Quinta-feira, Março 31, 2005
RELATÓRIO KINSEY:
Título:
KinseyRealizador: Bill Condon
Ano: 2004
Relatório Kinsey é óbvio e não quer enganar ninguém: não é mais do que um bio-pic acerca de Alfred Kinsey, o primeiro e o mais importante sexólogo da história da nossa sociedade. No entanto, o realizador agarrou com uma só mão todos os grãos de areia que consituiam essa história e, infelizmente, não se preocupou com os que escorregaram por entre os dedos.
O complicado em
Relatório Kinsey não era retratar a vida e a carreira do metódico Kinsey, sexólogo, biólogo e psicólogo; o complicado era conseguir retratar a sociedade retrógoda dos anos 40 e o choque que foi aparecer alguem como o professor Kinsey. E, por estranho que pareça, Bill Condon conseguiu o mais difícil e falhou no aparentemente mais fácil.
Alfred Kinsey (Liam Neeson) defendia que o sexo de qualquer espécie, enquanto necessidade fisiológica, não devia ser reprimido perante quaisquer barreiras socio-culturais, uma vez que tal inibição provocaria frustração e disfuncionalismo a vários níveis. Claro que esta posição numa sociedade altamente conservadora, moralista e religiosa, que acreditava piamente que a masturbação provocava cegueira, por exemplo, nunca seria vista como algo inferior ao choque. No entanto, os seus estudos abriram a mente e os olhos ao mundo e abanaram definitivamente, a estrutura socio-cultural da sociedade ocidental.
Os relatórios de Kinsey eram o que o mundo necessitava. Mas se este estava preparado para uma abordagem total ao sexo, que o diga Clyde Martin (Peter Sarsgaard), para tolerar as necessidades sexuais de Mac (Laura Linney), a sua esposa, e para enfrentar o conservadorismo rigoroso do seu pai (John Lithgow), não estava, porém, preparado para o declínio da sua ascensão, quando o sensacionalismo das suas ideias entrou no mainstreem. E é neste ponto que o realizador Bill Condon vacila.
Mas o seu pecado não é só na orientação das personagens. É, sobretudo, quando cai na tentação de entrar na dramatização lacrimejante, querendo pôr Kinsey numa posição
bigger than life. Assim, Kinsey termina os seus dias (leia-se "filme") como um fantasma, longe da condição terrena que merecia.
Para finalizar, uma palavra ao leque de actores: Liam Neeson parece acenar e esbracejar por mais atenção, relembrando que é um actor que merece os melhores palcos; e desde A Lista De Schindler que não alinha ao mais alto nível. Peter Sarsgaard, por sua vez, começa a perfilar-se como um cada vez mais sério candidato para o assalto ao estrelato. E por fim, uma grande palavra ao não menos grande
John Lithgow, um dos mais divertidos e expressivos actores ingleses, cuja presença é uma benção em qualquer que seja o filme.
Relatório Kinsey é um filme simpático, decente e competente. Tudo adjectivos que se confundem com o próprio McBacon.
Posted by: dermot @
9:53 AM
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