uma emporada na Antártida, filmou os pinguins-imperador horas a fio e no fim realizou
A Marcha Dos Pinguins. E redefiniu a nossa maneira de ver os pobres bichos e a sua fria terra natal.
A Marcha Dos Pinguins é um documentário acerca do ciclo da vida do pinguim-imperador. No entanto, enquanto que na versão americana houve uma dobragem radical, colocando Morgan Freeman como narrador, a versão original vocalizou um casal de pinguins e o seu filho, romanceando o filme. O resultado é uma espécie de documentário da National Geographic versão Walt Disney, daqueles filmes de domingo à tarde com um animal que fala e que pratica um desporto qualquer (não necessariamente por esta ordem).
O pinguim é um animal deveras peculiar. Tem um instito familiar apurado e um conceito de fidelidade levado ao extremo - um macho acasala com a mesma fêmea toda a vida. Além disso, têm uma vida tramada. Todos os anos, macho e fêmea percorrem quatro vezes uma distância de vários quilómetros de forma a procriarem, em pleno inverno. É um conjunto de várias marchas das quais resultam invariavelmente várias baixas.
A Marcha Dos Pinguins romanceia um pouco esta história. Com os diálogos entre os pinguis e o espectador são transmitidas sensações aos animais, enquanto que se relativa alguns aspectos mais técnicos (ou então que menos interessam, conforme o ponto de vista; por exemplo, onde é que os pinguins guardam a comida, quem são os seus predadores, por aí fora...). As palavras servem ainda para irem descrevendo o que se passa e traduzindo uma maior carga dramática às cenas.
Esta vertente romancesca acaba por tornar
A Marcha Dos Pinguins mais num filme do que num documentário, o que alivia aquele aspecto maçador dos documentários e o torna em algo bastante divertido, cativante e interessante. No entanto, mais do que um filme acerca de pinguins,
A Marcha Dos Pinguins é um filme sobre a Natureza e sobre a beleza do ciclo da vida: a magia da reprodução, o impiedoso ciclo da vida com os seus predadores, a inevitabilidade da morte, o amor... Por isso, é que é um filme para toda a família.
Se a fotografia é algo de arrebatador, também é verdade que quase qualquer pessoa conseguiria um trabalho notável nas paisagens belíssimas da Antártida. Por isso, o destaque vai inteirinho para a banda-sonora de Émilie Simon. A sua voz gelada e as suas composições pertinentes criam as atmosferas certas, para as cenas de amor, as cenas mais violentas ou para os momentos de esperança.
A Marcha Dos Pinguins tem sido um fenómeno de bilheteira um pouco por toda o lado. É certo que é em grande parte apenas um hype. Mas não é por isso que é menos que um McRoyal Deluxe.
Posted by: dermot @
11:43 PM
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