Terça-feira, Setembro 06, 2005
UMA BOA MULHER:Título:
A Good WomanRealizador: Mike Barker
Ano: 2004

A estreia de
Uma Boa Mulher passou completamente ao lado da comunicação social, apesar de contar com a presença do mais badalado ícone cinematográfico feminino actual, Scarlett Johansson. Só podemos lamentar que isso tenha acontecido, mas é o preço a pagar em plena silly season.
Adaptação fiél do romance de Oscar Wilde
O Leque Da Senhora Windermere (que por sua vez foi adaptado também com sucesso para o teatro),
Uma Boa Mulher é a estória de Mrs. Erlynne (Helen Hunt), uma americana liberal na América dos anos 30, autêntico terror das mulheres casadas de Nova Iorque, o que lhe valia constantemente apelidos como libertina ou promíscua, apenas para citar os melhores. Quando a sua boa fortuna se esgotou, Mrs. Erlynne decidiu aproveitar a nova porta que se abriu; mudada para Amalfi, numa Itália mais cosmopolita do que seria de supor, vai estabelecer contacto com a recém-casada Mrs. Windermere (scarlett Johansonn) e, sobretudo, com o marido desta (Mark Umbers).
Num meio pequeno e socialmente agitado como Amalfi é difícil esconder o que quer que seja e os boatos, verdadeiros ou falsos, começam a correr livremente. E pelo meio há ainda Lord Darlington (Stephen Campbell Moore), que acredita que a felicidade conjugal é um fardo demasiado pesado para ser carregado por ambas as partes do casal...
Uma Boa Mulher tem um início algo precoce, mas rapidamente aterra numa plataforma de interesse; e quando começa a estabilizar sofre um safanão, ganhando nova direcção e renovado interesse, com tamanha imprevibilidade na intriga.
Filme de época clássico, comprovado pela banda-sonora e, especialmente, pela cinematografia-tipo-postal-de-recordações, Mike Barker cria um comédia de valores crítica, valendo-se de um magnífico guarda-roupa.
O mais interessante do filme são os diálogos, que demonstra um excelente trabalho do realizador no apanhado da obra ímpar de Oscar Wilde, que continua tão actual como há sete décadas arás; uma crónica de costumes que Buñuel não faria melhor, sobre a realidade social da classe alta inglesa, com intrigas, boatos e adultério, tudo julgado pelos olhares perscrutadores dos restantes, que mais parecem os velhotes dos
Marretas.
Quanto às interpretações, uma vez que não sou da opinião generalizada de que Scralett Johansonn seja de um talento acima da média - acho sim que é uma actriz com uma cara bonita que executa de maneira incopetente aquilo para que lhe pagam - vou dedicar este parágrafo a Helen Hunt. Muitas vezes esquecida, Helen Hunt está aqui num papel que seria perfeito para a diva Sophia Loren, numa interpretação deslumbrante de femme fatale, em que cada ruga é um sinal de charme irresistível.
Uma Boa Mulher é uma rara excepção da adaptação cinematográfica que não é pior que o livro, fazendo jus a um dos maiores nomes da literatura mundial, Oscar Wilde. Além disto, o Le Big Mac justifica-se ainda pela decisão acertada de Mike Barker de trocar o título original enigmático por um mais ambíguo, que dá maior profundidade à trama.
Posted by: dermot @
8:42 AM
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