Sábado, Julho 02, 2005
QUERIDA FAMÍLIA:Título:
Seres QueridosRealizador: Dominic Harari
Ano: 2004
Pedro Almodovar nos ácidos.
Alguém definiu
Querida Família assim, mas apesar de não ser uma descrição propriamente feliz, encabeça este texto devido à sua capacidade de cativar possíveis leitores.
No máximo, podia-se dizer que
Querida Família é um Woody Allen nos ácidos.
Gloria (Norma Aleandro) arranjou novo namorado, Rafi (Guillermo Toledo), e vai leva-lo à casa da família para o conhecerem. No entanto, família mais disfuncional não podia existir: uma mãe maníaco-depressiva (María Botto), um pai ausente com um possível caso extra-conjugal (Mario Martín), uma filha stripper e ninfomaníaca (Marián Aguilera) e a filha pequena desta (Alba Molinero), o filho judeu devoto (Fernando Ramallo) e o avô cego ex-militar (Max Berliner). Se o encontro parecia já de si complicado quando a família judia descobre que Rafi é na verdade palestiniano, tudo se complica quando este mata uma pessoa. E tudo pode vir a piorar ainda mais, se se vier a confirmar que esse homem é o pai da família.
Juntadas estas personagens disfuncionais num microcosmos que é o apartamento da família Dali, o realizador Dominic Harari desbobina uma série de peripécias encadeadas a um ritmo alucinante e caótico, por vezes a lembrar Fellini, outras vezes Kusturica.
Também por vezes essas situações resultam, outras nem tanto; mas quando o filme parece encarrilhar pelo caminho que já esperamos, de forma quase inconsciente enverda logo por outro atalho atabalhoado.
Querida Família é uma divertida comédia, que para além do ambiente de domingo à tarde, se projecta no conflito da Faixa de Gaza, que opõe israelitas e palestinianos. Aqui, a metáfora é elaborada através do casal de protagonistas, ele palestiniano, ela israelita. Poderão ideais diferentes conviver em harmonia?
Num ambiente de
Romeu E Julieta revisitado e adaptado,
Querida Família é sempre politicamente correcto, o que não o impede de ser por vezes previsivel, outras bem divertido.
No panorama cada vez mais saturado das comédias,
Querida Família é um filme interessante, que pode servir como escape para uma sessão mais bem-disposta e menos formal. Além de competente, cumpre todos os requisitos a que se propõe, principalmente quando não se alonga em peripécias exageradamente rebuscadas.
Um McBacon, para comer e não repetir.
Posted by: dermot @
7:40 PM
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