Domingo, Março 20, 2005
GARDEN STATE:
Título:
Garden StateRealizador: Zach Braff
Ano: 2004

Desde 1991, com
Cães Danados, que o festival de Sundance se tornou a principal montra do cinema independentes. Por isso, é comum que os filmes que saiam do certame com boas indicações venham atolados de enormes expectativas.
Garden State, a estreia de Zach Braff por detrás das câmaras, foi o grande protagonista da última edição de Sundance. No entanto, após vermos o filme, não podemos deixar de nos sentir desiludidos. Não é que
Garden State seja uma fraude - e aqui, recordo-me sempre de
As Regras Da Atracção - mas inequivocamente, é mais olhos que barriga.
Zach Braff assume o papel principal de Andrew Largerman, um jovem adolescente que viveu toda a sua vida anestesiado por um sem número de sedativos e calmantes. Ausente da vida, Andrew regressa a casa após nove anos, para o funeral da sua mãe, abandonando pela primeira vez as drogas. E é então que Andrew vai conhecer a realidade na primeira pessoa, reecontrando inúmeros amigos, que apesar de não tomarem medicação, encontram-se também alheados da vida, cada um à sua maneira - seja Mark (Peter Sarsgaard), que prefere manter-se longe do sucesso, por preferir ser medíocre, ou seja Dave (Alex Burns), que apesar de ter conseguido vencer na vida, não sabe o que fazer com a vitória - e encontrando o amor, sob a forma da bela Sam (Natalie Portman) que o vai fazer tomar o gosto do prazer, da dor, da desilusão e da felicidade.
Garden State aparenta ser mais nobre do que realmente é. Claro que tem todo o aspecto de the next big thing do cinema indie: uma fotografia bem cuidada, uma banda-sonora de excepção à boa maneira de Sofia Copolla, disfuncionalismo familiar, algumas cenas que fazem mesmo rir e uma química especial entre os dois protagonistas, No entanto, o caminho dramático que segue não é bem conseguido, porque Zach Braff não tem a mestria do certeiro Wes Anderson, nem a presunção de Vincent Gallo, o que o faz ficar num meio-termo, indefenido, como se o filme pisasse o limbo.
Zach Braff habituou-nos a vê-lo na destravada série
Médicos E Estagiários e em
Garden State, apesar do caminho dramático, não está muito distante desse registo. No entanto, é na comédia que Braff resulya melhor. Aqui, chega a ser irritante, como se fosse a própria depressão encarnada. Talvez devesse ter observado Alan Ruck em
O Rei Dos Gazeteiros.
Em contrapartida, Natalie Portman deslumbra, provando ser já uma actirz com letra maiúscula, roubando para si todo o protagonismo das cenas em que aparece, criando uma personagem cativante e sedutora.
Seja como for,
Garden State é um retrato da última geração, mas que é extremamente sobrevalorizado. Por isso, o McBacon é substituído por um McChicken, para refrear possíveis expectativas.
Posted by: dermot @
9:51 PM
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