Terça-feira, Junho 21, 2005
O ASSASSÍNIO DE RICHARD NIXON:Titulo:
The Assassination Of Richard NixonRealizador: Niels Mueller
Ano: 2004

Depois da tempestade vem sempre a bonança.
Há quem reja a sua vida por este ditame, quem defenda que a história do mundo se desenvolve ciclicamente, por altos e baixos. Ou seja, a seguir a uma época de forte recessão, seguir-se-à sempre outra de forte expansão. Só assim se percebe que um filme acerca da realidade dos anos 70 seja tão real e actualizado quase quatro décadas depois.
Ora vejamos, a América e o mundo, nos anos 70 não eram assim tão diferentes da realidade de hoje; em ambos os períodos, os Estados Unidos têm(tiveram) no poder um déspota democrata, que cultiva a mentira e as falsas promessas para manter a liberdade ocultada numa guerra; ontem o Vietname, hoje o Iraque. Há quarenta anos também se vivia em recessão, a crise era palpável, os pobres muito pobres e os ricos muito ricos. O ontem como hoje, já Manoel de Oliveira usara a alegoria no seu
Quinto Império.
Mais do que uma metáfora ou uma crítica,
O Assassínio De Richard Nixon é um filme sobre um homem, Samuel Bicke (Sean Penn), um grão de areia na enorme praia que é o mundo, um homem farto de ver os assalariados serem tratados como escravos, farto de tanta corrupção e mentira, farto de ver o seu casamento falhar e sobretudo, cansado de pedir tanta vez desculpa (um Homem não pede tanta vez desculpa). Samuel Bicke era um homem falhado e a sociedade vai transforma-lo num sociopata.
Samuel Bicke precisava de acreditar em qualquer coisa, nem que fosse nos Black Panthers. E surgia na televisão um rosto que tinha escrito na testa "culpado": Richard Nixon, o homem que se vendeu ao povo americano por dois mandatos consecutivos. Samuel Bicke vai marcar encontro com a História e vai provar que um grão de areia também pode parar a engrenagem.
Neste
Taxi Driver revisited, Sean Penn transforma-se num sociopata frustrado, determinado a mudar o mundo, ao decidir desviar um avião de encontro à Casa Branca (mais uma coincidência de datas?). Acompanhamos ao longo do filme a sua lenta metamorfose, relatada pelo seu diálogo unilateral com o maestro Leonard Bernstein, escolhido como confidente devido à sua música honrada e pura. E que metamorfose!
Sean Penn é cada vez mais um actor com lugar destinado no Olimpo da sétima arte e a sua interpretação em
O Assassínio De Richard Nixon é apenas mais um degrau na sua escalada imparável.
Niels Mueller tem assim uma estreia em grande, num retrato de época fiél, de cores esbatidas e um Richard Nixon constantemente na televisão e na rádio. O filme tem o ritmo certo, de condensação de frustrações e desilusões, até que o saco explode num clímaxe frio, mas perturbador.
As comparações com
Taxi Driver são inevitáveis, mas neste caso, a conspurcação do Homem pela sociedade doente é bastante diferente: ambas são cancerígenas, mas em zonas do corpo diferente.
No final do filme, Sean Penn refere que
o trabalho de um Homem só é reconhecido pelas suas acções. Neste antro reconhecemos o trabalho dos cineastas por menus de comida de plástico. E um Le Big Mac é um grande reconhecimento.
Posted by: dermot @
10:32 PM
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