Quarta-feira, Março 09, 2005
O TRANSPORTADOR:
Título:
The TransporterRealizador: Louis Leterrier & Corey Yuen
Ano: 2002

Franceses e norte-americanos uniram-se para assinar um excitante e incomparável blockbuster, moderno e violentamente estilizado. Para isso, juntaram ao realizador Louis Leterrier dois especialistas na matéria: o chinês Corey Yuen, habituado às coreografias circenses de Jet Li e o argumentista francês Luc Besson, autor do guião de outro sucesso do mesmo género,
Taxi.
O tiro saiu pela culatra, e
O Transportador transformou-se em mais um action movie, para homens e para ver sem o cérebro.
O Transportador tem um início deveras promissor, em muito devido à personagem principal: Frank Martin (Jason Statham) é um transportador profissional, meticuloso, que ouve música clássica durante as suas perigosas tarefas e que tem um BMW com a matrícula JFK. O primeiro sinal de que o filme pode vir a correr mal dá-se quando a música clássica é substituída abruptamente por um qualquer hip-hop. No entanto, a interessante perseguição automóvel que se segue, que bem podia subir ao pódio atrás das de
Um Golpe Em Itália e
Ronin, faz-nos crer que tal não passou de um equívoco. Afinal, a partir daí, o caminho é sempre a descer.
O Transportador deixa de ser o flick de acção moderno e estilizado que queria ser e começa a entrar numa metamorfose kafkiana, até acabar num action movie, ao bom jeito de
XXX - Missão Radical. Frank Martin é uma fusão de Stallone, Schwarzenegger e Van Damme, que queria ser
Desperado. O seu carácter meticuloso e metodista afinal não era mais do que uma capa, que rapidamente é despida, deixando entrar em cena uma sensual oriental, Lai (Qi Shu), que o vai levar a enverdar numa teia de mistério e acção descabida, às mãos do playboy da máfia Wall Street Bettencourt (Matt Schulze).
Em vinte/trinta minutos, o filme deixa de ser sobre um transportador e passa a ser sobre um ex-super-militar. Porquê? Nunca se sabe. A razão porque Lia vai ser transportada mantem-se numa incongruência até ao final, que não é mais do que uma das muitas do guião.
O Transportador começa a perder o seu lado cool e o seu estilo, até descambar num bocejo de coreografias de acção e clichets de action movie: Frank Martin é um super-herói, que enfrenta sozinho um enorme batalhão, armado com metralhadoras, bazucas e mísseis. Claro que quando o herói está desarmado, os inimigos atacam-no com as mãos nuas, uma vez que todos os capangas são mestres em artes marciais. Fora isto, Frank Martin tem tempo para seduzir mulheres à primeira vista e tem sabedoria o suficiente para ter todo o material de guerra apropriado a cada ocasião, incluindo um estetoscópio(!). E como não poderia deixar de ser, as balas atravessam sempre paredes maciças, mas um corpo humano ou uma porta de madeira servem de eficazes escudos.
Os filmes de acção nem sempre precisam de uma boa história para serem interessantes, se souberem ser originais e imaginativos. Não necessitam de bons efeitos especiais, se souberem ter adrenalina. E não precisam ter um exemplar guião, se deixarmos o nosso cérebro à porta do cinema. No entanto,
O Transportador esquiva-se a isto tudo. Pelo menos Jason Statham é melhor que Vin Diesel, mas em compensação Matt Schulze é terrível. Salvam-se algumas interessantes coreografias, uma boa perseguição automóvel (se exceptuarmos os momentos à-
Velocidade Furiosa) e alguns pormenores. E o Happy Meal já engloba o bónus por ser mencionado o fantásico Proust.
Posted by: dermot @
7:23 PM
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