Sábado, Novembro 12, 2005
QUADRIOLOGIA ALIEN:ALIEN - O OITAVO PASSAGEIRO:Título:
AlienRealizador: Ridley Scott
Ano: 1979

Aproveitando a embalagem,
Alien - O Oitavo Passageiro chocou os novos fãs da ficção científica, trazida para o mainstream graças à space-opera de Geroge Lucas e a
Caminho Das Estrelas.
Com efeito,
Alien - O Oitavo Passageiro introduziu uma nova e poderosa ameaça, um alienígena perfeito e ameaçadoramente hostil.
Ridley Scott, realizador de créditos firmados mas que consegue alternar um grande filme (alguém mencionou
Blade Runner - Perigo Iminente?) com um muito mau (olá
GI Jane!), foi o pai do Alien, enquanto insituição. Sim, porque a mãe foi HR Giger, macabro artista plástico, responsável pela concepção visual de todo o filme.
A Nostromo é uma nave transportadora que se dirige para a Terra com sete tripulantes. No entanto, durante a viagem, intercepta um pedido de SOS vindo de um planeta desabitado. Mas e se aquele sinal de SOS for na verdade um aviso de perigo? A tenete Ripley (Sigorney Weaver) coloca essa possibilidade, mas já tarde demais: os seus companheiros já estão de volta à nave e com eles trazem um novo tripulante: o oitavo passageiro!
Alien - O Oitavo Passageiro é uma versão minimalista de
2001: Odisseia No Espaço: pegando no seu universo sci-fi e altamente realista, cruza-o com o suspense e o thriller, num slasher espacial, género advogado por gente como Wes Craven.
Aliás, o realismo e a credibilidade é o grande trunfo deste Kubrick meets Carpenter: o espaço físico limitado à nave espacial, para além de levarem a uma claustrofobia sufocante sem escapatória possível, é filmado com um realismo arrepiante, que aliado aos diálogos sobrepostos, agitados e improvisados, faz lembrar uma espécie de reality-show em que a certa altura, alimentados pela pressão e pelo pânico, já ninguém se entende.
"No espaço ninguém te pode ouvir" foi o célebre slogan que ficou imortalizado numa trailer de gritos assustados; de facto, esta versão espacial de
Tubarão apostara tudo na casa do suspense e ganhara, com uma realização sóbria num ambiente angustiante e sufocador, sem nenhum local para fugir e ninguém que acudisse.
Alien - O Oitavo Passageiro tem o condão de apresentar dois pormenores, daqueles pormenores capazes de elevarem por si só um filme ao Olimpo cinametográfico: um deles é o facto de ter criado o primeiro action hero feminino - Ripley; e o segundo, é a clássica cena do chestburster. Já todos nós a vimos, nem que seja parodiada em outros filmes (destaque para a formidável cena de
A Mais Louca Odisseia No Espaço), mas é uma cena que arrepia sempre que a vemos. Claro que é um daqueles momentos que não se compara à primeira vez que a vemos, mas mesmo sabendo de cor o que vai acontecer não deixa de ser incomodativa e arrepiante.
Ridley Scott teve o privilégio de iniciar a saga e logo como melhor filme da quadrilogia, onde se aliou a uma equipa de mestres - Jerry Goldsmith e HR Giger - de forma a contornar o orçamento modesto e os efeitos-especiais artesanais para criar um filme com vida própria.
Alien - O Oitavo Passageiro não é um filme qualquer; é o filme de terror-ficção-científica, o que é o mesmo de dizer McRoyal Deluxe.
ALIENS - O REENCONTRO FINALTítulo:
AliensRealizador: James Cameron
Ano: 1986

Depois de feitas as introduções estavam abertas as hostilidades.
A sequela de
Alien - O Oitavo Passageiro revela-se por completo logo no título original: apenas um S a mais, que indicava logo à partida que
Aliens - O Reencontro Final envolveria muitos mais alienígenas, ao invés do predador solitário de
Alien - O Oitavo Passageiro.
Com efeito, Ripley estava de volta à Terra, cinco décadas depois de andar à deriva. Claro que era difícil fazer crer aos seus superiores que tinha destruído uma nave de milhões de dólares devido a uma entidade extraterrestre hostil desconhecida, que lhe dizimara a tripulação e, por isso, perdeu o seu emprego como comandante. Mas quando a colónia estabelecida entretanto no planeta em que Ripley tinha descoberto o alienígena deixou de contactar com a Terra, a história começa a fazer algum sentido. E Carter Burke (Paul Reiser) convocou-a como consultora para uma expedição espacial com um único objectivo: exterminar todos aqueles sacanas.
Se
Alien - O Oitavo Passageiro era uma espécie de
Tubarão no espaço, então
Aliens - O Reecontro Final é uma espécie de
Predador no espaço: um filme claramente de acção, onde o suspense e o terror do primeiro filme deram lugar à força bruta e ao confronto impiedoso entre um exército de fuzileiros e um exército de alienígenas malignos.
