Sexta-feira, Novembro 18, 2005
O NEVOEIRO:Título:
The FogRealizador: John Carpenter
Ano: 1980

Agora que estamos prestes a acolher o remake (cujas críticas não agoiram nada de bom), faz todo o sentido recuperarmos a versão original de
O Nevoeiro, de John Carpenter. Realizado em 1980 com um baixo orçamento e após o sucesso do sangrento
Halloween, Carpenter assinou um contido e minimalista filme de terror, que continua a ser um marco vinte e cinco anos depois.
Antonio Bay é o nome de uma pequena localidade piscatória, prestes a celebrar os 100 anos de história. No entanto, o que ninguém sabe é que Antonio Bay é uma cidade amaldiçoada por seis conspiradores. Agora, cem anos depois, os fantasmas dos leprosos-traídos-e-roubados retornarão para reclamar o que é seu e fazer vingança pelas próprias mãos.
O Nevoeiro é um curto filme de oitenta minutos, directo ao assunto, que não perde tempo com dramas desnecessários. Carpenter veste a pele de Mestre do Fantástico e realiza um conto de fantasmas, cuja influência de Edgar Allan Poe vai muito mais além do que a simples citação no início do filme. Aliás,
O Nevoeiro é quase o equivalente cinematográfico do estilo literário que Poe imortalizou.
Antonio Bay é uma cidade amaldiçoada e Carpenter sublinha este facto no início do filme: através dum curioso caso de numerologia e com um sobrepôr defactos que vão mais além do que a simples coincidência - o programa de rádio A Hora Das Bruxas, a décima terceira boleia que Elizabeth (Jamie Lee Curtis) apanha, os cem anos da cidade. E tudo isto a rematar um prólogo assustador, em que um marinheiro aposentado conta uma história de terror a um grupo de miúdos à volta da fogueira, à meia-noite.
De história de fantasmas a zombie-flick é um pequeno pulo, ou não fosse John Carpenter o realizador. Imagem de marca é também a banda-sonora, assinada pelo prórprio Carpenter, num dos seus mais subvalorizados filmes.
Menção ainda para o desempenho fenomenal de Jamie Lee Curtis, no papel do espírito livre Elizabeth, e da sua mãe Janet Leigh, no papel de Kathy Williams, a presidente da cidade.
O Nevoeiro não é, certamente, o melhor filme de Carpenter, mas é um dos mais característicos. E enquanto se espera pelo regresso do Mestre do Fantástico à cadeira de realizador, ao sabor de um McBacon, os ávidos estúdios de Hollywood aproveitam para rentabilizar as suas obras de baixo orçamento, que perdem o aspecto caseiro e com ele grande parte da mística dos filmes. Foi assim com
Assalto À Esquadra 13 e deverá ser assim com
O Nevoeiro.
Posted by: dermot @
3:43 PM
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