Quinta-feira, Setembro 22, 2005
FREDDY VS. JASON:Título:
Freddy Vs. JasonRealizador: Ronny Yu
Ano: 2003

Já todos nós, na nossa juventude, sonhámos com confrontos épicos entre os nosso super-heróis favoritos. É uma faceta natural do ser humano que nunca desaparece e só isso explica o nosso gesto instintivo de comprar todos os duelos do Godzilla, sempre que encontramos um novo nos escaparates da FNAC. Quem nunca perdeu horas a fio e rios de saliva a discutir sobre quem ganharia um hipotético confronto entre o Hulk e o Super-Homem ou o Hulk Hogan e o Mr. T?
Por isso, o cruzamento de dois franchisings como
Freddy Vs. Jason é um sonho tornado realidade. Mas rapidamente esse sonho pode-se tornar num pesadelo para qualquer cinéfilo.
Freddy Krueger é Robert Englund, hoje e sempre. Além disso, era também um pedófilo esquartejador, que foi queimado vivo pelos pais de Elm Street, que fizeram justiça pelas próprias mãos. Mas Freddy voltou para assombrar as crianças nos seus sonhos, alimentando-se do medo e vingando-se à sua maneira. Para além de um carniceiro impiedoso, é também dono de um requintado senso de humor.
Jason Vorhees é aqui Ken Kirzinger, em vez de Kane Hodder. Variadas celeumas fizeram correr rios de tinta, mas Ronny Yu sempre se desculpou com o tamanho do actor para promover esta troca. Jason morreu afogado num campo de férias, quando tinha 11 anos, devido à negliência dos monitores. Depois disso, voltou sempre para se vingar nas crianças que visitavam essa colónia de féria. Jason não é um carniceiro como Freddy, mas é um filho-da-mãe vingativo. E cool, sempre muito cool e sempre sem soltar palavra.
Era complicado cruzar estas duas lendas do cinema de terror, que quer queiramos quer não, estiveram na génese dos actuais slasher teen movies. Ronny Yu fê-lo da seguinte maneira: já ninguém se lembra de Freedy Krueger em Elm Street. Os jovens que se recordavam dele foram postos de quarentena num hospício e uma droga expeirmental lavou-lhes o cérebro. Como Freddy se alimenta dos medos das pessoas, encontrava-se fraco. A solução encontrada foi manipular os sonhos de Jason, levando-o para Elm Street. Quando este iniciasse o banho de sangue o medo voltaria e, consequentemente, Freddy Krueger. Mas Jason Voorhees é uma máquina de matar e depois de provar o sangue não quer outra coisa. E começam a deixar de haver vítimas para Freddy se divertir...
A premissa do filme é engraçado e, no mínimo, curiosa. Não há muita metafísica nem muita inverosimilhança. Então qual é o problema? O problema é resto do filme.
Como
Freddy Vs. Jason não poderia ser apenas as duas lendas a degladiarem-se, Ronny Yu criou uma trama com jovens atraentes que mostram muita pele, cruzando variada informação dos anteriores episódio de
Pesadelo Em Elm Street. O resultado é uma mescla de ideias díspares, que se resolvem à velocidade da luz com um simples diálogo, em que as personagens se conhecem, se perdoam e se reencontram como se fosse a coisa mais natural do mundo. E ainda há tempo para raves, sexo e ganzas, ou não estivessemos na geração MTV.
Até esta altura o filme é mau, pura e simplesmente mau. Ponto final, parágrafo. Não há suspense, as mortes pouco mais têm de banho de sangue (com excepção da morte da cama, que ao que parece até nem era para ter sido filmada) e o argumento atropela-se. E depois há o main event; e aí sim, há interesse.
Ronny Yu apostou mais em Freddy do que em Jason; aproveitou o carisma do primeiro e transformou o segundo numa crinaça traumatizada, com emoções a mais. Há muitas recordações de infância e episódios lamechas, perfeitamente dispensáveis para uma personagem com dois metros de altura, que se diverte a cortar jovens ao meio.
Mas quando os dois se encontram, aí sim, estamos a falar de
Freddy Vs. Jason. Há jorros de sangue na boa tradição japonesa, há cenas gore que nada devem ao gore italiano e há sadismo puro e cru. E mais importante de tudo, no final há um vencedor! Nada daquelas tretas dos empates; todos nós sabemos que uma luta de rua tem sempre um vencedor.
Freddy Vs. Jason não é um bom filme, nem faz juz aos títulos anteriores de ambas as séries. Além disso, quase que desrespeita completamente Jason, ao coloca-lo no meio de uma rave a chachinar jovens criados a junk food e música ordinária. No entanto, redime-se no ponto mais importante do filme, naquele que todos esperávamos.
Por isso, se alugar o DVD não se iluda. Salte os capítulos do filme até ao final, que não perderá nada. E garanto que o Cheeseburguer saberá ao mesmo.
Posted by: dermot @
1:07 PM
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