Segunda-feira, Abril 11, 2005
FESTIVAL CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS:
DIA 1O primeiro dia de hostilidades apresentou um bom número de curtas-metragens e duas longas-metragens. Das primeiras não rezam grandes histórias: houve uma história que a punchline merecia pelo menos uns actores que soubessem representar (
Retrato Da Velha Enquanto Senhora) e que teve o condão de mostrar uma casa pejada de fotos, que eram todas iguais(!); houve uma homenagem a Pessoa, com direito ao próprio Jorge Palma, que afinal mais pareceu um insulto (
A Fuga); um documentário em busca dos últimos portugueses no Uruguai, que acaba também por se dissipar (
Buenos AIres Zero Hour); uma animação tecnicamente irrepreesnsível acerca de um astronauta rockabilly com um final em homenagem a Carpenter (
Cosmix); e uma história de amor agridoce, com o grande João Lagarto (
Pastotal).
Das longas,
Noite Escura veio consolidar o estatuto de filme português de 2004 e voltar a lembrar o portento que fez Beatriz Batarda - fica
aqui a crítica passada, em que a nota final deve ser revisitada um nível acima - e
A Cara Que Mereces, que se apresentou com um cartão de visita de críticas completamente díspares, que fazia crescer a curiosidade.
Título:
A Cara Que MerecesRealizador: Miguel Gomes
Ano: 2004

Diferente - é este o melhor adjectivo e o melhor elogio que se pode fazer à estreia de Miguel Gomes nas longas-metragens, face ao panorama actual do cinema nacional.
"Para os jovens de coração" devia ser o dístico de abertura do filme; no entanto, "até aos 30 anos tens a cara que Deus te deu, depois tens a cara que mereces" é uma frase que diz muito de
A Cara Que Mereces, porque este também tem duas caras, também elas completamente díspares: a primeira, um interessante e promissor dia de aniversário de Francisco (Pedro Airosa), antes de ser remetido para uma cama, a contas com sarampo; e a segunda, um delírio não assumido de redenção introspectiva, premeditada mas sem sentido, dividida em "sete anões".
Enquanto Miguel Gomes se mantém fresco e coerente, muma primeira parte evrdadeiramente interessada, amscarada de musical, qual
8 Mulheres,
A Cara Que Mereces é um óptimo feel-good movie acerca da meia-idade; depois, quando se arma em David Lynch juvenil, de jogos lúdicos com regras pré-definidas, chega a ser medíocre, apesar de algum do bom humor nunca se perder. Os actores da segunda parte é que também não ajudam em nada.
Miguel Gomes desconserta; no entanto, arrisca tudo ao retirar a rede ao espectador. O resultado? O espectador cai desamparado.
A Cara Que Mereces não deixa de ser um filme original e, sobretudo, diferente, o que é um melhor elogio que o Double Cheeseburger.
Posted by: dermot @
10:39 AM
|