Sexta-feira, Maio 13, 2005
ASSALTO À ESQUADRA 13:Título:
Assault On Precinct 13Realizador: John Carpenter
Ano: 1976

Em 1976, um jovem desconhecido realizador com uma então inexpressiva folha de serviço, com um modesto orçamento, assinava um razoável êxito de bilheteira. O filme era
Assalto À Esquadra 13 e o jovem realizador era John Carpenter. E o resto é história.
Carpenter redefinira novos rumos paa o cinema de acção e de suspense, tal como viria a fazer com o cinema fantástico, onde se tornou um dos nomes mais respeitados do cinema.
Assalto À Esquadra 13 é um western adaptado e estilizado à sociedade urbana do século XX; aliás, é mesmo uma adaptação de
Rio Bravo. Só que aqui, o forte sitiado é substituído por uma esquadra sitiada.
A esquadra 9 da divisão 13, a poucos dias de encerrar portas, vê-se cercada por uma gangue de terroristas fanáticos, em busca de vingança cega pela morte dos seus irmãos de sangue - olho por olho, dente por dente. No interior, apenas resistem três pessoas: o tenente Bishop (Austin Stoker), o criminoso Napoleon Wilson (Darwin Joston) e a secretária Leigh (Laurie Zimmer).
Carpenter não homenageia só os westerns clássicos; recria um par de heróis, um negro e outro branco, como em
A Noite Dos Mortos-Vivos, mas po-los a combater com humanos impiedosos e sangrentos, o que torna o ambiente ainda mais assustador. E o bairro de Anderson, que faria a Cova da Moura parecer um paraíso, é o cenário escolhido para o panorama urbano quase pós-apocalíptico, que Carpenter levaria ao extremo em
Fuga De Nova Iorque, funcionando como uma metáfora crítica à guerra do Vietname, que eclodira nos anos 70 e que se tornara numa fonte comum de inspiração artística.
Com um grupo de actores desconhecidos, que abandonam desde início grandes pretensões e expectativas (dos quais, porém, apenas Laurie Zimmer pode-se dizer que está realmente mal, uma vez que não conseguimos dizer se o seu inexpressivismo facial é sinónimo de coragem ou de uma overdose de valiums), Carpenter realizou um fantástico filme de baixo orçamento, onde transformou o cinema de série B em cinema menos ofensivo ao grande público, através de uma linha de narrativa mais consistente. Além disso,
Assalto À Esquadra 13 abriu ainda as portagens para a auto-estrada do cinema de acção, que viria a explodir na década seguinte, ao criar autênticos pesos-pesados (leia-se action figures) como Schwarzenegger, Stallone ou Chuck Norris.
Assalto À Esquadra 13 reflecte ainda duas das principais características que vincam o trabalho do realizador norte-americano: os diálogos curtos e incisivos, de um humor mordaz, que Kurt Russell e Roddy Pipper souberarm tirar os melhores proveitos; e a banda-sonora primitiva, composta pelo próprio Carpenter.
Assalto À Esquadra 13 é o primeiro grande filme de acção, minimalista, cru, primitivo e nada sentimental. Um clássico de culto da sétima arte e uma das referências de Carpenter. E se pensarmos que tem o massacre explícito de uma miúda de cinco anos mais brutal da história do cinema, não conseguimos evitar de o desejar ver. Um McRoyal Deluxe que deve em muito à coragem desta dita cena.
Posted by: dermot @
8:51 AM
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