Terça-feira, Junho 21, 2005
O MAQUINISTA:Título:
El MaquinistaRealizador: Brad Anderson
Ano: 2004

Em
O Maquinista há algo que se sobrepõe ao próprio filme: Christian Bale!
O actor cedeu aos intentos do realizador e deu, literalmente, o corpo ao manifesto, emgarecendo quase 40kg para o papel, peso que entretanto recuperou num mês para encarnar o homem-morcego em
Batman - O Início. Se como Batman Bale é um homem musculado e saudável, em
O Maquinista é um homem esquelético, que nos coloca numa situação desconfortável perante aquela aparição de Auschwitz. Mas tal como o próprio filme, também a sua interpretação é muita forma e pouco conteúdo.
O maquinista é então Trevor Reznik (Christian Bale) que nada tem a ver com comboios: Trevor é o maquinista da sua própria vida, alienada e manietada.
Trevor sofre de uma perturbação psicológica, um fantasma que não o deixa dormir há mais de um ano, o que se reflecte na sua condição precária e doentia, que se divide pelo tempo passado na linha de montagem onde trabalha, um bar perdido no aeroporto e a casa de uma prostituta, que é, simultaneamente, mãe e amante. Como se isto não bastasse, um infeliz acidente no trabalho ceifa um braço ao seu colega Miller (Michael Ironside); acusado, Trevor aponta o dedo ao novo trabalhador Ivan (John Sharian). Contudo, na empresa ninguém conhece esse homem. Fruto da sua imaginação ou teoria da conspiração gigantesca para o tramar?
A partir daqui o filme funde-se numa amálgama entre a realidade e a demência de Bale, sem nunca termos a certeza do que é e o que não é real. Christian Bale vê-se envolvido num thriller psicológico perturbador e doentio, do qual Brad Anderson faz um excelente trabalho visual, seja com o clima mininalista, sujo e negro do apartamento de Bale, seja com a fotografia granulada dos exteriores. No entanto, é a aparência física do protagonista o factor principal para nos sentirmos desconfortáveis durante todo o filme.
Apesar do trabalho do realizador ser bastante interessante, o que torna
O Maquinista inóquo?
Começa a ser demasiado habitual os filmes que surgem segundo esta estrutura narrativa: a história começa com o actor principal numa situação comprometedora (nesta caso pode-se adiantar que Bale inicia o filme preparando-se para se desenvecilhar de um cadáver) e depois desenvolve-se ao contrário, ou por flasbacks ou com um recuo no tempo, deixando o suspense no ar e a dúvida ao espectador. E depois há a perturbação até final, altura em que surge o twist ou o contra-twist, que tem dois efeitos extremistas: ou salva o filme ou enterra-o completamente.
Com tantos filmes a obedecer a esta estrutura, o que dizer de um que não traz nada de novo? O final é um clichet gigantesco, já bastante visto no cinema e desvendado a meio da trama. E depois há ali demasiado
Memento, demasiado
Clube de Combate (sem me alongar nos porquês para não entrar no terreno dos spoilers) e, principalmente, demasiado Hitchcock (mesmo que pareça filmado por David Lynch). A única coisa que há ali a mais sem ser nociva, é haver demasiado Dostoevsky.
O Maquinista sofre bastante da aura de filme de culto em que vem envolto porque apesar do bom trabalho do realizador e do sacrifício de Christian Bale, a sua essência é demasiado inofensiva. E custa deduzir que se o actor principal fosse outro, que não se tivesse submetido ao que Bale se submeteu, o filme seria um autêntico bocejo de ideias repetidas de outra forma.
Mais olhos do que barriga. Tal como o aspecto físico do protagonista. Imagino a falta que uns McChickens lhe fizeram durante a sua dieta de uma lata de atum e uma maçã por dia... Para ver uma vez!
Posted by: dermot @
7:26 AM
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