Terça-feira, Novembro 22, 2005
DE HOMEM PARA HOMEM:Título:
Man To ManRealizador: Régis Wargnier
Ano: 2005

Super co-produção franco-inglesa,
De Homem Para Homem é um filme ambicioso que procura ser mais do que é. Não que seja presunçoso; é antes ingénuo na forma como procura atingir esse objectivo. É que um grande épico não se resume a muito dinheiro envolvido, uma realização sóbria e certinha e uma fotografia cuidada nas maravilhosas paisagens africanas.
De Homem Para Homem é a história de três cientistas do século XIX, Jamie Dodd (Joseph Fiennes), Alexander Auchinleck (Iain Glen) e Fraser McBride (Hugh Bonneville), que com a ajuda da comerciante Elena Van Den Ende (Kristin Scott Thomas), capturam em África dois pigmeus, os quais acreditam piamente ser o elo perdido na evolução humana entre o macaco e o homem.
Claro que estão errados e ao longo dos estudos que os três cientistas submetem aos pigemeus, começam a notar um humanismo superior ao que pensavam existir; Toko e Likola, os dois pigmeus, são humanos como nós, mas apenas Jamie Dodd vê isso, uma vez que os seus dois colegas recusam-se a abandonar as suas teorias de longa data e uma provavél fama internacional. Vai então ser uma luta desigual contra as atitudes desumanas de um povo ignorante e supersticioso.
De Homem Para Homem é um filme que tratado de forma honesta e sincera poderia ser algo mais do que é. No entanto, Régis Wargnier enxovalha-o com sentimentalismos baratos e tearjerkers abundantes, em duas extensas horas de filme, que são claramente demais. Além disso, o realizador consegue ser sempre tão gracioso quanto um elefante numa loja de loiças: não deixa nada por dizer e muito menos sugere alguma coisa, retirando ao espectador qualquer hipóetese de pensar sobre a intriga, explicitando ao pormenor as acções que estamos a ver e as que vamos ver.
Salva-se então a primeira parte do filme, antes de este se transformar em telenovela virada para o público feminino de meia-idade à procura duma boa tragédia sentimental: quando Koto e Likola são capturados, assiste-se a uma curiosidade perante aqueles seres desconhecidos semelhante à de
O Planeta Dos Macacos, quando Charlton Heston é capturado pelos macacos.
Manção ainda para as representações, que apesar de serem no geral bastante positivas, apresentam um Joseph Fiennes em constante piloto automático, limitado durante todo o filme a duas expressões faciais: a de boca aberta e a de boca fechada.
De Homem Para Homem é um filme claramente falhado, que justifica plenamente porque tem passado ao lado de toda a crítica internacional. E só por estar bem-disposto é que sai deste antro com um suculento Double Cheeseburguer.
Posted by: dermot @
11:18 AM
|