Sábado, Junho 25, 2005
O ANJO EXTERMINADOR:Título:
El Ángel ExterminadorRealizador: Luis Buñuel
Ano: 1962

Antes de haver Pedro Almodovar, já um realizador erspanhol dava cartas no extenso panorama internacional do cinema; e antes de haver David Lynch, já um realizador de língua espanhola assinava filmes estanhos, no bom sentido da palavra, entenda-se.
Luis Buñuel de seu nome, foi um dos mais interessantes, estimulantes e originais realizadores da já longa história da sétima arte; discípulo incondicional do surrealismo, teve como mestres figuras ímpares como Magrite ou Dalí, este último com quem trabalhou em
Um Cão Andaluz.
Em 1962 realizou este
O Anjo Exterminador, um dos seus filmes mais reconhecido e consensual.
O Anjo Exterminador é uma sátira surrealista sobre a burguesia da altura, tema sobre o qual iria ser reincidente ao longo da carreira. Numa crónica de costumes com tanto de crítico como de simbólico, Buñuel conta a história de um grupo de aristocratas que, após um concerto de ópera, se reúnem na casa de Rauk (Tito Junco) para jantar. No entanto, ao contrário dos criados, que são atraídos para o exterior da casa por uma súbita vontade, os burgueses vêm-se retidos na sala de estar por uma estranha força invisível. Vontade suprema, histeria colectiva ou simplesmente, as ideias insólitas de Buñuel a funcionar?
Exilados voluntários, rapidamente aquela massa de engravatados se torna numa marcha de desalinhados, cujo desespero, suspeita e cinismo, faz crair as máscaras da classe alta, revelando toda a podridão desta.
Buñuel diverte-se a desarmar esta classe, trocando-a de local e obrigando-a a sacrificar os próprios carneiros que são, num microcosmos metafórico que cria numa sala de estar.
A partir de um clima paternal e amigável, é desenrolado todo um cenário de intriga e sobevivência, que Buñuel pulveriza com alguns pingos de surrealismo, sejam a desfloração original de uma virgem, ou o voo picado das águias no armário de jarrões chineses transformado em casa de banho.
Ao contrário de Lynch (cujo trabalho de Buñuel foi uma óbvia fonte de inspiração), o realizador espanhol utiliza o silêncio para criar inquietação e desconforto, tanto psicológico como físico, ganhando com isto um maior realismo. Também ao contrário de Lynch, Buñuel utiliza uma estrutura narrativa mais linear e perceptível, em que destaca os diálogos em espanhol com grandes cargas de ironia, muitas vezes pouco perceptíveis quando sujeitos a tradução.
O Anjo Exterminador é um dos mais fantásticos filmes deste realizador de excepção que foi Luis Buñuel e um dos mais indicados para iniciar uma descoberta sobre a filmografia do realizador. Longe do exercício surreal que foi
Um Cão Andaluz, este é um filme mais acessível, mas não por isso, menos estranho. Um McRoyal Deluxe surreal, com batatas fritas derretidas e molho de esparregado.
Posted by: dermot @
2:55 PM
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