Quinta-feira, Outubro 20, 2005
OS OLHOS DA SERPENTE:Título:
Snake EyesRealizador: Brian De Palma
Ano: 1998

Brian De Palma é um dos realizadores favoritos deste escriba, devo confessar. Autor de algumas obras maiores (alguém mencionou
Vestida Para Matar,
Carrie ou
Blow Out - A Explosão?), é um especialista em filmes de gangues e de máfia e, simultaneamente, um realizador deveras subvalorizado, especialmente após o incompreendido
Missão Impossível. No entanto, verdade seja dito, desde esse episódio que a sua obra tem sido decrescente.
Os Olhos Da Serpente foi então o primeiro capítulo após
Missão Ímpossível e era um regresso de De Palma ao velho tema dos policiais e dos assassinatos.
Nicolas Cage é Rick Santoro, um polícia local com "muitos conhecimentos", uma amante e até galifão; contudo, é também um homem íntegro no que diz respeito à lealdade, o seu "único vício". De serviço num importante combate de boxe, antro de corrupção, Rick e o seu amigo Kevin Dunne, responsável pela segurança do local, vêem um atirador furtivo alvejar mortalmente o Secretário Da Defesa. Mas como todas as conspirações, tudo o que parece raramente o é; principalmente se houverem planos de armas secretas envolvidos.
O filme abre de maneira soberba: com um único plano de 13 minutos, Brian De Palma percorre toda a arena seguindo Nicolas Cage, introduzindo toda a trama: a bazófia de Rick Santoro, os seus negócios ilícitos, as personagens secundárias, os suspeitos, a vítima e o combate de boxe.
Depois, colocadas as cartas na mesa, De Palma lança o trunfo seguinte: uma conspiração inteligente e misteriosa, qual
JFK em escala menor.
A primeira parte de
Os Olhos Da Serpente é um fantástico filme: para além da trama que teima em se desenrolar por mais esforços que se façam para a enrolar, é ainda um exercício estilístico genial, com flashbacks, cores saturadas, reconstituições e opções arrojadas, como aquele em que se recupera o atentado segundo dois pontos de vista, com o ecrã dividido ao meio. Durante essa parte, Nicolas Cage está no seu melhor, naquela exuberância característica que explorou em
Coração Selvagem, por exemplo. Gary Sinise como sempre, faz aquilo que sabe fazer melhor: papel de mau.
Mas se
Os Olhos Da Serpente é tão bom, o que aconteceu a seguir? Estranhamente, é difícil de perceber. De Palma parece ter usado aquela primeira parte para experimentações e como tinha de acabar o filme, parece que decidiu fazer qualquer coisa. Para isso, seguiu a auto-estrada da previsibilidade, parando em todas as estações que encontrou pelo caminho para atestar-se de clichés e intrigas murchas. Acaba-se o ritmo fresco do filme e até Cage se apaga. Como que um automóvel a quem lhe falta gasolina.
Os Olhos Da Serpente são dois filmes num só: uma excitante abertura e um medíocre fim. Tudo junto custa a chegar ao Double Cheeseburguer; mas as opções estilísticas de Brian De Palma na primeira metade do filme ajudam a desempatar, dando-lhe crédito positivo para um McChicken.
Posted by: dermot @
10:47 AM
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