Da expedição destacavam-se alguns elementos: Ripley, claro, cuja primeira aventura a tinha deixado mais rija; Bishop (Lance Henriksen), um andróide que ao contrário do seu homónimo da primeira aventura, tinha bom coração e respeitava as leis da robótica de Asimov; e claro, Hudson (Bill Paxton), que para além de uma prestação notável, iniciou aqui o seu percurso curioso em que foi morto por um alien, um predador e um exterminador.
Convocada a equipe, faltava alguém para a dirigir; e quem melhor do que James Cameron, um dos mais hábeis realizadores de acção, que tinha acabado de assinar
Exterminador Implacável.
Aliens - O Reencontro Final tem todo o seu cunho pessoal: uma cinematografia em tons de azul, efeitos especiais de eleição e uma história de acção, que apesar da força bruta desmedida, é sempre coerente e atenta aos pormenores.
Mas se Ripley é aqui elevada a action hero, também é verdade que desenvolve o seu espírito maternal, como em todas as mulheres. Aliás,
Aliens - O Reencontro Final é uma enorme metáfora feminina, que joga com as mulheres da tripulação e a posição destas na sociedade consoante as suas personalidades, até à própria alien-mãe. Mas isto é uma estória para outras linhas, que poderia fazer-me destilar muitas linhas de conversa teórica.
Mas resumindo: se em
Alien - O Oitavo Passageito já Ripley demonstrava (ainda que levemente) o seu espírito maternal para com Jonesy, o gato, aqui há Newt (Carrie Henn), uma rapariga que sobrevive ao extermínio. E no final há um duelo de fêmeas, entre Ripley que protege a sua "protegida" e a mãe-alien que protege os seus ovos.
É certo que Cameron abusa um pouco, quando nos últimos minutos envovle os personagens num heroísmo algo desmedido, à boa maneira de Rambo, mas
Aliens - O Reencontro Final é sempre um poderoso filme de acção. Há um clima assustador, alienígenas por todos os lados e tiros em catadupa - violência senil com um úncio objectivo: matar, nem que para isso seja preciso recorrer a armas atómicas. E depois há uma cena memorável, uma das mais fantásticas da saga, quando um alien irrompe de um túnel cheio de água.
Há ainda um par de eventos que se tornam ponto fixo na saga: a evolução da entidade extraterrestre e o "homem sintético" Bishop.
Depois de Ridley Scott, James Cameron deu o passo seguinte na saga e
Aliens - O Reencontro Final era o que de melhor se podia esperar num filme de acção entre humanos e extraterrestres. Faltou um poucochinho mais para passar à frente do McBacon.
ALIEN - A DESFORRATítulo:
Alien 3Realizador: David Fincher
Ano: 1992

Diz a sabedoria popular que não há duas sem três. E provando a veracidade de tal adágio, em 1992 a saga Alien transformou-se numa triologia, com o terceiro tomo que ganhou o subtítulo em português de
A Desforra.
Desta vez, o escolhido para tão difícil missão era o estreante David Fincher, um realizador com carreira construída no mercado dos telediscos. E a tarefa não foi fácil: com sucessivas alterações no guião e com a produtora a meter o bedelho constantemente,
Alien - A Desforra teve um parto difícil, que acabou por ver a luz do dia quase sob a forma de manta de retalhos (o que faz com que a versão director's cut seja quase um filme diferente). Mas como os seus pergaminhos viriam a mostrar, Fincher não é um realizador vulgar e mesmo em versão-manta-de-retalhos,
Alien - A Desforra não é um filme banal.
Desta vez, não existe um lapso temporal para o último volume da série.
Alien - A Desforra inicia-se pouco depois do confronto final de
Aliens - O Reencontro Final. Em estado de hiper-sono Ripley não pode ver que está a dar boleia a um dos alienígenas que conseguiu escapar da destruição maciça e este acaba por fazer despenhar a nave, num planeta remoto. Esse planeta chama-se Fury 161 e é um mundo-prisão, onde são incarcerados perigosos assassinos, violadores e outros que tais. Mas a prisão está desactivada e agora só alberga 25 reclusos, que se mantiveram no cu de Judas depois de se converterem à religião. São eles que resgatam Ripley dos destroços, a única sobrevivente da queda. E são eles que vão combater mais uma ameaça extraterrestre.
Depois do filme feminino que foi
Aliens - O Reencontro Final, David Fincher apostou num filme extremamente masculino. Para isso, a tenente Ripley, que segue aqui o seu enrijecimento, rapa a cabeça de forma a ganhar masculinidade (fórmula que Demi Moore tentou copiar anos mais tarde, mas sem resultado). E como a tenente tem vindo a passar uma vida quase inteira dedicada aquele extraterrestre, nesta tecreira aventura a sua relação é levada ao extremo.
