Domingo, Junho 19, 2005
SAW - ENIGMA MORTAL:Título:
SawRealizador: James Wan
Ano: 2004

Apesar da tradução do título do filme para português, mais uma vez, não dever nada à literalidade, desta vez não podemos culpar os responsáveis de excesso de imaginação; de facto,
Saw é o maior enigma mortal do cinema do novo milénio. Um enigma mortal de sangue e carne humana.
Saw - Enigma Mortal, filme sensação de 2004 do circuito independente alternativo, deixou já para trás a promessa de uma sequela e uma falange de adeptos atrás de si, graças ao trabalho do realizador estreante James Wan, que com um estilo muito próprio, criou um dos grandes sucessos do terror do ano transacto e um possível filme de culto num futuro próximo.
Imagine uma fusão entre
O Jogo e
Sete Pecados Mortais, de David Ficnher, realizada pelo mestre gore do terror italiano, Dario Argento. Esse resultado seria
Saw - Enigma Mortal.
O filme começa com dois homens, Adam (Leigh Whannell) e Lawrence (Cary Elwes), acorrentados numa casa de banho imunda e abandonada, apenas com um cadáver entre eles, um gravador e duas serras. Um psicopata conhecido por "Assassino do Puzzle" é o autor da façanha e presta-se a ditar as regras: se quiserem viver, têm de matar o próximo, nem que para isso seja necessário cortar o próprio membro para alcançar uma arma de fogo.
Esta premissa inicial mostra um thriller doentio e cruél, iniciando o filme a grande velocidade. No entanto, os cartuchos esgotam-se ao fim de vinte minutos, o que nos faz pensar que a partir de agora, o caminho será sempre a descer. Puro engano: consciente das limitações, James Wan não tenta esticar o suspense e opta por um thriller psicológico, recorrendo a flashbacks para contextualizar e dar profundidade às personagens. O trunfo está na identificação que sofremos: que faríamos nós em tal situação? E a intensidade nunca diminui.
Tal como em
O Jogo,
Saw - Enigma Mortal é um jogo de regras bem definidas, mas sarcásticas e cruéis - um jogo doentio e visceral que os dois homens vão ter de jogar. A perturbação de
Sete Pecados Mortais também está presente, nas intenções desumanas do psicopata, que afinal não tem mais do que um sentimento nobre: dar às pessoas uma consicência da benção que é a vida. E depois, todo o gore visceral do cinema de terror de Argento é revisistado, seja na jovem Amanda (Shawnee Smith) obrigada a revolver as entranhas do seu amado em busca de uma chave, ou nos pobres protagonistas, presos no tortuoso dilema entre cortar um membro ou morrer.
Saw - Enigma Mortal apenas vacila no final. Depois de criar um ambiente único e uma identidade suja e sombria a tons de ferrugem e bolor, James Wan parece ter ficado cansado e vazio de ideias e quase que acaba o filme como um amador. Apesar do twist funcionar minimamente, as revelações são ridículas e desprovadas de qualquer imaginação; nem parece que o mesmo homem que idealizou aqueles enigmas mortais foi o mesmo que escreveu aquele final.
E estranhamente, deambula pela história um polícia que já teve melhores dias no cinema. Falo de Danny Glover, cuja prestação é aborrecida e inútil.
Saw - Enigma Mortal é um excelente filme, que sofre do síndrome do final. O realizador, na dúvida pelo melhor clímax, opta pela ideia mais fácil, vista e batida. O que teria sido se continuasse a fazer juz a todos os adjectivos dignos do resto do filme?
Mesmo assim, o filme sobe um ponto por ser uma lufada de ar fresco num estilo cada vez mais formatado pelas chinesisses actuais que inundam as salas de cinema. E um ponto a mais significa McRoyal Deluxe.
Posted by: dermot @
12:01 PM
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