Quinta-feira, Setembro 29, 2005
OS PSICO-DETECTIVES:Título:
I Heart HuckabeesRealizador: David O. Russell
Ano: 2004

Chegou-se a temer o pior:
Os Psico-Detectives estiveram mais para o lado de lá do que o de cá, no que diz respeito a estrear no nosso país. O que não deixa de ser estranho, tendo em conta que os nomes de Jude Law, Dustin Hoffman e Mark Wahlberg (entre outros) se encontram no elenco. Qual era então o problema? Um filme demasiado inteligente para uma época propícia a um público habituado à cultura de supermercado.
No entanto, o filme sempre chegou às nossas salas, com um ano de atraso é certo, mas nada que não estejamos habituados. O problema foi a tradução. Mais uma vez nada que não estejamos habituados. Mas
Os Psico-Detectives é mau demais para ser verdade. O título, não o filme, entenda-se.
Os Psico-Detectives foi um OVNI cinematográfico no ano transacto, no seguimento de
O Despertar Da Mente. David O. Russell criou uma comédia existencial, que cruza delírios existencialistas com um humor absurdo, misturando no mesmo caldeirão as ideias mirabulantes de Charlie Kaufmann (que agora até nem parecem assim tão estranhas) e Wes Anderson, correntes filosóficas como o existencialismo ou o niilismo e autores como Sócrates, Descartes ou Kafka. Confuso?
Albert Markovski (Jason Schwartzman) é um activista ecológico com dificuldades em encontrar-se. E com uma estranha obsessão por um africano de dois metros de altura, que teima em cruzar a sua vida. Decide recorrer então a dois detectives existenciais, Vivian e Bernard (Lily Tomlin e Dustin Hoffman, absolutamente magistrais), que, qual
Big Brother, vão observa-lo 24 horas por dia, tomando conta de todas as ocorrências da sua vida. Vida essa que conta ainda com a presença do playboy Brad Stand (Jude Law), dono da mega-cadeia de lojas Huckabees e rival numa coligação com a associação de Albert, a namroada deste, Dawn (Naomi Watts), e o bombeiro Tommy (Mark Wahlberg), outro cliente dos deectives existenciais, que acredita plenamente que o petróleo é a fonte de todos os males do planeta.
Cruzando perspectivas existencialistas de forma absurda,
Os Psico-Detectives não é tanto um
O Sentido Da Vida, mas sim um
À Boleia Pela Galáxia, quando o computador supremo dá a resposta ao sentido da vida: 42! Tão absurdo quanto isto.
Acaba por ser esta a mensagem do realizador: a vida é absurda, não existe para ser explicada. Não são teorias positivistas, unificadoras da realidade, que a explicam, nem teorias negativistas, de caos e crueldade. Ou então até são ambas. Mas sempre moderadas, um meio-termo. É isso que constatamos quando os dois detectives existenciais passam a ser colegas de Caterine Vauban (Isabelle Huppert), uma rival francesa com métodos opostos.
Mas se a vida é um motor irracional, este tem que ser alimentado. E o único combustível é o amor. E a compreensão. Mas um e outro acabam por ser o mesmo. E o final feliz é o espelho desse sentido da vida.
Os Psico-Detectives é o típico filme que, ao chegar ao fim, nos leva a questionar se realmente gostámos ou não. A conclusão só pode ser positiva. Uma lição divertida, inteligente e até presunçosa. E não se esqueçam: um orgasmo, uma guerra ou um Le Big Mac, são tudo matéria da vida, tal como as partículas de uma manta.
Posted by: dermot @
7:27 PM
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