Terça-feira, Outubro 04, 2005
THE LAST HOUSE ON THE LEFT:Título:
The Last House On The LeftRealizador: Wes Craven
Ano: 1972

Apesar de ser o responsável pelo flagelo cinematográfico que são os actuais slasher teen movies, Wes Craven é um dos grandes mestres do terror moderno. E não digo isto apenas por ter sido o criador da lenda Freddy Krueger; digo-o porque, mesmo muito antes disso, já Wes Craven revolucionara o cinema de terror. Principalmente com este
The Last House On The Left.
Banido durante décadas em vários países, o primeiro filme de Wes Craven foi, sem dúvida, o mais marcante da sua carreira.
The Last House On The Left é um ensaio sobre a violência, um manifesto cruél e visceral que ilustra na perfeição a faceta pervertida e doentia de Wes Craven.
The Last House On The Left elemina qualquer intenção secundária, limitando o espectador a uma experiência perturbadora. Foi sem dúvida o ponto de partida para a inspiração de
O Massacre Do Texas.
Mari Colingwood (Sandra Cassel) é uma jovem formosa, acabada de sair dos anos 60, da geração da paz e do amor, alimentada pelos primeiros indícios do heavy metal e do libertismo menos puro. E é numa saída há noite, com a sua amiga Phyllis (Lucy Grantham), que as duas amigas vão cair numa emboscada do heroínomano Junior (Marc Sheffler), que a pretexto de lhes vender marijuana, as leva para as garras do seu pai (o magistral David Hess) e dos seus dois amigos, foragidos da penitenciária onde cumpriam pena pelos mais horríveis crimes.
The Last House On The Left canaliza toda a violência de uma época conturbada (alguém mencionou o Vietname?), funcionando como escape. Apesar do orçamento limitado e dos actores pouco mais do que amadores, Wes Craven realiza magistralmente um panfleto sobre a violência demente, incluíndo violação, assassinato, tortura ou fetiches doentios. No filme não há pontos de vista secundários ou poesias indistintas. É cru e visceral e o que se vê é o que importa. Não há heróis ou actos heróicos; apenas vítimas, violência e vingança pelas próprias mãos.
Mesmo para quem está habituado ao fetsival gore-barroco italiano de realizadores como Fulci ou Argento,
The Last House On The Left é um filme demasiado perturbador (de referir que na Alemanha, aquando da sua estreia, tentaram faze-lo passar por um filme snuff), uma experiência por vezes difícil de acompanhar, possível de distorcer os espíritos mais sensíveis.
Ciente disso, Wes Craven apenas se dedicou a um comic relief breve, caricaturando demasiado a polícia, tornando isso no ponto baixo do filme.
Quanto aos pontos altos, falta ainda referir a banda-sonora fantástica, obra e graça do magistral compostior David Hess, que aqui é também actor. Num registo dentro do acid-folk rock, a revisistar gente como os The Byrds ou os The Doors, Hess consegue ser ainda os olhos de Wes Craven, quando o cineasta desvia a câmara das cenas mais explícitas.
The Last House On The Left é um marco obrigatório na obra de Wes Craven, longe dos filems-pipoca de
Gritos, ou do festival gore
Pesadelo Em Elm Street. Um ensaio sobre vingança e violência que se insere num grupo de filmes como
I Spit On Your Grave, por exemplo. Aconselho o McRoyal Deluxe, da mesma forma que aconselho a não o comer pouco antes do visionamento do filme - corre o risco de não o aguentar durante muito tempo no estômago.
Posted by: dermot @
12:48 PM
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