Sexta-feira, Junho 10, 2005
FÚRIA SILENCIOSA:Título:
The PunisherRealizador: Mark Goldblatt
Ano: 1989
Os anos 80 foram do caraças.A frase não é minha, mas eu não me canso de a repetir, desde que a adoptei no meu vocabulário. De facto, a década de 80 foi prolífera para o genuíno cinema xunga, um cinema de acção descomprometido com qualquer requisito comercial, descomplexado e despretensioso.
Os anos 80 foi uma década de verdadeiros action movies, com verdadeiras action figures (Shchwarzenegger, Stallone, Van Damme ou Seagal); foi uma década de low-budget movies, que passavam directamente para o circuito comercial dos clubes de vídeo; e foi uma década de cinema de culto! Englobado nestas três categorias está
Fúria Silenciosa, a primeira adaptação ao cinema do herói da Marvel, Justiceiro.
Numa altura em que as adaptações dos heróis de banda-desenhada ainda não tinham invadido o cinema, com algumas raras excepções (da qual o
Super-Homem era o exemplo mais flagrante), o desconhecido realizador Mark Goldblatt decidiu apostar no mais negro herói da Marvel - o Justiceiro.
Verdadeiro anti-herói, cruel e impiedoso, o Justiceiro (de seu nome próprio, Frank Castle) jurara acabar com o crime no Mundo, depois de a sua família ter perecido inocentemente, no meio de um duelo de gangues. O Justiceiro e a palavra vingança confundem-se, quase que são ambas o mesmo; mas no remake(?) de 2004, Jonathan Hensleigh parece ter-se esquecido do verdadeiro significado do termo vingança.
Fúria Silenciosa é o verdadeiro filme xunga, um action movie despretensioso e objectivo. Após introduzir a história de Frank Castle (Dolph Lundgren) de forma telegráfica nos primeiros cinco minutos, o filme arranca para hora e meia de vingança cruél e sem perdão, mascarada de matança do porco. Os banhos de sangue só são interrompidos para curtos momentos filosóficos, morais ou/e simbólicos. Aliás, da equação de cinema xunga, só falta mesmo a parcela do sexo.
Dolph Lundgren, um dos mais inexpressivos actores de sempre, é uma tentativa fantasmagórica do Justiceiro, que pouco passa do dormente. Tomando o papel de Deus, o Justiceiro promete castigar todos os pecadores e proteger os inocentes. Assim, vai acabar por se ver envolvido numa guerra entre a máfia italiana e a yakuza, que se degladiavam pelo controlo de Nova Iorque. Claro que aqui a máfia italiana está repleta de pistoleiros zarolhos e a yakuza está cheia de ninjas mortais, sempre prontos a trocar uma execução certa por um combate corpo-a-corpo.
Com uma banda-sonora sinistra, a fazer lembrar os bons velhos tempos de Carpenter,
Fúria Silenciosa ainda conta com uma edição ridícula para tornar as cenas de acção sem sentido.
No entanto, nem tudo é mau no filme. Como em todas as pérolas xunga, existem verdadeiros achados. E em
Fúria Silenciosa, o seu trunfo é a crueldade. Completamente impiedoso, o filme é um circo de mortes de todas as formas, em que a contagem dos corpos se perde ao fim do primeiro quarto de hora. O seu clímaxe é o final, numa invasão à sede da yakuza, em que os ninjas são dizimados impiedosamente. Exemplo: o Justiceiro irrompe por uma sala apinhada de samurais; simplesmente, descarrega a sua metralhadora nos inimigos, deixando atrás de si uma multidão de corpos mutilados.
E depois há Zoshka Mizak. E quem é Zoshka Mizak? No filme, é a filha adoptiva muda de Lady Tanaka (Kim Miyori), a líder da yakuza. No vida real é uma total desconhecida, da qual nada se sabe. No entanto, em
Fúria Silenciosa, no meio de tantos maus actores, deambula como uma benção celestial, com pormenores verdadeiramente deliciosos: ou são os brincos, qual arma branca letal, ou é a maneira como luta, proporcionando no final, o melhor duelo do filme.
Fúria Silenciosa é uma pérola xunga, cujo Cheeseburger é cem por cento inflacionado pelo seu espírito impiedoso e cruél. No entanto, se o compararmos com
Punisher - O Vingador, é quase um Royale With Cheese!
Posted by: dermot @
12:00 PM
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