Sábado, Junho 04, 2005
21. FESTRÓIA:
DIA 7
Cinema Português Do Ano - PRETO E BRANCO: Título:
Preto E BrancoRealizador: José Carlos
Ano: 2003

Apesar de ser datado de 2003,
Preto E Branco, o filme de José Carlos de Oliveira (que se prepara para invadir as salas nacionais com o seu novo projecto) sobre a guerra colonial, foi um dos escolhidos para ilustrar a secção de cinema português da edição deste ano do Festróia.
A Guerra Colonial é o nosso Vietname: uma guerra violenta, que deixou marcas profundas no território, no povo português, no povo africano e, principalmente, nos intervenientes directos do confronto. Por isso, é normal que o cinema português se interesse pelo conflito.
Não se percebe, no entanto, o porquê da fraca qualidade das abordagens que foram feitas ao longo dos anos. Apesar de algumas excepções - alguém mencionou
Os Imortais? - a abordagem do cinema português ao Ultramar queda-se pelos efeitos psicológicos que a guerra deixou. Por isso, é agradável ver logo de início que
Preto E Branco é uma excepção.
Preto E Branco é rodado em Moçambique em plena Guerra Colonial. O sargento Lopes (Luís Sarmento) lidera uma operação especial no mato africano, mas um erro estratégico vai deixa-los em terra, perdendo o acesso ao helicópetro de resgate. O Sargento Lopes vai perder os seus dois soldados, ficando sozinho no mato com um prisioneiro negro (Ângelo Torres).
Após um início realista e brusco, bem no âmago do combate, o filme entra por um registo narrativo próximo da comédia, com um humor que faz despertar várias gargalhadas da plateia. José Carlos de Oliveira faz um excelente trabalho na construção das personagens, trocando-lhes os papéis: afinal é o negro o natural de Lisboa, com ideias de esquerda bem definidas e com uma aversão ao mato; e o branco é o natural de Moçambique, que reclama a terra como sua e que vê a guerra como solução.
Em
Preto E Branco, o realizador isola dois personagens: um branco e um preto. Mas a vida não é a preto e branco e eles rapidamente se apercebem disso. E quando uma terceira pessoa se junta à jornada - a enfermeira-paraquedista Adelaide (Cristina Homem de Mello) - essa realidade a cores vai tomar nova direcção.
Cortando com o registo sério que rege o cinema nacional,
Preto E Branco é um excelente passo na direcção certa do cinema português, em que acaba por só falhar em alguns lugares comuns no final. No entanto, tecnicamente, é um filme extremamente pobre. A edição é fraca e pouco imaginativa e até a fotografia vulgar; e depois nem se fala do uso ridículo da câmara lenta e das explosões-bombinhas-de-carnaval. Isso para não falar dos microfones aos cantos do ecrã.
Numa altura que o cinema português já deu um grande salto em termos técnicos,
Preto E Branco sabe um pouco a paradoxo, uma vez que é aí que falha.
No entanto, deve ser levado a sério e tomado como um bom exemplo, tanto para o cinema português, como para a abordagem à Guerra Colonial, que pede desesperadamente por um filme no terreno, por dentro da guerra. Que o McBacon sirva ainda mais de motivação.
Posted by: dermot @
7:35 PM
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