Segunda-feira, Julho 18, 2005
ZATOICHI:Título:
ZatoichiRealizador: Takeshi Kitano
Ano: 2003

Os realizadores de cinema japoneses dividem-se em dois grupos: de um lado há Takeshi Kitano e do outro lado estão todos os outros.
Kitano é um fenómeno hiperactivo oriental que se tem destacado não só no cinema, mas também no teatro ou na pintura. Cá pelo burgo à beira-mar plantado, até os menos atentos o conhecem pela célebre série
Nunca Digas Banzai, imortalizada pelos comentários de José Carlos Malato e Ana Lamy, nos primórdios da SIC (quem não se recorda de comentários espirituosos como
o karateca da Marateca?).
Depois do sucesso da televisão, Zatoichi chegou ao cinema, interpretado pelo próprio Takeshi Kitano, que tal como o herói, também ele assume um alter-ego quando anda por estas aventuras da interpretação - falo de Beat Takeshi.
Zatoichi é um respeitável massagista de cabelo grisalho e privado de visão, que deambula pelo Japão feudal apoiado na sua bengala. No entanto, esse aspecto frágil é apenas uma máscara que esconde o poderoso
Zatoichi, um lutador invencível, algures entre a fusão do
Macaco De Ferro com
Demolidor.
Zatoichi vai ver-se envolvido numa mão cheia de histórias cruzadas numa aldeia desse Japão feudal. Aí, de forma mais ao menos paralela, vão-se desenrolar várias histórias: duas geishas (uma delas é um transformista orgulhoso) à procura de vingança, uma luta de gangues pelo poder da aldeia, um ronin de volta ao emprego de guarda-costas que tanto repugna, mas que precisa para poder comprar medicamentos para a esposa doente e um viciado no jogo com uma tia simpática. O que têm estas histórias em comum? Zatoichi. E como este nunca perdeu uma batalha na sua vida, não é era agora que o iria fazer.
O problema de
Zatoichi encontra-se precisamente aí, no argumento. Com uma larga panóplia de personagens, estes são cruzados de forma caótica e sem profundidade, num misto de ópera com telenovela. E como bom filme oriental que é, também a sua estrtura narrativa nem sempre é linear, misturando-se por vezes com flashbacks que nem sempre são perceptíveis.
Compreende-se a intenção de Kitano em transformar aquela jornada de
Zatoichi numa ópera catastrófica, principalmente quando nos deparamos com os momentos musicais. E aí percebe-se que Kitano não é um realizador, é um artista. E não são só os momentos musicais, superiormente coreografados com a banda-sonora, qual
Dancer In The Dark; são também os contrastes entre as águas calmas, quase poesia, em que o filme navega com os momentos caóticos e cruéis de uma violência brutal, de baldes de sangue de um encarnado digital, quais
explosões de flores, como o próprio realizador descreveu.
Zatoichi não é um mau filme, antes pelo contrário: há coreografias sóbrias, simbolismos orientais, números de sapateado geniais e um comic relief que resulta quase sempre. Mas dentro da temática já se fez muito melhor. Percebe-se por isso o McChicken.
Posted by: dermot @
1:26 PM
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