Segunda-feira, Dezembro 05, 2005
AS BONECAS RUSSAS:Título:
Les Poupées RussesRealizador: Cédric Klapisch
Ano: 2005

Confesso que não sou grande admirador de
A Residencial Espanhola, filme que passou com uma certa unânimidade em 2002. Era um assumido feelgood movie, que se identificava sobretudo com um grupo alvo de espectadores - aqueles que já tinham enverdado pela experiência que é o programa ERASMUS.
Agora, três anos depois, surge
As Bonecas Russas. E aqui tenho que dar os parabéns ao realizador, porque não é todos os dias que aparecem cineastas com a coragem de lançarem sequelas com títulos originais, correndo o risco de não captar os admiradores do primeiro filme.
As Bonecas Russas volta a focar a personagem do francês Xavier (Romain Duris) e dos seus antigos companheiros, que conhecera em Barcelona, durante um ano de ERASMUS. No entanto, agora já estão todos a chegar aos 30; a inocência da idade já desapareceu e a depressão da meia-idade já assoma à esquina. E o amor continua a ser apenas um tema dos filmes e dos romances.
Fresco, jovem e moderno,
As Bonecas Russas é uma comédia ligeira, no seguimento do seu antecessor, com uma realização bastante acessível e original. Novamente, volta a ser uma história sobre amor e a multidisciplinidade de culturas volta a estar presente, desta vez dividida entre Paris, São Petersburgo e Londres. No entanto, enquanto que em
A Residencial Espanhola havia um programa ERASMUS para colar esta paleta de culturas, em
As Bonecas Russas existem apenas casualidade, que na maior parte das vezes são frívolas e superficiais.
Tal como seu antecessor,
As Bonecas Russas começa de maneira bastante promissora, com gags divertidos e a promessa de um serão bem disposto. No entanto, com o passar dos minutos, a história começa-se a tornar inóqua e repetitiva. E num filme tão descontraído dispensava-se perfeitamente a filosofia de bolso. Serve sobretudo como o retrato de uma geração.
As Bonecas Russas é como que uma metáfora do livro que Xavier está a escrever, com a ajuda de Wendy (Kelly Reilly) - uma história de amor de faca e alguidar, na qual os produtores pedem para não terem medo dos clichés e em que Wendy propõe usar histórias dentro de histórias "como nas
1001 Noites, porque resulta sempre bem". Mas nem as
1001 Noites é um romance, nem
As Bonecas Russas é as
1001 Noites.
Tal como em
A Residencial Espanhola,
As Bonecas Russas deixa-nos com aquela sensação de que poderia saber a mais. Como que um McBacon sem bacon... Ou um Double Cheeseburguer sem a dose extra de queijo... Compensa sobretudo pela sua faceta catálogo-de-mulheres-bonitas: Kelly Reilly, Audrey Tautou, Cécile de France...
Para recuperar
A Residencial Espanhola basta seguir este
caminho.
Posted by: dermot @
8:56 AM
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