Domingo, Setembro 18, 2005
IMAGO 2005:Desde o início que o Royale With Cheese se preocupou em dar destaque aos principais festivais nacionais, sempre que tal lhe era possível. Tem sido assim com o
Festróia e foi assim, este ano, com o
Festival Caminhos Do Cinema Português.
Agora, a poucos dias de começar, o Royale With Cheese decidiu fazer uma projecção sobre o
IMAGO 2005, o festival de cinema do Fundão que se tem vindo a afirmar no panorama cinematográfico nacional. Este ano as expectativas são altas, num festival que prima pelo ecletismo, misturando cinema, música e artes plásticas. Este ano destacam-se os nomes de Jess Franco e Terry Gilliam.
Para dar a conhecer um pouco mais o festival, estivemos à conversa com Sérgio Felizardo, produtor executivo do certame.
Royale With Cheese – Não consigo iniciar esta conversa por outro lado: o que nos espera nesta edição do IMAGO 2005?Sérgio Felizardo - Na Selecção Oficial do Festival, e para além das competições de curtas metragens - Oficial Internacional e Docs in Shorts (a que se junta no Heineken Open Space a competição Under 25) – em que o público se vai poder aperceber do panorama actual da produção cinematográfica mundial, nomeadamente do cinema feito por jovens realizadores, destaco os programas especiais dedicados às primeiras obras de Terry Gilliam, ao percurso carismático do veterano Jess Franco e à aposta no futuro com a "Prospectiva Rosto – Novas Fronteiras da Imagem”.
Penso que este ano temos também uma programação musical (iminentemente ligada à imagem) na secção Sound & Vision Experience bastante forte. Tenho de destacar as estreias absolutas em Portugal de Kid Koala e Erlend Oye a solo (já esteve várias vezes como DJ, mas nunca para tocar a solo e em concerto acústico). Também em estreia vão estar os Toolshed, de Graham Massey dos 808 State, e os Sirconical, projectos da editora de Andy Votel e Badly Drawn Boy, a Twisted Nerve, que apresentam filmes-concerto que prometem ser surpreendentes. E, claro, destaco ainda o Namosh, o projecto Ana e o DJ set da Alex, que decorrem numa festa patrocinada pela revista espanhola NEO2 e os portugueses Old Jerusalem, Musgo e Norton, estes com uma apresentação especial de versões de músicas indie que fazem parte da banda sonora de vários filmes.
Depois há exposições, vídeo-clips, VJ’s, lançamentos de DVD’s, entre muitas outras coisas, entre as quais é preciso não esquecer as master classes de Jess Franco e Rosto, bem como o workshop dirigido por Rita Nunes e em que, em três dias, se vai concretizar um vídeo-clip para uma música cedida por Namosh.
RWC – O IMAGO tem vindo a ganhar cada vez mais espaço no território nacional dos festivais de cinema e até mesmo maior visibilidade internacional. Até onde pode (e quer) chegar o Imago?SF - O IMAGO quer chegar a cada vez mais países, quer ganhar cada vez maior visibilidade e reconhecimento internacional e nacional, de forma a que possa ser cada vez mais uma referência de peso no universo do cinema jovem, que é a nossa área por excelência e que pensamos ser aquela onde é mais aliciante apostar.
RWC – Este ano, nas secções paralelas, o festival vai homenagear Terry Gilliam e D. Quixote. Como surgiu a ideia de prestar tributo a estas duas figuras que acabam por ter tanto em comum? Foi a ideia de comemorar os 400 anos da publicação de D. Quixote que levou até Terry Gilliam ou foi o contrário?SF - Esta ideia acabou por surgir um pouco à custa de várias coincidências felizes. A ideia de homenagear Terry Gilliam apareceu no âmbito do
Early Years..., programa já habitual dedicado às primeiras obras de um realizador já consagrado. Ao mesmo tempo havia a ideia de dedicar um programa do Festival a obras cinematográficas inacabadas. Ora, aqui chegámos ao
amaldiçoado “D. Quixote” do Gilliam e ao documentário que descreve a autêntica odisseia que foi a sua tentativa de filmar o Quixote, bem como chegámos ao
D. Quixote de Orson Welles, que acabou por ser finalizado por Jess Franco. Daqui a substituirmos o programa pensado inicialmente por um dedicado aos 400 anos do Quixote, juntamente com curtas metragens oriundas de vários pontos do planeta foi um passo que nos pareceu lógico.
