Sábado, Dezembro 10, 2005
AS CRÓNICAS DE NARNIA - O LEÃO, A FEITICEIRA E O GUARDA-ROUPA:Título:
The Chronicles Of Narnia - The Lion, The Witch And The WardrobeRealizador: Andrew Adamson
Ano: 2005

O objectivo da Disney para esta quadra natalícia era claro: voltar a ser o baluarte do cinema familiar que durante anos nos habituou a ser. Para isso teria de destronar todo o hype e o franchising inerente de
Harry Potter, criando uma saga capaz de voltar a ocupar o lugar da triologia
O Senhor Dos Anéis, dentro do cinema fantástico. A opção recaiu então sobre
As Crónicas De Narnia, a adaptação do romance honónimo de C.S. Lewis, um clássico da literatura fantástica escrito nos anos 50, antes até da obra de Tolkien. Andrew Adamson, o responsável pelos êxitos de
Shrek, foi o escolhido para a função, estreando-se assim na realização de filmes de imagem real.
As Crónicas De Narnia parecia ter sido feito à medida para a Disney: uma história para toda a família, que casa na perfeição o moralismo familiar com a fantasia das bruxas, princesas e dragões, numa aventura épica num mundo alternativo.
Como todas as fábulas, também
As Crónicas De Narnia começa com
era uma vez. Mas Adamson troca as palavras por um bombardeamento de Londres, situando o filme no seu contexto espaço-temporal - estamos na Inglaterra dos anos 40, em plena II Guerra Mundial. Para fugir à guerra, quatro irmãos são evacuados para o campo, para a casa de uma família algures depois do fim do mundo. A célula familiar é composta por Peter (William Moseley), o irmão mais velho, que procura ocupar o lugar do pai, alistado algures nas linhas de batalha; Edmund (Skandar Keynes), o segundo irmão, que esconde a sua tristeza e o seu isolamento por detrás da arrogância; Susan (Anna Popplewell), a ponderada irmã mais velha; e Lucy (Georgie Henley), a doce e ingénua benjamim da família.
Certo dia, durante um jogo de escondidas, os quatro irmãos vão acabar por descobrir um majestoso guarda-roupa, escondido numa sala deserta. Quer dizer, mais especificamente, vão descobrir o interior desse guarda-roupa, que é uma passagem para o mundo paralelo de Narnia, uma realidade presa num inverno de cem anos, graças ao domínio da Feiticeira Branca (Tilda Swinton), uma tirana de histórias de encantar.
As Crónicas De Narnia é uma epopeia que segue a profecia dos antigos, que prediz quatro humanos que chegarão para resgatar o mundo de Narnia das mãos do mal. Como todas as epopeias, também esta é facilmente colada a alegorias religiosas, como
O Senhor Dos Anéis é colado à Seunda Grande Guerra, por exemplo. É certo que Aslan (voz de Liam Neeson) é uam espécie de Cristo, que se sacrifica pelos pecados do Homem e que ressuscita para a sua salvação, mas em
As Crónicas De Narnia nada disto interessa: Aslan é um bravo leão, que ajudará as quatro crianças a cumprir a profecia e a libertar Narnia das garras da Feiticeira Branca.
Acaba até por ser mais aceitável que se compare este filme a uma espécie de
O Senhor Dos Anéis ingénuo e juvenil, salvo devidas distâncias.
Paralelamente à aventura épica, explana-se a construção da célula familiar dos quatro irmãos, uma fábula moral para toda a família, como a Disney nos habituou ao longo dos anos. Adamson tropeça por vezes na sua inexperiência, mas no geral tem um belo trabalho na construção sempre ingrata de um clássico da literatura desta calibre, fazendo uso do CGI na perfeição - os castores falantes são das mais hilariantes figuras animadas do ano, logo atrás dos pinguins de
Madagáscar. Quanto aos actores, para além da encantadora pose very british dos quatro imberbes protagonistas e do sempre perfeito Liam Neeson, o destaque vai inteirinho para Tilda Swinton. No papel da malvada feiticeira, Tilda Swinton arrisca-se a inscrever o seu nome no panteão das bruxas más, com uma pose maléfica de deusa grega da guerra, de feições gélidas e cruéis.
Qual é então o problema de
As Crónicas De Narnia? É a sua falta de ambição. Adamson precisava de ir mais alénm, precisava daquele golpe de asa que distingue os génios dos comuns. O filme tem um problema de escala, que não se resolve apenas com os cenários majestosos. Um problema de escala e de grandiloquência. Uma coisa é certa - mesmo sendo um McBacon,
As Crónicas De Narnia é o grande filme do Natal de 2006. Qual
Harry Potter qual quê.
Posted by: dermot @
9:43 PM
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