Quinta-feira, Outubro 13, 2005
OS EDUKADORES:Título:
Die Fetten Jahre Sind VorbeiRealizador: Hans Weingartner
Ano: 2004

Desde que encontrou um rosto com quem se identificar (no caso, o de James Dean) que se tornou natural a juventude rebelar-se, principalmente contra a condescendência da sociedade. Já dizia a sabedoria popular que "quem tem menos 30 anos e não é liberal é porque não tem coração". Mas na sociedade actual em que vivemos, consumista e capitalista, como é que se propala uma revolução que já se vende nos próprios supermercados?
Jan (Daniel Brühl) e Peter (Stipe Erceg) encontraram a solução num manifesto que baptizaram de "Os Edukadores", uma espécie de grupo de ladrões revolucionários invulgares, na esperança de serem o detonador capaz de despoletar uma acção liberal numa sociedade cada vez mais sedada pela televisão.
Mas todos sabemos que uma mulher traz sempre problemas, principalmente quando inseridas num grupo de pessoas; ora Jule (Julia Jentsch), quando descobre o que o seu namorado Peter anda a fazer, decide entrar também no movimento.
Mas a precipitação é inimiga da perfeição e os acontecimentos descambam em tragédia por anunciar. Uma inofensiva acção revolucionária leva a um rapto, cujo final ninguém saberá como irá ser.
Os Edukadores, filme sensação alemão de 2004, é um misto de drama político (olá
Bom-dia Noite) com drama introspectivo juvenil. Jan, Peter e Jule são três jovens inadaptados da sociedade agressiva actual, ao género de
Clube De Combate, que desenvolvem uma relação algures entre
Os Sonhadores e
E A Tua Mãe Tambénm.
Mas
Os Edukadores não é apenas um filme político; aliás, nem é essa a sua principal preocupação, uma vez que é apenas o rastilho para a explosão de acontecimentos humanos entre os três personagens principais da história. Não se puxa políticas à esquerda nem à direita, muito pelo contrário, ambas se contradizem, ambas respondem pelos argumentos correctos. No final, a repsosta fica pelo centro, poe um sistema anárquico.
Com um trio de actores suberbos (principalmente o par Daniel Brühl e Julia Jentsch, que vimos em
Goodbye Lenine e
Sophie Scoll - Os Últimos Dias, respectivamente),
Os Edukadores é a montra do novo cinema alemão, uma cinematografia moderna e arrojada, fresca de ideias e pertinente. Um sinal dos novos tempos.
E se nos idos tempos revolucionários dos anos 60 tínhamos Bob Dylan como um dos porta-vozes, hoje em dia Jeff Buckley é um dos mártires dos inadaptados. Por isso é normal que se oiça Hallellujah no final do filme, numa sequência mágica e poética, que arrepia os pêlos da nuca, num final inesperado até ao último segundo. É certo que a música de Jeff Buckley até trasnformava uma novela da TVI em algo agradável, como disse um colega, mas naquela altura faz todo o sentido.
Por isso, ao ver
Os Edukadores, ao penetrar tão fundo naquele sistema, naquele conflito interior e exterior de três personagens habilmente esculpidos, não se consegue perceber o que se passa com Hans Weingartner naquele trabalho de câmara. Filmado em suporte digital, o realizador compromete partes importantes do filme com um trabalho de câmara quase amador, principalmente com o recurso ao zoom, técnica completamente datada. E longe do cinema de autor ou de um estilo arty.
Representante germânico na corrida aos Óscares,
Os Edukadores tem tudo para ser o vencedor. Pelo menos, um dos primeiros lugares nos filmes do ano já ninguém lhe tira. Um Le Big Mac nada comprometido (faltou-lhe um bocadinho assim para a obra-prima).
Posted by: dermot @
11:15 AM
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