RWC – Confirma-se a presença de Terry Gilliam? SF - Infelizmente para nós (felizmente para ele) Terry Gilliam acaba de lançar quase ao mesmo tempo os dois filmes que há anos tinha pendentes e, como tal, é-lhe impossível estar no Fundão. Mas foi extremamente simpático e interessado e recentemente alertou-nos para o facto de não poder vir, como gostava, mas que estava muito sensibilizado com a homenagem e tinha muita pena de não estar presente.
RWC – Porque não acontece mais vezes os actores e os realizadores deslocarem-se ao nosso país, não só para promover os seus filmes, mas mesmo para outras iniciativas?SF - Penso que terá tudo a ver com uma questão de tamanho de mercado. Não somos um país onde se calhar valha muito a pena gastar uma imensidão de dinheiro para vir promover um filme .
No nosso caso, no entanto, e como dedicamos as competições exclusivamente a jovens realizadores, temos muitos cineastas interessados em estar no Fundão.
RWC – Da programação definitiva o que apontava do cartaz ao grande público, como conselho pessoal?SF - Pessoalmente, no que ao cinema diz respeito, destaco as competições que na minha opinião estão muito interessantes. Depois, no que à parte musical diz respeito, as estreia do Kid Koala e do Erlend Oye, todo o programa da Twisted Nerve e o concerto especial dos Norton.
RWC – O Open Space, que o ano passado era uma mostra, este ano passou a ser uma competição. Quer falar disso?SF - O
Open Space não era uma mostra, o
Open Space, sponsorizado pela Heineken, é um espaço multidisciplinar em que aliamos a componente mais social do Festival à mostra de coisas mais ligadas à área do vídeo, sejam vídeo-clips, trabalhos mais experimentais, ou programações temáticas, como é o caso do Sónarcinema, por exemplo, em parceria com o Festival Sónar, ou do Projecto VS, que este ano vai ver uma edição em DVD.
O que houve em 2004 foi um programado denominado Free Screen, dentro do Open Space, em que passámos trabalhos em vídeo de jovens realizadores portugueses. Este ano decidimos transformar o conceito em competição, mas abrindo-a também à participação internacional. Chama-se
Under 25, é para jovens realizadores até aos 25 anos e com filmes de baixo orçamento, em vídeo, e tem a particularidade de atribuir um prémio geral a que concorrem todos os participantes, mas também um especificamente nacional.
RWC – O Júri Jovem também surge este ano em novo formato, certo?SF - O formato já tinha sido pensado mais ou menos nestes moldes em 2004, mas este ano consolidou-se. Temos três elementos escolhidos a nível regional e 7 a nível nacional, que vão estar connosco toda a semana e atribuir um prémio no valor de mil euros. E posso dizer que foi um sucesso absoluto, pois recebemos 32 concorrentes de todo o País, que tiveram de escrever uma crítica a um filme e sujeitarem-se depois à avaliação dos elementos do Festival, da revista Premiere, da revista Raia e do IPJ – delegação de Castelo Branco, nossos parceiros nesta iniciativa.
RWC – Não queria terminar sem uma pequena e já tradicional ronda de perguntas directas, que já se tornou um hábito aqui no Royale With Cheese:- Quem seria o convidado perfeito para visitar o Imago numa próxima edição?Wes Anderson
- E musicalmente, quem seria o convidado perfeito?Belle and Sebastian
- Se o festival contasse com uma rubrica de sua inteira responsabilidade, dedicada às obras imperdíveis da sétima arte, quais os filmes que estariam lá?Jackie Brown,
Lost in Translation - O Amor É Um Lugar Estranho, Scarface,
Perseguido Pelo Passado,
Alta Fidelidade,
Era uma vez na América.
Posted by: dermot @
10:50 AM
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