Segunda-feira, Maio 16, 2005
HEAD ON - A ESPOSA TURCA:Título:
Gegen Die WandRealizador: Fatih Akin
Ano: 2004

"Se não consegues mudar o mundo, muda o
teu mundo". Quem o diz são os The The, na sua canção
Lonely Planet e é repescado pelo psicólogo Dr. Schiller (Hermann Lause) logo no início de
Head On - A Esposa Turca.
Cahit (Birol Ünel) e Sibel (Sibel Kekilli), dois turcos a viver na Alemanha e a quererem cortar os laços que restam com a Turquia, conhecem-se no hospital depois de uma tentativa frustrada de suicídio. Como não conseguiram acabar com os seus mundos, a decisão seguinte é muda-los; e para isso vão embarcar num casamento fictício que irá responder aos problemas específicos de cada um deles.
O filme chama-se
Head On - A Esposa Turca (mais uma excelente prestação da tradução portuguesa) e tem feito furor pelos festivais europeus por onde tem passado, arrecadando inclusive, o Urso de Ouro no Festival de Berlim do ano passado. A sinopse não engana: é um filme sobre amor e casamento. No entanto, o que não esperamos é que seja um filme tão sujo e cru, com momentos deveras perturbadores.
Head On - A Esposa Turca é um filme sobre posse; uma história sobre o amor, mas sob outro ponto de vista. Uma história de amor negra, como se fosse assinada por uma colaboração entre Michael Haneke e Gaspar Noé.
A certa altura no filme, Sibel diz a Cahit que quer casar para fugir à alçada conservadora dos pais; Sibel diz que quer
viver, dançar e foder.
Head On - A Esposa Turca não é fazer amor; é foder!
Fatih Akin tem um trabalho muito bom na composição do filme. Com uma banda-sonora eclética, o realizador utiliza-a de forma bastante interessante, seja com os urbano-depressivo Depeche Mode a complementarem uma tentativa de suicídio, seja com uma banda tradicional turca a servir de equilíbrio estrutural e a recordar as raízes turcas escondidas dos dois protagonistas, ou seja com um poster dos Souxsie And The Banshee a ilustrar a rebeldia de uma geração consciente de uma nova liberdade.
O melhor do filme acaba mesmo por ser os dois actores, Birol Ünel e Sibel Kekilli, ambos com uma prestação notável, o primeiro num registo decadente de álcool, drogas e drama pessoal, e a segunda numa pose de diva rebelde, mergulhada de cabeça na vida como se esta tivesse sido recém-descoberta.
O problema de
Head On - A Esposa Turca acaba por ser, contudo, a sua duração. A história estende-se por duas horas, trinta minutos a mais do que pedia. A intensidade começa a diluir-se quando Fatih Akin deixa de conseguir segurar o filme, tornando-se apenas num drama comum e vulgar.
Head On - A Esposa Turca é um filme inteligente, sugestionável por vezes, explícito por outras. Faz-nos sobretudo pensar; e perturba-nos. É claustrofóbico e incomodativo. A relembrar-nos que o amor pode ser uma doença quando nele julgamos ver a cura.
Não é uma obra-prima como muito apregoam, mas é um filme muito competente, o que nos dias que correm, é bastante considerável. O resultado reflecte-se assim num McBacon.
Posted by: dermot @
7:43 AM
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