Sábado, Maio 21, 2005
STAR WARS: EPISÓDIO I – A AMEAÇA FANTASMATítulo:
Star Wars: Episode I – The Phantom MenaceRealizador: Geroge Lucas
Ano: 1999
Algumas pequenas considerações sobre a saga...Mais do que uma série de culto, a saga
Star Wars é uma verdadeira insituição, que se prolongou no tempo como um
Feiticeiro De Oz do espaço. Se fosse um jogador de futebol, seria um galáctico, daqueles que fazem as delícias dos adeptos, tanto dentro como fora dos relvados.
Se dentro das quatro linhas trouxe novidade e inovação, com um estilo completamente novo e efeitos especiais nunca antes vistos, fora do terreno de jogo constituiu um dos maiores fenémenos de merchandising da história do mundo dos negócios. Além disso, teve ainda o condão de incutir a ficção-científica no mainstreem (numa altura em que ou era coisa de nerds, ou rodava à volta do modelo
2001: Odisseia No Espaço) e de reaproximar o público do cinema, uma vez que a televisão roubara os espectadores das salas.
O segredo de George Lucas, para além do seu imaginário original, foi criar uma verdadeira ópera espacial, com todos os ingredientes (heróis, vilão, donzela em perigo, personagem cómica...), num cruzamento entre o universo de
Flash Gordon, as matinés de aventura dos anos 50 (exploradas magistralmente em
Indiana Jones) e a literatura de J.R.R. Tolkien.
E agora, o filme propriamente dito...Retomar a saga nos dias de hoje soa a algo totalmente despropositado. No entanto, ficara uma história por contar, uma vez que a primeira triologia iniciara-se no quarto capítulo, com o Mal já instituído e o Bem a triunfar. Faltava então saber como triunfara o Mal anteriormente. E George Lucas era o único com crédito suficiente para o fazer.
Realizar a nova triologia era uma tarefa inglória, para não dizer hercúlea. Lucas sabia-o, mas não se amedrontou. Além disso, todos sabemos que um épico sobre o Mal é sempre muito mais interessante do que um sobre o Bem. Mas havia que começar pelo princípio da história.
Há muito tempo, numa galáxia muito, muito longe vivia-se numa república inter-planteária em clima de paz. No entanto, como em todas as democracias, haviam vozes discordantes, oposição e confrontos de ideias. E as taxas mercantis eram um problema que opunha o Senado à Federação Mercantil. No entanto, secretamente, o senador Palpatine (Ian McDiarmid) estava por detrás dessas movimentações, mexendo os cordelinhos com um objectivo muito mais além do que o simples interesse económico. É Qui-Gon Jin (Liam Neeson) e Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor), dois guerreiros Jedis, quais cowboys do universo, que são destacados para investigar o caso, que vai envolver a princesa Amidala (Natalie Portman) e, indirectamente, o pequeno Anakin Skywalker (Jake Lloyd).
George Lucas filma a primeira hora do filme em versão acelarada, de modo a contar tudo o que queria. O problema é que alguns pormenores eram escusados e não justificavam a falta de aprofundamento de outros aspectos.
No entanto, atinge os dois objectivos principais: o primeiro, de fazer o ponto da situação política do universo (é sempre complicado entender como uma ditadura chega ao poder); e o segundo, de apresentar os intervenientes principais desta epopeia (e aqui, conhecemos os dois dróides, R2-D2 e C-3PO, e a nostalgia invade-nos da cabeça aos pés).
Mas George Lucas também cai em alguns erros cavernosos, sendo dois deles principais: o primeiro, que é o abuso dos efeitos especiais, por vezes sem intenção prática. Não é que o problema seja esse, antes pelo contrário, uma vez que lava os olhos e é interessante. O problema é mesmo Jar Jar Binks, a primeira personagem do cinema totalmente criada por computado (onde Gollum é o espécime mais perfeito dessa família digital), que tem no filme o mesmo objectivo que o Burro tem em
Shrek: o comic relief.
Mas Jar Jar Binks é uma criatura extremamente irritante, por quem é natural nutrir todo o ódio possível: tem um sotaque inteligível, destrói o dramatismo das cenas mais intensas e não é assim tão fluente quanto isso, digitalmente falando; o segundo erro chama-se Jake Lloyd – o jovem actor é tão mau no que faz, que até dói.
E já agora, era preciso dar explicação científica à Força?
A Ameaça Fantasma cumpre os requisitos de primeiro capítulo, mas assume um carácter demasiado juvenil, talvez devido ao facto do protagonista (da saga em geral e não do filme em particular) ser aqui, um jovem de dez anos. Em vez de
space opera, o que temos é quase uma
soap opera.
Mas o filme tem dois momentos memoráveis: o primeiro é a
pod race, a mais emocionante corrida do cinema desde a corrida de quadrigas de
Ben-Hur, que serve de momento-charneira para a segunda e verdadeira parte do filme; e o segundo é o legendário duelo entre os dois jedis e o sith (um sith é um jedi maligno) Darth Maul (que pena não ter um pouco mais de protagonismo), o qual a música de John Williams torna num verdadeiro monumento.
A Ameaça Fantasma leva, decididamente, o selo de aprovado. Não passa com distinção, mas passa com uma folgada distância do selo negativo. Claro que os fãs mais aguerridos não vão concordar comigo, mas temos que entender que os tempos também são outros e estamos na verdadeira dase do cinema pipoca. Por isso –
ta na na na – McRoyal Deluxe.
Posted by: dermot @
12:32 AM
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