Segunda-feira, Abril 18, 2005
FESTIVAL CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS:
DIA 7Apesar de começar a queimar os últimos cartuchos, o festival parece não querer baixar a qualidade da sua programação. Antes pelo contrário.
O sétimo dia de certame foi preenchido, por entre algumas obras que não deixaram grande memória, por um bom número de curtas de alta qualidade, das quais quero destacar quatro - a primeira foi
Descobri Portugal, um sketch animado por Armando Coelho de um português frustrado (no bom sentido), numa divertidíssima curt(íssim)a; ainda no campo da animação,
A Dama Da Lapa, de Joana Toste, pisou os terrenos do melhor que até agora passou pelo festival. Extremamente original, divertido, non-sense e musicalmente agradável, foi mesmo o ponto alto do dia. Continuando pelas curtas animadas, Fernando Galrito e João Ramos trouxeram
Com Uma Sombra Na Alma, que infelizmente, se apresentou fora da competição por motivos burocráticos. A sua qualidade merecia mais. E por fim,
Carta Ao Ópio de Pedro Duarte, fechou este quarteto de distinções particulares, numa interessante curta-metragem depressiva, que procurou algo que não se viu ainda muito no festival: o twist final.
A fechar a sessão, foi exibido o regresso às câmaras de José de Sá Caetano, intitulado
Maria E As Outras.
Título:
Maria E As OutrasRealizador: José de Sá Caetano
Ano: 2004

Catarina Furtado continua a cultivar o estatuto de namoradinha do povo português: bastante bonita, amorosa e aquele ar frágil fazem dela um dos rostos mais requisitados da televisão. Por isto, José de Sá Caetano chamou-a para protagonizar
Maria E As Outras, uma comédia ligeira, num raro registo do cinema português de tentar fugir ao cinema de autor, ao cinema histórico e/ou ao cinema de literatura.
Maria E As Outras é uma adaptação da série
Sexo E A Cidade, versão portuguesa, em que Maria é Catarina Furtado e as "outras" são Joana (Isabel Abreu), Isilda (Ana Brito E Cunha) e a fugaz Sandra Cóias - retratos da mulher moderna, sofisticadas, profissionalmente realizadas e com uma mente aberta em relação ao amor.
Maria vê a vida dos seus mudar à sua volta, enquanto continua à procura do príncipe perfeito que teima em não vir. Mas a sua vida vai encontrar outro revés: o seu pai (Filipe Ferrer) sofre um AVC e o acidente vai levar a uma reconciliação com a mãe (São José Lapa).
Maria E As Outras é um filme sobre amor; sobre a sua faceta mais misteriosa, aquela que faz dele uma surpresa, que nunca sabemos quando vai atacar. José de Sá Caetano relembra-nos que o amor pode estar nos sítios mais inesperados, seja logo ao virar da esquina como no mais recôndito lugar.
Maria E As Outras é ainda um filme moderno e jovial; há a internet, com os seus chats e os encontros virtuais, há os telemóveis e os sms, há os metrossexuais e a liberalização sexual. No entanto, tal como a maioria do retrato social actual, também o filme é bastante superficial.
É aí que
Maria E As Outras falha. Ao tentar ser tão leve e ligeiro, acaba por cair na superficialidade, em que nada prende a atenção ou capta o interesse. Há problemas amorosos, situações que tentam ser jocosas e acontecimentos dramáticos, mas tudo demasiado superficial. E depois há também Catarina Furtado, que apesar do ser glamorosa e charmosa, não é definitivamente uma boa actriz, apesar de todos os seus esforços. A sua personagem é uma capa esvoaçante, que paira completamente por entre Ana Brito E Cunha, uma verdadeira força da natureza.
Uma comédia ligeira, sofisticada e superficial - uma frase que justifica na perfeição o filme, frase esta que pode ser substituída apenas por uma palavra: Cheeseburger.
Posted by: dermot @
12:43 PM
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