Domingo, Junho 12, 2005
SIN CITY - CIDADE DO PECADO:Título:
Sin CityRealizador: Robert Rodriguez
Ano: 200

Sejamos directos e deixemo-nos de rodriguinhos:
Sin City - Cidade Do Pecado é bom demais!
Verdade seja dita, o mais difícil era não sê-lo; o filme tinha tudo para ser uma obra-prima: Frank Miller, o próprio criador da banda-desenhada homónima a trabalhar com Robert Rodriguez, o realizador com créditos firmados (alguém falou de
Desperado?) que mais se adequava ao tipo de história; um elenco de luxo, deonde se destacava Rutger Hauer, Bruce Willis, Michael Madsen e, especialmente, Mickey Rourke, quatro actores sinónimos de
feios, porcos e maus; e até Quentin Tarantino, como realizador convidado, responsável pela cena mais surreal de todo o filme. Tinha tudo para ser perfeito. Tudo, excepto Elijah Wood; mas que afinal é uma surpresa fantástica.
Sin City - Cidade Do Pecado atinge assim todas as expectativas que criara; e que eram elevadíssimas.
Sin City é originalmente uma banda-desenhada criada por Frank Miller, um dos mais obscuros e sinistros autores norte-americanos; o seu sucesso deu-se em parte pela crueza e violência das histórias, mas também pelo seu aspecto gráfico, a preto e branco, com ligeiros apontamentos de cor.
Sin City - Cidade Do Pecado é mais do que uma adaptação de três dos livros da série interligados (mais uma curta); é uma transição para a grande tela. Com recurso ao sistema digital, cada vez mais em voga (alguém mencionou
Sky Captain E O Mundo De Amanhã?) e cada vez mais perfeito, Rodriguez e Miller, usando os próprios livros como storyboards, transpuseram
The Hard Goodbye,
The Big Fat Kill e
That Yellow Bastard para cinema.
Ver
Sin City - Cidade Do Pecado é como ler os graphic novels, mas com maior dinâmica. A montagem segue os quadradinhos e por isso não há continuidade na edição. O resultado não é mau e pode possibilitar interessantes experiências num futuro próximo.
No entanto, é no seu aspecto visual que reside o seu grande trunfo. Cem por cento digital, com os cenários ilustrados pelo próprio Frank Miller, o filme carrega-se com uma forte aura noir e um pesado ambiente de banda-desenhada, que se fundem perfeitamente com a crueldade daquela cidade do pecado.
Qual Sodoma, Basin City é uma cidade conspurcada pelo pecado. Com ligeiros pontos em comum, vão decorrer três histórias de amor, vingança e crime. Marv (Mickey Rourke) é um gigante falhado com um coração de ouro a procurar vingar pelas próprias mãos a morte da sua amada Goldie (Jaime King); Hartigan (Bruce Willis) é um dos únicos polícias honestos naquela cidade corrupta (alguém se lembrou de
Serpico?), que ao meter-se nos assuntos do Senador Roark (Powers Boothe), vai ver a sua vida ser ameaçada por um artificial
sacana amarelo (Nick Stahl); e Jackie Boy (Benicio Del Toro) é um machista que vai ter que ser ver com o novo namorado da sua mulher, Dwight (Clive Owen).
Um filme com um elenco com gente como Mickey Rourke, Michael Madsen ou Rutger Hauer, só pode significar sangue, brutidade e muito ambiente série B.
Sin City - Cidade Do Pecado conjuga com todos esses adjectivos - nao tem pejo em mutilar, desfigurar ou massacrar.
Mickey Rourke, ícone do cinema de série B, está oficialmente recuperado para Hollywood, com uma interpretação brutal do desfigurado Marv; Bruce Willis, cuja carreira parece já não dar mais do que deu quando andava envolvido em assaltos a arranha-céus e afins, pode ter aqui um excelente canto de cisne; e Elijah Wood, que há partida era o elo mais fraco, acaba por ser uma das personagens mais perturbadoras do cinema dos últimos anos. Além disso, Benicio Del Toro é mais uma vez genial.
Filme extremamente machista, em que as mulheres são sempre secundárias, pouco espertas e/ou submissas,
Sin City - Cidade Do Pecado acaba sempre por ter um contraponto de honra, orgulho e fiéldade.
Sin City - Cidade Do Pecado não foge muito da perfeição e é, sem dúvida, um pilar da cultura pop do novo século.
Não há muito a dizer sobre um filme assim, agora só nos resta temer pelas sequelas; ser melhor que isto é difícil, mas ser pior é muito fácil. Quando se atinge o Royale With Cheese à primeira não é preferível ficar por aqui?
Posted by: dermot @
11:11 AM
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