Domingo, Março 13, 2005
OLDBOY - VELHO AMIGO:
Estreou esta semana em Portugal o último sucesso do super-realizador Park Chan-wook, o último volume da sua Triologia da Vingança. Acoplado o subtítulo de Velho Amigo,
Oldboy venceu o Grande Prémio do Júri no Festival de Cannes em 2002, com Quentin Tarantino a liderar o elenco do júri e agora, finalmente, chega às salas nacionais.
O Royale With Cheese recupera do fundo do baú a crítica opinativa deste clássico instantâneo da violência estilizada.
Título:
OldboyRealizador: Chan-wook Park
Ano: 2003

A maioria da opinião geral é que o cinema oriental não passa de filmes de artes marciais de qualidade duvidosa, limitados a uma fiél falange de admiradores. Os factos é que
Oldboy é um filme oriental, não é de artes marciais e de qualidade duvidosa, não tem absolutamente nada.
Realizado pelo promissor coreano Chan-wook Park, o qual promete ser um nome a decorar num futuro próximo,
Oldboy foi o vencedor do prémio Grand Prix na última edição de Cannes. E depois de assistir a este filme, apenas uma das duas possibilidades é possível: ou
Fahrenheit 9/11 é uma soberba peça de cinema; ou então, a decisão de Tarantino e o restante juri não foi mais que uma decisão política.
Oh Dae-su (Min-sik Choi) é um vulgar cidadão que certa noite é atirado para um minúsculo apartamento, de porta trancada e com uma fotografia de uma paisagem a subsituir a janela. E durante quinze anos (!) a sua única companhia vai ser a televisão.
Sem saber quem e o porquê do seu cárcere naquela prisão improvisada, Oh Dae-Su tem tempo para enlouquecer, amadurecer e fortalecer, enraizando nas veias todo o conceito da palavra vingança.
Na história recente do cinema, quando falamos de vingança, falamos de
Kill Bill - uma e outra coisa são a mesma, confundem--se.
Oldboy também é um filme de acção, sobre vingança; e é sem dúvida, um filme que Tarantino gostaria de ter realizado. Mas enquanto que
Kill Bill obedece ao pranto de "a vingança é um prato que se serve frio",
Oldboy reza mais, não tanto pelo "a vingança é melhor servida a quente e acompanhada com um martelo de orelhas" como escreveu um colega, mas principalmente pela passagem bíblica de "olho por olho, dente por dente".
Porque
Oldboy é isso mesmo! Apesar de os adjectivos de cruzarem, há uma enorme discrepância no significado das palavras. Porque se
Kill Bill é um jornada épica,
Oldboy é uma jornada bíblica.
Mas não se pense que obedece aos parâmetros tradicionais, com jactos de sangue e muitas mortes. Antes pelo contrário. Chan-wook Park é um dos mais interessantes realizadores da actualidade - é sem dúvida o filho que Kubrick teria de Tarantino, se isso fosse possível - e neste
Oldboy filmou uma história urbana como só os orientais conseguem fazer, através de inovadores planos de perfil, que nos fazem parecer que estamos a ler a original banda-desenhada manga em que o filme se baseia , e através de maravilhosas cenas, quais fotografias instantâneas de aparência a obra de arte expressionista. É certo que por vezes podem haver fios soltos do enredo; mas quem é que quer saber disso depois de assisitirmos a um homem a socar com as próprias mãos, mais de uma dezena de indivíduos?
Oldboy é uma peça de culto automática. Um filme que constantemente nos atinge, ora na cara, ora no estomâgo, mas que só nos faz voltar a erguer, cada vez mais rápido, na avidez de devorar cada momento. Um filme intenso, fazendo lembrar a sensação de assistir a
Irreversível, mas sem dramatismos visuais e sonoros físicos. Aliás, uma das armas de Park, é conjugar as cenas mais violentas com música clássica, tranformando-as assim em poesia, tal como Kubrick em
Laranja Mecânica.
É sem dúvida, um filme obrigatório, que mal acaba, pede para ser visto outra vez. E outra vez. E ainda outra vez. E Chan-wook Park vai ser uma referência próxima na sétima arte.
E como não poderia deixar de ser, um Royale With Cheese. E porque não dois?
Posted by: dermot @
12:07 PM
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