Domingo, Junho 26, 2005
UMA PEQUENA VINGANÇA:Título:
Mean CreekRealizador: Jacob Aaron Estes
Ano: 2004

Antes de entrar na sala, um rápido olhar sobre
Uma Pequena Vingança assemelha-se bastante a Larry Clark. A sinopse - cinco miúdos resolvem vingar-se de um sexto - não só soa a Larry Clark, como até cheira bastante a Larry Clark. Por isso, quando ao fim de vinte minutos já o filme é uma agradável surpresa, nada melhor que constatarmos que as nossas impressões estavam enganadíssimas. Felizmente, nem tudo o que reluz é ouro.
O primeiro trunfo de
Uma Pequena Vingança é a facildade que tem em se identificar connosco (ou somos nós que nos identificamos com ele?). Todos nos cruzámos na escola com o miúdo gordo e cretino que nos batia ou que roubava os nossos brinquedos; e todos nós tivemos o secreto desejo de o castigar, elaborando maléficos e complexos planos para o tramar. Por isso, quando Rocky (Trevor Morgan) e o irmão mais novo Sam (Rory Culkin) engendram um plano para se vingarem de George (Josh Peck) - com a cumplicidade dos amigos Marty (Scott Mechlowicz), Clyde (Ryan Kelley) e Millie (Carly Schroeder) - não conseguimos evitar de nos tornarmos um deles, mais um do grupo que finalmente vai almejar a sua
pequena vingança.
No entanto, o que deveria ser uma inocente partida acaba por ser um infeliz acidente e o que parecia ser um filme de Larry Clark, de violência visceral juvenil, acaba por ser um drama profundo e intenso.
Num ambiente todo ele indie, o estreante Jacob Aaron Estes usa habilmente os silêncios e o minimalismo de uma fotografia naturalista, para criar uma envolvente introspecção naquele grupo de jovens, num dia que lhes marcou a vida.
Em vez das caricaturas que os filmes do género fazem da juventude (alguém mencionou
Treze?), carregando os adolescentes de esteriótipos justos e injustos,
Uma Pequena Vingança confere-lhes profundidade, criando para cada um deles uma personagem a três dimensões, palpável e sentida. E se o elenco, apesar da inexperiência, é um portento que ajuda muito na tarefa, o que dizer do olhar penetrante de Scott Mechlowicz?
O filme é uma evolução constante de seis jovens, que quando chegam ao fim do filme, não são os mesmos do início. Quando os conhecemos são apenas cinco adolescentes vulgares que decidem vingar-se do cretino da escola. Mas durante a viagem, este revela-se afinal, um jovem como eles, carente e com problemas psicológicos que os fazem duvidar deles próprios. E quando a morte bate a porta, os jovens vão viver a comunhão cúmplice que a morte transporta e vão perder a inocência - partiram miúdos e voltaram homens.
Uma Pequena Vingança não é sobre vingança; é sobre cumplicidade, laços de sangue e crescimento. É uma história extremamente bem contada e um drama intenso. Mas como já o vimos mais bem feito em
O Regresso (apenas com outros intérpretes e outro contexto), é apenas um McBacon.
Posted by: dermot @
10:54 PM
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