Quinta-feira, Maio 05, 2005
O SEGREDO DOS PUNHAIS VOADORES:
Título:
Shi Mian Mai FuRealizador: Yimou Zhang
ANo: 2004

A cultura oriental é completamente distinta da cultura ocidental, em todos os aspectos. E o cinema não é a excepção à regra.
Por isso, tentar compreender os excessos cinematográficos orientais sem nos contextualizarmos é como tentar perceber porque é que eles privilegiam a sombra em detrimento da luz, ao contrário de nós, ocidentais. Estes delírios extravagantes manipulados por cabos (e agora por computador também) não são uma paranóia chinesa, como muitos pensam; é sim, um hábito cinematográfico cultivado há muitos anos. Seja como for, é algo com o qual já nos habituamos no que diz respeito ao cinema oriental e ao fim dos primeiros dez minutos, já nos abstraímos completamente disso tudo, tal é o arrebatamento visual que o filme nos provoca.
O Segredo Dos Punhais Voadores é o regresso do realizador Yimou Zhang, depois de ter estabelecido um novo rumo para os filmes de artes-marciais, com o sucesso
O Herói. Desta vez, o código e a honra é subsituído pelo amor, num misto de thriller político, à boa maneira de
A Intérprete, e de tragédia de amor, como
Noite Escura.
A Casa Dos Punhais Voadores é uma guilda secreta, durante a dinastia Tang da China Imperial, que se dedica a roubar aos ricos para dar aos pobres, numa sociedade corrupta e decadente. Esta política apesar de granjear bastantes simpatias junto do povo, despoleta ódios terríveis junto do poder real, o que os faz serem terrivelmente perseguidos pela polícia. E quando recai a suspeita que uma bailarina (Andy Lau) de uma casa de diversão pode ser membro da guilda, a polícia vai incubir Jin (Takeshi Kaneshiro) de uma missão complexa para a capturar.
Nesta versão
Romeu E Julieta revisisted meets Robin Dos Bosques, tudo é poesia, numa cinematografia magistral, onde cada plano é um delírio visual cromático assombroso e em que cada batalha é uma dança coreografada de maneira apaixonante. Até o sangue, digitalmente acrescentado a cores vivas, é como explosões de flores, à boa maneira de Takeshi Kitano.
O Segredo Dos Punhais Voadores é o típico filme chinês, mas em que Yimou Zhang esteve atento ao cinema ocidental e decidiu experimentar os twists finais em catadupa. E é isso que transforma o filme numa história de amor, ao contrário do que poderia parecer de início.
Apesar de ser um filme oriental característico, acabamos por reconhecer a maioria dos pormenores, através de outros produtos exportados. Ora vejamos: o espírito de Robin dos Bosques, tão apreciados por terras do sol nascente e explanado várias vezes no heróis
Macaco De Ferro; a imagem do cego, mas hábil lutador, que nos habituámos a ver em
Zaitochi; o próprio bordel oriental, que vimos numa versão estilizada para ocidental ver, em
O Dragão Ataca; e até a épica batalha no campo de bambus, que é quase uma obrigatoriedade nos filmes orientais.
O que irrita sobranceiramente em
O Segredo Dos Punhais Voadores é que não é só o delírio visual que é fora de série. É que podíamos pensar que o filme vale só pelo seu valor visual, mas não; o próprio filme é uma intriga e uma tragédia de proporções quase épicas, como só os chineses o sabem fazer.
E só por qualquer má-disposição matinal, é que se fica pelo saboroso Le Big Mac.
Posted by: dermot @
7:38 AM
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