Terça-feira, Setembro 06, 2005
SALTO MORTAL:Título:
SomersaultRealizador: Cate Shortland
Ano: 2004
Salto Mortal não é um filme fácil, antes pelo contrário, é mesmo bastante difícil; um filme complicado que exige uma enorme disposição e um cansativo esforço mental para ligar certos fragmentos dispersos, frágeis demais para serem lineares. E para entender o quão complicado é, imagine um road movie sem estradas e viagem...
Apesar de ter sido um
papa-orémios na sua Austrália natal, os sete anos que demoraram a fazer
Salto Mortal deixavam já um leve presságio no ar: não tinha sido um parto totalmente feliz.
Heidi (Abbie Cornish) é uma jovem de 16 anos, ingénua e incorrupta pela consciência da idade, à procura de si própria, que se acaba por envolver com o namorado da mãe; o choque leva-a a fugir de casa até às terras nevadas da New South Wales, onde vai procurar independência, tomar consicência de si e do Mundo e, especialmente, descobrir as diferenças entre o sexo e o amor. E descobrir que o amor deixa algumas nódoas negras.
Com a ingenuidade das crianças que descobrem o Mundo nas folhas secas caídas numa piscina vazia ou no piar de uma coruja à noite, Heidi vai conhecer novos amigos e envolver-se em relacionamentos perigosos, através da melhor escola da vida: a da experimentação. É aí que conhece Joe (Sam Worthington), um jovem à procura de amor, seja próprio, o de uma mulher, o de um homem, ou o do seu pai.
Salto Mortal não é um filme feliz. Tem boas ideias e perspectivas interessantes, mas funciona demasiado na base da sugestão, em que tudo são pontas soltas demasiado frágeis que nem sempre se ligam. Além disso tem um início desastroso; o filme arranca em cima dos acontecimentos, não dá tempo para conhecermos Heidi, o que a deixa sempre envolta numa aura a parecer a fraude; nunca percebemos quais são os seus antecedentes que a levaram áquela crise, apenas sabemos que sim porque sim. Melhor sorte tem Joe, cuja personagem ganha profundidade e dimensão, longe da caricatura que Heidi é muitas vezes.
Além disso,
Salto Mortal passa demasiadas vezes por lugares comuns, como as imagens na estrada à road movie e os planos do céu com nevoeiro e nuvens a passar.
Melhor mesmo é a banda-sonora e, principalmente, as interpretações dos dois protagonistas. Abbie Cornish não só é linda como ingenuamente angelical, mas que deixa transparecer uma ponta de perversidade maliciosa; e Sam Worthington é expressivo e contido, num papel que lhe agoira um promissor futuro.
Salto Mortal é um filme demasiado extrapolado e algo pretensioso, em que a intenção é bastante melhor que a acção. E quando falo em Double Cheeseburger já estou a contar, obviamente, com o strip sensual de Abbie Cornish com os fabulosos Jailbait a tocar por cima.
Posted by: dermot @
11:14 PM
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