Sexta-feira, Abril 22, 2005
ALTA FIDELIDADE:
Título:
High FidelityRealizador: Stephen Frears
Ano: 2000

Comecemos pelo final:
Alta Fidelidade é um excelente filme, muito certinho, adaptado do excelente romance homónimo de Nick Hornby. No entanto, à semelhança de filmes como
Quase Famosos, facilmente passa para níveis acima de satisfação, os da galvanização e da glorificação, se formos melómanos ou simples amantes da música; porque é esta a medula óssea do filme, a essência da história e aquela metade que não se vê nem se toca. É que ver Cusack, Black e Louiso elaborarem o “top cinco” das melhores canções para um funeral é uma coisa; e vê-lo, conhecendo as músicas que são sugestionadas, é outra coisa completamente diferente.
John Cusack é Rob Gordon, dono de uma loja de discos usados em Chicago – onde trabalha com os
dois irmãos gémeos maluquinhos da música, Dick (Todd Louiso) e Barry (Jack Black) - e dono de uma vida em pantanas, acabado de ser largado pela namorada, Laura (Iben Hjejle).
Alta Fidelidade é de certa forma, uma comédia romântica acerca deste melómano e apreciador de listas e “topes cincos”, desventurado no amor, mas com uma grande capacidade de síntese das suas relações.
O principal trunfo do filme começa por ser a sua originalidade. John Cusack é o protagonista desta história e como tal, assume o lugar de narrador, conversando abertamente com o espectador, olhos virados para a câmara. E depois, nesta sinceridade frontal, Cusack disseca a sua vida, as mulheres, o amor, as suas relações, os amigos, o trabalho, tudo numa perspectiva essencialmente machista.
O segundo trunfo é o próprio John Cusack. Mesmo para os que alinham na equipa dos que têm um ódio de estimação pelo actor (e são muitos), é impossível não ficar rendido à sua prestação: realista, sincera e confidente, Cusack torna-se um de nós, com quem nos identificamos rapidamente e que se torna impossível não gostar.
Quanto à veia melómana do filme não passa por estala-la em altos decibéis numa paleta de músicas bem escolhidas; esta escolha está lá, mas é administrada de maneira diferente, ilustrando caminhos, relações e sentimentos. A música em
Alta Fidelidade assume, literalmente, o lugar de banda-sonora da vida – e o exemplo de Bruce Springsteen, o
boss em carne e osso, a dar conselhos à guitarra é fabuloso.
Alta Fidelidade é uma divertida comédia, com bons momentos de cinema e de entertenimento. Ao lado de Cusack, desfila ainda Jack Black, que quer queiramos quer não, é um dos mais divertidos actores da sua geração quando não abusa do overacting (e que parece ter começado aqui a sua aventura em
A Escola Do Rock) e um pequeno número de grandes nomes em papéis menos grandes, deonde se destaca Tim Robbins, numa caricatura engraçadíssima, qual fusão entre Steven Seagal e Tom Cruise em
Magnolia.
Top 5 dos melhores filmes melómanos de sempre: 2º lugar (Le Big Mac) –
Alta Fidelidade.
Posted by: dermot @
6:38 PM
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