Sábado, Novembro 05, 2005
A TALE OF TWO SISTERS:Título:
Janghwa, HongryeonRealizador: Ji-woon Kim
Ano: 2003

Quando a vaga dos slasher teen movies esgotou o filão dos filmes de terror, na década de 90, o público ávido por um bom susto virou as atenções para o oriente. Rapidamente, vimo-nos invadidos pelo cinema de terror oriental, especialmente coreano, que os gananciosos estúdios de Hollywood aproveitaram logo para reciclar.
De entre os mais famosos (alguém mencionou
Ringu ou
The Eye?) destaca-se, no entanto, aquele que parece mais ocidental e menos original (atenção, sublinhar a palavra "parece"):
A Tale Of Two Sisters, que varreu completamente (e no bom sentido) a edição do Fantasporto de 2004, é a adaptação de uma lenda tradicional coreana para os dias de hoje. Não tem cassetes de vídeo ou telemóveis amaldiçoados, mas tem fantasmas e uma mansão assombrada.
As duas irmãs que o título menciona são Soo-mi (Su-jeong Lim) e Soo-yeon (Geun-yeong Mun), que regressam com o pai (Kap-su Kim) para a casa de campo depois de um episódio algo conturbado. A casa de campo é uma mansão antiga, plantada no meio de uma floresta de paisagens bucólicas e com um papel de parede lindíssimo. Como todos sabemos, as mansões antigas são das coisas mais assustadoras que podem haver: são os ruídos à noite da madeira a ranger, que na maior parte das vezes, significam que existe algures uma alma penada a sofrer. Mas mais assustador que isso, apenas uma coisa: uma madrasta! E Eun-joo (Jung-ah Yum) é uma madrasta do mais ruim que há.
A sinopse é extremamente redutora, mas mais não poderei dizer sem revelar spoilers em catadupa. Apenas posso acrescentar que
A Tale Of Two Sisters é mais complicado do que parece, feito de cambalhotas e partidas por parte do realizador, que se diverte em ir tirando o tapete debaixo dos nossos pés sempre que nos convencemos que finalmente percebemos o que se passa.
Há boa maneira oriental, esta espécie de
Sexto-Sentido-versão-David Lynch não segue os padrões normais da linearidade.
Mas o grande motivo de interesse de
A Tale Of Two Sisters não está na sua componente de terror (apesar de haverem algumas jump scenes e uma miúda assustadora com os tradicionais cabelos pretos escorridos sobre os olhos); está no ambiente que cria, uma misteriosa e perturbadora aura com resquícios góticos, que fomenta uma tensão de cortar à faca ao longo do filme. Não é tanto o horror psicológico que vai criando, mas sobretudo os jogos psicológicos que maneja, alienando completamente a nossa mente até ficarmos indefesos perante os fantasmas daquela família.
Em
A Tale Of Two Sisters tudo é cativante do ponto de vista visual. Com uma cinematografia bastante stylish e uma banda-sonora hitchcockiana, até a capa do DVD é apelativa.
A Tale Of Two Sisters é um filme que exige três coisas: olhos e ouvidos bem atentos durante todo o tempo; uma segunda (e quiçá uma terceira ou uma quarta) visualização; e um Le Big Mac.
Posted by: dermot @
7:55 PM
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