Quinta-feira, Junho 30, 2005
IT:Título:
ItRealizador: Tommy Lee Wallace
Ano: 1990

Não é por acaso que Stephen King é o escritor vivo com mais romances adaptados ao grande ecrã. Os seus livros dão excelente argumentos para filmes, apesar de se tornarem na grande parte das vezes, aborrecidas adaptações. No entanto, normalmente essas adaptações não querem nada com a qualidade, muito graças ao trabalho dos realizadores que pegam no trabalho.
It, um dos clássicos do mestre do terror, foi transformado em telefilme dividido em duas partes, fiél ao romance, o que condensado em DVD, se transformou numa estocada de três horas com as mesmas ideias a serem repetidas até à morte. Mas se o abordarmos como duas partes, a situação afigura-se mais fácil.
Há porventura, filmes que se fazem a si mesmos. Filmes que se tornam interessantes mesmo que a reaização seja ruim demais e as interpretações amadoras. E um filme que esrela Pennywise, o palhaço dançarino que conta anedotas enquanto mutila criancinhas, como é que é possível não gostar dele? Mesmo que toda a dramataização ridícula dos telefilmes esteja presente (exemplo:
Porque é que o monstro é tão mau?", interrogação gritada ao céus por uma das vítimas, num dos momentos de maior clímaxe psicológico do filme), mesmo que os jovens actores parecem ter sido escolhidos enquanto passavam na rua e mesmo que todos os clichets da realização de filmes de terror esteja presente.
It é assim um filme dividido em dois: a primeira parte é um manifesto juvenil, a história que estamos habituados a ver na televisão ao domingo à tarde, do grupo de jovens que é posto de parte na escola por ser "diferente", o
grupo dos falhados, que têm ainda em comum o facto de serem espancados/humilhados/roubados pelo miúdo mais velho da escola, neste caso, Henry Bowers (Jarred Blancard). Mas os sete amigos vão enfrentar Pennywise, o palhaço dançarino, uma forma maléfica que se alimenta dos seus piores medos e que, de trinta em trinta anos, escolhe uma forma física para dar azo aos seus fetiches doentios com crianças.
A segunda parte do filme reúne os amigos trinta anos depois, adultos e caídos na vida infeliz das pessoas crescidas, de volta à terra natal para cumprir a promessa que tinham feito ao derrotar o monstro na juventude de que, se ele voltasse, que também eles voltariam para o matar.
A segunda parte do filme é claramente melhor, muito mais filme de terror e muito mais bizarra, às vezes sem grande sentido, mas sempre perturbadora e desconfortável.
Paralelamente à história de horror, decorrem as características comuns da obra de Stephen King, na construção das personagens, que nunca são simples carne para canhão: são crianças que sofreram uma educação rigída e austera que lhes condicionou o crescimento, ou mulheres vítimas de machismo extremo, que se reflecte numa brutalidade e num extremismo nas relações.
Mas Stephen King sempre foi melhor na faceta do fantástico e não é por acaso que o chama de Mestre do Terror.
Interpretado superiormente pelo próprio Dr. Drank N' Further - Tim Curry - Pennywise é uma das grandes figuras do cinema de terror, um palhaço assustador e doentio, de olhos irrigados a sangue e dentes afiados.
It é um filme sobre o medo, o medo que invade os homens, sobre e acima das nuvens, que é o preço que pagamos por andar sobre a Terra; e Pennywise é o reflexo desse medo, que se alimenta dos temores das crianças. Mas o que no livro tinha bastante sentido, em que o palhaço assumia as formas dos piores medos das pessoas, no filme passa completamente ao lado, numa amálgama de fantasmas interiores, aranhas gigantes e lobisomens do cinema.
It tem uam análise geral facílima:
Pennywise, o palhaço dançarino - Royale With Cheese
Primeira parte do filme ou Os 7 Contra O Palhaço Assassino - Cheeseburger
Segunda parte do filme - McChicken
Agora junta-se tudo na mesma panela, mistura-se bem e faz-se a média - McChicken com muitas, muitas, batatas fritas (leia-se McBacon).
Posted by: dermot @
9:17 AM
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