Domingo, Outubro 02, 2005
DE TANTO BATER O MEU CORAÇÃO PAROU:Título:
De Battre Mon Coeur S'est ArrêtéRealizador: Jacques Audiard
Ano: 2005

Como é possível passar pela sala de cinema, observar o cartaz do filme em exibição, ler este título fantástico e conseguir continuar o caminho, sem ser impelido a entrar e assistir ao filme?
De Tanto Bater O Meu Coração Parou é, quiçá, o melhor título de 2005 e o seu cartaz não é menos interessante. Só por isso, já vale o visionamento do filme.
A história de
De Tanto Bater O Meu Coração Parou é a história de Tom (Romain Duris), um jovem destinado a seguir as pegadas do pai no ramo da especulação imobiliária. No entanto, Tom sente-se assustado, não só por aquele mundo violento, mas sobretudo pela possibilidade de se vir a tornar no retrato degradante do seu pai (Niels Arestrup). Felizmente, um encontro casual vai leva-lo de volta ao contacto com o piano, o escape dessa sua faceta de sociopata, alimentando a ilusão de se tornar pianista, a exemplo da sua falecida mãe.
Tom é um gajo do rock, o blusão de cabedal e as botas não enganam ninguém. Os fones nos ouvidos só o comprovam. E como o Michael Nyman e o Bach são gajos do rock, é normal que o piano seja o escape encontrado.
De Tanto Bater O Meu Coração Parou é um filme tridimensional a duas cores. Drama urbano e thriller psicológico, Jacques Audiard desconstrói a personalidade complexa de Tom, envolvido num universo urbano claustrofóbico e perturbador.
Tom usa a arte (mais propriamente o piano) como instrumento para extravasar as suas frustrações; mais uma vez, a arte como uma redoma protectora de uma sociedade cada vez mais agressiva.
Depois, há também o conflito paternal. O filme inicia-se com um diálogo fantástico, em que um amigo de Tom desabafa sobre as suas útimas relações com o pai. Uma relação de ódio com alguém que se ama. E Tom vê-se reflectido na imagem do seu pai e assusta-se. Assusta-lhe acabar os dias triturado pela especulação imobiliária, assusta-lhe ser apenas um escroque em busca de umas linhas de coca e uma mulher para passar a noite. É por isso que despreza tanto o seu colega Fabrice (Jonathan Zaccaï), que continua a trair a mulher dia sim dia sim.
De Tanto Bater O Meu Coração Parou é um filme poético e simbólico, com dois pontos fenomenais: a banda-sonora e Romain Duris. O actor francês, que todos conhecemos de
A Residência Espanhola, brilha omnipresente num registo entre o De Niro de
Taxi Driver e de Isabelle Huppert em
A Pianista.
Mas
De Tanto Bater O Meu Coração Parou não é um filme tão consistente quanto devia ser (ou pelo menos, quanto o título obrigava). No entanto, é o suficiente para ser um filme a descobrir, pelo menos uma vez na vida (que é como quem diz, um McChicken).
Posted by: dermot @
11:19 AM
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