Quinta-feira, Abril 07, 2005
SIDEWAYS:Título:
SidewaysRealizador: Alexander Payne
Ano: 2004
Sideways é um filme americano com todos os preceitos do cinema europeu, que arrebatou a crítica cinematográfica no ano transacto. Alexander Payne realizou uma espécie de road movie sobre vinhos, acerca de duas depressões de meia-idade (tema que já tinha abordado no genial
Confissões De Schmidt), uma devido a um casamento desfeito e outra devido ao aproximar do casamento.
Sideways venceu mesmo o Óscar para Melhor Argumento, algo que não é muito habitual num filme acerca dos aspectos mundanos da vida quotidiana.
Sideways roda à volta de dois amigos, Miles (Paul Giamatti) e Jack (Thomas Haden Church), que vão embarcar numa viagem de uma semana pela América vinícula, como forma de Jack se despedir da vida de solteiro. Miles, ainda a enfrentar o facto de ter sido trocado pela mulher que amava, apenas procura uma semana de descontração a provar vinhos e a jogar golfe; Jack, em conflito consigo mesmo devido ao compromisso que irá contrair no final da semana, quer tirar o máximo de partido da semana, aproveitando-se do seu charme de actor. E quando este par se tranforma num quadrado amoroso, com Maya (Virginia Madsen) e Stephanie (Sandra Oh), as implicâncias vão transformar-se numa trama sobre paixão e sobre a vida.
Alexander Payne é um realizador confiante, que tem toda uma escola de cinema indie que coloca ao seu dispôr, quando filma os conflitos pessoais com grande humanismo e realismo. Em
Sideways, mistura uma grande dose de feel-good movie com uma grande garrafa de vinho envenenada em xanax, naquelas relações afecto-depressivas que tanto furor fizeram em filmes como
Felicidade ou
As Invasões Bárbaras.
Aliás, o vinho é o grande elo conductor do filme. Mantém o ritmo, aumentando-o ou diminuindo-o, dá o mote para o que vai acontecer e justifica o que está para acontecer. Tal como um Chardonais, também a vida depende das condições alheias, do clima, da forma como é tratada ou da própria casta.
Paul Giamatti, depois de ter descoberto a sua faceta no papel do obsessivo Harvey Pekar, em
American Splendor, volta a vestir a pele de um fracassado, um looser divorciado e depressivo, que rouba a prórpia mãe, encharca-se em xanax e que se enbebeda. Quanto se pensava que tinha feito o papel da sua vida em
American Splendor, eis que volta a surpreender, provando que aquele papel não foi um acaso. Talvez tenha sido redescoberto para o cinema, tal como o foi Bill Murray.
Quando se fala em filmes descontraídos, vem logo à baila a revelação de
Garden State. No entanto, com filmes como
Sideways, é difícil entender a tanta excitação à volta de alguns filmes.
Se a escala de conotações deste antro fosse em vinhos em vez de hamburgas, o McRoyal Deluxe seria sem dúvidas, um apurado Pinot Noir.
Posted by: dermot @
8:59 AM
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