Sexta-feira, Julho 22, 2005
CEMITÉRIO VIVO:Título:
Pet SemataryRealizador: Mary Lambert
Ano: 1989

Continuando o périplo pelas adaptações ao cinema dos romances do Mestre do Terror, Stephen King, eis chegada a altura de uma das suas mais aclamadas obras literárias e uma das menos consideradas adaptações cinematográficas:
Cemitério Vivo.
Depois de George Romero ter deixado de ser uma hipótese para a realização do filme, uma desconhecida Mary Lambert tomou as rédeas para uma adaptação que chegou a equacionar o nome de Bruce Campbell para o papel principal. Mesmo com todas estas possibilidades a irem pelo cano abaixo,
Cemitério Vivo conseguiu tomar a forma de um dos grandes filmes de terror das últimas décadas.
Cemitério Vivo é a história de Louis Creed (Dale Midkiff), um médico que se muda com a sua esposa e os dois filhos para uma terreola no interior dos Estados Unidos, um daqueles lugarejos tipicamente americano. Junto à sua casa estende-se uma auto-estrada supermovimentada, por onde passam regularmente gigantescos camiões em direcção a uma fábrica na periferia. A proximidade daquela estrada durante tantos anos resultou na construcção de um simbólico cemitério de animais de estimação, bem junto da casa da família Creed, para enterrar as criaturas atropeladas tantas vezes naquelas imediações. O que estes não sabiam é que paredes meias com o cemitério de animais encontra-se um outro, um velho e amaldiçoado cemitério índio, que segundo as histórias do velho vizinho Jud (Fred Gwynne), todos os animais que são lá enterrados, voltam à vida de forma diferente. Mas... e se for um ser humano a ser lá enterrado?
Cemitério Vivo está para os filmes de terror assim como
Sinais está para os filmes de extraterrestres. Então se não é um filme de terror é o quê?
Cemitério Vivo é uma história sobre morte, sobre a aceitação da perda dos nossos entes queridos e sobre a crença da vida depois da morte. Sobre a morte da irmã deficiente de Rachel (Denise Crosby), sobre a morte do gato Church, sobre a morte da empregada Missy (Susan Blommaert) com cancro no estômago, sobre a morte daqueles que são atropelados na autoestrada.
Cemitério Vivo é uma história sobre crenças e formas de encarar a morte: acreditando no além, crendo na reencarnação, ou simplesmente, acreditando que a vida é uma chama que a certa altura é soprada.
O filme tem todas as características de um romance de Stephen King: personagens complexas, uma trama assente nas relações familiares e um clímaxe assustador e misterioso. A estreante realizadora Mary Lambert efectua um assinalável trabalho, apesar de passar ao lado, na maior parte das vezes, do suspense que a história poderia criar.
Sem se encolher, a realizadora não se furta às cenas mais brutais, sendo um camião a atropelar um bebé, sendo a violência de um pai a profanar o caixão do próprio filho, ou sendo as cenas perturbadoras de crianças-zombies-assassinas.
Cemitério Vivo é um excelente desfile de terror, longe dos formatados filmes gratuitos que por aí estreiam.
Infelizmente, do rol de actores, se exceptuarmos o imberbe Miko Hughes, todos os outros parecem gladiar-se por um objectivo comum: o de contracenar pior. E o vencedor, a anos-luz do segundo classificado, é Dale Midkiff, que para nossa desgraça é o protagonista da história.
Cemitério Vivo não faz juz ao excelente romance, mas é uma competente adaptação e um interessante filme, cheio de cenas marcantes e de verdadeiro horror. Além disso, não é todos os dias que vemos um filme que aproveita a celebração dos Ramones, para uma inesquecível cena de um camionista a atropelar um bebé enquanto canta
Sheena is a punk rocker.
Um McRoyal Deluxe que os verdadeiros cinéfilos, apreciadores das pérolas de terror, saberão degustar.
Posted by: dermot @
5:52 PM
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