Domingo, Agosto 21, 2005
A RAÍNHA AFRICANA:Título:
The African QueenRealizador: John Huston
Ano: 1951

A época de ouro de Hollywood produziu muitos dos mais belos romances da história do cinema; um deles foi
A Raínha Africana, realizado por um dos mais americanos dos realziadores norte-americanos, John Huston, e que juntou pela única vez, duas das mais glamourosas estrelas de sempre, Humphrey Bogart e Katharine Hepburn.
Adaptado do romance homónimo de C.S. Forester,
A Raínha Africana passa-se em 1914, no início da I Guerra Mundial; no entanto, decorre longe do circo da guerra, em pleno continente africano, mais propriamente, na África alemã. Aí, Rose Sayer (Katharine Hepburn) vive com o seu irmão, o reverendo Samuel Sayer (Robert Morley), onde tentam em conjunto, passar a palavra de Deus ao povo africano. Quando a guerra eclode no velho continente e chega a terras africanas, Rose vai ficar sozinha no meio de África e a sua única saída vai ser o The African Queen, um pequeno barco a vapor, comandado pelo carteiro Charlie Allnut(Humphrey Bogart). Mas a viagem rio abaixo é mais complicada do que parece.
A Raínha Africana é um drama com contornos de romance, mascarado numa imensa jornada digna do mais emociante filme de aventuras de uma matiné domingueira. Ao longo do rio Ulama, John Huston cria uma perigosa empresa, em que são colocados em jogo vários binómios contraditórios: dois inadptados que não se aturam irão conviver obrigatoriamente um com o outro, até descobrirem que os opostos se atraem. Mas depois também há a inoportuna colonização, como se comprova pela deliciosa cena inicial, em que os dois ocidentais tentam "civilizar" os negros através de uma missa calamitosa; ou o confronto desadaptado de dois homens contra a natureza - duas presas às mãos de um caçador impiedoso.
O próprio filme é uma mistura explosiva de estilos: uma aventura perigosa, um romance pouco convencional, um retrato histórico fantástico de África e uma comédia deliciosa de pequenos apontamentos. A fotografia de África é apaixonante, aproveitando ao pormenor a fauna e a flora típica do continente negro, para ilustrar aquele par deveras particular: a ingénua e católica Katharine Hepburn e o rude e bebedor de gin Humphrey Bogart, este último particularmente inspirado, o que lhe valeu o único Óscar da carreira.
A Raínha Africana é um alternativo filme de guerra acerca da I Grande Guerra, que se transforma num dos mais interessantes romances da sétima arte, cruzando uma dupla especial e cheia de química. Peca apenas pela falta de suspense, que uma aventura tão grande exigia. Em compensação, conta com um clímaxe inesquecível, com uma das mais fabulosas citações, quando o capitão alemão declara o par marido e mulher, para depois envia-los para a forca.
A Raínha Africana é um McBacon, em que o hamburga está coberto daquela patine cativante dos anos 50 e a alface tem aquela cor esverdeada das fitas antigas.
Posted by: dermot @
4:52 PM
|