Alien - A Desforra faz lembrar um pouco, uma fusão dos outros dois capítulos da saga: faz lembrar
Aliens - O Reecontro Final, porque volta a ser uma espécie de guerra homem vs alienígena, e faz lembrar
Alien - O Oitavo Passageiro devido ao seu aspecto primitivo, um back to basics, em que um grupo de homens desarmados estão limitados ao espaço do edifício, sem escapatória possível.
David Fincher consegue mostrar os seus dotes de realizador de eleição e consegue mesmo ter um dos momentos (quiçá o melhor) altos de toda a saga: o face to face entre o alienígena e Ripley. Além disso, aqui a entidade extraterrestre é parida por um cão (numa cena chocante) e absorve algumas parecenças com o quadrúpude, transformando-se num monstro mais assustador.
Alien - A Desforra é um filme muito mais pessoal e introspectivo do que o segundo, o que consegue evitando o fogo de artífico habitual do action man James Cameron; no entanto, os pontos que ganha aqui perde-os nos momentos mais tearjearker, com direito a um discurso patriota e tudo.
Alien - A Desforra é um filme sofrido, que deve ser visto apenas a título de curiosidade; a verdadeira obra é a versão director's cut. Mesmo assim, consegue ir até ao McBacon, rés-rés campo de Ourique.
E este deveria ter sido mesmo o fim do ciclo, uma vez que Fincher termina o filme com grande carga simbólica: fecha uma porta sobre o assunto e volta a brilhar o sol/eperança.
ALIEN - O REGRESSO:Título:
Alien: ResurrectionRealizador: Jean-Pierre Jeunet
Ano: 1997

David Fincher encerrou a saga Alien em 1992, fechando uma porta sobre o assunto, com a morte de Ripley e o dizimar do último alienígena. Certo? Errado! Em 1997 era preciso revitalizar o monstro extraterrestre devido ao franchising consumista que se avizinhava (o malfadado
Alien Vs. Predador) e para isso a triologia passou a quadriologia.
O escolhido para esta revitalização foi o feancês Jean-Pierre Jeunet, um dos mais interessantes realizadores da sua geração, que tinha acabado de assinar um dos últimos grandes filmes da ficção-científica,
A Cidade Das Crianças Perdidas.
Com efeito, a tenente Ripley tinha morrido no episódio interior, um simples mas importantíssimo pormenor que era preciso contornar. Assim, recorreu-se ao comum processo da clonagem.
Duzentos anos depois de
Alien - A Desforra, a tenente Ripley foi clonada com sucesso, de forma a criar em laboratório uma daquelas espécies alienígenas únicas. Parecia tudo de volta à normalidade: Ripley, um alienígena hostil e uma entidade governamente sem escrúpulos.
No entanto, desta vez estamos a lidar com a clonagem e Ripley, enquanto clone e hospedeira, além de ter transmitido algumas das suas propriedades ao seu "novo filho", veio ainda "enxertada" com algumas propriedades extraterrestre: sangue corrosivo, força sobre-humana e agilidade superior. A única coisa que não sabíamos é que os alienígenas tinham um sentido de humor tão apurado.
De facto, Ripley encerra aqui o seu ciclo de masculinização, atingindo o cúmulo de super-herói com super-poderes (de forma aligeirada, claro). Escrito para um novo público e de maneira bastante genérica, este quarto capítulo da saga sofre sobretudo das falhas do argumento, frágil e demasiado artificial. Além disso, há ainda fogo-de-artifício a mais e sensibilização artificial.
Tal como Cameron em
Aliens - O Reencontro Final, também Jeunet explora o conceito da maternidade, desta vez levado ao extremo. Além disso, aproveitando a presença de Annalee Call (Winona Ryder), Jeunet explora ainda o complexo
Pinóquio, ou seja, tenho sentimentos, quero ser humano mas não o sou.
O dedo do realizador francês nota-se sobretudo em duas cenas: na excelente sequência em que Ripley descobre a câmara de clonagem e numa superiormente orquestrada, mas bastante exagerada, persgueição aquática.
Fora isto,
Alien - O Regresso é uma aventura bastante artificial, com buracos de argumento e soluções e confrontos fraquinhos. Além disso, há novamente um herói colectivo que vai sendo exterminado aos poucos ao longo do filme, mas que ao contrário dos seus antecessores, não ganha profundidade suficiente para terem algum papel preponderante da intriga.
Alien - O Regresso tem alguns pontos positivos - uma faceta bastante mais gore que os restantes capítulos e uma nova forma de alienígena - mas os pontos negativos sobrepõem-se claramente: esse novo alien é extremamente feio (ninguém bate HR Giger), a personagem de Winona Rider é bastante frágil para a aventura e o argumento é extramemente esburacado. É apenas um Double Cheeseburguer, mas para quem assistiu à restante triologia, não há motivo para não assistirem a este último (esperamos nós) filme da saga.
Posted by: dermot @
10:44 PM
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